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Diario Panama

16/09/2009 - PANAMÁ
El Valle - Aguadulce
101,02km em 5h20min
Total pedalado até hoje: 5.664 km
Horas pedaladas = 423


Foram três dias muito bem aproveitados. Caminhamos, passeamos de bicicleta, com as bicicletas do David e passamos um dia na praia de San Carlos com almoço, cerveja, sombra e água fresca. Que mais eu poderia desejar? Este foi o meu primeiro banho nas águas do Pacífico. Para minha surpresa, as praias do Panamá são banhadas por águas quente, mais quente do que as de Santa Catarina. Uma delícia. Conheci o David pelo Couchesurfing, uma das várias comunidades que hospedam mochileiros. Ele tem 58 anos, é aposentado e adora viajar. Já viajou por 56 países nos cinco ou como eles contam, seis continentes. Do Equador para cá eles dividem o continente americano em dois, América do Norte e América do Sul. Não sei o que fazem com a América Central. Na verdade a Ponte das Américas separa os dois continentes. Segundo este critério eu vou viajar de bicicleta pelos 6 continentes .

Para facilitar a minha vida, o David me de carro até a Panamericana. Fizemos em meia hora o que eu levaria mais de 4 horas para ultrapassar as montanhas.

Iniciei a pedalada às 9h30min debaixo de um sol muito forte, mas as 11 horas o tempo mudou e veio um forte aguaceiro. Esperei meia hora e quando a chuva deu uma estiada, coloquei a capa de chuva que ganhei dos bombeiros do Peru e enfrentei a chuva por mais 15 minutos ate ultrapassar a nuvem escura.

A partir de um certo momento começou um barulho estranho na roda dianteira. Parei três vezes, soltei o freio e não conseguia descobrir de onde vinha o ruido. Na quarta vez entrei numa parada de ônibus e deitei a Tanajura no chão e ao mover a roda ouvia o barulho mas não descobria de onde vinha. Por fim coloquei a pobrezinha de cabeça para baixo e detectei a causa do barulho. Um arame de aço, muito fino, encravado no pneu dianteiro batia no para lama. Graças ao Mr. Tuff, a fita protetora do pneu, a ponta não atingiu a câmara. Tive sorte, pois até descobrir a causa do barulho pedalei mais de meia hora.

Ao completar 100 km que era a minha meta de hoje, cheguei a Aguadulce e, para variar, procurei os Bombeiros onde fui muito bem acolhido. A única coisa que não consegui foi acessar a Internet sem fio pois quando liguei o computador a funcionária que poderia me dar a senha já tinha ido embora.


17/09/2009 - PANAMÁ
Aguadulce – Llano de la Cruz
95,46km em 5h27min
Total pedalado até hoje: 5.760 km
Horas pedaladas = 428

Uma noite tranquila, boa para recuperar as energias gastas durante o dia. A estrada estava normal com algumas subidas suaves que me permitiam pedalar sem maiores dificuldades. Às 13 hora o céu escureceu e um aguaceiro se formava à minha frente. Eu estava em dúvida se seguia em frente ou se parava para esperar a chuva. Um furo no pneu traseiro me ajudou a tomar a decisão. Parei na garagem de uma casa e depois de alguns minutos despencou um forte temporal. Consertei a câmara e ao encher o pneu a senhora viu que o pneu estava rasgado. Busquei o calibre e ao testar vi que já estava vazio outra vez. Desmontei de novo e achei dois furos. Consertei e ao encher de novo detectei mais dois furos. O arame do pneu onde estava rasgado furou a câmara. Fui obrigado a trocar pneu e câmara. Este pneu IRC estava novo. Só tinha rodado 832 km. Coloquei um Kenda 20 X 2.10. Vamos ver se tenho mais sorte com este. Quando terminei de fazer a troca a chuva já tinha parado. Segui adiante e às 16 horas parei numa casa e me permitiram acampar num chapéu de palha. As crianças curiosas me fizeram companhia até o anoitecer quando a dona Kira me ofereceu dois pedaços de frango que serviram como jantar.

Encontrei dois ciclo turistas poloneses que estavam fazendo uma travessia desde a Guatemala até a cidade de Panamá em dois meses. Fiquei sabendo que para eles Nicarágua e Costa Rica foram os melhores países com muito apoio por parte dos moradores. Eu estava meio receoso de pedalar na Nicarágua e agora e animou um pouco mais.


