Algumas matérias que já saíram na imprensa sobre as aventuras em duas rodas realizadas pelo Valdo.O projeto prevê a realização de amplo material a ser divulgado na imprensa falada e escrita.Esta página estará em constante atualização durante a viagem.Jornal Aconteceu – 27 de jan a 2 de fev 2005 – São Mateus PR
Aventura da Galera da Bike
![]() Aventuras da Galera da bike Esporte, além de saúde, é adrenalina, fortes emoções, é vida A Galera da bike mais uma vez realizou uma de suas loucas aventuras. Desta vez, numpercurso de 127 km, em 2 dias, iniciando no dia 29, saindo de Campo Largo com destino a Porto Amazonas. Foram doze horas e meia de pura adrenalina e paisagens maravilhosas, com direito a banho de cachoeira. No dia 30, o grupo retornou para Campo Largo, por um caminho diferente, o que não deixou de ter emoções fortíssimas, paisagens exuberantes e é calro, não podia deixar de faltar o banho de cachoeira. Esta foi a nossa primeira incursão fora do Município. A equipe pretende fazer outras viagens a outros municípios ainda dentro desse semestre. “Desta vez fomos em nove integrantes, sendo cinco são-mateuenses e quatro curitibanos. Entre eles, não podemos deixar de mencionar o nosso amigo e mestre Valdo, 60 anos de idade, que é um exemplo de pessoa. Já fez várias viagens em cima de uma bicicleta. Já foi do Oiapoque ao Chuí em duas etapas e sua viagem mais recente foi para o Chile, retornando desta viagem no último dia 16 de janeiro, num total de 18 dias pedalando. Que pessoa maravilhosa! A sua disposição é de dar inveja a qualquer um” comentou Rute uma das integrantes. Quando foi convidado pelo grupo para participar da aventura, aceitou de imediato. Perguntaram no retorno o que ele tinha achado do passeio e então respondeu. “!Mais uma aventura em cima de uma bike”. “Graças a Deus nossa aventura foi tranqüila sem nenhum incidente” finaliza Rute. Confira as fotos abaixo mas é claro que a emoção não será a mesma como estar lá mas se você quiser fazer parte do grupo e experimentar as mesmas emoções, venha todo sábado pedalar com a Galera da Bike ou ligue (9917-4436). Integrantes: Rute Mayer de Lima – São Mateus do Sul, Ivana M. M. Torres - São Mateus do Sul, Márcia Mayer de Lima – Curitiba, Ernesto Ronconi - São Mateus do Sul, Milton Guerra - São Mateus do Sul, Giovanni Schiavona – Campo Largo, Marcelo Oliveira – Curitiba, Valdo (Valdecir João Vieira) – Curitiba, André Rocha - São Mateus do Sul. Atos e Fatos – Curitiba – Abril, Maio, Junho, Julho 2005 Diário de Bicicleta
![]() A neve foi um desafio, mas a paisagem valeu a viagem Saímos de Contao pela manhã, foram mais de 46,31 kms pedalados e hora empurrados em 03hrr, sendo agraciados com as mais belas paisagens, mas só então nos deparamos com a neve no topo das montanhas onde ficamos todos encantados. Chegamos em Hornopiren, grande centro onde encontra-se de tudo e também está localizado o imponente vulcão Hornopiren no Parque Nacional Hornopiren. Ficamos hospedadosna hospedagem de Dona Rosa de grande simpatia, de frente com a baía, onde se encontra a “Rampa Pichanco”, embarque do Transbordador, baía de grande beleza, águas azuis, enfrentamos os 12º, e tomamos banho nas águas do Pacífico, sensação única.
![]() Esta coluna relata a aventura de um grupo de amigos que visitou o Chile de bicicleta, contada, passo a passo, por Nilson (Cicles |Nova Bike).
Partimos para o nosso segundo transbordo que atrasou por ser o primeiro dia de funcionamento, íamos sair às 14 h, mas só saímos às 21h, o que nos proporcionou desfrutarmos de um belíssimo pôr-do-sol, os dias no Verão são excepcionalmente longos. Conseguimos uma carona para as nossas “magrelas”, com um casal de suíços, economizando uma grana. Atracamos em Caleta Gonsalo, às 02h, onde a única luz que tínhamos era dos faróis dos carros; empurramos as nossas bikes até a pouca luz de uma lanchonete, arrumamos nossos alforjes, seguimos para uma área de camping. Atravessamos uma ponte pênsil na total escuridão, armamos nossas barracas com o auxílio de nossos faróis para minimizar a escuridão. Acordamos lá pelas 10h, só então demos conta do lugar que estávamos. Um vale rodeado de montanhas, cortado pelo rio da ponte pênsil de águas cristalinas. A exuberância e a variedade de vegetação são de encher os olhos. Desarmamos os acampamentos, tomamos café e seguimos para Chaitén... ![]() Pusemos em votação e optamos por pedalar até uma área de camping, pois a pedalada até Chaitén seria dura, de uns sessenta quilômetros. Seguimos a contemplar as paisagens e a vegetação local, folhas gigantes, árvores de troncos enormes e retorcidos; parecia que estávamos em um filme do “Elo Perdido”. Paramos sob uma ponte, deixamos as bicicletas e seguimos em um “sendero”, trilha onde encontrava-se uma grande ponte de cordas, atravessar a garganta do rio de águas rápidas, mas não continuamos, pois o total da trilha daria mais de duas horas. Percorremos uns vinte quilômetros e chegamos