A coleção de Hymenoptera Parasitica (HP) pode ser considerada em fase de expansão, devido aos recentes estudos conduzidos no MZSP. Os projetos coordenados pelo Dr. Alexandre Pires Aguiar entre os anos de 2000 e 2006, levaram a um aumento substancial da representatividade de himenópteros parasitóides na coleção, sobretudo Ichneumonidae (Cryptinae). O projeto de Doutorado do Dr. Antonio Carlos Cruz Macedo e de Mestrado de Liana Konno Nogueira, bem como a recente incorporação ao grupo dos parasíticas do aluno de doutorado Ricardo Kawada, à coleção aumentará significativamente no número de espécimes das famílias, respectivamente, Gasteruptiidae, Ceraphronidae e Evaniidae, grupos considerados inconspícuos ou mesmo raros por muitos autores. No ano de 2009 fomos afiliados ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Hymenoptera Parasitóides da Região Sudeste Brasileira (INCT-HYMPAR/Sudeste) como depositário das diversas superfamílias de parasíticas, inaugurando uma nova fase para o grupo de pesquisa em Hymenoptera. No ano de 2010 tivemos a afiliação da pós-doutoranda Helena Onody para desenvolver o projeto "Taxonomia e distribuição das espécies de Nonnus Cresson, 1874 (Hymenoptera, Ichneumonidae)". Pessoas envolvidas Carlos Roberto Ferreira Brandão (Coordenador) Helena Carolina Onody (pós-doutoranda) Ricardo Kawada (doutorando) Helen Alves Ferreira Casarini (coordenadora técnica) Carla Zandonadi Souza (técnica)
Caio Augusto de Oliveira (desenvolvendo o TCC) Camila Roberta Pereira (técnica e desenvolvendo o TCC)
Luísa Carpanez Santiago (desenvolvendo o TCC) Ceraphronidae Mestre Liana Konno Nogueira (FFCLRP-USP)
Ceraphronidae (Ceraphronoidea) é uma família de pequenas vespas com aproximadamente 350 espécies conhecidas. A família possui 14 gêneros, dos quais oito são monotípicos e alguns têm status duvidoso. A distribuição geográfica é cosmopolita no que se refere aos seus principais gêneros: Ceraphron Jurine e Aphanogmus Thomson. No Novo Mundo também ocorrem quatro pequenos gêneros: Ecitonetes Brues e Pteroceraphron Dessart (monotípicos e neárticos), Synarsis Förster (uma espécie descrita para América do Norte) e Homaloceraphron Dessart & Masner (três espécies na Am. do Norte). Para o Brasil, há o registro de apenas uma espécie, Ceraphron sylviae Dessart. Algumas espécies são endoparasitóides de Cecidomyiidae (Diptera), Thysanoptera, Lepidoptera, Neuroptera, Coleoptera ou hiperparasitóides de casulos de outros Hymenoptera, além de algumas serem associadas a formigas. Os objetivos deste trabalho foram: (1) estudo taxonômico dos gêneros Aphanogmus e Synarsis da Mata Atlântica, com a descrição e elaboração de chaves para identificação das novas espécies; (2) mapeamento da ocorrência e a ilustração de todas as espécies aqui descritas. Foram examinados mais de 1250 exemplares de Aphanogmus e quatro espécimes de Synarsis da Mata Atlântica, resultando em 25 novas espécies de Ceraphronidae (23 espécies de Aphanogmus e duas de Synarsis). O gênero Synarsis é pela primeira vez registrado para Região Neotropical, e às três espécies neotropicais conhecidas de Aphanogmus são acrescidas 23 novas espécies. Dados inéditos de distribuição geográfica dos cerafronídeos são fornecidos para a Região Neotropical. Chaves para as espécies de Aphanogmus e Synarsis da Mata Atlântica são apresentadas e as novas espécies descritas. Evaniidae Doutorando Ricardo Kawada (FFCLRP-USP)
A família Evaniidae (vespa-bandeira ou vespa-machadinha) é facilmente reconhecida pelo tipo de inserção do metassoma no propódeo. São freqüentemente capturadas em armadilhas do tipo Malaise (interceptação de vôo) e Möricke (atração pela cor). São encontrados em ambientes naturais, debaixo de cascas de árvores, folhagens, troncos caídos, serrapilheira, plantas epífitas, locais onde existe um acúmulo maior de húmus, em solos arenosos (ex.: restinga) e em ambientes urbanos, esgotos, casas, prédios, depósitos de alimento e lixo, sempre onde há a maior possibilidade de encontrar o seu hospedeiro. Seu modo de vida é conhecido a partir de algumas espécies dos gêneros Brachygaster Leach, Evania Fabricius, Evaniella Bradley, Hyptia Illiger, Parevania Kieffer, Prosevania Kieffer, Szepligetella Bradley e Zeuxevania Kieffer. O processo de escolha da ooteca está intimamente ligado ao tamanho do