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Foi no passado dia 4 que se realizou o primeiro MAR Eléctrico, metade da iniciativa que está a ser realizada pelo Movimento Alternativo Rock durante o mês de Setembro. Este movimento que congrega actualmente 11 projectos pretende através da entreajuda dos seus membros “…promover através dos meios disponíveis a lingua portuguesa e o acompanhamento de projectos não editados..”. Através da opção (discutível ou não) de cantar em português, todas estas bandas pretendem elevar uma identidade nacional, cada vez mais necessitada de afirmação. Também através de um espírito de camaradagem raramente encontrado no meio, pretendem contribuir para que, não um mas todos os projectos consigam mais facilmente chegar a mais pessoas.
A primeira banda a actuar foram os ALF, projecto formado pelos irmãos Morgado (Sénior e Júnior) em 2006 que com uma guitarra e uma bateria começaram a explorar a galáxia do Rock. Três anos, de viagens intergalácticas, depois deixaram entrar mais dois passageiros: Bispo (guitarra e lap steel) e Bernas (baixo e sintetizadores) e passaram a praticar um som mais rico e complexo, em contraponto à sonoridadade mais crua que uma formação a la Death from Above fazia transparecer. O início do concerto foi ainda efectuado com a formação reduzida para a instrumental “Hey” (com recurso a theremin) e “Proposta de Viagem” com as suas guitarras psicadélicas e uma voz que fazia recordar bandas de um rock mais alternativo que se costuma vir do Norte do país. Depois de “E se de repente…” entra Bispo para juntar mais uma guitarra a “Verniz de Inverno” e “P.U.T.A.” (um blues espacial) . Com “Ferida” muda o registo para “…uma canção de amor, de fazer chorar as pedras da calçada…” e convites de incitação ao “Swing” à mistura. De regresso ao duo guitarra-bateria, “Paranóia” apresenta-nos excelentes partes instrumentais mas também uma voz quase imperceptível derivada, talvez, da fraca qualidade sonora apresentada nesta sala. Entra depois o elemento que faltava (Bernas) para acrescentar sintetizadores a “Amanhã é melhor”. Já com os quatro músicos “Balão Mágico” apresenta-nos a lap steel guitar de Bispo a transportar-nos pelo Pacífico até ao Havai (embora, como sempre, seja um Havai de outro planeta...). Para o final ficou “Papel” e aquele que poderá ser considerado o single orelhudo digno de um hit de rádio, “Elefante” (incluído na “Colectânea Subcutânea” do MAR). Como conclusão, os ALF apesar de um pouco verdes, só têm a ganhar em complicar, isto é, tornando a sua música mais complexa com a inclusão dos novos elementos, esta torna-se mais rica e interessante. E talvez deverão pensar em ter mais instrumentais pois, apesar da voz não ser má, as melodias mais elaboradas não são tão banais como as partes vocais. Uns vinte minutos depois (passados a ouvir mais rock em português saído das colunas do Gasoil) chegou a segunda banda da noite: os Alucina. Formados à mais de 10 anos por dois amigos, Fábio e Lourenço a que se juntou mais tarde o baixista Norte, os Alucina só começaram a levar-se mais a sério a partir de 2005 quando começaram a gravar algumas músicas. Definem-se como Rock Honesto que nos concertos mostram a sua alma a 300 km/h e falam numa alturação do seu som nos últimos tempos, do punk para o Indie mas neste concerto isso não foi muito visível pois ao longo das 20 músicas apresentadas o que se viu, quase sempre, foram as canções curtas, fortes e muito semelhantes entre si na sua construção. Não se veja isto como depreciativo, mas sim como a confirmação da honestidade da sua música pois os Alucina tocam o que sentem e que os faz vibrar e isso é um punk à maneira de uns Censurados como em “Lugar no mundo” ou o hit “Taparuere”. Apenas em “Cacos de Identidade” e na mais calma “Raio Verde” se aproximam do tal indie que procuram (?). Ouvimos ainda “Cassete” tocada pela primeira vez ao vivo, o ska de “Deserto da Paz”, uma música de Verão com “O Problema” e o delírio do público com “Abram Alas” e o encore de “Taparuere”. Como não se cansam de repetir, é rock honesto e não esperem nem menos, nem mais… Uma nota ainda para a sala escolhida para este Mar Eléctrico, o Gasoil. A localização é boa, o espaço agradável mas quem se lembrou de colocar o palco em frente a uma coluna gigantesca? Se, como se gostaria, o público comparecesse em massa, muita gente ficaria a olhar para a parede. É pois, um caso a rever... Apesar de todos os “defeitos” de quem está a começar e de quem, por vezes, pensa mais com o coração do que com a cabeça, este é uma iniciativa de louvar e que deve merecer mais atenção por parte da crítica “especializada” e especialmente de um público que, estranhamente, continua divorciado dos pequenos concertos que acontecem todas as semanas, um pouco por todo o país. Numa das alturas de maior criatividade da música portuguesa a maioria do público apenas segue concertos com suporte de grandes circos mediáticos e que, muitas vezes se limitam a repetir fórmulas uns dos outros ou apresentar os mesmos artistas que vemos à vinte anos. Se na década de 90, se poderá dizer que houve uma estagnação criativa depois do boom dos 80’s, agora neste século XXI todos estão distraídos e se não acordarem rapidamente, vão perder a que poderia ser a década de ouro da música nacional e a mola de lançamento para a definitiva afirmação da mesma. Tem a palavra o público...
Miguel Lopes miguel.lopes@feedbackmusica.com |
SETLIST
ALF
01. Intro
02. Proposta
03. E se de repente?
04. Verniz de Inverno
05. P.U.T.A.
06. Ferida
07. Swing
08. Paranoia
09. Amanhã é melhor
10. Balão Magico
11. Papel
12. Elefante
Alucina
01. De vez em quando
02. Nexo
03. Vai vem
04. Cacos de Identidade
05. Raio Verde
06. Perigo Tóxico
07. E se
08. Taparuere
09. Mulher Veneno
10. Sofre a vida
11. Lucutor
12. Lugar no mundo
13. Cassete
14. Deserto da Paz
15. O Problema
16. Abram alas
17. Democracia
19. Alento
Encore:
20. Taparuere FOTOS Fotos: Andreia Radley e Luis Aguiar
VIDEO
Vídeo: Marta Machado e João Amorim
WEB
AGRADECIMENTOS
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