em Lago Blanco, pedalávamos dentro do Parque Pumalin de propriedade do americano Douglas Tompkins. Havia banheiro com chuveiros, tudo organizado e bem cuidado, já instalados com as barracas armadas aproveitei a luz do dia para revisar as “magrelas”, o Sr. Valdo, o Fernando e o Ricardo tratavam do jantar. A todo momento, se houve o barulho da água, órfã em corredeiras, ora em belas cascatas, os insetos também não davam trégua, uma butuca “jurássica” enorme incomodava bastante. Do outro lado do lago, ao fundo as montanhas, onde em uma delas pode ser visto um pouco de neve. Durante a noite, recebemos a visita do funcinário do parque, que nos deixou o recibo do pagamento de nós estarmos no camping. Pela manhã, seguiríamos para Chaitén. Pedalando no Chile Levantamos bem cedo, tomamos café e seguimos viagem, nosso sexto dia de pedalada, a estrada com cascalho solto fez as primeiras vítimas, sr. Almiro e o Ricardo que capotou, sumindo na vegetação, mas nada grave. O tempo começou a não colaborar, veio a chuva seguido do frio, que nos acompanhou até Chaitén. Cidade portuária, encravada entre lindos montes com 3.258 habitantes, fomos procurar oficina, acesso a internet e informações ao turista. A gente se separou, uns foram descarregar as fotos digitais, outros ao mercado, eu e o sr. Valdo. Fomos em três agências naval, para comprarmos as passagens de volta a Puerto Montt, optamos pela Aysen Express onde faríamos a viagem de “catamaram” de Puerto Chacabuco até Puerto Montt. Reencontramo-nos na agência de informação do turista à beira-mar, fomos almoçar. Havia uma galeria com vários restaurantes, optamos por um, onde comemos tomate. Após o almoço, fomos para Termas Del Amarillo, a km 19,5 de Chaitén, embaixo de muita chuva. Faltando 4 km, acabou o asfalto, seguindo agora por uma estrada de cascalho e uma subida íngreme, onde me separei do grupo e segui até as termas, armei a barraca e esperei pelos outros. Todos reunidos fomos para a piscina de águas termais, estávamos todos molhados e com muito frio, entramos na piscina térmica – aquele choque térmico. Ficamos lá mais de duas horas com o corpo dentro da água “caliente” – quente e na cabeça uma chuva fria com um vento de “cortar” a orelha. Com pouca vontade saímos das águas e enfrentamos o frio, tomamos um chá com pão e fomos para as barracas, onde a chuva e o frio persistiram por toda a noite.
O Progresso – Dourados, Mato Grosso do Sul, segunda-feira. 5 de junho de 2006 Ex-padre atravessa países pedalando
Jornal O Progresso de Ponta Porã - MS
A Notícia – Domingo 6/8 2006 Volta ao Mundo em Duas Rodas
![]() Volta ao mundo em duas rodas Depois de quatro décadas dedicadas ao sacerdócio, padre troca batina pela bicicleta Nunca é tarde para encontrar a satisfação interior. Essa é a lição que o ex-padre Valdecir João Vieira, de 62 anos, morador de Joinville, ensina quando conta sua trajetória de vida. Depois de mais de quatro décadas dedicadas ao sacerdócio, Vieira não teve medo de reavaliar a vida e mudar o rumo de sua história. Em 2003, trocou a batina por uma bicicleta e passou a conhecer o mundo por outra ótica. Agora, se prepara para, no ano que vem, dar a volta ao mundo sobre duas rodas. Ele pretende pedalar mais de 41 mil quilômetros entre América e Europa. O “cicloturista”, como se define, entrou para o seminário aos 19 anos. Quando terminou o curso de missiologia foi transferido para a região Amazônica, onde trabalhou por mais de 18 anos na evangelização dos indígenas. “A Amazônia é um mundo à parte. Umpovo feliz, apesar de toda a carência que existe”, sistetiza Vieira. Mas sus vocação missionária o levaria para o outro lado do continente, para conhecer uma ralidade muito diferente da brasileira: os orrores da guerra civil. Durante dez anos, o ex-padre trabalhou em Moçambique. Por três anos conviveu com a guerra civil que assolou o país. “Teve um dia eu fiz q8 enterros. As pessoas procuravam a missão para se esconder. Ali era uma espécie de território neutro. Quando você enfrenta uma guerrilha, o inimigo está do seu lado. Você vive com medo. As cidades eram ilhadas, não se podia avançar mia do que cinco quilômetros para fora da área urbana, que corria o risco de ser morto”, conta vieira. Cansado da guerra, em 2002 ele foi para Portugal. “Eu não estava contente comigo mesmo. E quando não se está satisfeito consigo, falta felicidade, há sofrimento interno. Acho que fiz a escolha pela vocação errada”, analisa. Para se encontrar, Vieira pediu licença de três anos e foi viajar pela América do Sul. Durante 70 dias, passou pelo Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Paraguai. E foi no Peru, que conheceu os “ciclotruristas”. Empolgado com a idéia, retornou ao Brasil, comprou uma bicicleta e saiu pedalando. “Essa primeira viagem fiz de ônibus, e a medida que ia caminhando, meditava e me descobria”, contou. Este ano, já percorri a pé 800 quilômetros, entre São Francisco do Sul e Aparecida do Norte (SP). Em três anos de pedaladas, Vieira já contabilizou 25 mil quilômetros. Como preparativos para viagem de volta ao mundo, ele está organizando a viagem “Pedal nas nuvens”, saindo de Salta (Argentina), vai pedalar nas Cordilheiras dos Andes até Potosi (Bolívia), depois seguir para Salar de Uyuni e atravessar o deserto de Atacama(Chile). A maior dificuldade que prevê será a altitude de 4 mil metros em determinados trechos. Revista Aventura e Ação - Setembro de 2007
