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Dicas de preparação para o Concurso para Habilitação de Tradutor Público e Intérprete Comercial

Estas dicas são apresentadas com base no Concurso para Habilitação de Tradutor Público e Intérprete Comercial (TPIC) realizado no Estado de Minas Gerais. Considerando que tais concursos são todos regidos pela mesma lei (Lei 13.609/43, regulamentada pela Instrução Normativa nº 84/2000 do DNRC) é bastante provável que concursos realizados em outros Estados seguirão o mesmo padrão.

Atualmente, após muitos anos sem concursos, algumas Juntas Comerciais estão realizando as provas para habilitação de TPIC. Em 2008, em Minas Gerais. Em 2009, em Santa Catarina. E há previsão de realização do concurso em breve no Rio de Janeiro. Muitos candidatos têm escrito em busca de dicas.

Dicas para a prova escrita:
1 - Leia o Edital do Concurso. Informe-se sobre quais os temas a serem traduzidos. Provavelmente haverá a tradução de cartas rogatórias, procurações, cartas partidas, passaportes, escrituras notariais, testamentos, certificados de incorporação de sociedades anônimas e seus estatutos, nos termos da lei de regência do concurso.

Em seguida, busque no Dicionário de Direito, Economia e Contabilidade: Inglês-Português / Português-Inglês todos os verbetes relativos a esses temas. Por exemplo, o verbete FRETAMENTO, que contém uma parte do vocabulário utilizado em cartas partidas.

O candidato deve memorizar a tradução dos diversos termos constantes em tais verbetes. A memorização é importante para conferir agilidade e vantagem competitiva durante a prova.

Isso porque o teste de tradução, no concurso para TPIC, avalia não só a capacidade técnica, mas também a velocidade com a tradução é feita. O domínio de todo o vocabulário relativo aos temas do concurso, portanto, é de fundamental importância para o sucesso no concurso.

O mesmo deve ser feito com outros verbetes. Por exemplo, o verbete TESTAMENTO contém diversas expressões que devem ser memorizadas pelo candidato.

A preparação para o concurso de TPIC certamente não se limita à memorização. Mas esse é um aspecto fundamental, que deve ser bem treinado e considerado pelo candidato.

2 - Outra dica, refere-se ao treinamento da tradução de contratos e cartas rogatórias.

Para tanto, sugere-se ao candidato diariamente reservar um tempo, não precisa ser muito, 20 minutos são suficientes, para estudar os Anexos do Dicionário de Direito, Economia e Contabilidade sobre a tradução de contratos, cartas rogatórias e outros documentos jurídicos.

Esses anexos contém a versão bilíngüe destes documentos, em formato de tabela: à esquerda o original e à direita sua respectiva tradução.

Tape a tradução com uma folha de papel, e tente escrever à mão a sua própria versão. Em seguida, destape a tradução no Dicionário e verifique a correição de seu trabalho. Ao repetir tal procedimento diariamente, em poucas semanas o candidato estará proficiente na tradução dos modelos desses documentos.

Na era do computador e da digitação, é muito importante realizar estes treinamentos escrevendo à mão, para treinar a agilidade e a caligrafia para o concurso.

O Dicionário de Direito, Economia e Contabilidade possui muitos outros recursos importantes para o treinamento da prova. O candidato deve explorar os recursos desta obra com calma e montar seu próprio método de estudo.

3 - Uma outra dica excelente: a melhor forma de treinar tradução é o hábito de leitura de obras de literatura clássica, tais como Machado de Assis, Eça de Queirós, Charles Dickens, Joseph Conrad, e outros.

Todavia, em razão da exigüidade do tempo para o concurso, existe uma excelente coleção de treinamento de vocabulário da Cambridge University Press: English Vocabulary in Use; English Grammar in Use; English Phrasal Verbs in Use; English Idioms in Use, e outros.
Estas obras podem ser adquiridas via amazon.com ou em livrarias especializadas em ensino de línguas. Estude estes livros e faça os exercícios. E busque estudá-los de uma forma ativa e prática, traduzindo todos os termos e expressões apresentados.

Além disso, por óbvio, leia uma gramática de sua escolha da língua portuguesa, de preferência uma que contenha exercícios.

