1065 dias após
Início da Viagem

Visitante

Diario Mexico

22/02/2010 México

Punta Prieta – Rancho Chapala

63,75 km em 5h35 min

Total pedalado até hoje: 11.689 km

Horas pedaladas = 839 h


O relógio despertou às 5h40min mas como estou como estou com uma hora a menos às seis horas já era deia claro. Tenho que voltar ao antigo horário, levantar-me às quarto e meia para começar a pedalar seis horas quando amanhece o dia. Assim vou conseguir chegar mais cedo ao destino.

Hoje eu queria fazer 120 km como é normal, ms houve dois fatores que me atrapalharam: 60 km de subidas constantes e vento contra. O vento era tão forte que até dava um desanimo na gente. Ao chegar aos 40 km mudei de planos e decidi parar na metade da viagem. Depois de cinco horas e meia cheguei no único lugar habitado neste imenso deserto. Um restaurante e a casa do dono ao lado e nada maias. O dono permitiu que eu armasse a barraca na varanda da casa para me proteger do vento. Foi uma boa ideia. Comprei pão e um refrigerante, pois estou sem fogareiro e aqui não tem energia elétrica e o motor só vai ligar quando anoitecer.

Tomei um banho de gato e lavei a cabeça que já me incomodava. Lavei a roupa para aproveitar o sol e o vento. Por isso que e bom a gente chegar cedo ao destino. Eram 14 horas quando armei a barraca.

Durante a viagem um carro parou no acostamento e um senhor filmou a minha chegada até ele. Depois tirou do carro uma enorme máquina fotográfica e me fotografou em vários ângulos. Era um senhor de 69 anos, alemão que mora em Vancouver e tem casa nas Baixa Califórnia. Trocamos endereço e talvez nos encontremos em julho no Alaska. A diferença é que ele vai num baita carrão e eu vou de magrela.

Quando já estava com a barraca armada vieram dois jovens senhores para tirar foto comigo. Eles me viram a três dias na estada. Disseram que se eu quisesse eles me davam carona até Encenada onde vivem. Agradeci pois espero chegar lá em 4 ou 5 dias de pedalada.

20/02/2010 México

Guerreno Negro – Punta Prieta

121,31 km em 8h12 min

Total pedalado até hoje: 11.624 km

Horas pedaladas = 834 h


Depois de algum tempo na Internet, desliguei o computador e fui ao supermercado comprar comida. Ao chegar aos bombeiros encontrei o José Antônio que tinha trazido o jantar para mim. Dois deliciosos sanduíches e um copo de arroz doce como sobremesa. Graças a Deus que só encontro gente boa pelo caminho.

Levantei cedo e às 7h15min já estava outra vez na estrada. Pedalei 10 km e entrei na Baja California onde tive que atrasar o relógio de uma hora. Estou no horário do Pacífico com seis horas a menos que no Brasil. Hoje fazia um friozinho chato e saí bem agasalhado. O dia estava cinzento e o sol não apareceu. Depois de duas horas tirei uma blusa pois o corpo j estava quente. Tudo seguia normal até num dado momento olhei para o lado do mar e vi uma forte neblina. Ainda bem que não é chuva, pensei, mas me enganei. Mais alguns minutos e a chuva veio na minha direção. Parei, deitei a bicicleta no chão e comecei a proteger a bolsa de guidão onde está a máquina fotográfica e em seguida fui soltar a bolsa onde levo a roupa de chuva. Quem foi que disse que eu conseguia soltar o nó da bolsa de plástico. O jeito foi arrebentar a bolsa e enquanto isso as minhas costas já estavam molhadas. Tirei a meia, e vesti a calça e a jaqueta. Beleza, só que o vento quase não me deixava pedalar. Era forte e quase frontal e para complicar mais a vida, tinha que atravessar uma região montanhosa. Faltavam 40 km para chegar ao destino. Alguns km adiante encontrei um posto do exército. Até pensei em pedir abrigo, mas decidi seguir adiante na esperança de que a chuva parasse. Tive sorte. Pouco mais de uma hora a chuva parou e apareceu o sol. Eu estava com fome pois só tinha parado uma vez para comer. Eu deveria ter parado aós noventa minutos, mas devido à chuva, já se tinha passado mais de 3 horas. Finalmente encontrei um lugar para parar, tirar a roupa molhada e comer. O sol estava forte e ao terminar o lanche a roupa já estava seca. Continuei num ritmo lento pois os últimos 40 km foram pelo meio das montanhas.

Depois de 120 km cheguei ao povoado. Era tão grande que depois de 200 metros eu já estava saindo dele. Não havia posto de gasolina. Pedi informação num bar e me ir ao posto de polícia que eles ia me arrumar um lugar para dormir. Um garoto me acompanhou com a bicicleta. Consegui um bom lugar para armar a barraca. Dentro de um grande galpão sem portar nem janelas, mas coberto e com luz. Havia mais seis homens acampados ali dentro. São de outra cidade e estão fazendo um trabalho nos telhados das casas do povoado.

O único problema aqui é que não há água para me banhar. Como amanhã é domingo, vou fazer uma pausa e só sigo na segunda-feira.



19/02/2010 México
Vizcaino – Guerreno Negro
83,07 km em 4h47 min
Total pedalado até hoje: 11.502 km
Horas pedaladas = 826 h

Uma noite muito tranquila pois dormi dentro salão onde vai funcionar o bar. No momento está vazio para reforma. Há um micro ondas om de pude preparar a comida e uma mine geladeira para gelar a água que levaria no dia seguinte.

Conheci três jovens mochileiros que estavam tetando carona no posto. O casal era australiano e estão viajando a mais de quatro anos e o jovem era espanhol que está numa viagem de quatro meses. O curioso é que eles se conheceram no ano passado no Japão e este ano se encontraram nos Estados Unidos e agora estão viajando juntos. Levam apenas uma pequena mochila e só viajam de carona. Dormem em qualquer lugar. Contaram-me que no Japão dormiam nas escadarias externas dos prédios e tinham uma visão panorâmica a cidade durante a noite. Depois de ouvir a história dos três aventureiros percebi que o que eu estou fazendo não tem nada de extraordinário. Pelo contrário, e muito fácil viajar de bicicleta pois a gente faz o próprio horário e não depende da sorte como os caroneiros. Eles só conseguiram uma carona quando já era noite.

Acordei cedo e iniciei a viagem às sete horas. A etapa de hoje foi tranquila com poucas subidas que consegui subir pedalando sem maiores dificuldades. Só peguei vento contra nos últimos quinze quilômetros.

Encontrei os Bombeiros onde eu pretendia passar a noite, mas estava fechado. Ao lado havia a Cruz Vermelha, mas também estava fechada. Um garoto me indicou a casa do bombeiro que mora perto. O relógio marcava 13h30min. Dirigi-me ao local indicado e encontrei apenas a esposa do bombeiro José Antônio Villavicencio Aguilar. Ela gentilmente telefonou para o marido e dentro de alguns minutos ele chegou e me abriu as portas. Este está sozinho como voluntário e a Cruz Vermelha também está com poucos voluntários. Fazem o serviço de Proteção Civil, Bombeiros e Cruz Vermelha. Deixou-me totalmente à vontade dentro das instalações e fui para um curso e de lá para o trabalho. Talvez não nos vejamos mais. Tomei um banho, preparei um pouco de comida e liguei o computador para escrever o diário. Para minha alegria consegui acessar a internet sem precisar sair de casa.

Estou a poco mais de 700 km da fronteira com os Estados Unidos. Como quero atravessar a fronteira só em março, estou dentro do tempo previsto.


18/02/2010 México
Santo Ignacio - Vizcaino
67,58 km em 4h08 min
Total pedalado até hoje: 11.419 km
Horas pedaladas = 821 h

A noite foi mais fria do que eu pensava. Chegou perto de zero grau, mas como posso chegar até menos quinze graus em condições extremas, não tive problema. Hoje a noite vou usar uma camisa térmica para facilitar a movimentação dos braços fora do saco de dormir. Se você for pedalar fora do Brasil em climas frios, não esqueça de levar calça e camisa térmica. Quebra um galho danado. Pena que no Brasil existe muita exploração na venda deste material. O preço real deste material é um terço do preço vendido no Brasil. Vou morrer de velho e nunca vou compreender porque existe tanta ganância em cima deste material. Se você for a Cusco, não compre nada de roupa de frio no Brasil. Em Cusco você encontra toda a linha americana a preços mais baixos do que se comprasse pela internet nos USA.

Acordei às sete horas. Já era dia claro. Como estou sem álcool e no camping não havia eletricidade, o meu café da manhã seria a base de coca cola choca. Gelada já é ruim, imagina choca. Para minha alegria, num dos dois trailers que acamparam ali, um de canadenses e outro de americanos, onde havia um casal e duas crianças e mais quatro bicicletas amarradas pelo lado de fora, o senhor me ofereceu uma café de café com leito. Pronto, o “desayuno” estava perfeito. Tive que me agasalhar bem para pedalar, pois embora o sol já estivesse forte e o céu sem nenhuma nuvem, o termômetro não passava dos oito graus. A meta de hoje era meio incerta pois para chegar a Guerrero Negro teria que pedalar mais de 145 km e eu não estava disposto a pedalar tanto. A estrada não tem muitas subidas fortes mas é sempre ondulada. De caminhada mesmo não chegou a três quilômetros.

Às 13 hora eu já tinha passado dos 60 km e pretendia pedalar mais uns 15 km e pernoitar. Eis que depois de passar por um pequeno povoado, vi um posto de gasolina na beira do deserto. O lugar me pareceu fantástico. Falei com o gerente do posto e ele me autorizou a passar a noite ali. Voltei trezentos metros até uma venda e comprei pão e queijo de cabra. Ao ligar o computador percebi que no posto havia internet sem fio, mas infelizmente o gerente não sabia a senha de acesso. Mais um dia sem notícias e contato com os amigos.

Depois de atualizar o diário aproveitei para ler um pouco pois tenho vários livros no formato Ebooks.


17/02/2010 México
Santa Rosalia – Santo Ignacio
75,70 km em 5h17 min
Total pedalado até hoje: 11.352 km
Horas pedaladas = 817 h

Eu já estava ficando mal a costumado e a barriga já começava a crescer de novo depois de quatro dias parado sem faze nada. Mas foi bom pois uma pausa é sempre bem-vinda.