Pedal Abençoado
Revista VO2 – Abril 2007
Por isso eu pedalo – A Liberdade de Pedalar
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Valdo, o “Júlio Verne” catarinense Ex-padre pretende dar a volta ao mundo de bicicleta em missão de paz O escritor Júlio Verne realizou a façanha fictícia em um balão, que resultou na obra “A volta ao mundo em 80 dias”. Aos 63 anos, com mais de 36 mil quilômetros percorridos pelo Brasil e países da América Latina em seis viagens – como mochileiro e cicloturista -, o catarinense Valdo traçou uma meta audaciosa: atravessar 47 países em cinco continentes, pedalando sozinho mais de 50 mil quilômetros em três anos e meio. A viagem resultará em um livro, cujo personagem real é Valdo, Valdecir João Vieira, que decidiu rodar o mundo a pé ou de bicicleta depois de deixar a batina de padre, em 2002. Uma decisão difícil, tomada aos 58 anos de idade. Mais do que um desafio físico, as pedaladas e caminhadas tornaram-se um exercício de viagem interior. “Nesta idade, era tarde para iniciar outra carreira”, mas era cedo para desistir de um sonho. Pretende partir em julho, de Joinville, para a jornada ao redor do globo, e já tem roteiro traçado. A intenção é chegar a Lima, no Peru, sua última parada na América, em setembro. Para seguir para a Oceania, precisará de passagens aéreas que custarão R$ 5 mil. Passará por Nova Zelândia, Austrália e Timor Leste. As demais travessias oceânicas serão de barco. Pelo solo, enfrentará os mais diversos climas e relevos pedalando sua “Cruzbike”, bicicleta especial, equipada com carretinha para levar a bagagem (conjunto pesa em média 50 quilos). Atravessará diversos países na Ásia, pasando por regiões em conflito, como China, Índia e países do Oriente Médio. Por isso o nome do seu projeto, a ser concluído em 2011, é “Pedalando pela Paz”. Da Europa, voltará ao Brasil, com um sonho concretizado e registros de uma vivência ímpar na bagagem. Diários vão virar três livros Para realizar o desafio, Valdo conseguiu apoio do Fundo Social de Apoio à Cultura e ao Esporte, do governo estadual, que financiará a publicação de três obras escritas pelo aventureiro sobre suas três grandes viagens de bicicleta. Os “diários de bordo” trazem detalhes de travessias pelo cenário brasileiro de muitos contrastes, do Oiapoque ao Chuí, e também das paisagens deslumbrantes desbravadas na América Latina. “A viagem mais difícil foi pelo deserto de Siloli, na Bolívia, a mais de 5 mil metros de altitude; ar rarefeito, vento forte e, à noite, temperaturas abaixo de zero”. As condições externas levaram a desistência de alguns companheiros de pedalada, mas, Valdo conseguiu concluir o desafio na companhia de um garoto de 20 anos. Para ele, uma das recompensas, além da superação dos limites, foi a visita da Laguna Verde, na fronteira com o Chile. Jornal de Cruz – CE – Abril 21/05/2008 Pedalando pela Paz – Um Missionário radical está indo ao Mundo inteiro
EM DIA COM A IGREJA – Pe. Valdery da Rocha*
PEDALANDO PELA PAZ! UM MISSIONÁRIO RADICAL ESTÁ INDO AO MUNDO INTEIRO Nesta semana, passou pelo município de Cruz, onde sou Pároco, o senhor Valdecir João Vieira (também o chamam de padre Valdo). Pelo que falou, não seria longe da realidade vê-lo como um missionário radical, pedalando pela paz. Rompeu com estruturas de Igreja, e saiu, indo pelo mundo inteiro pregando, à sua maneira e com seu estilo de vida, valores do Evangelho. Tem “site” na Internet: www.valdonabike.com que acessei. Ali, há até uma capela virtual onde a gente pode meditar, ler a palavra de Deus, adorar a Deus. Numa entrevista que, quarta-feira última (dia 23), concedeu ao radialista dr. Lima, no programa “A comunidade e o cidadão”, da Rádio Comunitária 6 de abril, de Cruz, ele mesmo se apresentou assim: “Eu já estou completando 54 anos de idade, cabelos brancos, barba branca. Mas com muita disposição física para conhecer ainda grande parte do Brasil e do mundo. Estou pedalando uma bicicleta diferente que chama muita atenção; uma “cruz bike”. Por onde passo as pessoas vão fazendo perguntas e fotografando. É uma coisa bastante curiosa . Em 1963, eu tinha já 19 anos, eu entrei no seminário com a intenção de ser missionário. Entrei na congregação salesiana; segui meus estudos: o ensino médio; fiz o noviciado; fiz a filosofia e fui fazer a teologia depois em Roma. Como era do Sul, queria ser missionário e passei para a missão de Amazonas. Trabalhei dezoitos anos na missão do Rio Negro, nas Ilhas indígenas