PLAY IT AGAIN… THE SOAKED LAMB The Soaked Lamb foi o projecto que o Feedback fez questão de acompanhar, em mais uma noite de música ao vivo no Cabaret Maxime. Os The Soaked Lamb recuperam as sonoridades do blues, com traços de jazz, swing, country, boogie-woogie, transpondo para os dias de hoje, os cenários do blues vividos em plenos anos trinta e quarenta. “Homemade blues” (2007) é o primeiro trabalho do grupo, que se encontra, neste momento, em fase de gravações do seu segundo álbum de originais. Desengane-se quem crê que esta música não se encaixa nos tempos actuais, Mariana Lima (voz), Afonso Cruz (guitarras, voz), Gito (contrabaixo), Vasco Condessa (piano), Tiago Albuquerque (Saxofone) e Miguel Lima (bateria), são os músicos que tiveram a ousadia de avançar com este projecto, que tem a particularidade de nos fazer regressar a um período no tempo, em que a música emanava ritmos sensuais e contava histórias pessoais repletas de sentimento, e talvez por isso mesmo tal facto dite, por si só, uma necessidade actual num regresso às origens. Os The Soaked Lamb são uma banda de pormenores, começando pela indumentária apresentada por todos os músicos, sobressaindo a presença muito feminina da vocalista Mariana Lima, em quem recai inevitavelmente as atenções, para além disso a loja Geraldine, ajudou a recriar o ambiente ideal para a prestação, em tons quentes, dos The Soaked Lamb, não esqueçamos, ainda, a carismática presença assídua da ovelha “Luisinha” nos espectáculos da banda. Nesta noite nada faltou, e até o início do espectáculo contou com uma “intro” ao jeito da passagem de um vinil que nos desenhou os primeiros acordes da noite. “Miss Celie´s Blues” ditou a apresentação da banda a um público que teimava em dispersar atenções, por entre copos e palavras trocadas, quando o momento exigia algum silêncio, sobretudo quando os músicos nos permitem apreciar as suas músicas, e o seu trabalho, e em que nos proporcionam uma noite diferente ao som de um contrabaixo, uma pedal steel guitar, um saxofone, ou um belíssimo piano, por tudo isto deixo uma nota negativa para o público presente no Maxime, que manteve a mesma postura ao longo de todo o espectáculo, salvo quem se encontrava nas mesas próximas do palco, que mostraram claramente estar naquela noite para ouvir a banda. “Colour blues”, “Soaked lamb”, “Another man done gone”, foram algumas das músicas tocadas, que fazem parte do primeiro trabalho “Homemade Blues”. Para além disso tivemos o privilégio de escutar algumas das músicas que irão fazer parte do próximo álbum da banda, e que denotam uma maior inspiração e criatividade na conjugação das sonoridades dos vários instrumentos, tocados pelos músicos. Saliente-se, ainda, alguns momentos curiosos nas músicas dos The Soaked Lamb que nos proporcionam, ora através de um piano ou de um contrabaixo, ora de um acordeão ou de uma bateria, alterações de ritmo interessantes, que surgem como que de imprevisto, fazendo com que os instrumentos ganhem vida própria. Sem desprimor para os restantes músicos permitam-me também dar um especial destaque ao desempenho do Tiago Albuquerque, que apesar da sua presença discreta, mostra as suas qualidades enquanto músico, ao introduzir um acordeão, um saxofone ou um clarinete, no momento e tempos certos, contribuindo para enriquecer a sonoridade das músicas. Houve tempo para intervalo no concerto dos The Soaked Lamb, a segunda parte reservou-nos uma surpresa, a participação do coro Musicarte, que acompanhou a banda, interpretando duas músicas em tons de gospel, a primeira em jeito de “repeat”, devido a problemas de som com o contrabaixo, e que na nossa opinião ajudou à festa, já que pudemos contar com a presença mais demorada dos Musicarte, que deram um toque especial à noite dos The Soaked Lamb, e que resultaram muito bem no espectáculo da banda. “Doomed to heaven Rag”, “Cheating Heart” (um original de Hank Williams), conforme nos foi confidenciado pela Mariana Lima, foram algumas das músicas que a banda nos mostrou na segunda parte do concerto. A banda presenteou-nos com um espectáculo que nos deixou em perfeito deleite com a sonoridade que nos é “cantada” pelos vários instrumentos dos músicos, com a voz e o timbre da Mariana Lima e de Afonso Cruz (que nos traz à memória um Tom Waits), e que em suma nos deixaram ansiosos para escutar o resultado das gravações do seu segundo álbum de originais. A música tocada pelos The Soaked Lamb é para ser apreciada tal qual um filme que se vai revelando aos nossos olhos, sem interrupções ou acessórios que nos retirem a atenção, a música em tons de blues é tocada num ritmo próprio, lento, e que nos deixa facilmente inebriados pela sonoridade do contrabaixo ou de um saxofone, e que nos obriga a pensar que às vezes esquecemo-nos de apreciar os sons desta forma, sem pressas, sem avanços nem recuos, simplesmente ouvir e deixar-nos levar. Sofia Aleixo sofia.feedback@gmail.com | SETLIST
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Fotos: Alípio Padilha
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