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Conflito no Congo

O conflito na República Democrática do Congo

A República Democrática do Congo (RDC), ex-Zaire (1971-1997) e ex-colônia Belga, vive em conflito desde 1998. Com raízes em choques étnicos, interesses comerciais e políticos, o embate foi a tal ponto violento que foi chamado de “Primeira Guerra Mundial Africana” (1998-2003).


A revolução de Laurent Kabila

O problema iniciou em 1994, quando o país recebeu grande fluxo de refugiados, fugidos do genocídio em Ruanda (de 800 mil a 1 milhão de tutsis e hutus moderados foram mortos). Esse fato ajudou a enfraquecer a ditadura de Mobuto Sese Seko (no poder desde 1965), que acabou sendo derrubado (1997) por uma rebelião liderada por Laurent Kabila, com apoio dos regimes de Ruanda e Uganda.

Nações vizinhas, e países como Zimbábue e Namíbia, que não fazem fronteira com o Congo, enviaram tropas ao território congolês em apoio às facções em combate.



Os dois países logo passaram a desafiar a autoridade de Kabila, que buscou apoio de outros estados, para manter o poder no país, renomeado por ele de República Democrática do Congo.

Angola, Chade, Sudão, Zimbábue e Namíbia apoiaram o regime de Kinshasa, e Ruanda, Uganda e Burundi - este último de forma não oficial - respaldaram o rebelde Agrupamento Congolês para a Democracia - ACD. Durante os seis anos de combate, cerca de 3,5 milhões de pessoas morreram de fome, doenças ou em razão da violência.

Laurent Kabila

Tréguas provisórias

Apesar de tréguas provisórias, os combates continuaram. Laurent Kabila foi assassinado (jan./2001) por um de seus guarda-costas. Seu filho Joseph Kabila (30), assumiu o cargo. Em out./2002, Joseph assinou um acordo de paz com as facções rebeldes para criar um governo de unidade nacional.

Após o armistício, o ACD se transformou em um partido político, com presença no Parlamento após eleições gerais, e suas milícias foram absorvidas pelo Exército.

Os conflitos étnicos regionais, entretanto, persistiram. O atual conflito tem como protagonistas os mesmos atores locais, as antigas milícias da ACD que se integraram nas Forças Armadas da RDC, mas que só ficaram ao lado do governo até 2004.


 

Joseph Kabila

Tutsis

Em 2004, o ACD voltou a pegar em armas contra Kinshasa (Capital da RDC) quando o governo quis substituir Laurent Nkunda – e outros comandantes da etnia tutsi congolesa, conhecidos também como banyamulenge –, por militares de outras regiões da RDC.

Nkunda lidera cerca de 4 mil soldados banyamulenges, e luta para evitar que a comunidade seja massacrada pelas tribos rivais e pela interahamwe (milícia hutu), acusada de genocídio em Ruanda e que fugiu para o leste da RDC, quando um regime tutsi assumiu o controle em Kigali, (Capital de Ruanda).

Kabila (líder de transição e presidente a partir de 2005), tem como aliadas as milícias locais Mai-Mai, que defendem seus territórios de outros grupos, e também as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR).

 

 Laurent Nkunda

Trabalho da ONU

Em meio aos combates cada vez mais freqüentes, a ONU tenta manter a assistência às milhares de pessoas que vivem em campos de refugiados no país. A organização mantém no Congo a sua maior força de paz, com 17 mil soldados. (veja também Ben Afflek...)

A fragilidade do governo, que não consegue manter presença em todo o território do terceiro maior país da África, possibilita o domínio de áreas do país pelos rebeldes – algumas com ricas minas de cobre, ouro, diamante e zinco –, e alimenta o temor de que países vizinhos ambicionem novamente envolver-se de forma direta no conflito.

Informações: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u472238.shtml

Imagens; DaylifeIntegral; Zgapa; Flickr

Veja também: genocídio em Ruanda