em Manaus, em Porto Velho, em Belém, São Gabriel da Cachoeira e em toda aquela região do Norte. Depois eu fui para uma missão mais avançada. Fui fazer missão na África e passei 10 anos em Moçambique. Moçambique é um país de língua portuguesa, onde 99% da população é negra. Pouquíssimos brancos. Um país que estava ainda na guerra civil de 23 anos na guerrilha, com muitas preocupações e muitas dificuldades. Depois de uns dez anos em Moçambique, eu voltei para Portugal. Eu pertencia então à Província Portuguesa, e em Portugal fiquei trabalhando por dois anos na edição eletrônica de uma revista, celebrando minha missa, fazendo um trabalho assim de pastoral dentro da cidade de Lisboa. Isso foi até o final de 2002, quando eu pedi uma dispensa de 3 anos, para rever a minha vida. Nessa dispensa de 3 anos foi quando eu comecei a viajar, primeiro como mochileiro. Montei-me em uma bicicleta, em maio de 2003, e comecei a fazer minha primeira viajem de 4 mil e poucos quilômetros descendo dos Estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e chegando até o Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Paraguai e voltei para Curitiba. Foi a minha primeira grande viagem. No momento, estou fazendo essa aventura gostosa que é conhecer o Nordeste, a partir de Fortaleza até São Luiz.... pelo Litoral, de bicicleta”. Aqui, apenas alguns tópicos da longa e interessante entrevista:
CS- O que pretende com estas viagens? Tenho como lema dessa viagem “pedalando pela paz”. Quero dar ao mundo uma mensagem de paz sem muita palavra, sem muita complicação, a simplicidade mesmo. Assim: conversas, testemunhos, mostrar para as pessoas que você, para ser feliz, não precisa ter muito dinheiro, não precisa ter muitos bens materiais, você tem que ter apenas uma disposição, uma boa tranqüilidade, uma boa organização consigo mesmo. Se é assim, você realiza verdadeiras maravilhas! Nessas viagens que eu faço, encontro cada gente que você não tem nem sequer condição de imaginar que existia essa gente positiva, gente que te acolhe, gente que dá a mão... enfim, pessoas humildes de todas as condições sociais, pessoas que te chamam na rua para te oferecer um prato de comida - ontem mesmo me aconteceu aqui na praia... São situações interessantes, a gente vai conhecendo e vai vivendo o que, de outra maneira, não teria condições.
CS- Como é o dia-a-dia de um padre, como o senhor, que esteve no Amazonas e se envolveu com os problemas sociais dalí? O missionário tem em si o dom de ser um pouco aventureiro por que tem que enfrentar grandes desafios e tem que gostar do que faz se não ele não faz. Na Região Amazônica, trabalhei com os índios tucanos na região do alto Rio Negro. Depois, mais tempo em Porto Velho, como diretor de um colégio em Manaus como financeiro. Depois gerenciando toda a Província da região amazônica na parte financeira... E é um trabalho gratificante, bom, gostoso, mas! Eu queria mais; eu queria uma coisa ainda mais desafiante. Foi quando veio a idéia, e aceitei o convite, de ir para Moçambique para ver outro aspecto diferente trabalhar num país onde apenas 13% da população é católica e todo resto é animista, ou seja, segue a religião natural... A gente estava ali como uma minoria. Era um trabalho muito bonito. Só que o país tinha passado 18 anos de guerra civil; estava tudo destruído: muita miséria, muita fome. Peguei três anos de guerrilha, ainda tive o desprazer de em um dia só fazer dezoito sepultamentos de pessoas degoladas a facão por causa da guerrilha. Mas era um trabalho bonito e eu gostava daquilo ali. Passei dez anos lá. Foi muito gratificante. E durante esse trabalho... quem trabalhou na Amazônia sabe dos conflitos de terra, e do jeito que é a perseguição que existe contra os missionários lá, que é matando, com assassinato. Neste país também, algum momento tive medo? Não! Lá na Amazônia, na minha época, não! Na década de 70, quando cheguei, lá era uma região bastante protegida pelos militares. Não tinha tanto conflito, mas lá na África, sim. Passei por momentos realmente complicados. Ninguém sabia se devia ficar na cama ou escondido debaixo de alguma coisa, porque, quando os guerrilheiros vêm, eles invadem tudo o que eles encontram pela frente. Estão logo matando. Eles tinham certo respeito pela Igreja, tanto que toda a população corria e ia se refugiar na nossa Igreja, na nossa casa, onde ficavam três, quatro dias por ali, até que a situação passasse. Mas, por algumas vezes, passei por sufoco sim, com o perigo mesmo de ser assassinado, junto com as outras pessoas.
CS- Quem foram e quem são atualmente os grandes missionários no Brasil? No Brasil?! É difícil responder essa pergunta por que eu passei mais de vinte anos fora do Brasil e. não saberia lhe dizer; mas temos grandes personagens, tipo dom Helder Câmara e outros. Alguns que foram assassinados: padres, freiras que deram sua vida por uma causa. Nomes agora, nesse momento, não saberia dizer, não.