Ontem de manha tentei por todos os lados conseguir uma cópia do vídeo mas não foi possível. O Manuel repórter sumiu do mapa.

Às 15 horas o comandante Carlos me levou até o porto para confirmar se o barco saia mesmo, pois não conseguimos nos comunicar por telefone. Confirmada a partida, voltei com ele, arrumei a tanajura e às 16 horas de novo me levaram de caminhonete até o porto. Por causa do carnaval a avenida que leva ao porto está fechada e é preciso fazer uma longa volta para chegar até lá. Na hora de emitir o bilhete mais uma boa notícia: 20% de desconto por ser jovem com mais de 65 anos. A “baika”, como dizem aqui, também viajou de graça.

O Ferry era pequeno mas tinha um salão com poltronas reclináveis e no fundo uns bancos como se fossem uma cama. Levei o assento da Tanajura para servir de travesseiro e tive uma noite maravilhosa. O mar parecia uma lagoa de tão calmo que estava. Chegamos em Santa Rosalia às 7 horas e depois de várias burocracias e vistorias consegui iniciar a viagem às 8 horas. A etapa era curta, 75 km mas havia uma subida pesada logo nos primeiros dez quilômetros até passar ao lado do vulcão “Las Tres Virgenes”. Depois foi normal com mais algumas subidas pesadas e no total caminhei quase dez quilômetros.

Ao deixar a rodovia para entrar na cidade a 3 km, vi um B & B, Bed And Breakfast, coisas de canadenses. O lugar era muito bonito com muitas áreas onde se poderia acampar. Entrei para tentar a sorte, mas a senhora canadense me disse que não podia deixar eu acampar ali porque os vizinhos donos dos campings reclamam com ela. Indicou-me um camping que, segundo ela, cobra barato. Segui adiante e encontrei o camping ao lado de um lago. Um lugar muito bonito também. O Manuel, filho, me disse que custava 80 pesos, algo assim como sete dólares. Agradeci e já estava para seguir adiante quando o Manuel pai apareceu. Conversamos um pouco e falei que recebo apoio dos bombeiros e cruz vermelha. Ele então disse que me apoiava também. Podia escolher o lugar para armar a barraca. Ofereceu-me também água quente para o banho. Maravilha. Armei a barraca e caminhei até a vila para compra alguma coisa para comer. Hoje eu tinha passado o dia só com barra de cereal e rapadura. Não é que encontrei rapadura aqui no México? Não existe nada melhor do que um bom pedaço de rapadura para repor rapidamente as energias.

Estou escrevendo este diário às margens do lago. Fazia tempo que eu não tinha um relax assim. Deus seja louvado.


15/02/2010 México
Guaymas

Mais um dia de descanso. Desta vez não estava não estava no programa. O Ferry Boat não saiu hoje por causa do vento. Às 16 horas um carro dos bombeiros me levou até o porto onde eu ia embarcar. No mesmo carro que fui voltei de novo para descansar mais um dia. Ainda bem que não tenho data certa para chegar na fronteira. Faltam apenas mil quilômetros.

Ontem fui acessar a Internet e trabalhei durante quase três horas para por toda a correspondência em dia. Hoje trabalhei mais 90 minutos e na volta do porto mais uma hora. Como sei que daqui para frente vai ser difícil ter acesso a internet pois vou atravessar uma zona pouco povoada, tinha que deixar tudo em dia.

Saiu uma matéria muito mal escrita no jornal local onde me fizeram ser carioca, natural do Rio de Janeiro. Aqui falou em Brasil já se pensa no Rio e no carnaval. Tenho pouco sorte com os jornalistas. Nenhum deles cumpre com a palavra. Sempre me prometem que vão me entregar uma cópia da entrevista que passa na TV mas nunca consigo. Desta vez até acreditei, pois ontem tinha recebido a visita do pessoal da TV e ficaram de me trazer a cópia hoje além de transformar um vídeo que tenho num DVD para enviar ao You Tube. Ninguém apareceu. Paciência.





12/02/2010 México

Ciudad Obregón - Guaymas

129,90 km em 7h51 min

Total pedalado até hoje: 11.275 km

Horas pedaladas = 812h

 

Iniciei a viagem na hora prevista, sete horas. O termômetro marcava 12 graus. O sol apareceu em seguida e aos poucos a temperatura foi subindo. Tirei a calça e a camisa térmica e fiquei de bermuda e camisa normal, mas coloquei o manguito pois os dois braços já estão todos queimados pelo sol. A estrada era toda plaina, uma maravilha para pedalar, mas havia um porém. O vento. Nos primeiros 50 km o vento soprava lateralmente mas nos 80 km restante soprava de frente e tornava a viagem bastante difícil. Mesmo assim no final da viagem a velocidade média foi de 16,53 km/h. Ao aproximar-me da cidade, mudei de direção e o vento cessou mas apareceram uma sequência de subidas curtas, mas pesadas. Finalmente cheguei à cidade. Vi um senhor parado ao lado de um arro e parei para perguntar onde poderia encontrar os Bombeiros. O Sr. José Luís, assim se chamava ele, telefonou aos bombeiros avisando que um ciclista brasileiro ia chegar ali em alguns minutos. Pediu que o seguisse que ele ia me levar até os bombeiros. Segui o carro e depois de alguns minutos chegamos aos Bombeiros. Ele se despediu de mim e foi avisar o pessoal da prefeitura da minha chegada.

Quando o comandante Carlos veio me cumprimentar, apresentei-lhe o cartão do comandante  Jaime C. Aguiles de Obregón. Eles se conhecem e são amigos. Não sei se o cartão fez algum efeito, pois a a colhida que tive foi fantástica. O próprio comandante Carlos me levou para conhecer as instalações e disse que eu podia ficar ali o tempo que quisesse. Eu estava tirando a roupa limpa da Tanajura para tomar um banho quando o telefone tocou e um bombeiro me passou o fone. Era a esposa do Prefeito que queria me cumprimentar e me oferecer apoio. Disse que ia mandar a TV e o jornalista para fazer uma matéria comigo. Não se passou nem cinco minutos e ali estava o repórtem com a câmara para fazer a reportagem para a TV e para o jornal.  Vá ser famoso assim la na Conchinchina...

Terminada a gravação, tomei um delicioso banho quente. Que maravilha. Lavei a roupa e quando estava colocando a roupa no varal, chegou um bombeiro  com dois cachorros quentes de uma lata de refrigerante. Disse que o comandante tinha mandado me entregar.

Terminada a refeição fui à padaria comprar pão para comer mais tarde e no café da manhã. A única coisa que faltou foi acesso a Internet.

No dia seguinte, sábado, fui me informar do horário e o preço da passagem para Santa Rosalia. O barco sai de segunda a sábado às 20 horas. Vou ter que pagar 605 pesos pela passagem e mais 200 para a bicicleta, ou seja, o mesmo preço que teria pago se tivesse embarcado em Mazatlán. A diferença é que lá a travessia demora 20 horas e qui apenas 12 horas.

Na volta para casa passei no Supermercado e fiz a compra para preparar um bom almoço. O Comandante me convidou para almoçar com eles e disse para deixar a minha comida para a noite. Durante o almoço recebi a visita da Sra Elvia Luz Amparo Ruiz com a qual eu tinha conversado por telefone no dia anterior e que queria me apoiar com a comida. Entregou-me mil pesos, = 80 dólares para m e apoiar na comida. Disse-lhe que ia colocar o nome dela como madrinha. Ela gostou da ideia.

Às 17 horas fui ver o desfile de carnaval onde havia um pouco de tudo, desde motos, carros alegóricos e até um carro de bombeiros desfilando na avenida. Mas o mais curioso foi ver um carro alegórico intitulado Rio de Janeiro. Levava  no meio o Cristo Redentor, na parte de trás duas torres e na frente, imaginem só, dois grandes flamingos de cor rosa, uma ave típica das regiões geladas dos lagos montanhosos da Bolívia. Não sei o que se passou pela cabeça do criador do carro, mas que ra curioso esto era.

Achei o desfile interessante embora a música não tivesse nada a ver com musica de carnaval. Na parte da noite a festa foi na praça pública com muita música e dança mas eu não fui ver como era.

Noinício da noite recebi a visita do Manuel, o repórter que veio tirar umas fotos para o jornal e fazer mais algumas perguntas. Mais tarde ele voltou com mais quatro pessoas, diretores da TV que queriam me conhecer.

Como ainda não tive acesso a internet, aproveito para escrever um pouco e para ler o diário Canada Costa a Costa

 - Expedição ciclística do Oceâno Pacífico ao Atlântico. Victoria a St. John’s. De Maio a Setembro 2009 ealizada pelo Felipe e Nelson Miller. Vou fazer parte do trajeto deles e me interessa saber como foi a viagem dos dois brasileiros. Já vi que em maio ainda faz muito frio por lá. Vou ter que me preparar para enfrentar chuva e frio...

 

 

 

 

11/02/2010 México

Navojoa – Ciudad Obregón

69,88 km em 4h35 min

Total pedalado até hoje: 11.146 km

Horas pedaladas = 804h

 

5h50min. Levantar, café da manhã, alongamento e 7h30min início da viagem. Pretendia fazer 100 km e acampar num posto de gasolina, mas depois de 40 km subindo sempre, suavemente iniciou um vento contra que me fez mudar de ideia. Decidi pernoitar em Obregón e deixar os 120 km para o dia seguinte na esperança de que o vento seja a favor.

Faltavam 13 km para chegar à cidade, parei ao lado de um restaurante para mais uma merenda. Era engenheiro de uma empresa responsável frangos e suínos na área. Fez um croquis para me indicar onde se encontravam os Bombeiros e a Cruz Vermelha. Deu-me também o telefone dele para qualquer coisa que eu precisasse na cidade. Bem, já tinha uma terceira alternativa, caso tivesse dificuldades nas duas primeiras.

Como sempre cheguei meio ressabiado, pois nunca se sabe qual vai ser a reação do comandante. Para minha alegria, fui recebido com muito calor humano. Um delicioso almoço e o encontro com o Comandante Jaime C. Aguiles que me recebeu com um largo sorriso como se fôssemos velhos amigos. Às vezes me pergunto por que é que a gente me recebe com tanta alegria? O comandante já tinha agendado com a TV e o jornal uma entrevista para as 17 horas. Foi muito interessante porque os bombeiros participaram da entrevista. Pena que eu vou viajar amanhã e não vou poder ver a reportagem na TV, mas não importa. Hoje ao entrar na cidade, num semáforo, uma senhora sentia-se feliz em me encontrar ao vivo pois tinha visto a reportagem na TV a cabo de La Cruz. Sabia de onde eu vinha e para onde eu ia.

