O dia começou cedo e pontual. Eram 6 e 40 da manhã e já se atravessava a Ponte da Arrábida em direcção a terras do Sul. As temperaturas eram negativas e as estradas geladas mas a viagem correu sem problemas. Tão bem correu, que eu o Lobo Solitario chegamos bastante antes do resto da malta. Felizmente o anfitrião brindou-nos com um belo cáfezinho acompanhado de bolos, algo que juntamente com uns dedos de conversa sempre nos ajudou a passar o tempo. As comitivas foram chegando. Primeiro o CEVAmobil, carregado até cima com o Tico, Indy, ET e Óscar. Depois chegaram os dois carros com a comitiva dos Cagaréus. Altura de trocar cumprimentos e finalmente conhecer as pessoas por detrás dos nicks. Mas como o que nos trouxe à Sertã foi mesmo rolar nos trilhos locais, não ficamos muito tempo em conversa. Era tempo de começar a pedalar e a subir. ![]() A subida inicial foi atribulada. Como o Indy relatou, um dos Cagaréus ficou perdido para trás. Como tardava em aparecer, o grupo lá voltou a descer. ![]() ![]() Reunidos todos os elementos, reentramos no trilho original, alternando entre subidas rolantes e largas descidas florestais, feitas a velocidade considerável. Como disse o Indy, este não é o tipo de trilho a que estamos mais habituados, embora eu até goste bastante da sensação de velocidade que permite. ![]() ![]() Uma bela ponte antiga, reduzida quase a ruína pela passagem do tempo, foi local de paragem para fotos. Infelizmente o nome da ponte escapa-me, se alguém me puder avivar a memória agradeço. ![]() ![]() O grupo continuou rápido, encabeçado por muita malta jovem (e menos jovem) com boa força de pernas, e rapidamente se chegou a um dos pontos altos do percurso: -o singletrack à beira rio. Tal percurso, bem exigente tecnicamente, deu direito a belas imagens e a alguns desequilíbrios. ![]() Felizmente todos chegaram incólumes ao fim deste singletrack, onde se fez uma paragem para reabastecer e discutir as especificidades do obstáculo anteriormente vencido. ![]() Umas rampas técnicas se seguiram, oportunidade para os mais dotados técnicamente brilharem. Na foto seguinte vemos o Óscar a descer em estilo uma complexa rampa de calhau solto. ![]() O percurso continuava subindo e descendo de aldeia em aldeia. Numa delas fez-se paragem para reabastecer de àgua os Camelbaks e bidons. ![]() Uma descida extremamente rápida deixou-nos na ponte de Tamolha, local de mais uma sessão de fotos. ![]() A seguir à ponte, esperava-nos a primeira passagem no leito de um rio. A profundidade era suficiente para passar sem molhar os pés, embora alguns mais azarados não tenham evitado a entrada de água nas botas. Mais uma longa subida se seguiu e onde o grupo de partiu um pouco, função dos declives oscilantes mas sempre duros. A descida que se seguiu foi para mim azarada. Logo numa das primeiras curvas a minha roda da frente escorregou numa poça de lama gelada. A velocidade era alta mas segurei a bicicleta tempo suficiente para reduzir a velocidade e assim evitei danos físicos e materiais. Rapidamente me levantei e segui caminho. Trezentos metros à frente, provavelmente ainda toldado pela adrenalina do despiste anterior, saltei à entrada de uma curva apertada. Uma vez que as bicicletas não curvam no ar, lá fui eu pelo mato adentro. Na obstante tamanho erro, ainda assim consegui evitar a queda e voltar ao trilho sem perder muito tempo. O Major, que seguia atrás de mim, quase ia morrendo de riso, provavelmente ainda visualizando a imagem mental do conjunto homem-bicicleta a voar pelo trilho fora. No fim desta descida havia mais uma passagem de rio. No entanto, a água era aqui mais profunda e obrigava a molhar por completo os pés. Aqui, juntamente com outro colega, optei pela via alternativa mais seca. O resto do grupo lá foi molhar os pés na água fria de Inverno. ![]() ![]() Mais umas subidas e descidas (lembrem-se do título que o Indy atribuiu à crónica) e chegamos a um café. No meio de reabastecimentos vários, discutiram-se as alternativas para voltar à Sertã. ![]() À saída desse café, muita gente pediu ao guia Ferrão um caminho mais simples de retorno.Enfim, exigências do frio e do cansaço. O guia acedeu mas ainda teve tempo de fazer das suas. Fica na memória a incursão até uma descida que leva directamente à Sertã, apenas para depois dizer "Mas nós ainda não vamos descer aqui, ainda faltam mais uns quilómetros". Foi visível o desalento na cara de alguns intervenientes mais desgastados pelo clima. ![]() Durante esta secção ainda pude dar uns dedos de conversa com o carismático Hernâni Cagaréu, que partilhou comigo mais umas curtas histórias do Atlântico Norte. De facto um excelente conversador e contador de histórias, que espero poder encontrar em futuros passeios. Mais umas voltas por singletracks e caminhos florestais se seguiram, culminando na descida final para a Sertã.Foi então que a bicicleta do Tico resolveu furar com a meta a vista, requerendo reparação. Enquanto puxávamos a câmara, colada com a omnipresente substancia verde tapa-furos, víamos lá em baixo o Major passeando a sua Titânia "kitada" com um pára-choques no guiador. Uma imagem bem curiosa, vista de 200 metros acima. ![]() Mais uns minutos de pedalada e estávamos de volta à base. O Ferrão preparou-nos um local para banhos com água quente e marcou mesa num dos restaurantes locais de referência onde pudemos repor as energias perdidas. ![]() Fica então o meu agradecimento ao Pedro Ferrão pelo convite e pelos trilhos e condições oferecidos. Cumprimento também os Cagaréus pela companhia e boa disposição que trouxeram. Espero que nos encontremos todos brevemente! |



















