Métodos Indirectos

 

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Geologia 10º


 
Se o conhecimento directo do interior da Terra é inacessível, então os geólogos procuram outras fontes de informação para determinarem a estrutura e a composição interna do nosso planeta. As fontes de análise e de informação utilizadas permitem-nos tirar algumas novas conclusões, a partir da interpretação de dados que não têm uma ligação directa ao interior da Terra. Como as conclusões obtidas sobre o interior da Terra são inferidas a partir de interpretações de dados obtidos indirectamente, estes métodos de estudo designam-se métodos indirectos.
 
A interpretação da diferente composição dos meteoritos, das bandas geomagnéticas dos oceanos, gravimetria e do  gradiente geotérmico permite-nos tirar algumas conclusões acerca da estrutura terrestre.
 
 
 
 

Gravimetria

 

Os estudos gravitacionais, que se baseiam na medição, tanto a nível local como global, da força gravítica terrestre, têm permitido esclarecer alguns aspectos relacionados com a estrutura do interior da Terra, nomeadamente:

 

  • a variação de espessura da crusta terrestre. Os estudos de gravimetria deixam  supor a existência de grandes extensões de material pouco denso nos continentes com dimen­sões inferidas em função do valor da anomalia.
 
  • a diminuição do raio terrestre através da verificação de um valor de força gravítica ligeiramente cres­cente desde o equador até aos pólos;
 
  • a variação de densidade para as diferentes camadas do interior da Terra. As variações de densidade estarão associadas à variação dos valores de pressão no interior da Terra, que aumentam da superfície até ao centro - gradiente geobárico.

Quando analisamos o perfil gravimétrico ao longo de um continente verificamos que apresenta globalmente

uma gravidade inferior às regiões oceânicas e que as anomalias negativas são mais intensas nas regiões montanhosas,

pois possuem uma crusta muito espessa e pouco densa, quando comparada com a crusta oceânica e com o manto.

 

Geomagnetismo

 

 

O nosso planeta possui um campo magnético que, possivelmente, resulta do movimento dos fluidos metálicos do núcleo externo em fusão. Este movimento gera correntes eléctricas fracas que, em interacção com a rotação mecânica do fluido, associada ao movimento de rotação do planeta, gera um campo magné­tico auto-sustentável.

 

Através de estudos de magnetismo fóssil de rochas de várias idades, foi possível estabelecer que o campo magnético terrestre tem sofrido ao longo do tempo geológico inversões completas, tendo o pólo norte magnético passado a ser pólo sul magnético e vice-versa. Actualmente estamos num período de polaridade normal, o pólo norte magnético está muito próximo do Pólo Norte terrestre.

 

 

 

Os estudos de magnetismo terrestre foram determinantes para a elaboração de modelos de expansão do fundo oceânico que haveriam de sustentar a teoria geral da tectónica de placas.

 

Considerando o campo actual como normal (anomalia positiva), a inversão corresponderá a uma anomalia negativa.

 

A determinação da idade das rochas em paralelo com a orientação magnética permitiu aos geólogos estudar as variações do campo magnético terrestre ao longo do tempo.

 

A descoberta de rochas mag­netizadas com cerca de 3,5 mil milhões de anos, permitiu concluir que o núcleo externo líquido, rico em ferro, já se encontraria formado nesta altura.

 

Mas os estudos do paleomagnetismo também possibilitaram estudar a evolução dos fundos oceânicos e inferir acerca do dinamismo da crus­ta e do manto superior.

 

Estes estudos permitiram verificar que existe um padrão regular nas anomalias magnéticas nos fundos oceânicos.

 

Comprovam a ocorrência de um mecanismo de formação de placa oceânica a partir de um eixo central correspondente à dorsal médio-oceânica.

 
 
 
 

 

 

Grau Geotérmico

 

 

O termo geotermia refere-se à energia calorífica do interior da Terra.

 

O estudo dessa energia é feito, sobretudo, à custa das medições do fluxo de calor do interior para a superfície do planeta. Esse fluxo tér­mico, que é contínuo mas não uniforme, varia desde os altos valores verificados nos riftes aos valores míni­mos verificados no interior das grandes placas continentais (Americana e Euro-Asiática).