4 - Dicionários: estudantes mais avançados da língua inglesa têm a tendência a não utilizarem dicionários bilíngues, preferindo os dicionários monolíngues. Todavia, o candidato ao concurso de TPIC deve voltar-se para o uso de dicionários bilíngues. Isso para praticar a própria tradução. O uso exclusivo de dicionários monolíngues pode fazer com que o candidato muitas vezes saiba exatamente o significado de uma palavra, mas não saiba como vertê-la para o outro idioma.
Nesse contexto, um ótimo dicionário é o Password da Editora Martins Fontes. Esse pequeno dicionário traz a definição de todos os verbetes em inglês e a sugestão de sua versão em português. Folhear este dicionário, grifando os termos e expressões traduzidos, é excelente prática para o concurso. Outro dicionário recomendável é o clássico Michaelis Ing-Port-Ing, da Melhoramentos.
Outro dicionário bilíngue muito recomendável é o Michaelis Dicionário de Phrasal Verbs Ing-Port. Um pequeno dicionário, mas que traz ótimas soluções de tradução de phrasal verbs. 
Mas nunca abandone os dicionários monolíngues, pois apenas eles proporcionam um verdadeiro conhecimento aprofundado do idioma. 
O candidato, ao consultar dicionários monolíngues, deve sempre se atentar não só para a definição das palavras, mas também para os seus sinônimos. O domínio da sinonímia é essencial para que o tradutor tenha flexibilidade e desenvoltura para encontrar rapidamente soluções de tradução.  
5 - Outra dica importante: cuidado com rascunho durante a prova. Muitos candidatos não conseguem passar a limpo o rascunho da tradução e com isso são eliminados.

O concurso para habilitação de TPIC, com muita correição, avalia a velocidade com que o tradutor irá realizar o seu trabalho. Isso para aferir se o candidato estará apto a cumprir os rigorosos e curtos prazos exigidos no mercado de tradução.

Portanto, o candidato não deve fazer um rascunho completo da tradução. Sugere-se que, ao iniciar a prova, o rascunho seja limitado e contenha apenas um esboço do trabalho a ser feito.

Em primeiro lugar, o candidato deve ler o texto a ser traduzido e transcrever no rascunho a tradução de todas as frases e termos mais difíceis encontrados no texto. Isso para evitar os tão indesejados “brancos”, ou falhas de memória, que podem ocorrer em momento de stress.

Passe para o rascunho a tradução de todos os termos difíceis que forem prontamente recordados. Faça um esboço da tradução.

Em seguida, com calma inicie a tradução definitiva. Não se preocupe com erros. Basta passar um traço sobre o erro e continuar a escrever.

Mas não deixe de ler as instruções no caderno de prova, para saber pontos específicos do regulamento do concurso sobre como riscar os erros. Lembre-se que concursos públicos não admitem o uso de corretivos ou prova a lápis.

Dica para a prova oral: leia bastantes artigos de jornais e revistas, tanto em inglês quanto em português. Isso porque a prova oral foi baseada na leitura de textos jornalísticos e sua tradução simultânea.

Dê ênfase a textos sobre economia e comércio, pois tais foram os temas abordados.

Sugestões: websites do NY Times, The Economist, Financial Times e Wall Street Journal.

Em português: preferencialmente os editoriais e os artigos da Sessão Dinheiro da Folha de São Paulo. Ou então os jornais Gazeta Mercantil e Valor Econômico.

Busque ler em voz alta pelo menos um artigo em português e um em inglês por dia. A leitura em voz alta é importante para o treinamento da dicção e da entonação, que são quesitos avaliados no Concurso.

Em seguida, releia os mesmos artigos, mas desta vez traduzindo em voz alta, simultaneamente, frase por frase, para a outra língua. Esta foi uma das etapas da prova oral no concurso em Minas Gerais.   

Estas são breves dicas para o Concurso para Habilitação de Tradutor Público e Intéprete Comercial. Cada candidato, com o tempo, desenvolverá seu próprio método de estudo.

Desejamos a todos uma excelente prova.

Marcílio Moreira de Castro

Belo Horizonte, 15 de maio de 2009