Comunicação Digital
A escola na era da digitalização
Por: Lilian Alves
Quando lembramos de escola logo vem à nossa cabeça o tradicional quadro negro e o professor com sua régua gigantesca a apontar o conteúdo a ser estudado; todos os estudantes têm a obrigação de fazer os deveres em sala e de casa, se não ganham ponto negativo. Mas essa é uma visão que aos poucos está mudando, principalmente nas sociedades mais desenvolvidas tecnologicamente: o professor já não pode atuar como portador único de conhecimento, mas transforma-se em um mediador, que tem o mais importante dever de fazer os alunos refletirem sobre o que está sendo estudado.
Quanto mais a tecnologia avança mais rápida é a chegada de novas informações à sociedade, que, por sua vez, precisa estar constantemente atenta a mudanças e aberta à renovação dos saberes. Um simples exemplo é o fato da necessidade que os trabalhadores, desejosos de subir em sua carreira profissional, precisam de, no mínimo, ter uma boa noção de informática. Trabalhar atualmente, mais do que nunca, é um exercício de aprendizado onde se obtém um conhecimento que precisa ser compartilhado para produzir novos conhecimentos, formando desse modo uma inteligência coletiva.
Segundo Pierre Lévy em seu livro Cibercultura, o maior meio de adquirir essa inteligência coletiva é pela Internet. A Web, na opinião do filósofo, tem pontos de vistas transversais e diversificados, é um fluxo constante onde o saber é indomável e todos, democraticamente, podem navegar. A escola, por sua vez não pode estar alheia a essa evolução tecnológica. Lévy afirma que a educação a distância e o uso de computadores em sala de aula antes era um "estepe" para a educação, no futuro se transformará em norma. Urge, então, uma nova pedagogia de ensino. Aos poucos as escolas e as universidades irão perdendo o monopólio do ensino, deixando que seus estudantes através de suas experiências com a digitalização formem suas próprias "árvores de conhecimento". Os políticos precisarão estar atentos a essas mudanças, pois além de atingir o plano educacional, a informatização terá (e já tem) grande influência na economia.
Entretanto, analisando-se mais profundamente a questão da digitalização na escola, é quase uma ilusão ser tão esperançoso como Pierre Lévy. Sabe-se muito bem que a Internet não é a fonte mais segura de se adquirir informações sobre determinado assunto e, muito menos, o melhor meio de se obter informações detalhadas do que se deseja pesquisar. Além disso, ela já é causa de um grande número de dependentes em jogos de computadores e propicia, querendo ou não, uma certa distância entre as pessoas.
Não é meu objetivo dar voz ao conservadorismo, mas, particularmente, não confio que as tecnologias podem ajudar de uma forma revolucionária a vida da humanidade e a melhorar o ensino, se não for distribuída igualmente entre todos. Ela pode até ser fonte de inteligência coletiva, mas precisa ser direcionada para isso. Mas, ora, não estamos falando de países da Europa ou dos Estados Unidos; estamos no Brasil, onde a educação, juntamente com o povo são marginalizados do saber. Boa parte dos brasileiros sabem somente escrever o nome, são analfabetos funcionais, as políticas públicas não se interessam por melhorar a condição social dos mais pobres e os donos do poder querem que isso continue do mesmo jeito: Ordem e Progresso!! A ignorância do povo é a força dos poderosos.
A digitalização é muito boa por um lado: quebra fronteiras e permite o desenvolvimento. Mas é muito ruim por outro: causa a alienação e a discriminação dos mais pobres no mundo. Permitir aos alunos escolas high-tech é um grande feito, porém mais importante do que isso é fazê-lo pensar. Hoje, fazemos curso de informática para sermos melhores no mercado de trabalho e só. Se tecnologia é somente instrumento de competição melhor é esquecê-la, pois ninguém quer que outra Guerra Fria ocorra. O que precisamos é de que ela seja distribuída igualmente para que todos tenham a chance de se desenvolver não somente socialmente, mas também humanamente.
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Ciberespaço e ensino a distãncia O papel do professor na aprendizagem virtual
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