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"Um sistema de desvínculos: para que os calados não se façam perguntões, para que os opinados não se transformem em opinadores. Para que não se juntem os solitários, nem a alma junte seus pedaços.
O sistema divorcia a emoção do pensamento como divorcia o sexo do amor, a vida íntima da vida pública, o passado do presente. Se o passado não tem nada para dizer ao presente, a história pode permanecer adormecida, sem incomodar, no guarda-roupa onde o sistema guarda seus velhos disfarces. O sistema esvazia nossa memória, ou enche a nossa memória de lixo, e assim nos ensina a repetir a história em vez de fazê-Ia. As tragédias se repetem como farsas, anunciava a célebre profecia. Mas entre nós, é pior: as tragédias se repetem como tragédias." GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre: LP&M, 2007, p. 121.
"E no que concerne à vida, já que as células, as moléculas e os indivíduos morrem, retomamos a uma idéia de Heráclito: 'viver de morte, morrer de vida'. Viver de morte porque os seres vivos vivem da morte de suas células. Por outro lado, o interessante da idéia de morrer de vida deve-se ao fato de que há neste processo um rejuvenescimento extraordinário que ocorre sem cessar, e do qual procede cada batida de nosso coração, que faz irrigar pelo sangue a desintoxicação do oxigênio através da respiração. Sem cessar produzimos um regeneração, isto é, o rejuvenescimento. E então, por que morremos? Não pelo uso, como uma carroça velha, mas à força de rejuvenescer. E é isso que nos mata. Morremos de rejuvenescer." MORIN, Edgar. Por uma reforma do pensamento. In: PENA-VEGA, Alfredo. ALMEIDA, Elimar Pinheiro de (orgs.). O pensa rcomplexo: Edgar Morin e a crise da modernidade. Rio de Janeiro: GrandMound, 1999, p. 30.
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