EPÍLOGO deste livro, evidentemente. (...) Aristóteles no computador terá hoje uma tarefa bem mais complexa do que se vislumbra nos conceitos miméticos da sua Poética, lutando contra a falta de uma terminologia adequada … principalmente quando somos chamados a trabalhar com conceitos como hiperespaço e hipertexto, interactividade, transformação, anamorfose e metamorfose, labirinto e rede, mas sobretudo de complexidade. Conceitos estes com que o código digital nos presenteia, tornando irrecusável a investigação das suas probabilísticas, hiperbólicas e risomáticas propriedades, num desafio interminável às nossas capacidades inventivas a abdutivas. Agora a “máquina de trovar” de António Machado, com os seus três “teclados”, parece-nos simultaneamente uma miragem do passado, mas também um objectivo quase utópico para a “inteligência artificial” com cujas ferramentas estamos, como “aprendizes de feiticeiro” a tentar entender e ultrapassar-nos. | Ou reciprocamente, ambas estas hipóteses se retroactivam, porque toda a complexidade é poética, mas também toda a poética é e sempre foi, complexa? E. M. de Melo e Castro in Máquinas de Trovar, Intensidez [mais sobre a obra] [sobre o autor] |