
Onisaburo Deguchi
Quando regressou a Tanabe o seu pai já havia falecido. A morte do pai abalou Ueshiba psicologicamente.
Incapaz
de esquecer o seu encontro com Onisaburo Deguchi, decidiu voltar a Ayabe para procurar a paz
interior numa vida ascética dentro dos princípios da Omoto-kyo.
Ueshiba recomeçou a sua vida na comunidade de seguidores da religião Omoto com a sua esposa, Hatsu,
a filha de 8 anos, Matsuko e os dois filhos, Takemori (com 3 anos) e Kuniharu (6 meses) que faleceram logo
após a mudança para Ayabe. Abraçou entusiasticamente a vida simples dos membros da seita e depressa se
tornou parte do núcleo interno de apoiantes de Deguchi. Este ficou impressionado com os conhecimentos de
artes marciais de Ueshiba e encorajou-o a ensinar os seguidores interessados da religião Omoto. Isto levou
à abertura da "Escola Privada Ueshiba" em sua casa, onde Ueshiba ensinou Daito-ryu Aikijujutsu.
Em 1922, Morihei Ueshiba recebeu uma visita do seu professor Sokaku Takeda. Durante esta visita, que durou
6 meses, este ensinou muitos dos membros da seita na casa de Ueshiba, tendo-lhe atribuído no final da estadia
o certificado formal de ensino.
Em 1924, Deguchi convida Ueshiba para irem à Mongólia estabelecerem novo ponto de difusão da religião.
Ueshiba aceita e partem juntos com um pequeno grupo de companheiros de confiança. Todavia, problemas
políticos na China ocasionam grandes dificuldades. O grupo é perseguido e capturado, encarcerado e torturado.
Após cinco meses de negociações, o consulado japonês consegue a libertação dos sobreviventes.
Ao retornar dessa aventura, Morihei Ueshiba passa a morar em Ayabe, sede central da Omoto. Encorajado
por Deguchi, isola-se do mundo e dedica-se à meditação e ao estudo da essência do Budo.
Os oito anos passados nas montanhas de Ayabe foram decisivos para o desenvolvimento espiritual de Ueshiba:
estuda filosofia Xintoísta (origem da Omoto) e domina o conceito de Koto-Tama (algo similar aos mantras).
É durante esse período de meditação e reflexão que lhe começam a surgir perguntas tais como:
"De que serve vencer aos outros, seja com uma técnica ou outra ?"
"Se hoje ganhei, amanhã ou mais tarde perderei. O vencedor de hoje é o perdedor de amanhã."
"O campeão forte de hoje, amanhã se defrontará com um adversário mais jovem e perderá."
"Isto significa, então, que a vitória é algo relativo! Será que existe a vitória absoluta? Que importância tem para cada um?"
Isolado nas montanhas, longe do mundo cotidiano, vivendo como um eremita, praticava sozinho com o bokken (espada de madeira), desferindo golpes no ar e ao mesmo tempo se perguntava: "O que é um budo ?"
Então, um dia, em 1925, um oficial de marinha, perito em espada, veio visitá-lo em Ayabe. A conversa termina em discussão e decidem acertar a diferença em um duelo de espada de madeira.
O oficial ataca seguidamente, mas Ueshiba evita, esquivando-se a cada golpe do adversário (mais tarde Ueshiba declararia que captava sinais luminosos para onde a espada do seu oponente iria bater).
Incapaz de atingí-lo e cansado, o homem acaba desistindo. Com o intuito de descansar daquele combate, Ueshiba vai
para o jardim de sua cabana, e ao olhar para o céu, subitamente tem uma estranha vibração. Eis aqui, em suas próprias
palavras, o acontecido:
"Tive a sensação de que o Universo inteiro entrava em vibração e uma energia de cor dourada se elevava da terra e
se enrolava como um novelo no meu corpo, transformando-o em dourado. Nesse instante meu corpo e meu espírito tiveram uma clara consciência do pensamento de Deus, o criador do Universo."
Considera-se ser dessa época, 1925, o início da mudança de Aiki-jiujitsu para Aikibudo.
Morihei Ueshiba passa a dedicar-se, então, a constantes viagens a fim de atender a convites de interessados em ver sua arte.
Em 1927 muda-se para Tóquio e começa a prestar serviços à família Imperial, ensinando Aikibudo.
Nessa época é contratado para lecionar na Academia Naval. O número de alunos aumenta fortemente. Jigoro Kano,
fundador do Judô, visita Morihei Ueshiba e, admirado pela técnica, designa três alunos para estudar o Aikibudo.
Em 1931 consegue fundar seu dojo, em Tóquio, com o nome de Aikibudo Ueshiba Dojo Kobukan. A academia tem 80 tatames.
O número de alunos fica entre 30 e 40 pessoas. A maioria graduados em Judô, Esgrima ou outra luta. Esses alunos,
cheios de vitalidade, treinam duro e intensamente de tal modo que a Kobukan é apelidada de Dojo do Inferno.
Eram alunos jovens, muito concentrados no microcosmo da academia e isolados dos afazeres diários.
Eram uchideshi (estudantes internos).
Iwama Dojo
Logo depois é construído o dojo especial de Iwama (Ibaraki), que combina o treino em um dojo aberto e ao ar livre
com o cultivo da terra. Morihei Ueshiba, por seu gosto em assistir aos diversos dojos que iam surgindo não se
interessava em administrar academias. Sua principal intenção era praticar. Assim, estava sempre viajando e visitando
os dojos de seus alunos.
O tempo passa. Explode a Segunda Guerra Mundial. Com isso, Ueshiba vê vários de seus alunos serem convocados
e partirem para guerra. Decide, então, se retirar para a área rural e vai para Iwama em 1942 onde re-nomeia sua arte de AIKIDO.