Mensagem da Direção

O mercado de aviação no Brasil vive o incongruente dilema de ser, ao mesmo tempo, um dos mais turbulentos e um dos mais promissores de todo mundo. Fatores mercadológicos, econômicos e governamentais confluem para que o panorama muitas vezes se apresente como incerto, conquanto o vigor dos profissionais da área, as taxas de investimento e a qualidade dos serviços oferecidos pelas empresas aéreas apontam para um porvir de lucratividade e desenvolvimento. Este curioso paradoxo torna o Brasil um caso ímpar em todo o mundo, o que exige de nós não só aquela já conhecida necessidade de busca constante por qualificação profissional, mas também o cultivo de competências especiais, como a visão sistêmica, a capacidade de pensar analiticamente e a compreensão mais pormenorizada da Aviação como um mercado complexo, estratégico e pulsante, noção esta que muitas vezes parece um pouco distante do cotidiano de nossas operações, dos cockpits nas aeronaves, dos balcões de check in, dos pátios de manobras, das salas de coordenação e das telas de controle de tráfego.
 
O mundo se transforma continuamente, seja de forma positiva, através do desenvolvimento tecnológico, seja de forma negativa, através das crises econômicas. No Brasil temos acompanhado nos últimos anos não propriamente uma crise da Aviação, mas sim uma transformação profunda. Em poucos anos vimos algumas reviravoltas dramáticas: fim da Vasp e Transbrasil, criação da ANAC, definhamento e posterior ressurgimento da Varig e da BRA, inauguração do modelo LC/LF pelas mãos da GOL, ascenção da TAM, encolhimento da SATA e da VarigLog, surgimento de novas empresas, acidentes graves, apagão aéreo... um turbilhão de acontecimentos que modificaram para sempre o mercado e transformaram significativamente a forma pela qual o consumidor brasileiro enxerga a Aviação.
 
Por outro lado, os segmentos correlatos à atividade principal da Aviação também viveram profundas transformações - em geral para melhor. Um mercado silencioso, que muitas vezes passa desapercebido pelo grande público, mas que movimenta bilhões de dólares por ano só no Brasil. Falo dos serviços de ground handling, de catering, de combustíveis para Aviação, de manutenção aeronáutica, de proteção à Aviação e de serviços aeroportuários. Esses que são, na verdade, os maiores empregadores do aeroporto e talvez os maiores responsáveis por esta feição generalista e complexa que encerra os desafios que os gestores brasileiros de Aviação Civil têm pela frente. 
 
A Aviação brasileira hoje passa por um momento de severa readequação, mas não de retração. Cada vez mais e mais pessoas viajam de avião pela primeira vez, ao passo que cada vez mais e mais profissionais se interessam pela área. Novas rotas passam a ser exploradas. As escolas de Aviação estão cheias de jovens desejosos de ingressar neste mundo apaixonante. Os vôos possuem boa taxa de ocupação, e há cada vez mais empresários desejando investir alto para que este país continental faça jus à honra de ser a pátria de Alberto Santos Dumont.
 
Neste quadro novo, em que precisamos cada vez mais compreender a Aviação para além da operação cotidiana, a palavra de ordem é RENOVAÇÃO. Essa renovação, representada simbolicamente pelo conjunto de transformações históricas elencadas nos parágrafos anteriores, precisa também partir individualmente de cada um de nós; precisamos cada vez mais aproximar e integrar a grande família composta por aeronautas, aeroviários e aeroportuários; precisamos cada vez mais investir em know-how e expertise; precisamos buscar sinergia de talentos e interesses; precisamos formar executivos especializados, profundamente familiarizados com as vicissitudes do setor; precisamos, por fim, cultivar os valores básicos da Aviação, o prazer em atender, a busca obsessiva pela segurança, a valorização de nossa atividade e a admiração pelas cores de nossas empresas. A Associação Brasileira de Gestão de Aviação Civil está inserida neste processo, congregando aqueles que aprenderam a misturar profissão com paixão, e por isso vislumbram dias de vôo CAVOK pela frente.
 
Bons vôos a todos!
 
Rodrigo M. R. Rocha 
Diretor Executivo