 

 

 

10/02/2010 México

km 93 Sonora - Navojoa

67,93 km em 3h48 min

Total pedalado até hoje: 11.076 km

Horas pedaladas = 799h

 

Aconteceu uma cena curiosa. Depois de comer alguma coisa, armei a barraca e me deitei para descansar. Era cedo, 18h30min mas adormeci em seguida. Uns 40 min mais tarde  acordei com o barulho de pedras que caiam em cima do telhado e em seguida alguma coisa golpeou a minha barraca. Levantei, abri, abri a porte e vi três garotos que me espiavam. Saí da barraca e fui falar com o vigia que que conseguiu identificar os moleques. Voltei ao meu aconchego e dormi até às 5h40min. Como no dia anterior tive que ir até um banheiro acompanhado do vigia para aquecer uma caneca de água, decidi tomar chocolate com leite frio. A experiência foi boa. Agora já sei, quando tiver dificuldades de aquecer água, é só tomar chocolate frio.

Eu tinha duas alternativas, ou fazia 136 km e chegava a Ciudad Obregon ou descansava em Navojoa, na metade da viagem. Optei por parar em Navojoa onde cheguei antes do meio deia. Nestas horas sempre existe uma certa expectativa de como vai ser a acolhida por parte do possível hospedeiro. A gente pensa na possibilidade de receber um não e seguir a outro lugar, Cruz Vermelha, por exemplo para tentar o apoio. Se depois de três tentativas não conseguir resultado positivo, sempre resta a última alternativa que é seguir adiante e procurar um lugar para campar. Assim é a vida do cicloturista que viaja com pouco dinheiro. E não é um privilégio meu, todos fazem assim.

Mas hoje tive uma alegria muito grande. Mais uma vez fui acolhido de braços abertos, pelo Comandante Juan Manuel Ramez, o Capitão Francisco e o Capitão do dia, Serafin Acuña que me abriu as portas da corporação fazendo-me sentir como se estivesse na minha própria casa, convidando-me também para um delicioso almoço. Consegui também a senha para acessar a Internet e pude por em dia a minha correspondência.

 

  

 

09/02/2010 México

Los Mochis -km93 Sonora

102,86 km em 6h14min

Total pedalado até hoje: 11.008 km

Horas pedaladas = 795h

 

Muito boa a acolhida nos Bombeiros de LosMochis. Coloquei um colchão no chão no quarto dos bombeiros. Nada de especial a não ser pela TV que estava ligada com o volume um poco alto,mas como eu estava cansado dormi logo. Lá pelas tantas apagaram a luz e abaixaram o volume da TV. Dormi sem problemas até as 3 horas da madrugada. Acordei. Um bombeiro roncava a meu lado e a TV estava no noticiário, desses que repetem toda a noite. Tentei desligar a atenção da TV mas não houve jeito. Peguei o meu colchão e fui dormir numa sala ao lado. Por pouco não perdi a hora e levantar, tal foi o sossego.

Saí as sete horas com a intenção de pedalar uns cem km de procurar um lugar para pernoitar. A cidade mais próxima onde haveria ponto de apoio – leia-se bombeiros  - estava a 165 km de distância e eu não estava a fim de pedalar tanto. No final consegui ficar dentro do meu objetivo pois acampei num posto de gasolina a 102 km de distância. Cheguei às 15 horas e consegui um bom lugar, dentro de uma garagem, atrás do posto num lugar bem protegido.

Faltavam poucos quilômetros para chegar a meu destino  quando me encontrei com dois motoqueiros que viajavam em sentido contrário pelo outro lado da auto estrada. Com o de costume nos cumprimentamos com acenos de mão e segui adiante. Alguns minutos depois um dos motoqueiros me alcançou,saiu da pista e fez sinal para eu parar. Desceu da moto e veio conversar comigo. Quase não acreditei quando vi a bandeira do Brasil na manga da jaqueta dele. Era o Natanael de 24 anos, natural de Roraima que viajava com um amigo dos USA ao Brasil. Eles terminaram os estudos e estão volta do de moto numa viagem econômica, evitando pedágios e acampando na beira da estrada. Viajam uns 300 km por dia e querem chegar ao Brasil em dois meses, depois de passar pelo Peru e chegar a Porto Velho. Fiquei feliz com o encontro, embora rápido, mas foi bom para matar saudades da língua portuguesa. Ele usava uma moto pequena em comparação com outras que passam cheias de bolsas e sacolas por todos os lados.

 

  

 

08/02/2010 México

Guamuchil – Los Mochis

113,41 km em 6h33 min

Total pedalado até hoje: 10.905 km

Horas pedaladas = 789h

 

Ontem a noite, às 21 horas chegaram dois jornalistas e um fotógrafo do jornal Debate para fazer uma entrevista. A conversa foi animada e terminamos a entrevista às 22h30min. Prometeram-me enviar uma cópia do jornal para Tijuana onde vou chegar no final do mês. Vamos ver se tenho sorte desta vez.

Coloquei o relógio para despertar às 5h40min mas não escutei nada. Acordei às 6h50min e só iniciei a viagem às 8 horas. Para minha alegria a estrada era totalmente plana e o ajuste que fiz no câmbio Nexus Wave melhorou muito. Parece piada, mas desde que iniciei a viagem no Brasil comecei a sentir certa dificuldade na terceira marcha. Com o tempo me acostumei a saltá-la e o problema foi resolvido. A uns cinco mil quilômetros atrás a folga passou para a sétima marcha e então ajustei o cabo e o problema voltou para a terceira marcha como antes. E assim continuei até dois dias atrás. Ontem fiz o ajuste, cortei mais de um centímetro do cabo e para minha surpresa o problema desapareceu. Uma coisa tão simples de resolver demorou 11 meses... Hoje até parecia que eu estava pedalando numa nova bicicleta. Na nossa vida também acontece assim. Às vezes uma pequena desavença acaba com uma grande amizade de anos e anos.

Cheguei a Los Mochis onde eu queria passar a noite mas tive que atravessar toda a cidade por mais de 8 km até chegar aos Bombeiros onde fui muito bem recebido. Tive que esperar dez minutos pela chegada do comandante que tinha saído para comprar comida. Sorte minha, pois quando ele chegou já me convidou para o almoço que aqui no México se faz às 16 horas.

 

 

*********************************************************
   ***************************************************
      *********************************************

06/02/2010 México
Culiacan - Guamuchil
127,41 km em 8h43 min
Total pedalado até hoje: 10.792 km
Horas pedaladas = 783h


Sentia-me um pouco cansado, mas como fiquei muitos dias parados, era preciso recuperar o tempo perdido. Viagem tranquila sem muitas novidades mas apareceram algumas subidas. Pedalar com sol é sempre bom, mas cansa um pouco. O problema do bum bum continuou e ao chegar ao destino sentia um certo desconforto, nada de anormal, mas que me pedia um pouco de descanso. E foi assim que resolvi passar o domingo descansando. Mais uma vez tive uma acolhida excelente. Dá a impressão de que eles se sentem feliz ao me receber como se fosse uma obrigação que tem para comigo. Faltava cinco km para chegar e um carro, parado no acostamento, me fez sinal para eu parar. O caroneiro tinha visto a minha reportagem na TV a cabo de La Cruz e sentia-se feliz em poder apertar a minha mão.

Agora já falta pouco para chegar aos Estados Unidos, pouco mais de 1.500 km me separam da fronteira. Mas ainda tenho uma travessia de barco antes de entrar no deserto da Baixa Califórnia.

Vamos que vamos...



05/02/2010 México
La Cruz - Culiacan
125,10 km em 7h55 min
Total pedalado até hoje: 10.665 km
Horas pedaladas = 774h

Iniciar a viagem cedo é muito bom, sobretudo quando o percurso é grande, mas na hora de levantar dá uma preguiça, uma vontade de continuar na cama. Consegui levantar às 6h15min e peguei a estrada às 7h35min. O dia estava lindo sem nenhuma nuvem no céu durante todo o dia, mas em compensação o sol castigou um pouco. O sol de inverno é diferente do sol de verão, queima amenos, mas mesmo assim a gente sente o efeito dele depois de quase 10 horas sem encontrar quase nenhuma sombra.

Eu já tinha rodado 50 km quando vi um carro parado no acostamento. O motorista fez sinal para eu parar. Era o Sr. Jorge, diretor dos bombeiros de La Cruz e funcionário da Polícia Federal. Trabalha no serviço de Gruas que prestam serviço na auto estrada. Contei-lhe que eu ia procurá-los mas fui informado de que eles não tem base na cidade. Ele ficou com pena, pois me disse que teria dado um jeito de me hospedar. Disse-me que a polícia federal poderia me dar apoio no que eu precisasse durante a viagem. Bastava ligar para um determinado número e pronto. O problema é que eu não tenho e não quero celular. Agradeci a informação mas espero não precisar de ajuda.

O Sr. Jorge passou-me a direção dos Bombeiros Veteranos onde eu deveria me alojar. Acontece que na hora de entrar na cidade, ainda não sei como foi, segui em outra direção pensando que seguia na direção certa. Perguntei pelos bombeiros me disseram para seguir adiante. Fui bem atendido e só então soube que eu estava no outro lado da cidade.

Hoje havia menos subida e não foi preciso apear nenhuma vez, mas mesmo assim cheguei um pouco cansado. O banco da Tanajura já está ficando duro. Acho que é pela falta de carne no bum bum, pois quando a gente emagrece os ossinhos aparecem.


04/02/2010 México
Mazatlan – La Cruz
108,00 km em 7h58 min
Total pedalado até hoje: 10.540 km
Horas pedaladas = 766h

Fui dormir bem depois da meia noite pois resolvi fazer uma cópia dos 10 contatos que tenho para me hospedar na Baixa Califórnia, em San Diego e San Francisco. Enviei uns 40 pedidos e recebi 10 respostas positivas. Vou imprimir os endereços com os mapas e depois é só escolher o que melhor me convier. Entre os que me aceitam tem um Hippie de 61 anos, um Judeu e um Mennonita. Estes dois últimos querem me apresentar à comunidade deles. Viu no que dá a gente ser importante?

