APONTAMENTO: Constatando que os azulejos tradicionais antigos tinham cores(especialmente o azul e o manganês) e vidrados com uma beleza única acentuada pela chacota manual, em contraste com a produção actual "seca e sem grande brilho",devido em grande parte à "purificação" dos materiais e das queimas.
Devido a este desencanto em relação à azulejaria tradicional actual que o meu grande desafio nesta área, tem sido a de recuperar a beleza dos
vidrados estaniferos e das cores antigas, oriundas dos óxidos, cromatos e carbonatos de diversos metais, nomeadamente o cobalto,o cobre, o manganês, ferro, niquel, chumbo, e outros... Após uma pesquisa intensa de mais de 10 anos, consegui obter os resultados desejados: A beleza e
o encanto dos azulejos dos tempos dos fornos a lenha.
O Azulejo e o fado são provavelmente as expressões artisticas que,devido à sua originalidade, mais fortemente caracterizam a nossa cultura.
Apesar do azulejo ser de origem àrabe, ele teve um desenvolvimento ao nível artistico sui generis no nosso país. Com o azulejo artístico, os edifícios e monumentos portugueses adquiriram um brilho especial, que os deferência dos demais dos outros países. Ficam na retina de qualquer turista os azulejos paisagistas e etnográficos das estações de comboios, a iconografia de cenas religiosas e mitologicas nas igrejas, as pinturas de Jorge Colaço no palácio Alverca(casa do Alentejo em Lisboa), palácio do Luso e estação de São Bento, a arte comtemporânea das estações do metro, as fachadas de edificios quer com azulejo de estampilha ou pinturas trompe l'oeil que sugerem novos espaços arquitectónicos, ou simplesmente as placas toponimicas das nossas ruas. A azulejaria artística é uma arte que nos define artísticamente além fronteiras. Portanto a conservação e restauro dos azulejos e do património cultural em geral, revela-se de extrema importância, e nalguns casos a necessitar de intervenção urgente.
Fortaleza de São Miguel em Luanda - Restauro dos azulejos da casamata Painel representando o levantamento do padrão inspirado numa aguarela de Roque Gameiro (após restauro) A Fortaleza de São Miguel de Luanda é uma fortificação edificada no ano de 1634 com o objectivo de defesa da cidade. Com o decorrer dos tempos, os interesses, objectivos e fins da fortaleza alteraram-se e nos finais dos anos 30 do século XX foram realizadas importantes obras para ser adaptada a museu (Museu da História). A parte das obras mais relevante e que melhor acolhimento teve, pelo seu elevado valor artístico, foi o revestimento das paredes interiores da casamata com paineis de azulejos, do estilo da azulejaria portuguesa do século XVIII, com a singular beleza dos azuis cobalto. Neste conjunto azulejar são reproduzidos acontecimentos e motivos do século XV ao XIX, relativos à história, fauna e flora de Angola. Ao centro dos paineis de maiores dimenções figuram reproduções de frontespicios do manuscrito da «Historia Geral das Guerras Angolanas», de António de Oliveira de Cadornega (exemplar da Biblioteca Nacional de Paris), e extractos de cartas de Angola e Africa do seculo XVII. As fontes de inspiração artística da maioria dos motivos foram desenhos e gravuras antigas de diversos autores, e também algumas fotografias, as quais eram reproduzidas integralmente ou em parte, consoante o espaço a pintar e as dimensões da gravura. A partir da decada de 70 a deterioração e desaparecimento de azulejos dos paineis foi crescente até ao estado que se encontram hoje. Por isso o seu restauro, é praticamente, a sua reprodução total. Mas sempre, respeitando todos os motivos reproduzidos recorrendo a fotos antigas dos paineis originais e das gravuras que serviram de base de inspiração. Serão também respeitados os metodos de produção tradicionais manuais antigos, quer seja o azulejo de produção totalmente manual ou o vidrado estanifero quer a sua queima para obter os maravilhosos azuis cobalto "fumados" do tempo dos fornos a lenha. Site sobre o restauro dos azulejos de luanda
Mapa turistico de Portugal com figura de convite tradicional em azulejos - Jardim do atelier Escola Antiga
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