(Quando Os Cães Nos Comem as Fotos e Vinis fica pouco para contar...
mas havia dois anjos que só eram visíveis por entre as estrelas da noite no céu do Alentejo que permanecem até hoje no meu
coração... eram muito difíceis de ver porque eram azuis. Vou tentar explicar!)
Os meus cães comeram-me todos os discos de vinil que produzi, editei ou participei... todos!...quer dizer quase quase todos.
Aqueles cães tinham um sentido extra que os fazia querer partilhar à força de tudo o que eu gostava.
Confundiram " Momentos de Paixão " por
"Momentos de Um Cão ".
A vontade de partilhar o gosto que eu tinha naquela pequeníssima colecção levou-os a comer os meus queridos discos.
Não foram só os discos, mas também meia dúzia de recortes que
sobreviveram à passagem do tempo... mas não sobreviveram aos carinhos
dos seus dentes.
Apesar de não ser uma pessoa que ligue muito a isso...
compreendi-os; a única maneira de um animal não perder um objecto que
quer transportar consigo, é comer esse objecto.
A realidade parece muitas vezes escrita com atecedência por uma mão
que se manifesta na inevitabilidade do que já aconteceu e não pode ser
mudado. Foi o que me aconteceu. O tema " Vivo na Selva " tinha sido
gravado primeiramente no estúdio JORSOM, onde conheci o Super Maestro
Jorge Costa Pinto.
Mais de que Maestro uma fantástica pessoa que teve a paciência de me ensinar coisas que só muito mais tarde compreendi.
Como isto é sobre dois anjos já agora falo das minhas duas "fadas madrinhas", fadas porque não sei o equivakente no masculino.
No que diz respeito à produção musical, gravação em estúdio etc,
Foram o Super José Fortes do Angel, (RPE), e o Maestro Jorge Costa
Pinto, que tiveram cada um à sua maneira o gesto bondoso de deixarem
que um puto àvido de saber, muitas vezes os importunasse com perguntas,
experiências e opiniões cheias de frescura... mas também chatas como o
raio. Obrigado Amigos.
Continuando;. Aqueles dois Anjos que pegavam na minha mão sempre que
me deslocava ao Alentejo, ficaram para sempre na minha memória.
Tenho a
certeza que se na altura tivesse os meus quatro cães... também eles se
apaixonaríam assim... perdidamente ao ponto de não querer gastar
palavras que estragassem esses momentos mágicos e belos.
O Pedro e a Iei Or, também os viram bastantes vezes, mas não estou
certo que se tenham apercebido das suas asas de ouro, louras como as
Cearas de trigo maduro.
Sempre que esses dois Anjos me ladeavam em ternos passeios,
atravessando o labirinto humano de agitações festivas públicas, o meu
coração silenciava-se e saboreava com a profundidade de um apreciador
de momentos simple e puros... cada respiração... cada segundo de vida.
Uma casa à beira mar não é mais bela do que um simples momento partilhado com dois Anjos verdadeiros.
Nesse estado de imersão no simples e puro, não são necessárias bóias
de salvação, o mar ali nunca se agita, apenas ondula e quando ondula...
embála-nos.
Os sons das gaivotas livres... não são tão belos como os
sorrisos abafados e discretos desses seres do Céu que se fazem humanos
apenas para que saibamos que O Céu Espiritual existe´.
Quando perdemos a ligação com esses seres ficamos tentados a
acreditar que o futuro não existe.. mas existe! e lá bem no futuro
depois de toda a matéria findar, eu vou ter voçês outra vez junto a
mim; - os outros que nos viram invejando o que não conheciam... vão
lembrar-se e vão perceber...
"... há agora entedemos melhor a palavra Amor..."
Entendes agora que mesmo com olheiras marcadas, os rios de água de
luz nunca
secam nos olhos de quem conhece o sabor da Claridade ?
Fernando António dos Santos
26 de Agosto de 2007