que propriamente a espécie do hospedeiro (Deyrup & Atkinson, 1993). O processo de oviposição dura cerca de 15 a 300 minutos (Deans & Roth, 2003). Usualmente no primeiro ínstar, a forma larval do parasitóide permanece dentro do hospedeiro e do subseqüente assume a forma predadora, na qual consome todo o material orgânico interno e, ao final do seu estágio larval emerge em um único indivíduo adulto por ooteca (Clausen, 1940). Quanto às informações taxonômicas, destacam-se dois trabalhos para a família como a chave de gêneros para o mundo de Deans & Huben (2003) e o catálogo de espécies de Deans (2005). A chave de gêneros para o mundo conta com todos os 20 gêneros viventes da família, Acanthinevania Bradley, Afrevania Benoit, Brachevania Turner, Brachygaster, Decevania Huben, Evania, Evaniella, Evaniscus Szépligeti, Hyptia, Micrevania Benoit, Papatuka Deans, Parevania, Prosevania, Rothevania Huben, Semaeomyia Bradley, Szepligetella, Thaumatevania Ceballos, Trissevania Kieffer, Vernevania Huben & Deans, Zeuxevania, com exceção de Alobevania Kawada & Deans descrito após a publicação da chave. Já o catálogo conta com a listagem de 455 espécies em 31 gêneros, incluindo os fósseis; lista dos parasitóides com seu respectivo(s) hospedeiro(s) e o local onde estão depositados todos os holótipos das espécies da família, bem como os perdidos, além de dados dos registros de distribuição, comportamento, notas taxonômicas e outras informações. Dos 21 gêneros viventes, oito estão presentes na região neotropical, sendo duas espécies introduzidas (Evania appendigaster Fabricius e Prosevania fuscipes, Illiger) e os demais apenas com espécies naturais da região neotropical (Alobevania, Decevania, Evaniella, Evaniscus, Hyptia, Semaeomyia e Rothevania). Atualmente a coleção do MZSP conta com a maior parte dos representantes dos gêneros Evaniella, Hyptia e Semaeomyia do bioma da Mata Atlântica e de representantes urbanos de Evania appendigaster. Gasteruptiidae Gasteruption brachychaetum Gasteruptiidae é uma família de Hymenoptera com cerca de 500 espécies conhecidas. Seus representantes são distinguidos das outras vespas pelo metasoma inserido dorsalmente sobre o propódeo, a propleura alongada, em forma de pescoço e a tíbia posterior clavada. As fêmeas possuem ovipositores cujos comprimentos variam desde muito curtos, até tão longos quanto o restante do corpo, dependendo do gênero e da espécie. Os indivíduos medem entre 0,85 cm a 2,0 cm, sem contar o ovipositor. Não são típicos parasitóides. Suas larvas são inquilinas (ou cleptoparasitas) em ninhos de abelhas e vespas solitárias, que vivem em orifícios no tronco das árvores ou no solo. A fêmea adulta insere um ovo no ninho do hospedeiro perfurando a madeira com seu ovipositor. Fêmeas de ovipositor curto podem entrar no ninho do hospedeiro para depositar seus ovos. As larvas mais jovens (1º estádio larval) alimentam-se como ectoparasitóides, sugando os fluidos do ovo ou da larva hospedeira. Em seguida, consomem o estoque alimentar da larva hospedeira (que consiste em uma massa formada por néctar e pólen depositada pela fêmea adulta do hospedeiro). As larvas dos gasteruptiídeos mais desenvolvidas podem ainda invadir um ninho adjacente com outra larva hospedeira, comportando-se, desta vez, como predadoras, alimentando-se da larva, e em seguida, consumindo seu estoque alimentar (Malyshev, 1966). A família é dividida nas subfamílias Hyptiogastrinae e Gasteruptiinae. Os Hyptiogastrinae possuem cerca de 90 espécies em dois gêneros: Hyptiogaster e Pseudofoenus, cuja maioria das espécies se restringe à Região Australiana. Apenas duas espécies ocorrem na América do Sul (Jennings e Austin, 1997; 2002). Os Gasteruptiinae, com cerca de 400 espécies, ocorrem em todos os continentes, exceto na Antártida. O grupo possui quatro gêneros, o cosmopolita Gasteruption, com a grande maioria das espécies, e três pequenos gêneros exclusivamente neotropicais: Plutofoenus, Trilobitofoenus e Spinolafoenus (Macedo, 2009; 2011). Na Região Neotropical, são conhecidas 35 espécies de Gasteruptiidae: 2 de Pseudofoenus, 26 de Gasteruption, 3 de Plutofoenus, 3 de Trilobitofoenus e uma de Spinolafoenus. Coleção de Hymenoptera Parasítica EM BREVE! Trabalhos em desenvolvimento Egressos Liana Konno Nogueira (Mestre pela FFCLRP-USP) Calendário |