18/09/2009 - PANAMÁ
Llano de la Cruz – Bella Vista de Tolé - Chiriqui
49,41km em 4h04min
Total pedalado até hoje: 5.809 km
Horas pedaladas = 433


Hoje não era o meu dia de sorte. Já estava pronto para iniciar a viagem que seria relativamente curta, apenas 75 km quando vi que o pneu dianteiro estava furado. Consertei a câmara e comecei a pedalar e vi que o sistema de câmbio de marcha do cubo dianteiro não funcionava. Segui até uma parada de ônibus e consertei. A estas alturas o relógio já marcava 08h45min e o sol estava muito quente. Prometia ser um dia difícil. Mas o pior estava por vir. Entrei na região montanhosa e comecei a operação empurra empurra. Uma sequência de subidas e baixadas que não tinha mais fim. O calor era forte. Ao meio dia encostei numa parada de ônibus e dormi uma hora. Acordei bem disposto mas as subidas continuavam. Todo este trecho até David é pouco povoado. Parei num Kiosko para tomar um refrigerante, comer alguma coisa e abastecer de água. Refeitas as energias, segui adiante, mas tanto as subidas como o sol eram fortes. Às 15 horas eu ainda não tinha completados os 50 km. Resolvi procurar um lugar para passar a noite. Parei num casebre de palha mas o morador me disse que era empregado e a casa era do patrão. Continuei empurrando a Tanajura e a uns 200 metros do loca. Havia duas casas uma a cada lado da estada. Uma senhora ao me ver passar me chamou. Havia quatro pessoas numa varanda grande. Entrei e depois de responder às costumeiras perguntas perguntei se podia passar a noite ali pois estava bastante cansado. Além do mais havia um a torneira e mais dois tanques de água. Aproveitei para tomar um bom banho, lavar a roupa e fazer um café. Antes do anoitecer ainda tive tempo de escrever o diário de ontem e de hoje.


19/09/2009 - PANAMÁ
Bella Vista de Tolé – Chiriqui – San Felix
40,51km em 2h35min
Total pedalado até hoje: 5.849 km
Horas pedaladas = 435


Como sempre acontece, tem uma pergunta que nunca falha. - O que é que o senhor fazia antes de viajar? Depois que eu me identifico o comportamento deles muda. O miojo do jantar foi reforçado com uma especialidade a ase de banana com carne. Na hora de armar a barraca na varanda, eles queriam que eu a armasse dentro de casa para não ser incomodado pelos cachorros. Recusei o convite e fiquei na parte externa. O Sr. Juan, dono da casa me convidou para passar mais um dia ali. De manhã fui agraciado com um delicioso “desajuno” oferecido pela vovó Flora. Na hora da despedida ela agradeceu a minha visita e disse-me que ela é muito católica. O Sr. Juan ficou de entrar em contato com um jornalista da cidade de David para fazer uma reportagem na TV local quando eu lá chegar.

Encontrei mais um ciclo turista inglês, o Anthony que em seis meses veio do Canadá até o Panamá. Ele leva muito pouca coisa na bicicleta. Come sempre em restaurante e dorme em hotel. Disse-me ele que aqui é tudo muito barato. É jovem e disse que na próxima vez vai fazer a América do Sul.

A viagem rendeu bem pois a estrada estava mais amigável com mais descidas do que subidas. Às 11 horas cheguei na entrada de San Felix, um povoado com uma estrada principal com muita área verde e uma segunda estrada paralela de uns 300 metros. Procurei pela Paróquia Nossa Senhora do Caminho que fica na parte oposta da Panamericana. A Casa dos Padres Jesuítas é um centro de capacitação e de acolhimento. Foi-me indicado pelo Noviço César que conheci em Jaqué. Cheguei ao centro às 11h30min mas infelizmente o padre responsável estava ocupado com um grupo de jovem e só ia terminar a jornada às 18 horas. Ao meio dia consegui falar com o administrador que me recebeu com cara de poucos amigos e disse curto e grosso que não podia me receber ali. Teria que falar com o padre para ver se era possível ficar na comunidade dos padres. Esperei mais meia hora, não tinha nada a perder mesmo, e quando o padre me atendeu, perguntei se havia um lugar para eu armar a minha barraca. O padre ao saber que eu era brasileiro começou a falar em português comigo. Ele tinha estudado em Belo Horizonte. Disse que não havia problema e que eu podia acampar na chácara que fica logo adiante numa área muito bonita com lago, várias áreas cobertas com mesa e acento e a casa do caseiro com banheiro e chuveiro. Gostei do lugar e resolvi armar acampamento por dois dias. Almocei no único restaurante da cidade, acessei a Internet fiz compra no supermercado e voltei para “casa”.


21/09/2009 - PANAMÁ
San Felix - David
89,04km em 5h105min
Total pedalado até hoje: 5.938 km
Horas pedaladas = 440


A rodovia Interamericana ajudou bastante a etapa de hoje embora em alguns trechos do caminho tive que empurrar a Tanajura morro acima. Perto de meio dia eu estava com vontade de tomar um refrigerante. Parei num destes botecos de beira de estrada onde havia alguns homens tomando cerveja. Ao encostar a tanajura já ouvi um engraçadinho dizer. Chegou Bin Laden. Não tenho nada contra brincadeiras, mas naquele momento o que eu queria mesmo era um refrigerante gelado e nada mais. Para complicar ainda mais o infeliz já estava bastante alto na birita. Sentou-se a meu lado e me deu a mão. Cumprimentei-o educadamente mas o tipo continuou a me importunar. Resolvi ignorá-lo e não respondi às provocações que ele me fazia. Saí o mais rápido possível dali e continuei a minha viagem.

