A apresentação da nova Turner DHR, gerou alguma polémica no site www.singletrackworld.com quando um
dos comentadores questionou a eficiência estrutural da posição da
extremidade fixa do amortecedor FOX DHX (ver imagem). ![]() Na maior parte dos quadros de Downhill e Freeride, o amortecedor traseiro é normalmente montado numa zona reforçada junto ao pedaleiro, normalmente um elemento de alumínio maquinado ou fundido. Este tipo de peças exibe muita rigidez devido ás suas secções maciças e comprimentos curtos. No Turner DHX, o amortecedor é ligado directamente ao tubo diagonal, numa zona não suportada por reforços. Ao ocorrer um impacto que leve o amortecedor a chegar ao fim de curso, uma parte substancial da força envolvida transmite-se directamente para o tubo, que pode sofrer esmagamento localizado ou flectir mais facilmente que os tais elementos rígidos de outros quadros. Para combater tais efeitos negativos, é necessário compensar o quadro localmente naquela zona usando duas soluções distintas. A primeira consiste em fazer com que o apoio onde o amortecedor aparafusa esteja ligado ás laterais do tubo, e não directamente sobre ele. Isto distribui os esforços de forma tangente ao tubo e evita o esmagamento. A segunda solução consiste em usar um tubo diagonal de grande diâmetro e com espessura variável. A zona entre o eixo pedaleiro deverá ter uma espessura e diâmetro bastante substancial para proporcionar a rigidez capaz de resistir ás cargas transmitidas ao amortecedor. A Nicolai resolveu o problema de forma ligeiramente diferente na sua UFO ST de Downhill. Usa também o apoio do amortecedor soldado tangente ao tubo, mas ao invés de usar um tubo diagonal muito reforçado, recorre a uma pequena vara de aço por debaixo do amortecedor que transfere o esforço para o tubo do selim. Esta vara é roscada e permite introduzir uma pré-tensão naquela zona, como se um raio de uma roda se tratasse. São soluções bastante eficazes, mas que acarretam um acréscimo de peso estrutural. Daí se justificam os comentários sobre a relativa ineficiência (resistência/peso) deste setup, pois não será o mais indicado para usar em bicicletas em que o peso baixo seja mais crucial. A título de exemplo mostra-se a Rocky Mountain Altitude, que coloca o amortecedor muito junto ao pedaleiro para evitar a necessidade de reforço excessivo. São pequenas nuances como esta que tornam os quadros de bicicleta num objecto muito interessante a vários níveis. Embora aparentem ser simples, toda a sua simplicidade é função de um equilíbrio muito delicado de funcionalidade, resistência e técnicas de manufactura. |




