Aikido, Uma Arte

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O que é o Aikido



Aikido é uma arte de origem japonesa fundada por Morihei Ueshiba na década de 1940. 

Foi resultado de um amplo estudo, pesquisa e treinamento de diversas artes marciais japonesas.


Apesar de ser considerada uma arte marcial pela maioria dos praticantes, o próprio fundador denominou

 o Aikido como sendo uma Arte da Paz:


"Aikido não é uma técnica para lutar com ou derrotar o inimigo. É o caminho para reconciliar o mundo e fazer dos

 seres humanos uma só família." -

 Morihei Ueshiba 


"O segredo do Aikido não está em como você move seus pés, e sim em como você move a sua mente.

 Eu não estou ensinando técnicas marciais. Eu estou ensinando à vocês a não-violência." 

- Morihei Ueshiba 


O termo Aikido é formado por três ideogramas em kanji que representam três conceitos diferentes:

AI - O ideograma AI traz o conceito de Harmonia, União, Integração. 
                          Foneticamente, em japônes, AI também pode significar Amor.
KI - O ideograma KI, também conhecido como Chi (China) ou Prana (Índia)
DO - O ideograma DO, conhecido também como Tao (China), traz o conceito 
de Caminho, Modo de Vida.


Aikido O'Sensei

Morihei Ueshiba 


No Aikido não há competições ou disputas. Os treinos geralmente são compostos por um aquecimento e alongamento do corpo, 

seguido dos treinos de técnicas que podem ocorrer em duplas, trios ou mais praticantes.

Tecnicamente, o Aikido é composto por técnicas de aprisionamento, torções, projeções e rolamentos que são os meios

 por onde se praticam os princípios do Aikido.


Um dos princípios básicos do Aikido é a não-resistência, onde o praticante desenvolve a sensibilidade para acompanhar

 a energia do parceiro de forma harmoniosa.


Aikido é uma arte moderna que foi criada na década de 1940. A sua história está intrinsicamente ligada à a biografia 

de seu fundador Morihei Ueshiba, também conhecido por O'Sensei.


Morihei Ueshiba

         Morihei Ueshiba 



Morihei Ueshiba nasceu na cidade de Tanabe no dia 14 de Dezembro de 1883. O seu primeiro contato com as artes marciais 

ocorreu aos dezessete anos, em Tóquio, numa escola de Tenjin Shinyo-ryu jujutsu.


Em 1903, Ueshiba alistou-se no exército. Durante o seu serviço militar treinou um ramo da escola Yagyu, talvez Yagyu

 Shingan-ryu. A extensão e o conteúdo do seu estudo destas artes marciais clássicas continua a ser alvo de especulação. 

Entretanto, sabe-se que mesmo depois da sua saída do exército em 1906, continuou a deslocar-se a Sakai ocasionalmente, 

onde se situava o Dojo de Yagyu-ryu.


Em 1912, Ueshiba organizou um grupo de cinquenta e quatro famílias e liderou-as na colonização da ilha de Hokkaido. 

As severas condições de sobrevivência na ilha não abalaram Morihei Ueshiba. Ele era visto como um líder dos seus 

compatriotas de Tanabe e ajudou as novas famílias a se estabelecerem.




O acontecimento mais significativo durante esses anos, pelo menos em termos do desenvolvimento do Aikido, foi o 

encontro de Ueshiba com o mestre de Daito-Ryu AikijujutsuSokaku Takeda, em Fevereiro de 1915.



Sokaku Takeda

Sokaku Takeda


Aos trinta e dois anos Ueshiba já era um artista marcial habilidoso. O futuro fundador do Aikido ficou fascinado com 

as poderosas e complicadas técnicas da arte de Takeda. Ueshiba dedicou muito tempo e dinheiro à aprendizagem 

de Daito-ryu, tendo convidado Takeda a viver com ele de forma a obter uma aprendizagem personalizada. 

Transformou-se num dos melhores alunos de Takeda, acompanhando-o muitas vezes através da ilha em viagens de ensino.


Durante a sua estadia em Hokkaido, Ueshiba recebeu de Takeda um certificado do primeiro nível de aprendizagem e
adquiriu um domínio considerável da arte. O currículo de Daito-ryu que ele estudou consistia em centenas de técnicas
com movimentos complexos, torções e aprisionamentos. Takeda era também um perito na utilização do sabre, shuriken
e leque de ferro, entre outras armas. As técnicas do Daito-ryu de Sokaku Takeda iriam mais tarde servir de base à quase
todos os movimentos do Aikido.


Em 1919, Morihei Ueshiba teve de abandonar a ilha de Hokkaido, pois o seu pai estava gravemente doente. Na viagem
de regresso a Tanabe, tomou conhecimento através de um companheiro de viagem, dos poderes curativos de um
extraordinário líder religioso chamado
Onisaburo Deguchi. Conduzido pelo desejo de encontrar Deguchi para lhe pedir
que rezasse pelo seu pai, Ueshiba desviou o seu percurso e dirigiu-se a uma pequena cidade chamada Ayabe,
o centro da religião Omoto-kyo. O encontro com Onisaburo Deguchi deixou Ueshiba extremamente impressionado
que tomou a decisão de ficar na cidade alguns dias.


Onisaburo Deguchi

Onisaburo Deguchi


Quando regressou a Tanabe o seu pai já havia falecido. A morte do pai abalou Ueshiba psicologicamente. 

Incapaz 

de esquecer o seu encontro com Onisaburo Deguchi, decidiu voltar a Ayabe para procurar a paz 

interior numa vida ascética dentro dos princípios da Omoto-kyo.