Cheguei em David bastante cedo e poderia continuar um pouco mais. Decidi parar. Para variar procurei pelos Bombeiros. Como sempre a acolhida é cordial só que desta vez me ofereceram uma área coberta para armar a barraca. Na verdade é o que eu preciso. Um lugar tranquilo para deixar a bicicleta e instalações higiênicas. Almocei num restaurante chino às 15 horas, fui até uma padaria comprar pão e depois acessei a Internet por duas horas pagando apenas 0,50 centavos de dólar. Já era noite quando voltei para o meu acampamento, para comer mais alguma coisa. Para minha surpresa encontrei outro ciclista colombiano, jovem como eu de 66 anos que vai para o México. É o Gabriel que usa uma bicicleta comum com uma bolsa média no bagageiro. Leva umas bandeiras enormes da Colômbia e uma do Panamá no guidão. Vende quinquilharia durante o dia para conseguir dinheiro para comer. Não leva barraca e nem saco de dormir. Para sempre nos bombeiros onde consegue um colchão para dormir. Sempre procura rádio, jornal e TV para fazer propaganda de seus produtos. Ao chegar aqui já fez contato com os bombeiros para conseguir os repórteres para o dia seguinte. Resolvi passar mais um dia em David para participar das reportagens e viajar com ele no dia seguinte. Ele tem um ritmo mais lento que o meu. Faz no máximo 60 km por dia. A minha média é 100 km. Vamos ver no que vai dar a experiência.


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08/09/2009 - PANAMÁ
Chepo - Pedregal
42,62km em 2h32min
Total pedalado até hoje: 5.393 km
Horas pedaladas = 406

Uma noite muito quente e a cama de mola fez com que eu colocasse o colchão no chão para ficar mais à vontade. Já estou acostumado a dormir no chão duro e por isso a cama macia é desconfortável para a coluna. Depois de um bom banho e o café da manhã, continuei a viagem sem muita pressa pois a distância era curta. Cheguei a Pedregal que está a 16 km do centro de Panamá para me hospedar no Noviciado dos padres Jesuítas. Consegui alojamento para uma noite pois amanhã todos vão sair para uma semana de férias. O motivo de eu vir parar aqui foi porque conheci o noviço César em Jaqué que gentilmente me convidou para conhecer o noviciado. Aproveitei para lavar a roupa na máquina pois já estava precisando de uma boa limpeza.

Acessei a Internet e enviei um recado a cinco membros do Hospitality Club para ver se tenho a sorte de conseguir um alojamento na cidade de Panamá. Se não chegar nenhuma resposta vou procurar um meio alternativo.


09/09/2009 - PANAMÁ
Pedregal - Panamá
35,02km em 2h29min
Total pedalado até hoje: 5.428 km
Horas pedaladas = 40
8


Ao voltar da Internet ontem à tarde, já tinham ligado o servidor do noviciado e pude acessar a internet sem fio até às 22 horas. Foi ótimo pois pude por em dia mais de duzentas mensagens atrasadas. Muitas eram lixo mas a maioria tinha algo de interessante. Pela manhã tomei café com os noviços com uma mesa farta e com muita variedade. Eu que já estou acostumado a tomar café com pão seco, tirei a barriga da miséria hehehehe.

O dia passado no noviciado foi muito bom para mim. De vez em quando é bom reviver os velhos tempos...

Despedi-me da comunidade e às 9 horas continuei a viagem rumo à Cidade de Panamá. Confesso que estava um pouco ansioso ao entrar pedalando na cidade. A dez quilômetros do centro encontrei um quartel de bombeiros. Parei para pedir informação e me orientaram para o quartel de Balboa que fica já na saída da cidade para atravessar o canal. Atravessei toda a cidade, passei pela linda Catedral e quase sem querer, fotografei a Taça Porra.

Taça Porra

Como o quartel estava longe, fui pedindo informação durante o trajeto. A última pessoa a me informar foi uma policial que me deu a informação correta. Eu deveria subir uma pista elevada e no segundo viaduto virar à esquerda. Ao chegar ao local duvidei e pedi informação num posto de gasolina. Mandaram-me seguir por baixo da pista elevada e no primeiro semáforo virar à direita. Segui a indicação e cheguei ao quartel central. O tenente que me atendeu era um tipo muito especial. Disse que eu tinha que ir até a Embaixada Brasileira para pedir um documento dizendo que eu estava dando a volta ao mundo de bicicleta. Com o documento da Embaixada deveria subir ao quarto andar e falar com o comandante. Só depois poderia me hospedar. Disse-me que eles tem ordem de não receber ninguém por causa da gripe porcina. Perguntei como fazia para chegar ao quartel de Balboa e ele me indicou de novo o mesmo caminho que eu deveria ter feito antes. Segui adiante e numa esquina parei para pedir informação. Três pessoas estavam paradas na esquina. Um jovem magro de aparência esquisita colocou a mão no guidão da bicicleta. Enquanto o outro me explicava o caminho ele abriu o zipper da bolsa de guidão, meteu a mão na capa do óculos e disse. Tem uma máquina fotográfica aqui. Eu segurei a mão dele e fechei a bolsa outra vez. Mais adiante coloquei a capa de chuva na bolsa para mantê-la mais protegida. Mais adiante parei no quartel da polícia e o guarda fez um croqui par me ajudar a chegar ao quartel de bombeiros. Um carro da polícia turística parou para conversar comigo. A policial perguntou se eu tinha alguma coisa de valor e eu disse que sim. Pela expressão do rosto dela percebi que eu estava numa área não muito segura. Anotou o telefone dela na minha agenda e disse que se eu não conseguisse apoio nos bombeiro, era para eles telefonarem para ela que eles iam me buscar de carro para me alojar na polícia turística. Agora eu já estava mais tranquilo pois já tinha onde me alojar. Cheguei ao quartel e fui muito bem atendido, mas o capitão disse que era melhor eu ir para outro quartel onde tinha mais conforto. Telefonou para o quartel e disseram que eu podia me hospedar lá. O quartel fica num bairro chamado Corozal, depois do aeroporto. Está na zona onde estavam os americanos até o ano 2000 quando eram os donos do Canal de Panamá. Agora a área está semi abandonada. O quartel de bombeiros está vazio por falta de viaturas.

