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Genocídio de Ruanda

A população de Ruanda é composta por dois grupos étnicos: Hutus (maioria – 85%) e Tutsis (tradicionalmente, a elite). Em 1994-95, calcula-se, foram vitimados entre 800.000 e 1.000.000 Tutsis. Entretanto, também não se sabe quantas vítimas provocou a vingança Tutsi. Talvez nunca venhamos a saber quantos mortos esta luta étnica tenha provocado, ou venha provocar.

Razões do conflito

Liderança Tutsi (desde que o país se tornou independe da Bélgica); escassez de terras; fraca economia nacional, sustentada apenas pela exportação de café


Antecedentes históricos

1989     Caiu o preço mundial do café (50%); Ruanda perdeu 40% de sua exportação; o país enfrentou gravíssima crise alimentícia; aumentou os gastos militares

Completo descuido com investimentos em infraestrutura e serviços públicos

1990     Frente Patriótica Ruandesa (FPR), composta por exilados Tutsis, expulsos do país por Hutus com o apoio do exército, invade Ruanda pela fronteira com Uganda

1993     Ruanda e Uganda firmaram acordo de paz - Acordo de Arusha;   criou-se, em Ruanda, um governo de transição, composto por Hutus e Tutsis

1994     Tropas Hutus (Interahamwe), são treinadas e equipadas pelo exército ruandês

A Radio Télévision Libre de Mille Collines (RTLM), dirigida por facções Hutus mais extremas, incita à confrontação com os Tutsis

Em abril, o avião do presidente (hutu), foi derrubado. Em horas, alguns membros do governo, incluindo o primeiro-ministro, organizaram milícias para percorrer o país e, sistematicamente, assassinar Tutsis. Foi uma "caça aos Tutsis”, também devido à circulação de boato de que os Tutsis planejavam um genocídio contra os Hutus.

Bloqueios foram criados nas estradas e qualquer pessoa que mostrasse um documento Tutsi era morto - a tiros, ou, mas mais freqüentemente, a golpes de facão.

Vizinhos mataram vizinhos e até Hutus moderados, que se recusaram a participar do massacre, foram assassinados. Mesmo freiras e sacerdotes foram considerados culpados de participar do genocídio.

O mundo fez pouco para impedir o massacre, mas depois a ONU criOU um tribunal internacional na cidade de Arusha, na Tanzânia, para julgar os líderes das milícias.


A tropa ruandesa

De acordo com Linda Melvern, jornalista britânica, o genocídio foi planificado. No início da carnificina, a tropa ruandesa estava composta por 30.000 homens (um membro por cada dez famílias) e organizados por todo o país com representantes em cada vizinhança. Alguns membros da tropa podiam adquirir rifles AK-47 tão-somente preenchendo um formulário de demanda e, outras armas, não requeriam nem esse trâmite e foram distribuídas de forma maciça.


Financiamento e preparação da carnificina

O genocídio foi financiado, pelo menos parcialmente, por programas de ajuda internacionais (Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional) sob a chancela do Programa de Ajuste Estrutural

Uma das nações mais pobres da terra, estima-se, gastou U$134 milhões na preparação do genocídio. Deste montante, U$4,6 milhões foram gastos em facões, enxadas, machados, lâminas e martelos – um facão a cada três varões Hutus.

Jean Kambanda, revelou que o genocídio foi discutido abertamente em reuniões de gabinete, e uma ministra disse que estava "pessoalmente a favor de conseguir livrar-se de todo os Tutsis... Sem os Tutsis todos os problemas de Ruanda desapareceriam"


Histórico do genocídio

1994     Deslocamento maciço de pessoas para campos de refugiados, situados na fronteiras, em especial a atual República Democrática do Congo 

1995     Tropas da RDC tentaram expulsar os refugiados

Quatorze mil pessoas são devolvidas a Ruanda, enquanto 150.000 se refugiaram nas montanhas

Mais de 500.000 foram assassinadas e quase cada uma das mulheres que sobreviveram ao genocídio foram violentadas

Muitos dos 5.000 meninos nascidos dessas violações foram assassinados 


Os responsáveis

ELIZAPHAN e GERARD Ntakirutimana

Segundo a BBC, centenas de Tutsis procuraram refúgio na igreja e no hospital Adventista. Enviaram uma carta a ELIZAPHAN Ntakirutimana pedindo socorro, onde informavam:

"Nós desejamos informar-lhe que amanhã seremos mortos juntamente com nossas famílias"

A resposta de Elizaphan: vocês devem se preparar para morrer.