CS- Como você vê este grande número de igrejas no Brasil? O ser humano precisa de um ser superior. Tem que acreditar em alguma coisa. A Igreja Católica era a maioria aqui no Brasil, ela de certo ponto “relaxou”, ou seja, abriu demais, com muita facilidade. As pessoas católicas e o povo de certo momento sentiam que queriam um pouco mais. Então, eles correm em busca de curandeirismo, de espiritismo, de seitas, alguma coisa que lhe ofereça um retorno imediato, uma cura imediata, um emprego. E, para isso, eles pagam o que quiserem muitas dessas seitas que existem por ai, onde o principal não é levar o individuo a Deus, mas é levar o dinheiro para o bolso... As seitas são assim, embora saiba eu que outras igrejas sérias existem. Sim. Mas, infelizmente, a Igreja Católica perdeu uma grande parte de seus filhos porque acham estes que ela abriu demais; seria bom ser um pouco mais exigente, um pouco mais severa. O ser humano gosta de um desafio, o jovem gosta de coisas difíceis. Quanto mais difícil, mais ele se realiza. “Puxa, dizem eles, isso é muito fácil ...” Com a religião acontece a mesma coisa. É mais ou menos isso.
CS- Qual o Papa a quem você mais admira? Tirando São Pedro que foi o principal, a quem eu tenho mais veneração é João Paulo II. Tanto porque o conheci pessoalmente - tive oportunidade de estar duas vezes junto com ele, aqui no Brasil, em Manaus e, depois, em Roma. Também porque é um homem de Deus. A gente o sentia assim. A vivência dele era extraordinária, diferente de todos os outros. Agora, dizer que ele é assim só por causa da mídia, não concordo! Porque o atual tem os mesmos elementos na mão, os meios de comunicação, os transportes, têm tudo; e não tem o carisma que o outro tinha. Ele tinha carisma próprio que o diferenciava, que o distinguia de qualquer outro. A santidade nele era visível no olhar... no contato com o jovem, na maneira de ir, mesmo mantendo uma linha dura... Não foi, sei, um Papa de muita abertura. Mas ele era extremamente carismático, no sentido de uma vida diferente.
CS – Com relação à pobreza das pessoas, o que mais lhe chamou a atenção? Por incrível que pareça, as pessoas, quanto mais humildes mais felizes são... Pode ser contraditório, mas tenho observado isso: gente humilde, de um coração aberto, gente que luta com extrema dificuldade, mas que sente o prazer de viver. Aqui no litoral estou encontrando jangadeiros. Conversando com eles ...eles me contando que saem meia noite e vão para o mar e voltam às dez horas da manhã. Tem vez que pegam bastante peixe; tem vez que pegam pouco. O que pegam é só para trocar por arroz ou feijão. E levar a comidinha para casa. Não sobra nada. Mas, mesmo assim, são pessoas que não reclamam da vida, e vivem nessa situação que poderia ser melhor, com certeza, não é?! Mas eles têm alegria de viver, estão satisfeitos... por questão de política, o nosso país não quis ainda resolver a situação dos pobres. Se quisesse...!
CS - Se lhe fosse dado poder, quais as três coisas que você mudaria em nosso país? Primeiro deveria ter uma mudança radical no conceito tão falado de que brasileiro é esperto, ou seja: acabar com a corrupção. Esse é o ponto numero um que deveria ser mudado. Não sei como... ninguém trabalha para isso... Segundo, dar um plano de saúde para todos, sem nenhuma exclusão. Que a pessoa não precisasse passar por esse sofrimento todo que ele tem nas filas, por causa dos problemas de saúde. E o terceiro ponto, além da corrupção e da saúde, é dar a todos os brasileiros uma condição de vida, com um salário tal que ele possa viver sem maiores dificuldades. A todos, sem distinção.
CS - Com este fascínio todo pela bicicleta, tem recebido apoio de algum fabricante? Recebi alguma coisa sim: um quadro; algumas peças. Mas é muito complicado. Patrocínio mesmo para realizar um projeto não é fácil, não! Para julho desse ano eu vou iniciar um grande desafio porque é meu sonho e já faz três anos que o estou preparando: fazer a volta ao mundo em cima de uma bicicleta. Em quatro anos. Na escolha da bicicleta acabou entrando essa aí que é nova. Mandaram-me pelo correio. Estou fazendo uns testes para fazer uma volta nos cinco continentes, em cinqüenta paises. Serão mais de 50 mil km pedalados. Vou começar pela América, depois passo pela Oceania; depois faço a Ásia. depois, faço a África, faço a Europa e volto para cá de novo.
CS - Você pretende parar com estas suas andanças? Tem projetos para o futuro? Eu pretendo terminar em 2012 com a travessia das Américas. Como disse, começando lá no Norte e terminando no fim do mundo... São 50 mil quilômetros. Quero fazer em quatro anos, e quando terminar, em 2012, eu já vou estar com 68 anos. Tenho outro projeto na cabeça. Comprar um terreninho na minha cidade, lá em Joinvile, no Estado de Santa Catarina; montar uma coisa muito simples que já vi por aí pelo mundo afora, que é chamada “casa do ciclista”.O que é? Um chuveiro, uma churrasqueirazinha, um fogão, um lugar de colocar a rede ou a cama. É para recolher os ciclistas que viajam pelo o mundo inteiro. Esse é o meu projeto.. Vou estar mais velhinho, viagens mais curtas... Recolher a possibilidade das pessoas que estão viajando chegarem lá e terem um ponto de apoio para contar suas histórias para contar piadas, para descansar, e assim. Esse é o meu projeto final.