Todas estas pessoas estão inscritas no warmshowers.org, uma comunidade só de cicloturistas. Cadastre-se você também. É grátis e se puder, recebe os cicloturistas em sua casa que é muito interessante. Descobri mais uma casa de ciclotrista bem perto da fronteira do México com os Estados Unidos. Vou me hospedar la para ver como é feita. Esta vai ser a sexta casa que visito. Já dá para ter uma ideia de como construir a minha em 2013.

Levantei cedo, com sono e conseguir sair às 6h45min. A distância era normal, pouco mais de 100 km mas a estrada era difícil, todo o tempo subindo e descendo colinas com mais de 4 km de caminhada, no total.

A minha última parada para comer e descansar, foi na sombra de um viaduto. Um carro estava parado no acostamento para me fotografar. Depois que parei eles vieram bater mais fotos e conversar comigo. Sentiam-se felizes por ver um velhote de cabelos brancos pedalando uma bicicleta especial desde o Brasil. Eram 16 horas. Eles me convidaram para ir com eles a um restaurante que havia na redondeza para comer um marisco. Estávamos a poucos metros do Oceano Pacífico. Agradeci o convite pois para mim seria complicado acompanhá-los e depois voltar. Além do mais já era tarde e eu ainda tinha que procurar um lugar para passar a noite. Despedimos-nos e eu me sentei para fazer a minha merenda. Suco de Tang com bolacha recheada. O Alberto voltou acompanhado da Adriana e me entregou 200,00 pesos = 16 dólares para ajudar na viagem. Anotei o nome dos dois e disse-lhes que agora eles também são meus padrinhos. Os dois ficaram contentes e me abraçaram efusivamente. Contei-lhes que a ajuda veio na hora certa, pois a minha grana já estava curta.

Mais uma hora de pedalada e cheguei ao meu destino, La Cruz que ficava a 5 km fora da auto estrada. Já perto do centro pedi informações sobre os bombeiros e soube que eles são voluntários e não tem uma base onde eu poderia passar a noite. Indicaram-me a Cruz Vermelha. Dirigi-me para lá. Fui bem recebido e disse que eu precisava apenas de um lugar para armar a barraca e se possível, um chuveiro. Sem problemas. A Dra Verônica Alfaro foi muto simpática e o Motorista da ambulância telefonou para o irmão Beckenbauer que é gerente da Televisión de La Cruz e já marcou uma entrevista comigo. Antes que eu entrasse no chuveiro, o jornalista já estava com a câmara na mão. Gravamos a entrevista e só depois pude tomar o eu merecido banho.

Comprei alguma coisa no Supermercado e fui para a cozinha preparar o meu rango. Depois da comida a Dra. Verônica perguntou onde eu ia dormir. Falei que ia armar a barraca ao lado da bicicleta. Ela disse que eu podia dormir numa cama. Beleza, duas camas para escolher. E para fechar o dia com chave de ouro, consegui também a senha para a Internet.


03/02/2010 - México
Mazatlán, Sinaloa

A estadia nos bombeiros de Mazatlán foi tão boa que acabei ficando hospedado por 6 noites. Senti-me muito à vontade pois tinha uma cama para dormir e uma cozinha para fazer minha comida. Mas tinha também acesso livre a Internet o que me ajudou muito a atualizar o meu site e por toda a correspondência em dia.

Mazatlán é uma cidade turística cheia de gringos americanos. De um lado está o porto e do outro uma linda baía com praias magnificas e água de cor verde e azul. Mutos americanos fogem do inverno e vêem descansar aqui.

No meio passeio de bicicleta pela orla encontrei um casal que me chamou muito a atenção. O Sr.John, 73 anos e a Sra Joyce de 68 anos. Cada um deles usava uma mini bicicleta. Vivem nos Estados Unidos, no Colorado e durante o inverno fogem do frio e vêem se refugiar em Mazatlán, no México. Passam quatro meses aqui num hotel e todos os dias saem a facear de bicicleta. Apesar da idade apresentam um espírito jovem de fazer inveja. Pagam sete dólares por dia no Hotel e almoçam no Mercado Municipal num restaurante econômico por três dólares a refeição. O café da manhã e o jantar eles preparam no hotel.

O que mais me chamou a atenção foi a simplicidade deles e a disposição para passear. São daquelas pessoas que a gente se sente bem em estar em contato com elas. Quando perguntei qual o segredo de tanta jovialidade a resposta foi que eles vivem sem se estressar. Aproveitam o lado bom da vida. Imaginem só um casal de 68 e 73 anos passeando de bicicleta como se fossem duas crianças. Mais tarde os vi chegando ao mercado para o almoço.


Mudança de roteiro.

No dia 2 de fevereiro eu deveria ter viajado de navio cagueiro de Mazatlán para La Paz numa viagem de 20 horas e depois enfrentar um longo deserto na Baixa Califórnia Sul. Durante a noite tive uns sonhos que me deixaram um pouco agitado. Pela manhã o tempo estava fechado anunciando chuva. Alguma coisa me dizia que eu não de veria viajar de navio. Como costumo seguir minha intuição, mudei de plano. Vou pedalar rumo ao norte pelo continente por 820 km até Guaymas e lá fazer a travessia para Santa Rosalia. A viagem vai aumentar 300 km mas em compensação vou deixar mais de 400 km de deserto para trás.




29/01/2010 México
Escuinapa - Mazatlán
101,29 km em 7h30min
Total pedalado até hoje: 10.394 km
Horas pedaladas = 755h
Caminhada empurrando a Tanajura = 921 km


O ambiente foi ótimo para dormir. Temperatura agradável, silêncio durante toda a noite. Acordei às cinco horas e aproveitei para fazer tudo com calma. Deixei o alojamento às 6h15min e ainda estava escuro. Como não segui a regra de perguntar sempre a três pessoas diferentes, pedalei oito quilômetros a mais do que devia. O vigia e um garoto que morava em frente me disseram que a única maneira de chegar à auto estrada e voltar os 5 km por onde eu tinha entrado na cidade. Voltei os cinco que na verdade foram seis, pois eu estava além do centro da cidade, e entrei na auto estrada, não sem antes escorregar no cascalho que estava em cima do asfalto e deixar a Tanajura cair no chão. Desta vez eu não caí. Estava bem de vagar. Quando o meu ciclocomputador marcava 12 km vi a outra entrada que vinha diretamente da cidade. Já era tarde, mas serviu a lição de perguntar a três pessoas diferentes. A viagem seguia normal com poucas subidas e muito sol até que furou o pneu dianteiro. Sempre a mesma coisa. Um pedacinho de arame de aço tão pequeno que só se consegue encontrar usando o algodão. Coloquei uma câmara nova, montei o pneu e quem disse que eu conseguia encaixar a bomba. Tive que desmontar outra vez para conseguir colocar a válvula na posição certa. Nesta brincadeira se passaram 45 minutos debaixo de um forte sol.

O meu destino era chegar aos Bombeiros, para variar.

No dia 6 de janeiro o Sr. Victor Hugo de San Juan del Rio tinha falado com o comante dos bombeiros de Mazatlan para que me desse apoio. Em Tepic soube que havia duas corporações de bombeiros em Mazatlan. Há dois dias falei com o Sr. Victor Hugo mas ele também não sabia a qual base pertencia o comandante que era seu amigo. Como não conseguiu localizá-lo por telefone eu vim na incerteza. Cheguei na primeira corporação, colocaram-me em contato com o comandante, mas não era esta a base. Só que em vez de eu seguir para próxima base, eles me ofereceram uma cama e me convidaram a ficar aqui mesmo. Aceitei a oferta e me instalei...



28/01/2010 México
Acaponeta - Escuinapa
71,29 km em 4h48min
Total pedalado até hoje: 10.293 km
Horas pedaladas = 747h
Caminhada empurrando a Tanajura = 918 km


Fazia muito tempo que eu não dormia com ar condicionado. Foi tão boa a noite que quando acordei o sol já entrava pela janela. Agradeci a                                                                     colhida e inicie a pedalar às 8 horas. Queria viajar pela auto estrada, mas me distraí e segui pela livre, a estrada federal livre de pedágio. Aqui no México sempre há duas possibilidades, ou você pega a auto estrada com pedágio ou segue pela livre. Já no Brasil este critério não funciona. No Paraná, por exemplo é um abuso. Você fica preso em Foz do Iguaçu e só pode sair de lá pagando. Onde está a liberdade do cidadão escolher o tipo de estrada? Ainda temos muito que aprender para melhorar o nosso país.

Cheguei cedo ao destino e depois de algumas reviravoltas consegui um lugar para passar a noite. Fui primeiro até a Proteção Civil e lá me encaminharam para o DIF (não me pergunte o que significa a sigla porque não sei). No DIF que é um centro de acolhimento público com serviços sociais, hospitalares, etc. Fui bem atendido e depois de uma hora de espera, acompanhei um carro que me le ou até o “Centro de Desarollo Comunitario Habitat” onde havia lugar para eu passar a noite. A princípio eu deveria armar a barraca numa quadra coberta que fica no pário, mas depois, conseguir ficar dentro do prédio onde estão os escritório. Assim foi bem melhor.

Já estou na planície a poucos quilômetros do mar e a temperatura é de verão. Voltei a usar outra vez a bermuda e a sandália que já estavam aposentadas a quase dois meses. Mais um dia de pedalada e entro numa nova etapa da viagem. Atravessar a Baixa Califórnia, uma península de 1.450 km qté chegar à fronteira com os Estados Unidos.