Ueshiba recomeçou a sua vida na comunidade de seguidores da religião Omoto com a sua esposa, Hatsu, 

a filha de 8 anos, Matsuko e os dois filhos, Takemori (com 3 anos) e Kuniharu (6 meses) que faleceram logo 

após a mudança para Ayabe. Abraçou entusiasticamente a vida simples dos membros da seita e depressa se 

tornou parte do núcleo interno de apoiantes de Deguchi. Este ficou impressionado com os conhecimentos de 

artes marciais de Ueshiba e encorajou-o a ensinar os seguidores interessados da religião Omoto. Isto levou 

à abertura da "Escola Privada Ueshiba" em sua casa, onde Ueshiba ensinou Daito-ryu Aikijujutsu.


Em 1922, Morihei Ueshiba recebeu uma visita do seu professor Sokaku Takeda. Durante esta visita, que durou

6 meses, este ensinou muitos dos membros da seita na casa de Ueshiba, tendo-lhe atribuído no final da estadia

 o certificado formal de ensino.


Em 1924, Deguchi convida Ueshiba para irem à Mongólia estabelecerem novo ponto de difusão da religião. 

Ueshiba aceita e partem juntos com um pequeno grupo de companheiros de confiança. Todavia, problemas 

políticos na China ocasionam grandes dificuldades. O grupo é perseguido e capturado, encarcerado e torturado.

 Após cinco meses de negociações, o consulado japonês consegue a libertação dos sobreviventes.


Ao retornar dessa aventura, Morihei Ueshiba passa a morar em Ayabe, sede central da Omoto. Encorajado

 por Deguchi, isola-se do mundo e dedica-se à meditação e ao estudo da essência do Budo.


Os oito anos passados nas montanhas de Ayabe foram decisivos para o desenvolvimento espiritual de Ueshiba: 

estuda filosofia Xintoísta (origem da Omoto) e domina o conceito de Koto-Tama (algo similar aos mantras).


É durante esse período de meditação e reflexão que lhe começam a surgir perguntas tais como:


"De que serve vencer aos outros, seja com uma técnica ou outra ?"


"Se hoje ganhei, amanhã ou mais tarde perderei. O vencedor de hoje é o perdedor de amanhã."


"O campeão forte de hoje, amanhã se defrontará com um adversário mais jovem e perderá."


"Isto significa, então, que a vitória é algo relativo! Será que existe a vitória absoluta? Que importância tem para cada um?"


Isolado nas montanhas, longe do mundo cotidiano, vivendo como um eremita, praticava sozinho com o bokken (espada de madeira), desferindo golpes no ar e ao mesmo tempo se perguntava: "O que é um budo ?"


Então, um dia, em 1925, um oficial de marinha, perito em espada, veio visitá-lo em Ayabe. A conversa termina em discussão e decidem acertar a diferença em um duelo de espada de madeira.


O oficial ataca seguidamente, mas Ueshiba evita, esquivando-se a cada golpe do adversário (mais tarde Ueshiba declararia que captava sinais luminosos para onde a espada do seu oponente iria bater).


Morihei Ueshiba 

Incapaz de atingí-lo e cansado, o homem acaba desistindo. Com o intuito de descansar daquele combate, Ueshiba vai 

para o jardim de sua cabana, e ao olhar para o céu, subitamente tem uma estranha vibração. Eis aqui, em suas próprias

 palavras, o acontecido:


"Tive a sensação de que o Universo inteiro entrava em vibração e uma energia de cor dourada se elevava da terra e 

se enrolava como um novelo no meu corpo, transformando-o em dourado. Nesse instante meu corpo e meu espírito tiveram uma clara consciência do pensamento de Deus, o criador do Universo."


Considera-se ser dessa época, 1925, o início da mudança de Aiki-jiujitsu para Aikibudo.

Morihei Ueshiba passa a dedicar-se, então, a constantes viagens a fim de atender a convites de interessados em ver sua arte.

 Em 1927 muda-se para Tóquio e começa a prestar serviços à família Imperial, ensinando Aikibudo.


Nessa época é contratado para lecionar na Academia Naval. O número de alunos aumenta fortemente. Jigoro Kano, 

fundador do Judô, visita Morihei Ueshiba e, admirado pela técnica, designa três alunos para estudar o Aikibudo.


Em 1931 consegue fundar seu dojo, em Tóquio, com o nome de Aikibudo Ueshiba Dojo Kobukan. A academia tem 80 tatames.

 O número de alunos fica entre 30 e 40 pessoas. A maioria graduados em Judô, Esgrima ou outra luta. Esses alunos, 

cheios de vitalidade, treinam duro e intensamente de tal modo que a Kobukan é apelidada de Dojo do Inferno. 

Eram alunos jovens, muito concentrados no microcosmo da academia e isolados dos afazeres diários. 

Eram uchideshi (estudantes internos).



Iwama Dojo
Iwama Dojo



Logo depois é construído o dojo especial de Iwama (Ibaraki), que combina o treino em um dojo aberto e ao ar livre

 com o cultivo da terra. Morihei Ueshiba, por seu gosto em assistir aos diversos dojos que iam surgindo não se 

interessava em administrar academias. Sua principal intenção era praticar. Assim, estava sempre viajando e visitando

 os dojos de seus alunos.


O tempo passa. Explode a Segunda Guerra Mundial. Com isso, Ueshiba vê vários de seus alunos serem convocados

 e partirem para guerra. Decide, então, se retirar para a área rural e vai para Iwama em 1942 onde re-nomeia sua arte de AIKIDO.