Bem vindo ao meu cantinho de informação. Este espaço serve de repositório público de algum do material que fui gerando, adquirindo e encontrando ao longo do meu percurso a andar de, e lidar com, bicicletas.

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Mondim de Basto e a ponte de Arnóia.

Por mais interessantes que sejam as paisagens, ás vezes a monotonia pode surgir num passeio. Percorrer longos trilhos e estradões até ao topo de uma qualquer montanha e desce-los de seguida não é necessariamente uma actividade cativante. Poderá sê-lo quando duvidamos das nossas capacidades físicas, quando a subida é pontuada pela dúvida constante de saber se há força para chegar lá acima.

Mas, chega uma altura em que a experiência nos ensina os truques para vencer a montanha sem ser derrotado pelo esforço. Alimentação correcta, água abundante, ritmo certo e sem exageros. Pontos que se cumpridos são mais que meio caminho andado para cumprir com sucesso uma volta de 70 km pela alta montanha. Esbate-se a eufórica sensação de vitória que surge ao ultrapassar um desafio que sabemos que está um pouco acima das nossas capacidades. É a partir daqui que pode surgir a monotonia. As subidas arrastam-se, revisitam-se certos locais pela enésima vez. Para combater isto podem-se simplesmente criar percursos cada vez mais longos, testar os limites, mas nem sempre isso é a solução.



Felizmente, a experiência não ensina apenas a manter o Homem da Marreta afastado. Ensina que o prazer de uma volta de BTT vêm de vários aspectos, várias situações e desafios que mantém a mente entretida e o físico activo. Ensina que um percurso é mais que subir um monte e descê-lo depressa, seguindo cegamente fitas ou tracks gps que uma qualquer organização maratonista polvilhou pela serra.

Um percurso interessante tem que ter história, combustível para a mente queimar enquanto as pernas consomem as calorias. Contemplar mutações, impactos escondidos da passagem do tempo e da evolução do país. Sentir a marca desgastada de eras passadas à medida que rodamos silenciosamente sobre o cascalho solto.



Um percurso interessante tem que ter subidas, descidas e calhaus para atrapalhar. Momentos em que desmontamos e que nos perdemos. Em que discutimos se realmente aquela alternativa foi a melhor. Discussões daquelas em que ninguém tem realmente razão, em que cada um pode manter o seu ego cheio na crença que de facto sabia o melhor caminho e que o guia deve andar perdido.



E o percurso interessante deve ter momentos em que silenciosamente todos contemplam um obstáculo, em que o grupo se une e colabora para tornar as barreiras em pontes.



E um percurso interessante deve ter sempre amigos. Prontos para nos dar a mão e nos ajudar a passar em segurança para o outro lado dos obstáculos.



Obrigado ao experiente criador do percurso e aos amigos que estavam lá para dar à mão.

Publicado no fórumbtt: http://www.forumbtt.net/showthread.php/20368-%5BCrnica%5D-Tudo-por-uma-ponte