Resolveu fazer samba
chamou a mulher de preta, morena, minha menina
saiu como malandro
descendo o morro e esbarrando em rima
calça branca, bem feita a bainha
passos leves, como quem tem os pés a meio metro do chão
sorriso fácil, ginga no corpo, apesar da pele cor de algodão
Brigou com a gaita
mas quem chorou foi o cavaco
deu no pandeiro com tanta força
que acordou o pessoal dos barracos
e todo mundo sambou
embora não fosse samba de preto velho,
teve gente que até gostou
e todo mundo sorriu
embora não fosse malandro pra isso
teve mulata casada que por ele perdia o juizo
e todo mundo cantou em coro,
o refrão descompassado
do sambista que não veio do morro.
Já procurei por todo canto
mas não adianta
na melodia de luiz ela não se escondeu
pelo pagode de zeca ela não anda
A vila de martinho vasculhei
pela batida do pandeiro de jackson tentei chamar
onde se meteu, não sei
para tê-la de volta, até a viola de paulinho eu fiz chorar
chora viola de paulinho
canta um pagode, zeca pagodinho
pra ela voltar
eu trago martinho lá da vila
de luiz, canto uma melodia
pra ela voltar
não adianta
sem ela, emudeceu-se tudo que canta
nem implorando
tudo que gritava, agora anda susurrando
esperando ela voltar…
Lutou até que, exausto, amigo se tornou de quem tanto fugia
repousou, ainda que forçado
mas sonhou tranquilo enquanto dormia.
Curte agora o silêncio
percebe que nem gostava tanto assim da tevê
tem no livro, um companheiro atento
até que termine de ler.
A partir de hoje , para ele, vai ser assim
sem mais apego do que o necessário
por um par, não apela mais
todas as cartas não escritas já repousam no relicário.
Caminha só
com o olhar de quem aceitou a solidão,
com ela se casou
e vive em paz desde então.
O mané fez música e tirou onda que era samba
de gente bamba
mas não é não
O mané não sobe o morro de terno branco
só vai à praia
chapéu de palha
só no são joão
maria disse que o mané não tem pinta de malandro
e que sambando
é negação
desce aí malandro
vem sambando
trazendo da bateria a rainha
vem ao som de buarque
sem fazer alarde
na ponta dos pés é que se caminha
vem sorrindo samba
vem dobrando a manga
pra mostrar como se faz.
Tá na hora
acorda!
É hora de celebrar o que há entre a gente
levanta agora
sem essa de que tá frio lá fora
veja o sol nascente
É isso mesmo, que saibam eles!
que o amor, com todos os clichês,
mais uma vez acertou dois dos corações
que juravam à ele não pertencer
ele vem de longe
tangendo a multidão
quieto, delicado
trabalho feito a mão
bordando ponto a ponto, casa a casa
feito a tinta que tinge essa canção
de horas, vem fazendo os dias
com carinho, prendendo quem tanto corria
e hoje, dos meses, fez-se o ano
de olhares, fez-se o eterno encanto
vai
troco essa cara de sono por um sorriso meu
vem que meus lábios são feitos de beijos seus
anda, que meus olhos espelham
teu sorriso a beira de uma gargalhada
pára, diante do meu rosto, poço de desejo
querendo ver seus lábios se movendo em forma de beijo.
olhou-se no espelho
embora não fosse vaidoso
percebeu que passara da hora de cortar o cabelo
os cachos já se repousavam na nuca
e avisavam às costas que em pouco tempo não estariam mais nuas.
Decidiu cortar as unhas
a barriga desinibida
anunciava também o corte do açúcar
seria uma tarefa difícil,
não que ele gostasse do cabelo ou das unhas já distantes dos dedos
mas o açucar, junto com o café e os biscoitos
sempre lhe foram de muito apreço.
diz que não me quer no samba
diz que não vai nem passar
diz que não me quer no samba
mas do meu samba você vai gostar
diz que não me quer no samba
diz que não vai nem passar
diz que não me quer no samba
mas do meu samba você vai sambar
Quebra o coco, dá no couro
Jackson faz embolar
Quebra o coco, dá no couro
Jackson faz embolar
Vem malandro, vem sambando
vem para nos mostrar
desce a rima
perde a linha
Chico faz malandrear