* Professor do Instituto de Teologia e Pastoral (ISTEP) e Pároco de Cruz ABC – Associação Blumenauense de Cicloturismo – 25/5/2008 Volta ao mundo em duas rodas OQ – Revista OQ – Junho – Julho – Agosto 2008 Pedala, Seu Valdo
Pedala, Seu Valdo! Nome: Valdecir João Vieira Codinome: Valdo Idade: 63 anos Quilômetros percorridos como cicloturista: Mais de 38.000 km de estrada. Pedalar é... Liberdade: Ser livre é estar em contato com a natureza”. Grande sonho: fazer o percurso de Lhassa (Tibet) até Karmandu (Nepal). “É um sonho arriscado, pois o trajeto é muito perigoso. Tem 5.600 m de altitude. Mas se tiver oportunidade, gostaria de arriscar”. Maior lição: “O convívio com as pessoas, conhecer novos lugares e ter a sensação de que cada etapa é mais uma superação. Isso é impagável”. O que você imagina que estará fazendo quando completar 64 anos de idade? Sonha com uma casinha num lugar tranqüilo ou fica pensando na tão desejada aposentadoria? Pois o joinvillense Valdecir João Vieira, o Valdo, espera estar a caminho da maior experiência da sua vida: a Volta ao Mundo de Bicicleta. O ex-padre, que já está prestes a completar seu 64º aniversário, sempre sonhou alto, buscando novos lugares, culturas e fazendo amigos por onde quer que passe. “Sempre fui apaixonado por viajar. Quando pedi licença [como padre] fui para o Peru como mochileiro. Em Cusco conheci o cicloturismo e me apaixo0nei pela idéia”, relata Valdo sobre sua primeira experiência com a modalidade. Ele confessa que andou de bike até sua adolescência, porém nunca mais tinha pedalado. Mas a possibilidade de viajar de bicicleta o encantou tanto que mal chegou de viagem e já começou a organizar o próximo itinerário, desta vez sobre duas rodas. No dia 16 de maio de 2003, dez dias após seu retorno dos Andes, Valdo, então com 58 anos, parte de Curitiba rumo ao sul do Brasil e Uruguai, num passeio de 5.070 km e 70 dias de duração. De lá para cá, o joinvillense não parou mais. Já pedalou do Oiapoque ao Chuí, conheceu a Carretera Austral, no Chile e participou de uma expedição Ushuaia-Bariloche, tudo em cima de sua fiel companheira: a bike. E ele recomenda: “Se puderes faça a viagem às Torres del Paine (no Chile), o local é mágico”. O cicloturista também aconselha a Chapada Diamantina e os Lençóis Maranhenses como lugares para conhecer. Numa jornada, a primeira pedalada é sempre a mais difícil. Enquanto espera pelos últimos ajustes para viajar pelos cinco continentes, sua bicicleta vai sendo adaptada para encarar os próximos anos e todos os tipos de solo. Ele fez um teste em abril e foi até o Nordeste, o que para ele foi “férias”, mas já pôde sentir algumas adequações que sua magrela precisaria passar para a grande viagem, que, se tudo der certo e a verba chegar em tempo, deve ter início em meados de agosto. Quanto ao percurso, Seu Valdo só tem certeza que irá começar pela Nova Zelândia, seguindo para a terra dos Cangurus, a Austrália. De lá ele toma rumo ao jovem país da Oceania, Timor Leste e vai à Indonésia. “Após a Indonésia vou analisar a jornada até então para depois decidir que caminho tomar”, revela. A expedição contava com outros participantes, “mas um a um foram caindo fora e mesmo antes de partir já estou sozinho”, diz. Embora faça o percurso sozinho, o simpático Valdo conta com o carinho dos amigos que o acompanham em suas empreitadas via diário na internet, além, é claro, das inúmeras pessoas que conhece ao longo de sua jornada. Quanto à sua saúde, “é melhor do que quando eu era padre”, relata. O ciclista já perdeu mais de 40 kg desde sua primeira pedalada até agora. Ele afirma que come pouco durante as refeições, mas que chega a comer cerca de 10 vezes por dia e sempre toma muita água, procurando deixar o corpo sempre bem hidratado. Mensageiro da paz Seu maior propósito neste projeto é propagar a paz entre os povos levando mensagens de esperança por todos os cinco continentes. “O cicloturismo te dá a opção de entrar em contato com a natureza e o faz pensar na paz como possibilidade para o mundo, diz Seu Valdo. Como padre ele viveu em diferentes países e sempre aprendendo línguas e costumes. “Morei dez anos em Moçambique. Deste tempo, três anos vivi entre a guerrilha e o medo que dominavam o país”, recorda. Ele lembra com muita tristeza das cenas que viu. “Tive que fazer enterros de crianças que morriam de fome”. Diz que muitas dessas cenas dão força a ele para promover a harmonia e a celebração da vida. As histórias do Seu Valdo estão reunidas em três livros sobre cicloturismo à venda na internet, cuja renda contribuirá com o projeto Volta ao Mundo. Pedalando Solitário do Oiapoque ao Chuí: Uma aventura solitária em cima de uma bicicleta percorrendo o Brasil do Oiapoque ao Chuí e todo o Uruguai, narrada em estilo de crônica, faz deste livro uma obra gostosa de ser lida. Pedalando e Desvendando a Carretera Austral – 30 dias com 500 dólares O livro narra a aventura de 6 homens que se conheceram através da internet para realizar uma das mais extraordinárias façanhas de suas vidas. Pedalar 800 km pela Carretera Austral, no sul do Chile, durante dias de muita emoção. Pedal nas Nuvens – Uma aventura na Bolívia, no Deserto de Siloli. Uma viagem de aquecimento enfrentando altos desafios no Deserto de Siloli, na Bolívia. Uma narrativa cheia de surpresas com quatro desistências. Uma semana no meio do deserto. Momentos inesquecíveis vivenciados durante a expedição. 2.860 km pedalados em cinco países: Brasil, Argentina, Bolívia, Chile e Uruguai. Folha do Vale – Edição 592 - Braço do Norte – 26/7/2008 Ex-Padre pedala 400 quilômetros até Termas do Gravatal
Ex-padre pedala 400 quilômetros até Termas do GravatalConhecer todo o Brasil e os países da América do Sul em uma bicicleta. Esta é a missão do ex-padre missionário, Valdecir João Vieira, o Valdo, 64 anos, que desde 2003 já percorreu cerca de 30 mil quilômetros sobre uma bicicleta. Na passagem por Braço do Norte, concedeu uma entrevista à Folha do Vale.
