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O Sr. D. José dos Santos Garcia, que passou connosco os últimos 35 anos da sua vida, como Bispo Emérito de Porto Amélia, agora Pemba, em Moçambique, deixou-nos e partiu para Deus, no passado dia 11, sábado. Tinha saído havia apenas dois dias da nossa Residência Sacerdotal, no Seminário Maior da Guarda, onde convalescia de uma operação a que fora submetido, no Hospital da Covilhã. Conforme seu desejo, foi levado, no dia 9, quinta-feira para o seio da sua família Religiosa, a Sociedade Missionária da Boa Nova, em Cucujães, Oliveira de Azemeis. O Senhor D. José foi um verdadeiro Missionário. Partiu da sua terra natal (Aldeia do Soito – Belmonte), como tantos outros, sobretudo nas décadas que precederam a onda da emigração, nos anos 60 do século passado, para cumprir a sua vocação e ideal missionários. Enviado para o Norte de Moçambique, aí foi um missionário de referência que se impôs, pela acção desenvolvida junto das populações locais, ao respeito de todos, a começar pelas autoridades civis. Provou na prática que ser missionário é promover o desenvolvimento integral das populações, que conduzia pelos caminhos da Fé, ao mesmo tempo que organizava os serviços básicos que lhes eram necessários, como sejam a educação, a saúde, o desenvolvimenbto da agricultura e outros. Não surpreende, por isso, que tenha sido sido eleito o primeiro Bispo da nova Diocese de Porto Amélia, actualmente Diocese de Pemba. Conduziu a Diocese nos tempos difíceis das Guerra colonial, sabendo sempre colocar o bem das pessoas acima do seu alinhamento politico-partidária ou racial e, por isso, conseguiu também sempre fazer-se respeitar quer pelas autoridades portuguesas quer pelos chefes locais de oposição ao regime. A sua actuação clarividente e sempre muito criteriosa foi apreciada pelo Vaticano. Por isso, várias vezes foi chamado a Roma e recebido pelo Papa Paulo VI. Quis presentear a sua terra natal, fixando nela residência depois que resignou das funções de Bispo de Porto Amélia. Durante mais de 3 décadas, percorreu todo o vasto territírio da Diocese da Guarda, sempre animado pelo ideal missionário. Foi, na prática, um Bispo Auxiliar durante todo este tempo em que residiu na Diocese que o viu nascer, que lhe fica grata pelos serviços prestados e também pelo simbolismo missionário que ele sempre transportou consigo. Foi professor de missiologia no Seminário Maior onde, desde a primeira hora, conquistou a admiração e a amizade dos alunos, que ainda agora conservam uma estima especial por ele. A Diocese da Guarda recorda-o com saudade, faz por ele oração ao Senhor e fica-lhe muito agradecida.
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda. |