Canto I, estância 22
Estava o Padre ali sublime e dino, Que vibra os feros raios de Vulcano, Num assento de estrelas cristalino, Com gesto alto, severo e soberano. Do rosto respirava um ar divino, Que divino tornara um corpo humano; Com uma coroa e ceptro rutilante,
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A Júpiter Supremo Deus do Olimpo
Númen que tens do mundo o regimento, Se amas o bem, se odeias a maldade, Como deixas com prémio a iniquidade, E assoçobrado ao são entendimento?
Como hei de crer que um imortal tormento, Castigue a uma mortal leviandade? Que seja ciência, amor ou piedade Expor-me ao mal sem meu consentimento?
Guerras cruéis, fanáticos tiranos, Raios, tremores, e as moléstias tristes, Enchem o curso de pesados anos;
Se és Deus, se isto prevês, e assim persistes, Ou não fazes apreço dos humanos, Ou qual dizem não és; ou não existes.
Alexandre de Gusmão
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