Venho, há pelo menos uns seis anos, acompanhando o fenômeno, ocorrido, inclusive, entre amigos e familiares meus. Denominei-o de OB da Consciência. Refiro-me ao já famoso e nacionalizado Sopão.
Por acaso, acredito, o nome do movimento diz o não expresso: “SO-PÃO”. Sim, a esses desvalidos, párias sociais, apatriados públicos e familiares, nem o Circo, concedido pelos romanos a seu povo. A esses só pão, porque o pão calará o ronco de seus estômagos e, quem sabe assim, cale também suas vozes.
Um dia na semana, saem de casa os beneméritos em busca de seus “OBs da Consciência”, um processo, como alguns outros, criados pela sociedade pós-moderna. Processo tampão: o sangue infecundado do ventre contido num chumaço de algodão.
Como bem diz a Rita em seu poema, “[...] e a sopa distribuída nas esquinas, enche o prato-fundo de ilusão da indiferença infinda”.
Nada contra quem participa, elogiável a atitude, mas acho de uma infinita indiferença social, maior que a minha que, no meu canto, covarde, fico a remoer minhas “sopinhas”.