Fui bem recebido pelos dois bombeiros que estão de plantão. Depois de mostrarem as instalações me serviram um almoço. O ambiente tem ar condicionado e a temperatura é de 18 graus. Toda a área da cozinha, banheiros e dormitório está refrigerada 24 horas por dia. O único problema é que aqui está fora da cidade e o ônibus para o centro é m muito demorado. Sai para buscar uma Internet mas não a encontrei. Aproveitei para fazer compra no supermercado.


Uma noite muito bem dormida dentro do meu saco de dormir a uma temperatura de 18 graus centígrados. Depois do café aliviei o peso da Tanajura e fui conhecer o famoso Canal de Panamá que está a 4 km do local onde estou hospedado. Há certas coisas que é preciso a gente ver para saber realmente como funciona. Eu tinha ouvido dizer que o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico tinham níveis de água diferente e que o Atlântico era mais alto que o Pacífico. Hoje fiquei sabendo que os dois oceanos estão no mesmo nível. O que aconteceu foi que o canal foi construído no meio das montanhas que separam os dois oceanos. O lago que é formado pelos rios que descem das montanhas e pelas águas da chuva está a 16 metros acima do nível do mar. O canal é formado pois duas grandes piscinas. O navio entra na primeira e as comportas são fechadas atrás dele. Abre-se então comporta da frente e o navio sobe 8 metros. Segue para a segunda piscina e fecha-se a comporta que está atrás. Abre-se então a terceira comporta que está a frente e o barco sobe mais 8 metros e chega ao nível do lago. Cada piscina leva dez minutos para encher. Uma vez que está no lado o navio viaja 20 km e chega ao outro oceano e tem que passar de novo por outras comportas para descer até o nível do mar. Simples não? Atualmente existem dois canais um ao lado do outro para navios de médio porte. Estão construindo mais um canal para navio de grande porte que deve ficar pronto em sete anos. Agora é só ver as fotos para conhecer o canal.

De volta para “casa” merendei e fui de ônibus até o terminal. A passagem custa 0,25 dólar. Quatro vezes mais barato que o ônibus no Brasil. Conheci um grande centro comercial Albrook muito movimentado, mas não encontrei o que procurava. O Panamá é Zona Franca e as coisas são muito baratas. O problema é que cada coisa que compro aumenta o peso da Tanajura.

Na hora de voltar para casa levei mais de 20 minutos para achar o lugar de onde saía o ônibus. Eu já conhecia lugares complicados mas este superou a todos. Panamá é uma cidade de contrastes. Bonita, com altos edifícios modernos e um sistema viário funcional, mas em compensação a frota de ônibus deve ser da década de 40 ou 50. Parece que todos os antigos ônibus dos americanos, os famosos “School Bus”, multicoloridos vieram parar no Panamá. São do tempo em que o motorista usava uma manivela para abrir e fechar a porta.


Na sexta-feira 11 de setembro, último dia na Cidade de Panamá, aproveitei para conhecer o centro. Como em muitas cidades de vários países, aqui também existe uma rua só para pedestres com muitas casas de comércio. Para um país de zona franca o comércio me pareceu bastante normal e sem muitas novidades. Os produtos importados estão por todas as partes e o preço é muito convidativo. Não encontrei as coisas que eu queria comprar. Vou ter que comprar pela Internet quando chegar nos USA.

O que me chamou muito a atenção foi a parte antiga da cidade no estilo colonial. Embora o estilo seja interessante impressiona muito mal pelo mal estado de conservação. Não me senti a vontade em caminhar pelas ruas antigas. Depois de atravessar para ruas suspeitas, cheguei à orla marítima onde o visual é muito bonito. Já tinha caminhado uns 20 minutos e percebi que tinha esquecido o meu PenDrive de 8 GB com muitas informações numa casa onde acessei a Internet. Escolhi uma rua mais movimentada e marchei de volta até o local onde o tinha deixado. Para minha alegria o pobrezinho estava lá acoplado. O novo usuário era um velhote e nem se deu conta de que alguém tinha esquecido algo ali.


