| Everything is Transformation
por Nathalie Jallet
Texto publicado na exposição "Discover Brazil", no Ludwig Museum Koblenz, Alemanha, 2005
Water flows. lt flows through landscapes and alters them.Without water a landscape would be a wasteland, without water it would remain immobile. Water moves. It moves icebergs, paper boats, commercial goods or river gravel. But what happens to water itself? How would things be if water did not flow and nothing moved? What would then remain of water?
Hugo Fortes encloses water.ln aquariums,where water manifests neither flow nor movement. But is it therefore not subject to change? To be found in the aquariums of the artist are paraffin shapes floating upon the water, and beneath the basin there is a photograph of water. What now happens in this narrow space to the water, or to the fragile image? This is the leitmotif investigated by the Brazilian artist. It is a matter of a public study of the element of water in a constricted space devoid of currents. And even in this state, water is not protected from change.The chemical processes which now begin slowly dissolve the paraffin. The artwork changes and thereby makes the viewer aware of the fact that not even a complete standstill can avoid ongoing changes. Everything is subject to the laws of nature and accordingly finds itself to be in permanent transformation. Everything flows - panta rhei. Os olhos de Tia Maria
por Fabiana Werneck
Texto publicado no catálogo da exposição "Os olhos de Tia Maria", no Centro Cultural São Paulo, 2003
O trabalho “Os olhos de Tia Maria”, apresentado em 2001 pela primeira vez em Araraquara, SP, cidade de origem do artista Hugo Fortes, é montado agora no Centro Cultural São Paulo. Esta instalação é uma homenagem à pessoa que o iniciou nos mistérios e deleites dos pincéis, das cores, da arte,ofício que permite a elaboração de novos mundos, novas linguagens, lição que o artista compreendeu tão bem. O olhar é uma proposição clássica, tema recorrente (e querido) de muitos artistas e pesquisadores de diferentes épocas e geografias. Aqui são olhos da coro do mar que refletem o céu, com os da própria tia Maria. Um mar de olhos que nos lembram a importância do ver, do observar, do contemplar. Este trabalho de Hugo Fortes, diferente de seus anteriores – aquários que inventam mundos particulares, introspectivos e sinuosos – sugere que arregalemos nossos olhos para a vida, para dentro e para fora, párea a diversidade do universo no qual habitamos (e que construímos). Ou ainda, para os mundos de fantasia que devem sempre ser vistos com outros olhos. O artista continua a trabalhar com os mesmos materiais: o vidro, a parafina, a água e o pigmento azul. Mas agora são diversas formas arredondadas ora em parafina, ora em vidro, com tamanhos desiguais, algumas com e outras sem água e a maioria com a presença forte do azul. Espalhadas pelo piso da sala, são formas côncavas e também convexas. Eventualmente, produzem pelo reflexo do vidro e do sutil movimento da água, outras manifestações visuais. São olhos-d’água, sendo a fonte, o artista e o seu solo, a arte. Não há charadas, dogmas ou incompreensões em seu trabalho. Aqui, o que é relevante para o artista é chamar a atenção dos espectadores para o prazer do olhar. E que este olhar permita o descortinar tanto do mundo material em que vivemos, como dos mundos que existem dentro de cada um. Segundo Hugo Fortes, “cada peça aqui é um receptáculo para o olhar, um local para pousar a visão e mergulhar no seu próprio interior”. Hugo revisita sua infância para falar de seu presente, e nos convida a imergir em suas referências, em seu mundo, para nos sinalizar o nosso. |