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Enquanto, antigamente, o saber se mantinha inalterável ao longo de séculos, nas últimas décadas, assistiu-se a uma enorme aceleração do progresso científico e tecnológico e à crescente especialização dos campos da Ciência. Paradoxalmente, o progresso exponencial da Ciência (Big Science) veio também expor a crescente fragilidade dos seus paradigmas.
A Escola tem revelado grandes dificuldades em coadunar a sua actuação com as mudanças operadas na maior parte dos sectores da sociedade. Seymour Papert, matemático e reconhecido percursor da utilização da tecnologia na educação, num dos seus livros, narra uma viagem no tempo em que médicos e professores do séc. XIX chegam aos nossos dias. Esta alegoria pretende comparar de uma forma caricata a extensão das alterações efectuadas em muitos ramos da sociedade com as realizadas na Escola.
Sendo a missão da Escola possibilitar às gerações mais novas a aquisição de saberes construídos pelas gerações anteriores de modo a garantir a sua preparação para a construção de novos saberes e assim acautelar a perpetuação da própria Ciência, pois, como refere Olga Pombo no seu texto Comunicação e Construção do Conhecimento, "não há Ciência sem Escola" (p.19), torna-se cada vez mais premente que os professores tomem consciência das enormes modificações que ocorridas no domínio da Ciência e utilizem a Tecnologia no seu domínio profissional de uma forma crítica e transformadora.
Longe dos tempos em que a escola era praticamente a única fonte de saber, actualmente, a maioria dos alunos vive, desde que nasce, imerso na sociedade da informação e da tecnologia. Para muitos estudantes, as quatro paredes vazias de uma sala de aula e um professor que debita a matéria de uma forma mecânica, ano após ano, e apenas apela à memorização de informação contida no manual, não constitui desafio suficiente.
A escola não consegue acompanhar a actual evolução dos saberes e da tecnologia se continuar a manter uma postura tradicional baseada na mera transmissão dos conhecimentos (apanágio da escola durante séculos). Para muitos alunos, a escola não oferece alternativas, não lhes dá oportunidade de construir vidas com sentido em torno do trabalho escolar, despertando-os para o conhecimento – não lhe dá oportunidade de se expressarem através da participação na aprendizagem na escola. A este propósito, Etienne Wenger e colegas referem a urgência de se construir uma escola como uma comunidade de aprendizes empenhados.
Assente numa lógica de disciplinaridade, decorrente da especialização da Ciência, a Escola deve “defender perspectivas transversais e interdisciplinares” (Pombo, in Epistemologia da Interdisciplinaridade, p. 13) e contornar obstáculos colocados institucionalmente em termos de currículos, horários, salas, gestão… pois além de acompanhar o desenvolvimento dos saberes, deve encontrar estratégias de articulação dos conhecimentos que ministra.
"A tradicional concepção de sala de aula, com alunos-expectadores enfileirados diante de um professor-especialista detentor da informação, deve ser modificada tanto nos ambientes presenciais, semi-presenciais ou não presenciais.
Combater o instrucionismo, a reprodução de conhecimentos e fragmentação do saber é o grande desafio. Os novos paradigmas epistemológicos apontam para a criação de espaços que privilegiem a co-construção do conhecimento, o alcance da consciência ético-crítica decorrente da dialogicidade, interatividade, intersubjetividade. Isto significa uma nova concepção de ambiente de aprendizagem."
(Santos & Okada, In A construção de ambientes virtuais de aprendizagem, p. 1)
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Tendo em conta as mudanças no campo da Ciência e da Tecnologia como é que a escola se deverá organizar para continuar a desempenhar o seu papel?
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Que novas competências deve tentar desenvolver nos alunos para que estes sejam capazes de uma atitude positiva face à mudança contínua e à necessidade de aprendizagem ao longo da vida?