12/09/2009 - PANAMÁ
Panamá - Gorgona
84,69km em 5h32min
Total pedalado até hoje: 5.521 km
Horas pedaladas = 414


O alojamento era de primeira classe mas era preciso continuar a viagem. E foi assim que às 07h20min iniciei mais uma etapa que, segundo os meus planos, seria relativamente fácil. Como sempre acontece eu sei a hora que vou sair mas nunca sei a que hora vou chegar ao destino e também não sei se vou chegar aonde gostaria de chegar.

Para atravessar o Canal de Panamá existem duas pontes. A nova que está na autoestrada e que não permite o trânsito de bicicleta e a velha, a Ponte das Américas por onde eu passei. Ao iniciar a rampa de acesso para chegar à ponte vi que ao lado direito havia um corredor para pedestres. Como estava muito sujo e abandonado - parece que ninguém atravessa a ponte a pé – continuei pedalando pela pista. O problema foi que o movimento de carros e ônibus é muito grande e as duas faixas estavam sempre ocupadas dificultando o trânsito da Tanajura. Como uma dificuldade nunca vem sozinha, comecei a ter problema no câmbio e a corrente caiu. Coloque a corrente no lugar, mas como estava em subida e devido ao fluxo dos carros, ficou difícil reiniciar a pedalada e tive que prosseguir caminhando. Pensei em levantar a bicicleta e passar para o lado protegido mas seria bastante difícil pois a proteção era bastante alta. Ao chegar ao início da ponte acabou-se a proteção e iniciou uma calçada de quase um metro de largura. Um problema já estava resolvido. Subi a calçada e continuei a caminhar. Aproveitei para tirar algumas fotos. Terminada a ponte iniciava a rampa de descida para o lado oposto. Resolvi entrar na área protegida. Beleza por alguns metros até iniciar o lixo. Mas adiante havia vários pedaços de arame fartado no meio do corredor. Tive que afastá-los com cuidado para não me cortar para abrir espaço para poder passar com a bicicleta. Lembrei-me que eu tenho vacina contra tétano e isto me deixou mais tranquilo pois o arame estava bastante enferrujado. Esta operação demorou mais ou menos uns cinco minutos e depois continuei baixando sem problema. A estrada era muito movimentada e o acostamento, quando havia, tinha muita sujeira e buracos e eu não estava a fim de furar um pneu. Continuei a minha viagem procurando me defender dos carros., Algumas subidas me obrigaram a empurrar a bicicleta mas a maioria delas consegui subir pedalando. Tudo estava indo muito bem até chegar a uma cidade onde havia um desfile no meio da Panamericana. Isto me obrigou a procurar caminho alternativo até chegar ao início do desfile. Demorei mais de meia hora até poder continuar a viagem. Às 14 horas já tinha feito 84 km e só faltavam 48 para chegar ao destino final, em El Valle de Anton. Parei num abrigo de ônibus para merendar. Enquanto recuperava as Resolvi esperar pois estava num lugar bem abrigado. Às 14h30min começou a chover. A chuva veio com vento forte e muitos raios. Um pouco mais adiante do lugar onde eu estava aconteceu um acidente. Lembrei-me da Mara rodopiando no meio do asfalto. Esperei até as 16 horas e já sabia que não ia conseguir seguir adiante. A chuva aliviou um pouco. Coloquei um agasalho de chuva e decidi pedalar para ver o que acontecia. Havia muita água na pista e eu estava preocupado porque o asfalto estava escorregadio. Era preciso achar um lugar para passar a noite. Pedalei uns cinco minutos e adivinha o que foi que eu vi ao lado direito da pista. Corpo de Bombeiros. Quase não acreditei no que vi, pois estava no meio do nada. Entrei e fui recebido com um sorriso por parte dos três bombeiros de plantão. Foi tempo de eu preparar a roupa para tomar um banho e a chuva despencou de novo e entrou pela noite a dentro. Hoje os bombeiros foram os meus Anjos da Guarda.


13/09/2009 - PANAMÁ
Gorgona – El Valle
38,22km em 3h
Total pedalado até hoje: 5.560 km
Horas pedaladas = 417


Armei a barraca no piso superior numa área bem ventilada, usando somente o mosquiteiro. De madrugada esfriou um pouco e tive que usar o saco de dormir para ficar mais à vontade. Choveu forte durante a noite e pela manhã estava uma chuva fina que me obrigou a sair mais tarde. Comecei a pedalar às 8h20min com um chuvisco que aos poucos desapareceu. Os primeiros vinte quilômetros pela Panamericana foram normais, mas quando entrei na estrada que levava a El Valle. Eram 28 km com muitas subidas e uma montanha bem forte. Ao meio dia eu estava quase no topo da grande montanha e ainda faltavam 10 km para chegar a El Valle. Uma caminhonete passou por mim, parou e deu marcha a ré. Um senhor de cabelos brancos me chamou pelo nome: Valdo. Era o Sr. David da Coushesurfing onde eu ia me hospedar. Colocamos a bicicleta na carroceria e seguimos para a casa dele. Na metade da viagem despencou um aguaceiro que nos acompanhou até chegar em casa. Escapei de uma boa.