27/01/2010 México
Tepic - Acaponeta
136,33 km em 8h20min
Total pedalado até hoje: 10.221 km
Horas pedaladas = 742h
Caminhada empurrando a Tanajura = 915 km


Juntou a fome com a vontade de comer. A acolhida tinha sido muito boa, o ambiente também e eu estava com vontade de descansar um dia. A fechadura do baú da Tanajura que já me incomodava há alguns dias, desta vez resolveu piorar. Foi o suficiente para eu decidir ficar mais um dia nos bombeiros. Saí pela manhã e fui conhecer o centro histórico. A maioria das cidades tem o centro histórico que data da época da colonização espanhola. Visitei a Catedral, comprei uma fechadura nova e fui acessar a internet no Palácio Municipal onde havia acesso grátis. De volta para casa, na parte da tarde, passei no Supermercado e voltei para casa, já com bastante fome. A ideia era deixar o cadeado na bicicleta, ir à cozinha preparar o almoço e depois levar a bicicleta numa serralharia para por a fechadura nova com um novo encaixe. Mas as coisas não saíram bem assim. Ao entrar na sala onde estava a bicicleta encontro o comandante que gentilmente quis me ajudar. O estômago roncava de fome, mas não podia dispensar a ajuda. O trabalho ficou ótimo, mas quando terminamos o relógio já marcava 18 horas. Finalmente consegui ir para o refeitório. Aí aconteceu outra coisa engraçada. Os bombeiros queriam saber o que é que um cicloturista come. Quatro deles sentaram-se à mesa e enquanto eu preparava a minha verdura, tomate, alface e pepino com um molho italiano que eu tinha comprado eles queriam saber se esta dieta tinha sido dada por algum nutricionista. Pobre de mim. Normalmente como pão com café e nada mais. Eles acharam interessante a dieta rica em proteínas e carboidratos.

Terminado o almoço/jantar, fui até uma Internet para atualizar a página de hospedeiros com as novas fotos.

Deitei um pouco tarde e queria levantar cedo para iniciar a longa viagem de mais de 130 km. Dormi tranquilo até as 3h45min quando acordei com um roncador a meu lado. Não houve mais jeito de dormir. Peguei as minhas coisas e saí do dormitório e fui dormir num sofá que havia na entrada, bem longe do roncador.

Deixei os bombeiros às 7h30min para percorrer uma longa distância, segundo alguns, só de descida, outros de descidas e subidas e muito plano e finalmente um terceiro, mas equilibrado me advertiu sobre as muitas subidas e baixadas. Este último tinha razão, pois tive que caminhar 7 km.

Cheguei aos Bombeiros de Acaponeta e fui recebido como se eles já estivessem à minha espera. Um deles me disse: - Que honra para nós poder recebê-lo aqui.

Disponibilizaram-me uma sala com ar condicionado somente para mim. Chuveiro quente e cozinha à disposição. Que mais eu podia querer? Só me resta agradecer a Deus por me colocar pessoas tão amáveis no meu caminho.

Já estou novamente em terras quentes. Hoje fez bastante calor pois já baixei bastante. Daqui para frente o calor vai aumentar pois em dois dias chego à costa do Pacífico para atravessar para a península da Baixa Califórnia.





25/01/2010 México
Jala - Tepic
75,56 km em 6h00min
Total pedalado até hoje: 10.085 km
Horas pedaladas = 734h
Caminhada empurrando a Tanajura = 908 km


Uma noite bem dormida no auditório da Presidência Municipal. Iniciei a viagem às 8h45min numa temperatura amena e muito sol. No céu azul não se via nenhuma nuvem. Depois de três quilômetros já iniciaram as subidas que me acompanharam ate quase ao final da viagem. Foram catorze quilômetros de caminhada. Finalmente avistei a cidade lá em baixo, mas ao mesmo tempo fui agraciado com mais um furo no pneu dianteiro. Este foi o de número 36. Já estou craque em consertar câmara, em desmontar e montar o pneu. Hoje porém aconteceu uma coisa rara. A câmara estava amarrada no quadro, onde leve uma de cada roda. Para agilizar, não soltei o elástico que amarrava a câmara. Puxei assim mesmo e ao soltar a câmara uma parte dela engatou no quadro e fez um buraco. Resultado, uma câmara a menos. Tive que tirar outra do alforje. Agora estou no limite. Preciso comprar mais câmaras para levar.

Cheguei à Cruz Vermelha de Tepic às 17 horas. O encarregado me disse que tinha que esperar pela presidenta que ia chegar dentro de uma hora, às 17 horas. Já são 17, disse-lhe eu. Aqui temos uma hora as menos e agora são 16 horas. Vinha de novo a chatice. Esperar umas hora na incerteza de conseguir um lugar para dormir. Para minha sorte, a porta ao lado era dos Bombeiros. O funcionário da Cruz Vermelha me acompanhou até ali. Fui bem recebido e já não precisei esperar pela presidenta. Banho quente, cama, cozinha para fazer a comida e boa companhia por parte dos bombeiros que se mostraram muito atenciosos.



24/01/2010 México
Magdalena - Jala
68,30 km em 5h04min
Total pedalado até hoje: 10.014 km
Horas pedaladas = 728h
Caminhada empurrando a Tanajura = 894,07 km


Acordei cedo, 6h30min pois aqui o dia só amanhece às 7h15min. As oito horas já estava pronto para partir, mas o Sr. Amado ligou para o diretor, Emmanuel e ele me pediu para esperar 15 minutos. Decididamente os mexicanos não usam a pontualidade britânica. Tive que esperar 45 minutos até a chegada do diretor. Eu já estava ficando impaciente pois sabia que a etapa ia ser um pouco difícil por causa das subidas. O Emmanuel trouxe-me uma camiseta da Proteção Civil de Magdalena, de cor laranja, que usei durante todo o dia. Mas o melhor ainda estava por vir. Para me ajudar na viagem me entregou uma nota de 500 pesos = 40 dólares. Valeu a pena esperar para me despedir dele. Na noite anterior ele foi me buscar na porta da igreja, onde eu tinha ido a missa das 20 horas. Queria que eu conhecesse a Presidente da corporação e mais alguns amigos. Terminamos a visita a meia noite e fomos comer um “Taco” comida típica mexicana. Impressionou-me a maneira atenciosa e a deferência com que fui tratado por todos. Acho que eles se admiram ao ver um velhinho tão entusiasmado com seu projeto de Paz. O que deveria ter sido apenas uma noite de passagem acabou sendo um encontro fantástico com várias pessoas amigas. Valeu Proteção Civil de Magdalena.

A etapa foi curta mas com muitas subidas. Caminhei mais de nove quilômetros ao lado da minha companheira. Cheguei à cidade Jala às 16 horas e fui procurar pela Proteção Civil. As informações eram desencontradas. Uns diziam que havia a Proteção Civil, outros diziam que não havia. Um taxista disse que eu teria que ir à Prefeitura, mas como hoje era domingo estava fechado. Mesmo assim segui adiante até que encontrei a Presidência Municipal. Havia um guarda de plantão que me encaminhou para o tesoureiro, dono de uma casa de comércio na esquina da praça. Consegui autorização para acampar dentro do auditório. Resolvido o problema, tomei um banho de gato numa pia, troquei de roupa, lavei algumas peças, preparei um café e saí para fotografar alguma coisa. Mais um dia sem precisar pagar hotel. Tenho que economizar aqui no México porque nos Estados Unidos vai ser diferente.




22/01/2010 México
Guadalajara - Magdalena
78,49 km em 5h42min
Total pedalado até hoje: 9946 km
Horas pedaladas = 723h


Os dias passados em Guadalajara foram interessantes, embora a experiência de dormir em um albergue não tenha sido das melhores. Entre eles eu era um como eles, um indigente a mais. Apenas os dirigentes sabiam quem eu era. No último dia eu conversava com um senhor de 63 anos no dormitório e apareceu um jovem que tinha vindo a pé desde Monterey. Havia um colchão desocupado entre entre eu e o senhor com quem conversava e o jovem pediu para se deitar ali a fim de participar da conversa. À medida em que ia se inteirando do que eu fazia e de quem eu era, ficava, como ele mesmo disse, de boca aberta. Ele aprendeu uma técnica oriental, em quatro anos, me disse, de curar as pessoas. Estava disposto a me passar alguma experiência, mas infelizmente eu já ia seguir viagem no dia seguinte.

Esta terceira noite foi mais calma que as duas anteriores, mas mesmo assim não e nada fácil dormir no meio de mais de 100 pessoas respirando o mesmo ar. Não se assustem, pois quando viajamos de ônibus fazemos o mesmo jungo com mais de 40 pessoas em um espaço muito menor. Embora eu tenha tido pouco oportunidade de conversar com as pessoas, mesmo assim aprendi alguma coisa positiva. Havia jovens de 20 anos e adultos de 77 anos. Um deles o de 77 anos, tinha passado 21 anos na cadeia e durante este tempo perdeu a mulher e os filhos. Hoje fi e sozinho, trabalha no mercado durante o dia e a noite vai para o Albergue. O que ganha é só para a comida. Enquanto espera o dia da morte vai se virando como pode. Mas o que mais me chamou a atenção foi ver que embora o tratamento seja bom, com duas refeições, cada pessoa ali é como se fosse um ser invisível sem nenhum direito. Entram depois das 21 horas e devem sair antes das 8 horas da manhã. É mais ou menos como abrir a porteira e soltar o gado no pasto.

Eu tive uma certa atenção e os encarregados me trataram bem. Somente no dia da partida enfrentei um pouco de desconforto. O vigia da noite tinha agendado com um repórter que apareceu por ali, uma entrevista para a TV a cabo de Guadalajara para as 8h30min do dia seguinte. Até aí tudo bem. Levantei na hora de costume, tomei café e fui pedir a chave para tirar a bicicleta que estava numa sala trancada. Eram 7h30min e eu tinha uma hora para descer e esperar o repórter. O encarregado me pediu para esperar até que o vigia chegasse porque não queria deixar a portaria sem ninguém. Depois de trinta minutos de espera finalmente consegui subir e preparar a bicicleta. O problema foi que neste meio tempo chegaram as madames responsáveis. Uma delas já subiu e foi perguntar se eu já ia embora. Já vou, disse-lhe eu. Terminada a arrumação, pus a bicicleta para fora, fechei a porta e desci para ir ao banheiro. Quando ia voltar para buscar a bicicleta a outra senhora, com cara de problemas não resolvidos, talvez porque a sua vida familiar não deve servir de modelo para ninguém, e por isso procura descarregar nos outros a sua frustração, me impediu de subir as escadas porque um jovem tinha acabado de passar o pano e com modos mal educados me obrigou a sair para o lado de fora e esperar. Fiquei calado e sai, pois diante de gente ignorante o melhor que se faz é não discutir. O jovem que tinha me conhecido no dia anterior aproximou-se da megera e lhe disse alguma coisa. Passados alguns minutos ela saiu e me disse para subir. Sentei-me então na calçada e disse que já não tinha pressa e que podia esperar. Ela disse que tinha entendido a mensagem e que eu podia subir para buscar a bicicleta. Quando baixe, fui ao refeitório para encher as garrafas de água e a madame veio me dizer que os repórteres estavam à minha espera. E eu então respondi: - é, não me deixaram buscar a bicicleta...

