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Não cabe somente aos pais a responsabilidade pelo desenvolvimento da sexualidade nas crianças. Professores, junto a eles, também, exercem um papel de extrema importância no desenvolvimento sexual das crianças. Diferente dos pais, que tem o direito de passar valores às crianças, os professores têm o papel de esclarecer sem repassar suas opções pessoais. Preconceitos e valores não pertencem ao universo educacional deste profissional. Letícia Figueiró lembra alguns exemplos e como deve ser a reação dos educadores. Segundo a psicóloga, diante da seguinte pergunta formulada por uma criança, “homem pode beijar homem?”, a resposta deve explicar que existem pessoas que namoram outras do mesmo sexo, mesmo que o profissional considere errada tal atitude. A pedagoga Terezinha de Paula Machado é responsável pelo conteúdo ministrado às crianças do CEI (Centro de Educação Infantil) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Segundo ela, a sexualidade está presente na educação infantil muito fortemente. Neste período, as crianças descobrem a si próprios e, também, ao outro. “Os professores sempre devem estar mediando a descoberta desse outro, para que isso não venha a causar outras questões mais complicadas de se lidar”, lembra Terezinha. “Existem algumas interferências que o professor deve mediar. Algo, por exemplo, que ele acabe vendo pela mídia. Aos pais nós passamos a mesma orientação. Eles devem ajudar que a criança descubra a sexualidade da maneira mais natural possível”. Terezinha lembra a importância de professores, enquanto educadores, se atualizarem através de cursos que preparem para lidar com essa temática diante dos alunos. “Enquanto houver crianças, haverá sexualidade”, afirma. “O curso é, também, uma forma de nós trabalharmos enquanto adultos. Nos cursos, você se esclarece e esclarece acerca da sexualidade para poder trabalhar”. A professora de Educação Infantil, Claudinea Angélica dos Santos, lembra que já passou por situações em que teve que usar a didática de como trabalhar a sexualidade com crianças. Claudinea conta que, já teve um aluno que afirmava que os pais namoravam “pelados no sofá”. Segundo a professora, a criança convidava os amiguinhos para copiar o ato dos pais. “Nós tivemos que conversar com a criança, e explicar a ela o funcionamento do corpo humano. Com isso podemos trabalhar o desenvolvimento do corpo através dos anos e o porque é importante o ato sexual”, lembra a professora. “A criança aprendeu que ela é muito nova para isso, além de orientar os pais para que quando quisessem fazer isso, que realizem no quarto”. A professora lembra que apesar de todo o preparo recebido pelo professor, há situações que é difícil esboçar qualquer reação. “Já peguei duas crianças do mesmo sexo praticando sexo oral no banheiro”, relembra a professora. “Essa situação me pegou de surpresa, mas somente conversei com as crianças e solicitei para que não entrassem juntas no banheiro”. Segundo Letícia Figueiró, o importante é tratar o fato com naturalidade. A psicóloga lembra que desde que a professora não tenha feito “caras e bocas” no sentido de reprovação dos meninos, a maneira com que a professora agiu foi adequada. “Nessa idade é comum crianças brincarem de ‘troca-troca’, ‘papai e mamãe’ e outras brincadeiras desse tipo. Essas experiências são normais e não significa que a criança venha a se tornar um homossexual futuramente”, comenta. “É importante que a professora reflita sobre o porque disso ter acontecido e ela não saber como reagir”. Fonte: http://geodias.blogspot.com/2009/01/sexualidade-com-sabor-de-brincadeira.html A imagem utilizada nesta matéria é de: http://desafios2.ipea.gov.br |
