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LIVROS que têm haver, quer dizer, a ver...

NA PIOR EM PARIS E LONDRES - George Orwell (Companhia das Letras)
 
Alegre-se. Ao fazer esse roteiro, talvez você se depare com um alguma versão moderna de George Orwell, que comeu o pão que o Diabo amassou com o rabo nos becos da belle époque parisiense e londrina. Se não com ele, pelo menos com os percevejos _certamente não os franceses; quando muito, alguns de Betim. Devido ao espírito do projeto, nunca poderia ter adquirido o livro pelos meios convencionais (compra). Por isso, agradeço a Larrisa Guimarães pela gentileza do empréstimo. Tadinha, ela ainda acha que voltará a vê-lo um dia...
 
MISTO-QUENTE - Charles Bukowski (L & M Pocket)
 
A idílica infância e adolescência de Henry Chinaski, alter ego de Bukowski, certamente diz respeito a esse projeto. Se não pelos pardieiros que destruiu, pelo menos pelo pensamento que surge na hora em que, todas as manhãs, se decide enfim jogar as pernas para fora da cama: "Jesus Cristo, o que mais agora"?!

CONFISSÕES DE UM VIRA-LATA - Orígenes Lessa (Ediouro)
 
Sem dúvida, esse belo livro tem alguma responsabilidade sobre o que ando fazendo ultimamente. E foi o primeiro livro que me emocionou (ou foi o do fusca? Maldita memória...)
 
O CORTIÇO - Aluízio Azevedo (várias editoras)
 
A estalagem de João Romão, na Botafogo da época imperial, reúne à perfeição a diversidade humana que esse projeto sugere. Possivelmente você foi obrigado a ler esse livro no ginásio, ao lado dos torturantes José de Alencares. Mas não hesite: embora aqui e ali seja recomendável um pai-dos-burros para elucidar palavras perdidas no pó dos anos, o livro é tremendamente bem escrito, de uma criatividade e profundidade que rivalizam com os bons Machados de Assis. Como não se encantar, por exemplo, ao descobrir este elegante ascendente de um de nossos principais insultos modernos: "Ora, vá à pata que o pôs"!
 
A ARTE DE ANDAR NAS RUAS DO RIO DE JANEIRO - Rubem Fonseca (em CONTOS REUNIDOS, da Companhia das Letras)
 
Embora cita apenas este conto de Rubem Fonseca, toda a obra do autor traz em sua alma aquilo que você encontrará, queira ou não, ao andar nas ruas do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Paris, Nova York...
 
HILDA FURACÃO - Roberto Drummond (Siciliano e Geração Editorial)
 
Embora tenha certa impaciência com o estilo narrativo do autor, o livro é ambientado em uma região essencial ao projeto. Famoso em Minas, Drummond (1933-2002) chegou ao ápice em 1998, quando a TV Globo veiculou uma minissérie baseada no livro. A cortesã Hilda Furacão, que azucrinou a conservadora sociedade mineira dos anos 50 e 60, me desculpem os românticos e sonhadores, não existiu. É personagem de ficção, uma soma de várias mulheres reais e imaginárias, cosidas em meio a uma inverossímil trama novelesca, e que ganhou ares de não-ficção devido à tática do autor de rechear o seu romance com locais, acontecimentos e personagens reais. Com auxílio de um eficiente marketing televisivo, a estratégia deu tão certo que, no mês de lançamento da minissérie, incautas reportagens de jornais e revistas tomaram como fato a existência da mulher (e o que é mais incrível, algumas ainda hoje tomam!), relatando aos ainda mais incautos leitores "impressões" de pessoas que a teriam conhecido e a existência da belíssima e bem-nascida jovem que trocou propostas de casamento milionárias para se instalar no quarto 304 do Maravilhoso Hotel, na rua Guaicurus, hoje coração do baixo meretrício de Belo Horizonte _esse sim, local real e concreto, como veremos nesse projeto.
 
DEZ ROTEIROS HISTÓRICOS A PÉ EM SÃO PAULO - vários autores (Narrativa.Um)
 
Ganhei esse livro de um grupo de amigos de São Paulo. Decididamente, são dez belos roteiros, embora alguns sejam narrados quase exclusivamente sob uma ótica arquitetônica fastidiosa. Seis dos dez roteiros são ambientados exclusivamente no centro. Imperdíveis, todos eles. E nunca deixe de acrescentar lugares que, no caminho, lhe cair à vista. Para ler, um dos melhores é o da avenida São João, assinado pelo arquiteto e urbanista Michel Todel Gorski. Mas não deixe de fazer o roteiro dos jardins e, principalmente, o da tradicionalíssima Mooca. Eu andei sem rumo pelas ruas do bairro (antes de ler o livro): é realmente um dos melhores locais de se ver em São Paulo. 
 
NOVA YORK, ANTES E DEPOIS DO ATENTADO - Sérgio Dávila (Geração Editorial)
 
A primeira parte do livro reúne 24 crônicas de Nova York antes dos ataques terroristas. Não é um roteiro pé-sujo, mas uma coletânea de episódios e locais que fogem ao lugar-comum. E escrita em muito bom estilo.
 
 
SÓ EM BEAGÁ - Eduardo Ferrari (Medialuna)
 
Crônicas e reportagens sobre casos, locais e histórias fundamentais de BH, como a lenda da Loira do Bonfim.
 
LIVRARIA AMADEU - João Antonio de Paula (Conceito)
 
História do mais famoso livreiro de Belo Horizonte, morto recentemente aos 92 anos: "seu" Amadeu, não um mero mercador de livros, mas um apaixonado pela literatura.