 

 

A forma e posição duma geotérmica (defi­nida pelo valor de temperatura versus profun­didade dentro da Terra) depende de tempera­tura e do fluxo térmico superficiais e ainda da variação que os teores de elementos radioacti­vos e os coeficientes de transporte de calor experimentam nas zonas menos superficiais. Por outro lado, reflectem também o modo de origem e os primeiros estádios de desenvolvimento da Terra.

 

 

 

Os estudos neste domínio permitiram estabelecer valores de gradiente geotérmico, ou seja, a variação da temperatura com a profundidade.

 

Se bem que as taxas de aumento de temperatura variem de local para local, foi possível estimar um valor médio de gradiente geotérmico para a crusta de cerca de 25 °C por qui­lómetro. Esta variação não é constante em todo o raio terrestre, verificando-se uma diminuição do seu valor à medida que consideramos zonas mais profundas da Terra.

 

Ultrapassados alguns metros em que não se verifica qualquer variação da temperatura, começa a notar-se uma subida dos valores de temperatura com a profundidade.

 

Designa-se grau geotérmico a distância associada à variação da temperatura em 1 °C. O grau geotérmico não corresponde a uma distância fixa. Se para as zonas mais superficiais da geosfera o valor do grau geotérmico ronda os 33 metros, à medida que a profundidade aumenta este valor tende a aumentar.

Todos os cálculos estimam que ocorre aumento da temperatura com a profundidade, mas a taxa de aumento da temperatura reduz-se com a profundidade. Se o gradiente de 20-30 °C/100 km observado perto da superfície fosse constante, implicaria que o núcleo estivesse a tem­peraturas extremamente elevadas (na ordem das dezenas de milhares de graus) e totalmente fundido, ao contrá­rio do que se prevê pelos estudos de sis­mologia.

 

 

Os cálculos são inferidos com base em da­dos recolhidos pela vulcanologia, sismolo­gia, modelos teóricos e experimentais (temperatura de fusão de rochas de dife­rentes composições e a pressões variáveis). Todas as previsões se encontram associa­das a um intervalo de variabilidade. Este intervalo aumenta com a profun­didade, reflectindo a ausência de dados, o que amplia a probabilidade de erro na determinação das temperaturas.

 
 
 
 
 

Astrogeologia

O estudo de outros corpos celestes enquadra-se na temática das ciên­cias planetárias, também designada por Planetologia ou Astronomia. Inclui também o estudo dos planetas secundários, dos asteróides, dos cometas e dos meteoritos, bem como a interacção entre estes corpos, como por exemplo a formação de crateras de impacto. Existem dife­rentes abordagens de investigação baseadas em diferentes áreas de saber,como a Física e a Geologia, por exemplo. Neste último caso, esta­mos perante a Astrogeologia.

 

Todas estas áreas fornecem indicações importantes acerca da forma-Ição e diferenciação da Terra e, em última análise, dados sobre a sua estrutura.

 

Destacam-se os seguintes aspectos mais importantes:

 

  • comparação das densidades dos planetas;
  • detecção de campos magnéticos e inferência da existência de um j núcleo metálico parcialmente fundido;
  • estudos dos meteoritos e dos asteróides, com estabelecimento de classes composicionais e correlação destas com as diferentes cama­das que compõem a Geosfera;
  • hipóteses explicativas para a formação da Lua.
 
 

A origem da Lua tem sido um assunto de acesa discussão no seio da comunidade científica. Foram elaboradas diversas teorias, sendo a mais aceite actualmente a da ejecção colisional. Esta postula que a Terra,na fase final da sua formação, terá sido alvo de um impacto de um corpo celeste de elevadas dimensões (teria uma dimensão semelhante «planeta Marte).O violento impacto provocaria a ejecção de elevadas quantidades de material para o espaço em redor da Terra, e a fusão da maioria das rochas terrestres. O material rochoso que ficaria a orbitar m redor da Terra agregar-se-ia, formando a Lua.