Há cinco dias pedalando ao lado do amigo 46 anos mais novo, Lucas, 18 anos, ele percorreu mais de 400 quilômetros e gastaram em torno de R$ 150, desde Petrópolis (RS) até Braço do Norte. Na noite de quinta para sexta-feira, os amigos passaram a noite em Termas de Gravatal. “Essa é a nossa última parada, agora só paramos para dormir e depois só em casa, já que temos cerca de 400 quilômetros para percorrer de volta”, conta Valdo. Natural de Joinvile, bacharel em teologia e administração empresarial pela Universidade de Roma (Itália), o cicloturista, passou dez anos de sua vida realizando missão em Moçambique, na África, em meio a uma guerra civil sem fim, encarando diversas adversidades, tentando aliviar a vida daqueles que não tinham acesso à comida e saúde. “Em missão, na Alemanha, entregávamos alimentos às famílias mais necessitadas, priorizando crianças e idosos. Cheguei a fazer 18 enterros num dia, pessoas mortas por tiros ou decapitadas. Tínhamos que nos esconder para não morrer também. Agora vivo livre, em contato com a natureza”, explica Valdo. "Não dê muitos ouvidos às coisas que dizem, porque senão você não sai de casa. As pessoas que raciocinam muito antes de dar um passo viverão suas vidas sobre uma perna só".
Envolvido em uma profunda depressão, o ex-padre resolveu combater os seus dramas e traumas de forma diferente, sem médicos saiu percorrendo a pé pelas rodovias de todo país, para em seguida adotar a bicicleta como fiel companheira. “Confesso que este foi o melhor remédio para as minhas angústias, passei a conhecer pessoas diferentes, a enxergar o mundo de outra forma, encontrando o equilíbrio necessário para minha vida. Aconselho a todos realizarem uma aventura desta, pelo menos uma vez na vida, os seus conceitos mudam”, recomenda. A primeira grande viajem de bicicleta feita por Valdo foi a aventura do Oiapoque ao Chuí, onde começa e termina o país, em viajem realizada em duas fases: a primeira percorrida em 4.071 quilômetros, no período de 13 de maio a 18 de julho de 2003. “Se você for jovem como eu, beirando os 65 anos, e quiser fazer uma aventura de bicicleta, o melhor que tem a fazer é preparar-se em silêncio. Sem muita propaganda”, revela o segredo. Segundo Valdo, as pessoas que raciocinam muito antes de dar um passo viverão suas vidas sobre uma perna. “Não dê muitos ouvidos as coisas que dizem, porque senão você não sai de casa”, filosofa. Embora tenha pedido afastamento do sacerdócio, Valdo jamais abandonou sua fé. Prova desta identificação foi a Caminhada da Fé em 2004, trilha feita pelo ex-padre, que percorreu a pé, quase 500 quilômetros. Para o final deste ano, Valdo prepara sua maior viagem. Ele vai percorrer cerca de 40 mil quilômetros para dar a volta ao mundo. “Vou descansar uns dois meses, e então passo a me dedicar para o projeto “Volta ao Mundo de Bicicleta”, antecipa. O ex-padre conhece 28 países, fala português, espanhol, italiano e inglês, conhece a língua indígena Tukano e duas línguas africanas de Moçambique, Chinhungue e Ronga, mas garante: “o maior prazer de uma viajem é fazer amizade, conhecer pessoas e, de maneira simples e cordial, compartilhar momentos de alegria em diversas comunidades diferentes”. Para quem quiser acompanhar as aventuras de Valdo, pode acessar o seu site pessoal www.valdonabike.com. © 2008 - Folha do Vale - Todos os direitos reservados
Desenvolvimento: Evandro Bruning Kuerten ENTREVISTA – VALDO
Valdecir João Vieira é uma dessas pessoas a quem admiramos com facilidade. Catari-nense de Joinville, Valdo é um apaixonado pelo que faz – pedalar. O ex-padre que adora viajar de bicicleta conhece 28 países, fala português, espanhol, italiano e inglês, conhece a língua indígena tukano e duas línguas africanas de Moçambique, Chinhungue e Ron-ga, e garante: “O maior prazer de uma viagem é fazer amizade, conhecer pessoas e, de maneira simples e cordial, compartilhar momentos de alegria em diversas comunidades diferentes”.
Como você começou a fazer cicloturismo? O que o motivou?
Comecei quase por acaso. Em 2003 eu tinha acabado de voltar de Roma depois de ter passado por uma situação melindrosa com a perda de uma bolsa de estudos. Eu estava bastante abalado e por isso resolvi viajar. Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Paraguai. E foi em Cusco, no Peru, que eu vi, pela primeira vez, um cicloturista com quatro alforjes na bicicleta. Aquilo me chamou tanto a atenção que as pessoas até co-mentaram a minha atitude. A partir daquele momento comecei a pensar na possibilidade de fazer uma viagem de bicicleta.