As Milícias Hutu, segundo testemunhas, chegaram pouco depois com os Ntakirutimanas (pai e filho).

Só alguns Tutsis sobreviveram à agressão.

No tribunal, os Ntakirutimanas disseram que tinham deixado a área antes das matanças.

Elizaphan fugiu para os EUA, mas foi extraditado para a Tânzania. Seu defensor foi um dos mais caros advogados americano, Ramsay Clark.

Theoneste BAGOSORA

Cel. Theoneste Bagosora (67), hutu, ex-diretor de gabinete do Ministério da Defesa na época do genocídio. Bagosora anunciou, em 1993, ao deixar as negociações com os Tutsis da FPR (atualmente no poder em Kigali), que iria "preparar o apocalipse", ou seja, o genocídio. Ele foi detido em Camarões e está preso desde 1996.

Bagosora organizou a distribuição de armas e facões (ferramentas do genocídio); ajudou a esboçar um documento que circulou em meios militares, que afirmava que os Tutsis eram "o inimigo principal". O general canadense Romeo Dallaire, chefe das tropas de paz da ONU na época do genocídio, afirmou que Bagosora era o "chefe" por trás do genocídio e que o ameaçou de morte.

 Protais ZIGIRANYIRAZO 

Pertenceu ao esquadrão da morte envolvido em centenas de assassinatos no país. Foi acusado de ordenar Hutus a matar 48 pessoas em dois incidentes separados.

 

Julgados e condenados

(2003)

Gerard Ntakirutimana (45)          em votação unânime o “médico missionário” do hospital da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Mungonero, no oeste de Ruanda, foi condenado por genocídio; crimes contra a humanidade; por ataques contra Tutsis nas Colinas de Murambi e de Muyira. Foi sentenciado a 25 anos de prisão pela morte de duas pessoas e por atirar em refugiados Tutsis em vários locais.

 

Elizaphan Ntakirutimana (78)      pai de Ntakirutimana e pastor-presidente da mesma Igreja. Foi condenado a 10 anos de prisão por crimes menores. Levou os atacantes para Igreja Adventista de Murambi, em Bisesero e ordenou a remoção do telhado do edifício, a fim de localizar os Tutsis que lá estavam, conduzindo à morte muitos dos que estavam no local. Também levou os atacantes a vários locais para localizar e matar Tutsis.

(2008)

Theoneste Bagosora                    condenado à prisão perpétua, considerado "culpado de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra", pelo Tribunal Internacional Criminal da ONU

Protais Zigiranyirazo                     20 anos de prisão culpado de genocídio e extermínio

 

Um salvador

Contudo, outro adventista, Paul RUSESABAGINA, foi o responsável pela salvação de 1268 Tutsis e Hutus, abrigando-os no Hotel Mille Collines em Kigali. Ficou mundialmente conhecido pelo filme Hotel Ruanda. Rusesabagina afirma que se não forem tomadas posturas duras contra o Tribalismo em Ruanda o genocídio poderá ocorrer novamente, desta vez pelas mãos dos Tutsis, "governantes" do país desde o fim da matança.

 

Ruanda hoje

Hoje, várias igrejas transformaram-se em memoriais para os mortos. Ossos acumulam-se no chão empoeirado dessas construções. Crânios, pernas e braços formam grandes pilhas para lembrar os horrores do ódio racial.

 


Informações:  pt.wikipedia.org/wiki/Genocídio_de_Ruanda; www.scielo.br/

Imagenswww.adventistas.com/.../condenacao_ruanda.htm;http://dailyheadlines.uark.edu/images/Rusesabagina.jpg; www1.cs.columbia.edu/.../io_disagreement.html; www.cnn.com/WORLD/africa/9805/05/rwanda.france/;http://www.adventistas.com/fevereiro2003/ruanda_pastor_ouve.jpg