Chegamos numa mansão onde o David vive com um filho. Tudo é muito bonito aqui. Entre outras coisas ele colocou a máquina de lavar roupa e a secadora à minha disposição. Aproveitei para dar uma geral na roupa.


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Jaqué – Panamá – América Central

 

Mais uma etapa alcançada. No meio de tantas peripécias consegui chegar a Jaqué onde vou permanecer alguns dias a espera de barco para chegar à Capital Panamá. Jaqué é tão pequena como Juradó e se encontra nas mesmas condições, isolada do resto do mundo. Aqui só se chega de barco ou de avião. Existem apenas três carros, algumas motos e um quadriciclo. As estradas são cimentadas e têm menos de 3 metros de largura. No final de uma das estradas, a um quilômetro do porto, está o Colégio da cidade onde há acesso à Internet sem fio, mas infelizmente o sinal não chega a uma semana. Espero que volte a funcionar pois vou passar vários dias esperando pelo barco.
 
Voltemos a Juradó, na Colômbia. Eu cheguei ali na quarta-feira e deveria ter viajado na quinta-feira. Eu estava tentando conseguir um preço melhor, pois além dos trinta dólares que teria que pagar pela passagem ainda me queriam cobrar mais trinta dólares para levar a bicicleta. Parecia-me um absurdo para uma viagem de 90 minutos de voadeira. Encontrei o Sr. Chin que me levaria por quarenta dólares. Acertado o preço, marcamos a hora da partida: 06 horas da manhã. No dia seguinte, às 5h45min eu já estava no porto a espera da partida. Para minha surpresa, o Sr Chin apareceu de moto e disse que não ia viajar. Eu teria que viajar com o Sr. Marcelino que não me levou porque o barco já estava cheio. Tentei uma segunda voadeira mas também não tive sorte. Fui a outro porto e falei com o Sr. Richard que ia partir mas tarde. Este senhor foi muito grosseiro no atendimento. Além de me atender mal, ainda queria cobrar 60 dólares. Mesmo assim eu teria que esperar até às dez horas para saber se havia vaga ara mim. Desisti de viajar e voltei para o meu local de acampamento. No final da tarde perambulei por vários lugares para ver se conseguia viajar no dia seguinte. Quando já tinha desistido da ideia e ia esperar até sábado, encontrei na rua o Sr. Chin que me disse que ia viajar no dia seguinte às seis horas da manhã. Anotou o meu nome no caderno e acertamos o preço de quarenta dólares.
 
No dia seguinte, sexta-feira me apresentei para o embarque. O que aqui eles chamam de lancha no Brasil nos chamamos de voadeira. Eu era o único passageiro. No total éramos quatro pessoa na lancha. Iniciamos a viagem às 6h40min. Enquanto estávamos no rio tudo ia muito bem. A bicicleta estava deitada no meio da canoa. Abaixei-me para prender o capacete no quadro da bicicleta e de repente a canoa começou a pular como um cabrito montês. Estávamos entrando no Oceano Pacífico e as ondas quebravam em nossa direção. Tudo pulava no barco. A Tanajura pulava de um lado para outro e veio para cima de mim. Com os solavancos eu saltava e caia sentado em cima do banco duro. Passadas as ondas, que foi muito rápido, iniciou outro desconforto que durou toda a viagem. A canoa estava vazia e a proa muito levantada. A cada onda subia no ar e batia na água com um grande estrondo como se fosse se partir ao meio. Um dos tripulantes me deu um salva-vidas para me sentar em cima. Melhorou um pouco, mas não foi fácil suportar as batidas durante noventa minutos seguidos.
 
A entrada no rio que leva à cidade foi tranquila. Para minha tristeza quando entrávamos no porto encontramos o barco que vai a Panamá que acabava de partir. Fui à emigração, carimbei o Passaporte e soube que era possível alcançar o barco no próximo porto que fica bem perto. Procurei um transporte e me levaram ao Sr Marcelino, aquele que me deixou em Juradó. Ele se prontificou a me levar até o barco por apenas 40 dólares. A passagem de barco de dois dias até Panamá custa 20 dólares. Agradeci a gentileza e fui até o aeroporto verificar o preço da passagem. 70 dólares. Razoável. O problema eram os 50 quilos da Tanajura. A passagem ia custar mais de 100 dólares. Resolvi esperar o próximo barco.
 

Voltei para o porto e me deixaram armar a barraca ao lado do posto da polícia e consegui um lugar para tomar banho.

A polícia de fronteira em Jaqué é mais ostensiva que em Juradó. Pela primeira vez revistaram a minha bagagem. Em cada esquina se encontram dois soldados armados de fuzil automático. Eles tem muito problemas com narcotráfico. É zona de fronteira e está muito perto da Colômbia que também enfrenta o mesmo problema. Os colombianos não são bem vistos por aqui. Além de ter os papeis em ordem com vacina e tudo o mais, ainda tem que levar consigo no mínimo 800 dólares para poder entrar no país. Agora descobri porque a rodovia Panamericana se interrompe no norte da Colômbia e só continua a vários quilômetros depois da fronteira do Panamá com a Colômbia. É para dificultar a entrada dos colombianos no país. A Colômbia tem problemas de fronteira com a Venezuela, com o Equador, com o Panamá e com o Brasil em Letícia onde se entra no país pelo rio.
 
