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O FUTURO DO GUARANI Álvaro Caropreso
Para onde vai o único clube do interior campeão brasileiro de futebol? Após os sete anos de uma crise em que colecionou seis rebaixamentos e centenas de ações na Justiça, o Guarani pensa em vender o Estádio Brinco de Ouro da Princesa para tentar ter algum futuro. Vender o Brinco é como vender a si mesmo para ter o direito de existir. Vender o Brinco é apagar uma parte importante da história, aquela em que o clube construiu sua identidade e disse ao mundo "eis quem sou eu!". A autodestruição pode ser uma saída? Ou essa é uma palavra forte demais para a simples necessidade de transformar-se? É possível autodestruir-se sob controle? É possível transformar-se a partir do nada? É preciso chegar a nada para renascer? Objetivamente, não vejo saída sem a venda do Brinco. Mas o que virá depois disso? Será o mesmo velho e bom Bugre reciclado e revitalizado ou será um outro bicho, de outra espécie? Ou de outro mundo...
ÍNDICE Artigos de 2009 Minimeta: 21 pontos em 7 jogos Artigos de 2008 O Brinco não é elefante branco Da necessidade do "seis por meia dúzia" Se alguém pudesse dizer a eles... Quem não comunica se estrumbica Artigos de 2007 Incompetência em causa própria Beto Zini e sua dívida com o Bugre A velha rapinagem e o novo futuro O que fazer com Zini & Lourencetti | Os textos aqui reunidos começaram a ser publicados no site Planetaguarani.com.br em 2007. O título e o subtítulo da série explicam seus objetivos. Este material faz parte de uma obra em andamento e poderá ser mexido pelo autor a qualquer momento, sem aviso prévio e sem o compromisso de indicar onde foram feitas correções, adendos, cortes e alterações na forma, no conteúdo e na estrutura. Assim, caso estes textos sejam aproveitados pelos visitantes, convém datar as cópias. No momento em que começo a usar este espaço no Google não há uma tese bem formada. Em linhas mui gerais, a grave crise do Guarani Futebol Clube está associada às transfoamções em curso no futebol brasileiro após o advento da Lei Pelé, em 1999, que mudou as relações de trabalho entre atletas profissionais e agremiações. Fundado em 1911, o Guarani de Campinas quase correu o risco de não poder planejar seu aniversário de um século. Mais do que uma crise administrativa e financeira, o Bugre vive uma crise de identidade. De um clube com cerca de 25 mil sócios que se orgulhavam de dizer que não dependiam das rendas do futebol para bancar a equipe campeã da divisão principal do futebol brasileiro em 1978, o Guarani passou a ter, 30 anos depois, menos de mil sócios pagantes. Em sete anos, de 2000 a 2006, foi rebaixado seis vezes – salvo algumas delas pelo tapetão que honra o submundo dos chamados times "grandes". No primeiro trimestre de 2008, o Bugre lutou desesperadamente para manter-se na divisão principal do Estado de São Paulo – para onde retornou depois de uma temporada na "segundona" no ano anterior – e por uma vaga na terceira divisão do Brasil. Uma nova direção fora eleita em dezembro de 2007 para reerguer o clube. Sem receitas, com dívidas de dezenas de milhões de reais e centenas de ações trabalhistas, anunciava-se no começo de 2008 a venda do vasto patrimônio imobiliário em torno do Estádio Brinco de Ouro da Princesa. O negócio poderia render o suficiente para zerar o déficit, construir outro estádio, menor e longe da cidade e, talvez, manter o clube por alguns anos. Mas seria o suficiente para uma reconstrução à altura do que já foram as pretensões do Guarani? O Bugre não tem uma segunda chance. Como, então, aproveitar esta única? (25/03/2008) COMENTE (Não se assuste! Você usará minha página de aeromodelismo para comentar este artigo. Assim eu fico sabendo na hora que você deu um palpite) |
O futuro do Guarani
