No Tempo dos Waveband

(a melhor banda que até hoje fiz parte)
Tocar e viver em conjunto transmitindo esse sentimento sem complicações na música que nos anima dia a dia.

Viver a imperfeição das condições terrenas de seres humanos que dividem a alma de uma forma realista.

Utópicamente viver um mundo em que os unicórnios são nossos amigos e viajam ao nosso lado em carrinhas Mercedes antigas... tocar sempre ao vivo  ignorando genuinamente uma indústria de gravações forjadas... etc etc.

Esta foi a banda onde por minha vontade reduzi o meu equipamente a um simples piano eléctrico wurulitzer, e onde foi possível realizar o uníssono total na execução viva dos temas partilhados na composiçao.

Nessa altura não esperámos pelas guitarras ou outros equipamentos que viriam no futuro... usámos o existente tornando a nossa existência intensamente real objectiva
e sonhadora. Sonho sólido inovador e operante.

Os acontecimentos que se seg uiram na minha vida fizeram com que o  personagem kaosos, ( Doio kaosos ) despertasse num mar de revolta insatisfeita proveniente da observação da agonia dos ideais de pureza que até ali se tinham feito crer verdadeiros.

As palavras escaparam-se das muiitas esferográficas Bics e a bomba pacífica da ressurreição da consciência rebentou em silêncio na inconcistente amargura do final de uma adolescência.

Fui mesmo cumprir o serviço militar (24 meses)  e isso afastou-me da possibilidade de acompanhar aquele projecto magnificamente real e dinâmico.

Algumas pessoas poderão ainda lembrar-se de algum concerto dos WAVEBAND no Zodíaco, ou na Vila de Cintra, em Viseu ou outro qualquer sítio onde as nossas vidas tenham-se cruzado.

Como não podia mudar o mundo mudei pela primeira vez.

Penso que a nossa única arma é a consciência. Uma arma não activa. A Não-Violência activa de partilhar o desejo futuro em comunidade sem agressividade e sem actos de deserpero.

É difícil sobretudo em público, manter o estado de calma necessário para cumprir o sonho. Talvez só aqueles que preservaram a sua intimidade tenham atingido a "iluminação" nesse campo tão contraditório do Anarquismo Perfeito.

Alguns que chegarm bem longe tiveram o fardo de serem chamados de Mestres e isso é mesmo complicado. " O Religiosismo Agnóstico " que emana da confusão dos pensamentos do Kaosos é fruto de uma sensibiladade aberta ao que "pode vir a ser". Com os seus 17 e 18 anos enraizou em si a consciência fictícia de ter participado numa guerra impossível de vencer.

Vencer é morrer nessa guerra. Reflectindo na utopia vivida até às últimas consequências, compreende-se a realização do kamikase espiritualista. A guerra contra o "tem que ser" da parte de humanos baralhados e tristes versus " oque pode ser no futuro " da parte de jovens que se recusam a perfilhar as fileiras de um consumismo vazio e egoísta.

Cada um que se fechou em casa com a sua "droga" cpm " o seu filme " ignorando as possibilidades do que " hoje não é mas pode vir a ser no futuro..." perdeu parte da vida, esbanjou parte do tempo. Felizes são os momentos em que falhamos e nos abrem o caminho para aprender mais sobre tudo!... ou seja em que compreendemos que ainda não sabemos nada, ainda não vivemos nada e tudo de bom é sempre possível vir a acontecer.

Fernando António dos Santos
22 de Junho de 2007

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