 
Papai Noel existe!
Aconteceu na Colômbia num povoado à beira do Oceano Pacífico, chamado Juradó, isolado do resto do mundo, onde só se chega depois de viajar 36 horas de navio.
 
Quando eu entrei no povoado pedalando a minha Tanajura o espanto foi total. Todos, adultos, jovens e crianças olhavam com curiosidade a bicicleta reclinada com tração dianteira. Nunca tinham visto algo igual. Mas a curiosidade não estava só na bicicleta. Por causa dos meus cabelos brancos e da bar a também branca e comprida, fui logo identificado com o Papai Noel. No início levei na esportiva, mas aos poucos as crianças começaram a me perguntar se eu era realmente o Pai Noel. Confirmei que sim e a voz logo se espalhou por todo o povoado. No segundo dia também os adultos me chamavam de Papai Noel. O que mais me chamava a atenção era a maneira como as crianças se aproximavam de mim. Algumas faziam questão de passar a mão na minha barba; outras sorriam como se estivessem diante de alguém muito especial. Uma menina que deveria ter uns seis a sete anos sempre que me via se aproximava sorridente. Ao saber que eu era realmente o Papai Noel ela quis saber se eu trazia presente para as crianças. Eu disse que sim, mas só no natal. De novo a notícia se espalhou rapidamente.
 

Na véspera da minha partida estava na praça da igreja e ia participar da missa. A menina de sorriso largo se aproximou e me disse:

-        Escreve o meu nome.

-        ?
Não entendi o que ela queria dizer com aquilo. Ela olhou-me nos olhos, sempre sorrindo e disse quase num tom confidencial:

-        Escreve o meu nome para que não se esqueça quando vier me entregar o presente.
 
Naquele momento parece que o mundo desmoronou a meus pés. Não sabia o que fazer, se quebrava a inocência da criança ou se inventava uma desculpa. A única coisa que que consegui dizer foi.
 
-        No natal eu vou estar muito longe, no México e outro Papai Noel virá para lhe trazer o presente.
 

Outras crianças que estavam por perto também queriam que eu anotasse o nome delas. Entrei na igreja com o coração partido. A criança que nem sequer perguntei o nome, alimentava um grande sonho. Já tinha conhecido o Papai Noel “de verdade” e tinha a certeza de que iria receber o seu presente. Imagino o que se deve ter passado naquela cabecinha inocente...

 

Viagem adiada

Tudo pronto para viajar. O eu nome estava na lista e o pagamento seria efetuado na hora do embarque. O barco estava marcado para sair entre 13 e 14 horas de segunda-feira com a maré cheia. Ao meio dia eu tinha conseguido um livro para ler, pois já estava cansado de não fazer nada. Uma irmã me emprestou o Peregrino de Paulo Coelho. Na verdade eu já tinha lido este livro anos atrás mas em outro estado de espírito. Devorei o livro e percebi que também a leitura de um livro depende muito do estado de espírito de cada um. Como estou numa fase muito bonita da minha vida, descobrindo coisas novas cada dia, pude fazer a viagem junto com o autor descobrindo toda a beleza da leitura.
 

Ao meio dia devolvi o livro e fui almoçar para em seguida embarcar. A bicicleta estava pronta e só faltava chegar ao barco que estava no meio do rio. Esperei até 13h30min e ninguém vinha me buscar. Só então soube que eu tinha que pagar uma canoa para me levar até o barco. Combinei o preço de um dólar e um senhor me levou até o barco numa canoa a remo. Encostamos ao lado do barco e quando pedi para me ajudarem a embarcar a bicicleta me disseram que o barco só ia sair no dia seguinte. Voltei para a praia outra vez. Ao invés de armar a barraca outra vez no mesmo lugar, pedalei até a igreja para saber se o padre já tinha voltado de Panamá. Conversei com ele e fui bem recebido. Perguntei se havia uma área coberta para eu armar a barraca e ele me levou até um “chapéu de palha” com uma ótima base de cimento e me ofereceu as instalações da casa para eu usar como se estivesse na minha própria casa. Era tudo o que eu precisava para desistir de viajar no dia seguinte e esperar mais três dias pelo próximo barco que vai me levar diretamente a cidade de Panamá.

 

Durante os dias que passei em Jaqué tive oportunidade de ler quatro livros. O Peregrino de Paulo Coelho; Jaqué. Un paraiso perdido? De Jesús Rodríguez Jalón sj; Por Sus Llagas de Neil Veliz e El Apocalipsis y el tercer milenio de Victor Manuel Fernández juntamente com a leitura do livro do Apocalipsis.
 

