ACÚSTICOS FEEDBACK - Década de Salomé – Escolhemos esta música pelo seu conteúdo lírico. A música retrata o surgimento da sociedade do “cada um por si”, da falta de solidariedade, e como refere Zeca do “estou-me nas tintas”. É um tema que faz todo o sentido nos dias de hoje, continua actual, continua a fazer sentido. É um tema que demonstra o quão Zeca Afonso é actual. Em relação ao local, foi uma escolha simples. Os ensaios decorreram num apartamento antigo numa zona nobre de Lisboa. Um apartamento da década de 60. As mobílias, as decorações e o próprio enquadramento da janela remetem imediatamente para a “Década de Salomé”, portanto este só podia ser o cenário perfeito. Quando ouvimos a música inicialmente, a primeira tentação foi “copiar” o original. Depois de algumas experiências, optámos por seguir um caminho mais “naive” ao longo do tema. Mantivemos alguns traços originais, como o riff principal e a estrutura, alterando a musicalidade dos versos (com inspiração bossa nova) e dos refrões (inspirados nas conversas de bairro e de café). (Tiago Fonseca e Pedro Madeira - Cinza -; João Morgado e André - ALF -) - Balada de Outono – A Balada de Outono foi escolhida após a audição do tema na sua gravação de 1983, no concerto do Coliseu dos Recreios, um dos últimos dados por José Afonso. Esta interpretação, por toda a condição sofrida e cíclica da lírica e pelo afundar do sujeito poético, fascinou-nos logo à partida, sendo a possibilidade que nos foi ofertada de reinterpretar o tema e subsequente alteração, ouro sobre azul. A alteração para uma envolvência mais revoltada e irada da entoação da melodia pareceu-nos assentar totalmente na lógica conceptual que lhe quisemos dar, quase “flamenco”, um grito de revolta. Munidos de duas guitarras acústicas, escolhemos o Passeio Marítimo de Algés como um dos pontos favorecidos para observar o confluir eterno das águas fluviais e marítimas no largo abraço que é o estuário do Tejo, mais belo dos “rios que vão dar ao mar”. Toda a luz e vastidão do plano vieram dar-nos razão aquando da gravação e o som do mar, do MAR, por muito ténue que seja, é um burburinho constante que anuncia um corpo grande, imenso, universal. (Gonçalo Miragaia - Cinza & Pássaro - e Bruno Broa - Alma Fábrica -) - O Cavaleiro e o Anjo – Matilha optou pelo tema “O Cavaleiro e o Anjo” para prestar homenagem ao grande Zeca. A escolha foi rápida e consensual: nenhum de nós houvera ouvido este poema musicado, o que nos deu total liberdade de expressão na abordagem criativa ao mesmo. O local foi o Miradouro de Santa Luzia. Apenas e só por ser em Lisboa velha, uma zona onde a Matilha gosta de vadiar, por entre tascas e sobre pedras de calçada há muito gastas, onde cada esquina presenciou tertúlias e reuniões de poetas, fadistas, homens e mulheres da noite, locais marcados pela presença do Deus do Alcoól (ou será Demónio?) Nesta homenagem, a Matilha contou com a doce e simpática Maçã de Prata. Também aqui não houve dúvidas: de entre o lote de excelentes músicos que navegam neste MAR, optámos por aquela cuja voz e forma singular de interpretação nos acalma os instintos mais selvagens, o que para um acústico, nos pareceu a decisão acertada. (Matilha e Cheila Cunha - Maçã de Prata -) - Era um Redondo Vocábulo – A canção “Era um redondo vocábulo” foi uma escolha quase intuitiva por parte do conjunto de músicos que se reuniu em volta deste projecto do Venham mais 5. Intuitiva pois em todos os aspectos, fossem eles estéticos, musicais e até mesmo de conteúdo, a versão original de Zeca Afonso, prima pelo facto de ser diferente do resto do seu repertório. O tema em si permitiu uma nova roupagem musical, agraciando também os músicos com o espírito de liberdade. Ao mesmo tempo permitiu uma reflexão sobre o conteúdo, revelando mais sobre a personagem Laura do tema de Zeca Afonso. Que mais pode um músico querer? Quanto à escolha do local, o espírito foi de saltimbanco, no próprio dia encontramos um café bem antigo na zona de Linda-a-Velha, mantendo os seus traços dos anos 60, multifuncional, onde beber uma bica e levar 200 gr de torresmo e uma garrafa de tinto ainda é possível. Puxámos umas cadeiras, sacámos das guitarras e conversámos sobre Laura e os seus segredos. Uma experiência única e gratificante para nós, Miguel Alves e Bruno Broa de ALMA FÁBRICA, Gonçalo Miragaia de CINZA e PÁSSARO e Flip dos BAR. Obrigado Feedback e obrigado Zeca! (Bruno Broa e Miguel Alves - Alma Fábrica -; Flip - BAR - e Gonçalo Miragaia - Cinza & Pássaro -) - Canção da Paciência - Fazer amizade com o tempo, fazer as pazes connosco próprios. Saber esperar. A paciência é uma virtude que nos aprisiona na nossa própria
paixão. É a certeza do rio que corre e que, por muitas curvas e descidas que
conheça, vai chegar sempre ao mesmo lugar. E se amar é estar preso por vontade, deixamo-nos levar pelo ritmo das ondas, ao som das ninfas e por tempo indefinido. Sem pressas, para sempre. É aqui que queremos estar. Chamem-nos Rúben, Clem e Sara. Mas só um nome nos juntou. E um lugar. Zeca Afonso e o MAR. (Clem e Sara - BAR - e Rúben - NINFO & Sonos2 -) | Iniciativa do Feedbackmusica.com (em parceria com o Movimento Alternativo Rock) que integra o projecto "80 ANOS DE ZECA" da Associação José Afonso Norte. É a nossa maneira de homenagear um dos vultos da música portuguesa. Tentámos fazê-lo através da gravação de 5 Acústicos Feedback com versões de músicas de José Afonso, por parte de elementos das bandas do M.A.R., 5 Sonetos escritos pelo nosso colaborador J.M.S. e ainda uma ilustração de Sara Franco que dá a imagem à iniciativa. No futuro poderão ser ainda realizados um espectáculo ao vivo para apresentação destas e outras versões (a 24 de Abril no Santiago Alquimista - Lisboa) e ainda a gravação das mesmas para oferta no referido espectáculo. Ilustração: Sara Franco
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