Gravamos a entrevista e depois segui pedalando atras do carro que ia fazendo a filmagem. Voltei de novo ao Albergue para agradecer a hospitalidade e me despedir.

Escrevi tudo isto para dizer que os pobres coitados que vivem se recurso de uma maneira ou de outra sempre são humilhados. O governo procura dar-lhes condições mas as pessoas encarregadas nem sempre sabem trabalhar com amor. Por qualquer coisa são ameaçados de não poderem mais retornar ali. São seres humanos que não tiveram a mesma oportunidade na vida que nos tivemos.


Já passava das nove horas quando inicie a viagem. Por questão de segurança segui pela auto estrada, mas enfrentei muitas subidas. A estrada livre seguia pelo vale e a auto estrada pelas colinas. No total formam mais de 8 km de caminhadas. Cheguei a uma cidade de 18.000 habitantes chamada Magdalena e encontrei a Proteção Civil e Bombeiros. Fui muito bem recebido pelo comandante Amado Salazar Uribe, mas tive que esperar das 16h50min até as 19h40min pela chegada do diretor Emmanuel Guilhermo Azevedo Macias. Mas valeu a espera. O Sr. Emmanuel foi muito gentil e amigo. A primeira coisa que fez foi dar dinheiro para que fossem comprar a janta para mim. No dia seguinte deixou também dinheiro para o almoço. Por sugestão dele, resolvi passar mais um dia para conhecer a Igreja do Senhor Milagroso onde há um Cristo que suou sangue. O início da construção do templo dada de 1610 e é feito no estilo gótico mexicano, obra dos índios que imitavam a arte espanhola. Aqui é também a terra de uma pedra preciosa chamada Opalo.

Tive também acesso a Internet sem fio e isto facilitou a minha vida.




19/01/2010 México
Tepatitlan - Guadalajara
89,77 km em 6h43min
Total pedalado até hoje: 9868 km
Horas pedaladas = 717h


A continuação da viagem até Guadalajara foi mais dura do que eu pensava, mas consegui vencer a distância com algumas caminhadas sem problema. Numa baixada, ainda faltam uns 20 km para chegar ao destino vi um carro parado no acostamento e um indivíduo com uma máquina fotográfica na mão me fotografando. Ao passar um deles gritou que era repórter. Parei e gravei mais uma reportagem para o jornal de San Luís, que já ficou para trás na minha rota. Prometeram-me enviar a matéria pelo correio eletrônico. Vou esperar para ver.

A viagem seguiu sem maiores novidades até eu chegar na sede da Cruz Vermelha. Foi aí que a coisa começou a se complicar. Coloquei a bicicleta na sala de recepção e fui tentar a sorte. A Cruz Vermelha mexicana tem sido muito acolhedora, mas em Guadalajara foi o contrário. Disseram que ali era apenas um centro de triagem e que não tinham lugar para me hospedar. Em seguida a funcionária se comunicou com alguém e me disse que se eu me inscrevesse como voluntário da operação Haiti eu poderia pernoitar ali. Fiz a inscrição e me apresentei ao chefe de serviço. Era grande o movimento de jovens carregando caixas para despachar para o Haiti. O encarregado me olhou e disse que o trabalho era pesado. Não importa, disse-lhe eu. Mas antes de meter a mão na massa, falei que eu precisava de um lugar para pernoitar porque estava viajando de bicicleta, blá, blá, blá. O senhor me disse que eu podia trabalhar até uma hora da manhã mas depois tinha que me ausentar, pois não há lugar para pernoitar. Todos voltam para as suas casas. Com muita pena, conservei o crachá de voluntário e voltei ao ponto de partida. Encaminharam-me então para a Cáritas para ver se eu conseguia apoio ali. Outra funcionária me disse que era melhor dirigir-me ao Albergue onde além de cama oferecem também comida, disse-me ela. Dirigi-me ao Albergue. Já passava das 16 horas. No Albergue fui bem atendido, mas não havia lugar para guardar a bicicleta. Aconselharam-me a me dirigir a outro albergue no centro, onde havia serviço de vigilância 24 horas. Saí em busca do outro Albergue, mas como a duas quadra dali havia uma corporação de Bombeiros, decidi tetar a sorte. Consegui falar com o comandante, um tipo bastante raro, mas como nas outra duas cidades também não me autorizou a ficar ali. Os bombeiro me disseram depois que este comandante tem muitos prolemas e nem sequer apóia os próprios bombeiros. O que ele fez foi me encaminhar outra vez para o mesmo albergue. Falei que eu já estava vindo dali e ele então telefonou a um dos responsável e mandou um bombeiro me acompanhar numa bicicleta até o lugar. Novamente não me queria aceitar por causa da bicicleta, até que o bombeiro mostrou o bilhete com o nome do responsável. Mas uma chamada telefônica e foi resolvido o problema. Subimos duas escadas e colocamos a Tanajura dentro de uma sala de almoxarifado. Agora sim, eu podia dormir e sair durante o dia sem me preocupar com a bicicleta.

Um banho quente e agora era esperar que os demais entrassem. Às 20h30 min começaram a entrar um a um, homens e mulheres. Cada um, depois de se inscrever, recebia uma toalha e seguia para o chuveiro. A fila do chuveiro só terminou às 22 horas. Do chuveiro passavam para o refeitório onde era servido uma deliciosa sopa, com pão, suco e bananas. Foi aí que vi uma cena interessante e me lembrei do Giorgio Testoni que já passou por este tipo de experiência no Brasil. As duas salas contíguas que serviam de dormitório foram literalmente forradas com colchões. Reservaram um espaço para mim. Eram mais de cem pessoas para dormir. Não coube todas e tiveram que usar também a sala onde estava guardada a bicicleta. Apesar de tanta gente, a noite foi tranquila pois não havia nenhum roncador como em San Juan de los Lagos.

Pela manhã serviram um chá de canela com pão para todos. Em seguida fui conhecer a cidade e só voltei às 17 horas. Como o meu caso é especial não preciso esperar fora até às 20h30min como os demais. Preparei um café reforçado, tomei o meu banho e aproveitei para escrever o diário.

Hoje fiz duas coisas interessantes. Há tempo que eu andava a procura de um anel de rosário como aquele que eu perdi na Costa Rica e que já me acompanhava a mais de 19 anos. Encontrei um de prata por doze dólares. A outra coisa boa foi que comprei um interruptor para por no meu ciclocomputador. Estou usando um segundo odômetro para marcar os quilômetros que eu caminho empurrando a Tanajura. Pode parecer bobagem, mas como eu tosto de estatísticas, estou curioso para saber, no final da viagem, quantos quilômetros eu vou caminhar. Até agora, estou chegando aos 10.000 km pedalados e já caminhei mais de 860 km. Duvido que haja alguem que tenha caminhado tanto ao lado da bicicleta.

Outra coisa que esqueci de relatar no dia anterior foi que depois que coloquei a fita protetora nas rodas , tive cinco furos na roda traseira. Já estava ficando desesperado quando descobri a causa de tantos furos. A fita é falsa, não é a Mr Tuffy que é maleável. Esta se dobrou e furava a câmara. Resolvi o problema me desfazendo dela. Lembrei-me do desespero do Nino quando pedalamos no Ushuaia que teve o mesmo problema. Espero fazer pelo menos uns dois mil km antes de furar outra vez. Quem me dera! Até o momento já foram 33 furos. Já bati todos os recordes anteriores.



18/01/2010 México
San Juan de los Lagos - Tepatitlan
61,70 km em 6h14min
Total pedalado até hoje: 9.778 km
Horas pedaladas = 710h


Valeu a experiência de passar o final de semana para conhecer o movimento no santuário. É impressionante ver a fé do povo na sua religiosidade popular. Muita gente vinda de várias partes do país. E isto que ainda faltam duas semanas para o dia da festa.

Na sexta-feira a noite (o comércio fecha as 21 horas) aproveitei para trocar as sapatas de freio, consertar a tampa do baú e comprar um pneu Maxxis por nove reais. O México participa do Livre Comércio das Américas e as coisas aqui são muito baratas.

No sábado e no domingo tive oportunidade de participar das Celebrações Eucarísticas junto com os peregrinos. No alto da colina havia uma frase em caracteres enormes que parecia escrita para mim. Veja a foto a seguir.


Como estou pedalando pela paz e cheguei aqui como peregrino, a frase é perfeita.

Nas quatro noites que passei no Albergue aprendi muita coisa. Existem os peregrinos que chegam em grupo de várias maneiras, a pé, de bicicleta, de ônibus, mas chegam também os aventureiros que chegam sem nada, sem dinheiro, sem comida, sem roupa de frio e saem pelas ruas a pedir.

Alguns são jovens mas a maioria são homens entre os 40 e 50 anos. No salão só há esteiras e nestes dias fazia bastante frio. Alguns deles se cobriam esteiras.

Na noite de domingo para segunda-feira éramos somente dois. Eu dormia tranquilo até que 1h30min da manhã chegaram três homens e entraram no salão falando em voz alta. Isto foi mais ou menos meia hora até que se deitaram. Aí começou o martírio. Dois deles roncavam como se fossem animais selvagens. Consegui aguentar até as três horas e então peguei o saco de dormir e o isolante térmico, atravessei o pátio e fui dormir no refeitório. Foi bom, mas dormi demais e acordei às 7h20min. Resultado, iniciei a pedalada às nove horas.

Segui pela auto estrada para aproveitar o acostamento. O problema foram as subidas. Em 61,7 km tive que caminhar 13,8 km. Hoje fiz a velocidade média mais baixa no México: 9,88 km/h. Queria chegar até o pedágio para passar a noite, mas depois de uma grande subida, seguiram-se quatro km de subida continuada que eu subia pedalando com bastante dificuldades. A bicicleta não andava. No final da subida fui verificar e vi que o pneu traseiro estava baixo. Mais um furo. Enchi e continuei pra chegar ao destino. Como ainda faltavam 12 km, deixei a auto estrada e segui pela estrada livre de pedágio. Pouco mais de um quilômetro encontrei uma Capela e a Zeladora, dona Carmela gentilmente me disponibilizou uma grande sala para eu passar a noite. Deixou comigo a chave da sala e do banheiro. Ela disse que viu nos meus olhos que eu sou uma pessoa boa. Se continuarem assim, vou acabar me convencendo de que eu sou mesmo uma pessoa boa. Em dez meses é a segunda vez que me hospedo em uma igreja. Quem sabe eu tenha que aproveitar mais este filão, sobretudo onde estão os encarregados que são mais sensíveis e menos desconfiados que os padres ou pastores.