O povoado de Jaqué está numa região de difícil acesso e não goza de boa fama por causa do narcotráfico. É a última região habitada antes da fronteira com a Colômbia. Mais da metade da população é composta por refugiados colombianos que chegaram aqui há dez anos fugindo da guerrilha que havia na Colômbia. A maioria não tem documento de identidade e são considerados “livres”. A maioria são afro descendentes pois vieram da costa do Pacífico onde predomina a raça negra. Conseguem estudar até o sexto ano e vivem sem muita opção de trabalho. Tem-se a impressão de que aqui a vida passa lentamente sem muitas novidades. É um ótimo lugar para quem gosta de descansar em contato com a natureza. O único problema é a umidade que nesta época de inverno chega a 90%. (Só existem duas estações: verão sem chuva e inverno com chuva que vai de setembro a dezembro). As pessoas são muito amigas e algumas me convidam para tomar uma cerveja ou oferecem refrigerante, frutas típicas e outros tipos de agrado com o faz o Sr Macarius do “Quiosque Donde Estoy” que sempre me oferece alguma coisa. Perguntei porque é que ele me oferecia as coisa e ele disse que eu sou um homem bom. Depois me disse que quando esteve em Panamá foi muito bem tratado pelos brasileiros que lá viviam. Torce pelo futebol brasileiro e até o carro dele é pintado de verde e amarelo.

 

 

06/09/2009 - PANAMÁ

Puerto Kimball– Torti

97,65km em 5h47min

Total pedalado até hoje: 5.247 km

Horas pedaladas = 398

 

Depois de 15 dias sem pedalar, retomei a viagem de bike. Já estava sentindo falta de viajar com a Tanajura. Para conseguir pedalar de novo tive que fazer uma longa travessia pelo Oceano Pacífico. Na Colômbia parti de Buenaventura a Juradó num navio de carga num viagem de 36 horas. Em Juradó fiquei dois dias e viajei de voadeira durante 2h30min até Jaqué, no Panamá onde fiquei 9 dias esperando o barco para Panamá, que mudou de rota e me deixou em La Palma depois de 11 horas de viagem onde peguei uma voadeira e depois de 40 minutos cheguei onde inicia a estrada. O preço total da viagem marítima foi de $ 135,00 dólares sendo que paguei $22,00 pelo transporte da Tanajura.
 
A viagem de Jaqué a La Palma foi tranquila pois o mar estava muito calmo. O problema foi que não havia lugar para dormir e cada um se ajeitou como pode. Eu dormi um pouco no chão e depois em cima de um banco. O barco chegou em La Palma às duas horas da madrugada e nós desembarcamos às 4h30min. Depois da travessia de voadeira, iniciei a viagem às 06h50min. Os primeiros 20 km foram de muitas subidas até chegar na Panamericana onde as poucas subidas são bastante suaves. Os primeiros 70 km foram de asfalto depois entrei numa sucessão de cascalho, asfalto esburacado e asfalto bom.
 

Não sei se porque passei muito tempo sem pedalar,ou por causa do forte calor, a fato é que os últimos 50 km da viagem não foram muito agradáveis. Parei várias vezes na sombra das árvores para fugir do calor. Cheguei a Torti às 14h30min sentindo muito calor. Por sorte encontrei uma hospedagem de cinco dólares e depois de um bom banho voltei ao normal outra vez. Aqui no Panamá já estou fazendo sucesso. Quase todos os motoristas buzinam quando passam por mim.

 

 

07/09/2009 - PANAMÁ

Torti - Chepo

103,75km em 5h43min

Total pedalado até hoje: 5.350 km

Horas pedaladas = 403

 

O quarto estava quente, mas com o ventilador ligado consegui dormir sem problema 12 horas seguidas. Deixei o hotel às 07h40min com a intenção de chegar até Panamá. O asfalto que tinha sido interrompido por alguns quilômetros agora continuava intacto. A estrada continuava num sobe e desce sem parar. Em 100 km penso que não cheguei a pedalar um quilômetro seguido sem subida. A maioria delas eu conseguia subir pedalando. Umas três ou quatro tive que baixar da bicicleta. Aqui no Panamá estamos quase ao nível do mar e é bem mais fácil para pedalar do que no Peru acima dos quatro mil metros de altitude.
 
Até agora a polícia já controlou quatro vezes o meu passaporte. Nos outros países, Peru, Equador e Colômbia só me pedram o passaporte na fronteira. Estou na rota do narcotráfico e o controle é forte.
 
O clima aqui é bastante pesado. Faz muito calor. Entre as dez horas até as quinze horas a temperatura chega a 38 graus. O sol castiga sem parar. Às quatorze horas encostei a bicicleta na beira da estrada, estendi o isolante térmico na sombra de uma árvore e descansei trinta minutos. Foi o suficiente para recuperar as energias gastas até ali. Pedalei até as 16 horas e cheguei a Chepo, uma pequena cidade que ficava fora da estrada principal. Estava procurando um lugar para passar a noite pois já não era possível chegar a Panamá. Peguei o desvio e quando já estava para desistir, depois de uma curva, apareceu a cidade. Para minha alegria, logo na entrada, estava o Corpo de Bombeiros. É um edifício novo que ainda não está acabado, mas já tem um bombeiro que dorme aqui vigiando o prédio. Consegui uma dama e as instalações para banho etc.  Amanhã chego a Panamá.