Ao chegar a Curitiba, precisei apenas de 10 dias para montar uma bicicleta, comprar os alforjes e treinar no parque. No dia da partida o odômetro marcava 100 km. A primeira viagem foi de 4.0070 km = Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai e volta para Curitiba.
Qual foi a viagem que mais te marcou? Por quê?
De todas as viagens tenho boas recordações. Mas a que mais me marcou mesmo foi o Pedal nas Nuvens, uma aventura no Deserto de Siloli, na Bolívia onde pedalei entre os quatro e cinco mil metros de altitude. O que antes eu não conseguia nem sequer imagi-nar, de repente se tornou realidade. Descobri que do alto dos meus 63 anos eu ainda era capaz de vencer grandes desafios. A minha confiança e auto-estima aumentou muito depois desta viagem. Venci os meus temores. Dominei o medo.
Você não acha que é loucura sair andando sozinho por aí de bicicleta? Você não tem medo? (Pergunta para provocar aqueles que nos rotulam de malucos)
Eu acho que é loucura a gente chegar à terceira idade e “pendurar as chuteiras”. Cada idade tem a sua beleza e é preciso saber vivê-la na sua plenitude. É verdade que é preci-so muita determinação e força de vontade para realizar sozinho uma grande viagem de bicicleta. Ainda mais se esta bicicleta for uma Tanajura, uma Cruzbike, uma Reclinada com tração dianteira. Mas a alegria que a gente sente em vencer os desafios é tão grande que até os próprios temores desaparecem. Viajar sozinho tem a vantagem de poder inte-ragir com as pessoas pelo caminho. Em geral você é admirado e as pessoas se identifi-cam com o cicloturista.
O seu mais novo projeto é o Pedalando pela Paz. Fale um pouco sobre ele e de como pedalar pode contribuir para a paz.
O Projeto Pedalando pela Paz é meio arrojado. Tem como objetivo dar a volta ao mundo para levar às pessoas que eu encontrar pelo caminho uma mensagem de Paz. Paz no trânsito. Paz no ecossistema viajando sem poluição. Paz aos corações das pessoas que se aproximam de mim durante a viagem.
Muita gente precisa de um ombro amigo; de uma pessoa de confiança com quem pos-sam desabafar. E, não sei porque, ou talvez eu até saiba, elas sentem confiança em mim. Encontrei uma nova forma de fazer apostolado com alegria. E isto é muito gratificante. Não é preciso falar muito; basta saber escutar.
Há alguma maneira de acompanhar a sua viagem? Você criou algum site, blog, orkut ou coisa parecida?
Toda a viagem vai ser relatada no Diário de Bordo que terá atualização semanal ou sempre que eu tiver acesso à Internet. Basta entrar no site:
Tenho também um blog com muitas notícias sobre as viagens.
Para melhor acompanhar a viagem, basta se inscrever no grupo de discussão Pedalando pela Paz que se encontra no site, no blog e no diário de bordo. Toda vez que eu atualizar o diário vou enviar uma mensagem ao grupo informando da atualização e passando também o endereço do Diário de Bordo.
Para ver como está o diário hoje, basta digitar:
Você tem algum apoio financeiro ou patrocínio para o projeto? Como as pessoas podem fazer para contribuir?
Recebi um apoio de R$ 10.000,00 da FUNCULTURAL Secretaria de Estado de Turis-mo Cultura e Esporte de SC para ajudar na impressão dos meus livros.
Quem quiser contribuir com o Projeto Pedalando pela Paz pode fazê-lo como Padrinho ou Madrinha, depositando qualquer quantia na minha conta bancária:
Caixa Econômica Federal
Agência: 4123 - Tipo: 013 - Conta: 4778-5
Depois é só enviar um e-mail para valdojv@gmail.com para que o nome do Padrinho ou Madrinha seja incluído na lista.
Recentemente você participou da BICICULTURA – Conferência Internacional de Mo-bilidade por Bicicleta, em Brasília. Como foi a sua participação e o que você pode con-cluir do encontro?
A participação da BICICULTURA foi simplesmente maravilhosa. Tive a oportunidade de falar sobre as minhas viagens de cicloturismo para uma platéia que se mostrou muito interessada. Talvez a motivação maior foi ver um “velhinho” de barba e cabelos brancos falando sobre viagens fantásticas realizadas de bicicleta, em sete países da América do Sul. Um senhor de meia idade comentou no final da palestra. Eu vou começar a pedalar. Se o Valdo fez tudo isto iniciando sem nenhum preparo físico, eu também posso fazer.
A conclusão que tirei no final do encontro foi que finalmente o Brasil está despertando para o uso da bicicleta como meio de transporte alternativo. Um transporte barato, efeti-vo e que preserva a natureza da poluição. Existe muita gente empenhada em fazer esta mudança acontecer.
Você tem livros publicados sobre cicloturismo. Como podemos adquiri-los?
Tenho três livros sobre cicloturismo:
Pedalando Solitário do Oiapoque ao Chuí
Pedalando e Desvendando a Carretera Austral
Pedal nas Nuvens – Uma aventura na Bolívia, no Deserto de Siloli
Para adquirir os livros basta entrar no meu site:
Vou repetir para você a pergunta que fiz para a Eliana Garcia: O que é cicloturismo, em apenas uma palavra?
Liberdade!
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