 

14/01/2010 México

Lagos de Moreno – San Juan de los Lagos

51,41 km em 4h49min

Total pedalado até hoje: 9.715 km

Horas pedaladas = 704h

 

Fazia tempo que eu não dormia numa cama tão boa assim. Deitei tarde e o relógio despertou às 6h30min. A vontade de continuar na cama era grande, mas tinha que continuar minha viagem. Iniciei a viagem às 8 horas. Pedalei 300 metros e furou o pneu traseiro. Consertei a câmara e continuei. Há três dias a bicicleta estava com um comportamento estranho. Era só chegar aos 20 km e tremia guidão. No dia anterior eu tinha parado na estrada para cortar um pedaço da fita de proteção da câmara. Mesmo assim não resolvi o problema. Já tinha examinado tudo e não encontrava nenhum lugar quebrado. Já não sabia o que fazer. Ao consertar a câmara coloquei 340 libras, cinco a mais do que era recomendado. Uma hora depois escutei um estouro. O pneu traseiro tinha arrebentado outra vez. Era o segundo furo em uma hora. Troquei a câmara, montei o pneu e ao encher, vi que havia um rombo no pneu. Desmontei de novo e coloquei um pneu novo. Pronto, acabou-se o problema do treme treme. A vibração vinha do pneu traseiro e não do dianteiro como eu pensava. Tive sorte que o pneu estourou quando eu estava quase parado, senão teria acontecido outro desastre. Agora estou com outro problema menor, mas que precisa se resolvido. O freio traseiro não funciona. Vamos ver se encontro uma oficina por aqui.

Cheguei a San Juan de los Lagos depois do meio dia e fui direto até a Basílica da Virgem de San Juan. Este santuário e um lugar de peregrinação. Chegam grupos de ciclistas de várias partes do país. Os festejos vão acontecer no dia 2 de fevereiro mas agora já é grande o movimento de peregrinos. Hospedei-me no Albergue dos peregrinos. Um lugar bonito com um amplo salão para os peregrinos colocarem esteiras e dormirem no chão. Consegui um espaço fechado para guardar a bicicleta e armei a barraca no salão. Há um grande refeitório à disposição dos peregrinos com seis fogões a gás. Embora não estivesse no meu programa, vou descansar uns dias aqui.  Com tanta mordomia tenho mais é que aproveitar.

 

 

 

13/01/2010 México

León – Lagos de Morenos

24,10 km em 2h23min

Total pedalado até hoje: 9.663 km

Horas pedaladas = 699h

 

Acontecem coisas curiosas. O jovem que me recebeu dizia-sem encarregado da Cruz Vermelha de Lagos de Moreno. Na realidade ele trabalhou em Lagos de Moreno mas agora mora e trabalha em León. Ao me apresentar na Cruz Vermelha, pensava que já estavam à minha espera, mas para minha surpresa ninguém sabia de nada. Cheguei mais cedo do que estava programado. Faltavam 20 km para chegar ao destino quando vi uma caminhonete parada no acostamento. Por coincidência era o lugar onde eu ia fazer a minha primeira parada. Comecei a comer um pouco de granola e o motorista se aproximou de mim, encantado com o que eu estava fazendo. Era um ex ciclista profissional e motoqueiro. Falou-me que eu teria que subir três grandes subidas antes de chegar a Lagos de Moreno. Se eu quisesse ele podia me levar até a cidade. Eu não estava disposto a pegar uma carona, seria a primeira no México, mas depois de tanta insistência, acabei por aceitar a oferta e assim em 20 minutos fizemos o que eu levaria umas três horas para fazer. Eram 12h30min quando cheguei a Cruz Vermelha. Tive que esperar pelo comandante Ivan Maurício Ramirez que só chegou às 14 horas. Este foi, sem dúvida,, o melhor lugar onde já me hospedei. Recebi um atendimento VIP,  com um apartamento individual. Antes os médicos dormiam ali mas agora o AP estava desativado. Recebi a senha para acessar a Internet e pude atualizar o meu site com muita calma.

 

 

 

12/01/2010 México

Salamanca - León

92,70km em 7h01min

Total pedalado até hoje: 9.639 km

Horas pedaladas = 697h

 

Fiquei conversando no refeitório até 0h30min. Pela manhã, como não levei o despertador para o quarto, acordei às 7h40min. Quando iniciei a pedalar, já era quase nove horas. A etapa não era muito longa, mas havia muitas subidas. No total caminhei 6,27 km.

Muita gente me fotografou pela estrada e ao entrar em León vários me filmaram. O mais curioso foi um jovem que passou por mim numa bicicleta normal, pedalando forte. Deixei que seguisse o seu caminho. Adiantou-se umas dezenas de metros, jogou a bicicleta no chão, agachou-se e com uma máquina fotográfica filmou a minha passagem por ele. Mais adiante um carro parou no acostamento e começou a me filmar. Parei perto dele pois queria saber onde estava a Cruz Vermelha e acabei gravando uma entrevista para o motorista curioso.

Ao entrar em León, às 17 horas, parei nos Bombeiros para pedir apoio, pois a Cruz Vermelha estava bem mais longe. Mais uma vez, já é a segunda vez no México encontrei um comandante idiota que por telefone não deixou que eu me hospedasse ali. Os bombeiros ficaram um pouco constrangidos mas, me diziam eles, não depende de nós. Um deles que queria me ajudar, passou um rádio para a proteção civil e eles disseram que viriam me recolher. Como já estava ficando tarde, decidi seguir adiante e fui procurar a Cruz Vermelha. Mais uns 8 km até chegar ao local. Foi bom, pois conheci algumas lindas ciclovias pelo meio das largas avenidas. Muita gente pedalava nas ciclovias que são amplas e bem estruturadas. Cheguei à Cruz Vermelha e já passava das 18 horas. Fui bem recebido. Muitas fotografias com os voluntários ao lado da bicicleta. O Sr. Luis Macias me ofereceu dinheiro equivalente a cinco dólares.

Depois do banho quente, me ofereceram um delicioso jantar. Mais fotos, mais perguntas, mais comentários sobre a viagem.

O jovem que me recebeu me convidou para descansar na cidade de Lagos de Moreno que fica a 45 km daqui mais com algumas subidas fortes. Aceitei o convite e assim não preciso sair muito cedo. Como vocês podem ver, existe muita gente boa neste nosso mundão. Deus seja louvado.

 

 

11/01/2010 México

Queretaro - Salamanca

96,81 km em 6h09min

Total pedalado até hoje: 9.546 km

Horas pedaladas = 690h

 

É muito bom descansar vários dias, mas é preciso seguir adiante. Ainda tenho muito chão pela frente. A viagem foi tranquila, mas apesar de eu ter colocado fita protetora nos dois pneus, o traseiro furou mais uma vez. Não encontrei nada no pneu. O furo estava bem embaixo da fita. Enquanto eu estava parado com a bicicleta deitada no acostamento apareceu um grupo de mais de 50 ciclistas que estão vindo da capital e vão até San Juan de los Lagos em peregrinação. Eles pararam em algum lugar para almoçar mas não os vi. Devem ter saído da auto estrada. Quando eu estava parado para fazer o meu lanche, eles passaram de novo por mim. Tinham vários carros de apoio e um caminhão grande com baú que ia recolhendo os ciclistas que ficavam pelo caminho. Muita gente quebrava a bicicleta, furava pneu e subiam no caminhão. Acho que já não nos vamos encontrar outra vez porque eles viajam sem carga e vão chegar ao destina amanhã. Eu vou levar dois dias.

Na última parada para comer, um caminhoneiro aproximou-se de mim e disse que já tinha visitado o meu site na internet. Perguntei como foi que ele achou o site, e ele disse que um amigo caminhoneiro tinha me visto em novembro e passou o endereço para ele. Antes de se despedir, meteu a mão no bolso e me ofereceu vinte pesos, quase dois dólares. Disse que era pouco mas era o que ele podia me dar para me ajudar na viagem. Agradeci a oferta. Valeu não tanto pela quantia  quanto pelo gesto.

 

O meu pernoite estava programado para ser no pedágio que aqui é chamada de Caseta de Cobro.

Já estava para chegar quando dois ciclistas me alcançaram para perguntar de onde eu vinha etc. E tal. Perguntei se na cidade havia Bombeiros e o ciclista me disse que sim. A três km do pedágio, no centro da cidade. Não tive dúvidas, atravessei a pista e entrei na cidade. Ao chegar ao local dos bombeiros não os vi e passei duas quadras.

Regressei e vi uma ambulância no pátio. Entrei, me apresentei, consegui alojamento, um lugar para armar a barraca e só então percebi que eu estava na Cruz Vermelha. Os Bombeiras estavam ao lado, na outra porta. Disponibilizaram-me um banho quente e o refeitório para eu fazer a minha comida. Após o banho fui ao supermercado e entre outras coisas comprei um quarto de queijo de bola, aquele vermelho gostoso que também se encontra no Brasil. Hoje tirei a barriga da miséria.

À noite eu estava escrevendo o diário de bordo no refeitório e chegou a Dona Ana, Presidente da Cruz Roja de Salamanca, e me ofereceu uma cama. Eu ia armar a barraca no pátio. Em seguida chamou um repórter e gravei uma entrevista para o jornal El Heraldo.

