O Jonas O jovem graciosense Jonas tem a seu cargo, de segunda a sexta-feira, o espaço que hoje em dia todos os turistas desejam encontram nos locais estranhos por onde andam: uma sala de acesso à Internet, de uso absolutamente gratuito. É um jovem afável, de sorriso atraente e acolhedor. Recebe-nos como um forasteiro gosta de ser recebido: com a cordialidade de quem se alegra de conhecer alguém que certamente é diferente, e não com a circunspecção temerosa de quem tem à sua frente um estranho. O prosseguimento dos estudos vai, em breve, levá-lo para fora da sua ilha. Para a muito erguida e altiva Guarda. Quer que eu lhe diga quanto tempo se leva de Lisboa à Guarda. Parece-lhe muito tempo!... Acabo por me dispor a ajudá-lo nesta sua aventura, mesmo que de natureza diferente desta minha na sua terrra. Num e-mail que já me escreveu, dá mostras da sua sensibilidade pessoal e consideração pelo outro escrevendo assim: "Caro "Aventureiro", Em primeiro lugar espero que a viagem ao Faial tenha decorrido da melhor forma e tenha disfrutado "lá de cima" da beleza paisagística do "Mar Açoriano" e das suas ilhas. Certamente que [...] explorou ao máximo a parte Norte da Graciosa, de uma forma particular e muito à sua maneira. Bem sei o que é esse espírito de aventura e de fazer coisas diferentes, estranhas aos outros, mas muito entusiasmantes para nós (partilho essa forma de viver a vida)! Espero que tenha sido do seu gosto a visita ao Ilhéu da Baleia (já que fui eu a sugerir) ...mas pelas fotos e subida ao Pico Negro transmite-me a certeza de quem soube muito bem apreciar aquilo que considero uma grande arte que a Natureza criou. [...]" Obrigado, Jonas! Que bom é encontrar gente assim como tu! | Jorge Cunha Do Museu da Graciosa é director; dos amigos dos amigos é acolhedor; da história e da vida da ilha é sabedor; dos jovens é animador; de novidades e de dois dedos de conversa é apreciador; de boas ideias é encorajador; do Pico Negro... bom, do Pico Negro ainda não foi conquistador!... Obrigado, Jorge! Ao seu lado, a Graciosa foi ainda muito mais bonita e interessante! | Artur Picanço Na verdade, o fenómeno geológico magnífico que é a Furna do Enxofre na Graciosa merece uma "porta de entrada" bem mais digna que o modestíssimo barracão que agora lá está. Por isso o turista que visita o local satisfeito fica quando, quase a chegar à rodopiante e imponente escadaria que leva ao interior da furna, vê a tomar forma o que se deseja que seja um interessante centro de interpretação. Entretanto, no barracão, toma-se contacto com um jovem de modos simples, mas que, pouco a pouco, revela simpatia e desperta vontade de ter em conversa durante um pouco mais de tempo, para além do "negócio" da entrada, das informações e das recomendações básicas. Na conversa que se prolonga, o jovem Artur revela conhecimento e, valorizando-o, estimula o visitante para maior curiosidade sobre a dinâmica geológica do local, os aspectos de pormenor do interior da gruta e até a sensibilidade artística que se alimenta dos matizes cromáticos que as variações da incidência e intensidade da luz solar provocam no auditório assombroso que é a furna, em si própria. Recomendou-me 40 minutos para a visita à Furna. "Não, preciso de mais tempo!" Tolerantemente, concedeu-me o tempo que pedi. E repeti depois de ter voltado à superfície e ter retemperado com descanso e comida todo o esforço da manhã. Fiz questão de lhe dizer, no fim, que anfitrião como ele merece guarita de outra condição. Ao nível dele, da sua simpatia e da sua competência, que parece ser transmitida com segurança e serenamente. Obrigado, Artur! Faço votos de muitos sucessos! E de muita ambição de valorização pessoal! Depois de me afastar um pouco, a pé, até à saída da Caldeira, virei-me para trás. Olhei para o barracão. Via-o como quando ali cheguei. Mas agora sabia quem estava lá dentro. Realmente, o barracão valia muito do que à primeira vista parecia. |