 

07/01/2010 México
San Juan del Rio - Queretaro
65,97 km em 4h34min
Total pedalado até hoje: 9.449 km
Horas pedaladas = 683 h


Amanheceu chovendo e a meteorologia anunciava chuva e frio para toda a região. Levantei um pouco mais tarde e estava disposto a esperar mais um dia. Já eram quase dez horas quando a chuva parou. Sabia que em Queretaro continuava chovendo, mas achei que seria uma boa ocasião para experimentar a calça nova da North Face que compre na Cidade do México. Coloquei a sandália sem meia nos pés e peguei a estrada. Uma ambulância da Cruz Vermelha fez questão de acompanhar até a auto estrada. Fui escoltado durante 10 km. Que luxo. Parecia um personagem importante. A estiagem durou menos de uma hora. Das onze horas até às dezesseis horas viajei em baixo de chuva, fraca, média e forte. Faltavam pouco mais de 20 km para chegar ao destino quando um carro parou a meu lado. Era um jovem voluntário da Cruz Vermelha. Convidou-me para me hospedar na casa da Avó dele. Agradeci o convite pois a mãe da Mizzi já estava à minha espera. Enfrentei alguma subidas não muito pesadas que conseguir subir pedalando. Somente a última me obrigou a caminhar 120 metros. Ao reiniciar a viagem vi que o pneu dianteiro estava vazio. Procurei um lugar mais ou menos tranquilo ao lado da auto estrada para trocar a câmara. Até aí, nada de especial, a não ser a chuva que aumentou gradativamente até se tornar num forte aguaceiro. Demorei meia hora para fazer a troca e senti um pouco de frio, pois quando a gente para o corpo esfria. Daí para frente foi quase só descida até chegar à cidade. Tive que chegar ao outro lado da cidade para chegar à casa da Mizzi. Fui recebido com muita atenção e carinho e a primeira coisa que fiz foi um bom banho quente. Para minha surpresa toda a roupa estava encharcada. Não sei se de suor ou da água da chuva. Mas como tanto a calça como a jaqueta são impermeáveis, penso que o banho foi mesmo de suor. A Mizzi se encarregou de recolher toda a roupa molhada e colocar na máquina.

O encontro com a senhora Magdalena foi fabuloso. Uma senhora de 73 anos muito distinta e conversadora. Ela também já viajou por vários países da Europa, inclusive a Rússia. Assim que o papo é muito gostoso.

No sábado ela me levou ao centro da cidade onde comprei uma bomba com manômetro e duas fitas protetora para os pneus pois já estava cansado de remendar câmaras. Visitam os o Convento da Cruza onde há várias árvores com espinhos em forma de cruz. Diz-se que um frade enterrou o bastão no chão e nasceram os espinhos no bastão. A árvore não dá flor nem frutos e se multiplica pelas raízes.

Espinho em forma de cruz


Conheci também a Igreja de São Francisco, Santo Antônio, Santa Clara e a Catedral.

Em Querétaro existe um aqueduto enorme como não tinha visto em nenhum outro país. Este aqueduto levava a água até o Convento da Cruz e dali era distribuído para outros lugares da cidade.

O Aqueduto é apresentado como um símbolo da arquitetura histórica e monumentos em Queretaro: localizado em Calzada de los Arcos s / n, esta magnífica obra é uma das construções mais típicas da cidade, mais de 1.200 metros de comprimento, dividido em 74 arcos construídos ao longo de três séculos atrás. (conf. http://www.mexico.com.mx).

Os três dias que passei na casa da Sra Magdalena, mãe da Mizzi foi simplesmente fantástico. Senti-me novamente como se estivesse na mina casa e como se eu fosse um membro da família.

No momento estou em pleno inverno e quanto mais para o norte sigo, mas frio vou enfrentar. Mas isto também faz parte da aventura. Mas ainda tenho muita coisa bonita para ver aqui no México.


06/01/2010 México
Soyaniquilpan - San Juan del Rio
71,64 km em 4h40min
Total pedalado até hoje: 9.383 km
Horas pedaladas = 679 h


Hoje foi um dia muito especial. Levantei às 7 horas e quando já estava quase pronto para prtir, o Sr. Bonifácio me convidou para o “desayuno”. Na verdade foi quase um almoço tamanha era a quantidade de comida. A filha do Sr. Bonifácio é jornalista e filmou a minha estadia e a partida para guardar como lembrança. Ao iniciar a viagem já passava das 8h30min. Os primeiros 13 km foram de muita subida e a pedalada rendia pouco. A distância a ser vencida era de 120 km, mas ao iniciar a pedalada já sabia que não ia conseguir chegar ao destino. Às 14 horas vi uma caminhonete parada no acostamento e ao me aproximar, o motorista, que estava fora do carro, me fez sinal com a mão e disse algumas palavras em inglês. Detesto quando me confundem com um gringo. Respondeu ao aceno de mão mas não parei. Pedalava de vagar, subindo, e quando vi, o homem corria para me alcançar. Parei. Ele queria fazer uma entrevista comigo. Devia seguir mais alguns quilômetros e entrar na cidade de San Juan del Rio. Marcamos o lugar do encontro. Acontece que a cidade tinha três entradas e eu entrei na do meio. Fui até ao centro e me disseram para voltar, etc. Pedalei algumas centenas de metros e o dono do carro me alcançou. Parei no acostamento e gravamos a entrevista para uma TV Digital que funciona na internet. Em seguida ele perguntou se eu queria gravar uma entrevista para a TV local. Claro que aceitei e já perguntei se havia bombeiros na cidade. Ele foi adiante e quando cheguei ao Cablecanal – Canal 10, entrevista já estava agendada. Gravamos a entrevista e segui para os bombeiros. Infelizmente tive respostas negativa. Restava-me duas alternativas: A Cruz Vermelha que estava ao lado dos bombeiros ou o Albergue que abria às 18 horas. Tentei a Cruz Vermelha. Fui bem atendido, mas tinha que esperar para resposta do superior. Enquanto aguardava pela resposta, apareceu um repórter do jornal Noticia. Fizemos a entrevista. Ofereceram-me um banho quente e aproveitei para trocar de roupa. Ao sair do banho, mais um canal de TV local estava à minha espera. Gravamos a entrevista e no final o Sr. German Baltazar Trujillo, voluntário da Cruz Vermelha me ofereceu 30 pesos= 2,3 dólares. (De grão em grão a galinha enche o papo). Em seguida outro voluntário me levou ao Restaurante Torres X de propriedade do Sr. Agripino Torrez Góuez, outro voluntário que também tinha vista a Tanajura e me ofereceu um rico jantar. Ao me despedir dele, me disse que se não pudesse dormir na Cruz Vermelha, que voltasse que ele me oferecia um quarto para passar a noite. Voltei para a Cruz Vermelha e me convidaram para dirigir umas palavras para um grupo de jovens voluntários. No final comemos a rosca, uma torta típica do México por ser o dia dos Reis. Estava resolvido o problema, podia dormir ali.

Uma das participantes, Mizzi, perguntou onde eu ia me hospedar em Queretaro. Eu disse que não sabia. Em algum lugar. Ela disse que a mãe dela morava lá e que se eu quisesse ela podia telefonar para a mãe para me receber na sua casa. Pronto já não faltava mais nada para completar o meu dia de sorte.

Antes de ir dormir, fui até o lugar onde tinham colocado a bicicleta e para minha surpresa, vi que o suporte esquerdo que está soldado ao bar end estava quebrado. Ninguém soube me dizer como isto aconteceu. Também não importava. O importante é que aconteceu enquanto e estava parado, pois durante a viagem teria sido pior, visto que desta peça suporta o trocador de marchas. Disseram-me que somente depois das dez horas eu poderia procurar um lugar para soldar a peça. Aproveitei para dormir até mais tarde e às 10h30min consegui soldar a peça. Aproveitei também para trocar a fechadura do bau.

Na parte da tarde consegui a vacina H1N1 na mesma Cruz Verfmelha. Agora já posso viajar mais sossegado.

Recebi a visita de um dos diretores da Cruz Vermelha que já sabia da minha presença ali. O Sr. Victor Hugo trabalhava nos bombeiros até 30 dias atrás e com com os conhecimentos quetem, telefonou para o comandante de Mazatlan, no Pacífico, para que me me dê apoio durante a minha travessia pela região. Já sei também que o barco de Mazatlan a La Paz, na Baixa Califórnia leva 12 horas para fazer a travessia e custa 750,00 pesos = 58,00 dólares.

No final do dia fui convidado outra vez para jantar no Restaurante Torres X.


05/01/2010 México
México - Soyaniquilpan
102,35 km em 7h30min
Total pedalado até hoje: 9.311 km
Horas pedaladas = 674 h


Atrasei a viagem de um dia para tomar a vacina das gripe porcina H1N1 mas não tive sorte. Tudo o que consegui foi a vacina contra a gripe comum. A minha ia vencer em maio. A vacina que eu queria só havia para crianças e mulheres gravidas. Para adultos só no próximo mês. O pessoal da direção estava de férias e isto dificultou um pouco mais. Na volta para casa passei num grande super mercado e comprei algumas peças de roupa que eu precisava e comida para continua a viagem. No dia 31 fui com o Felipe num Brechó de importados e comprei uma calça para usara na chuva, marca Noth Face por USD 7,79 dólares e uma calça térmica com proteção para o vento para usar na neve por USD 11,50 dólares. Eu nem sabia que existia este tipo de calça, mas o Felipe usou uma destas na Patagônia e disse que é excelente. Que venha a neve no Alaska!

O Felipe tinha viajado no sábado com a esposa Ceci e o filhos, a nora e os dois netinhos para Monterrey, no norte do país e só ia voltar na terça-feira, dia em que eu parti. Antes de eles partirem, me deram a chave da casa e assim me tornei dono. Já é a terceira vez que me acontece receber um voto de confiança assim, durante esta viagem. Ao sair pela manhã, tranquei o portão e coloquei a chave na caixa de correio.

Iniciei a viagem às 6h50min e ainda estava escuro. Amanheceu às 7 horas. 30 km de pedalada dentro da cidade rumo ao norte e sobrevivi, embora tenha visto um homem morto num acidente de trânsito. México é considera a maior cidade do mundo com mais de vinte milhões de habitantes. O trânsito é meio maluco e é preciso bastante atenção para não ser atropelado. Consegui sobreviver. Aos 40 km entrei na auto estrada e aí melhorou um pouco porque tem um bom acostamento, mas em compensação, apareceram os caminhões de todos os tamanhos. A distância de México a Queretaro é de 220 km. Hoje pedalei 102 km e amanhã mais 118 km.

Mais uma vez acreditei nas informações. O Felipe me disse que este trecho é todo plano. Ẽ verdade, mas também há muitas subidas Em 10 km tive que caminhar 8,5 km. Coloquei um segundo ciclo computador só para marcar as caminhadas ao lado da tanajura. Desde o início da viagem até hoje já caminhei 840,54 km.

Aos 90 km encontrei um posto de gasolina e resolvi parar ali mesmo. O relógio marcava 15h30min. Falei com o frentista e ele indicou um lugar onde eu poderia acampar. Fui ver o local mas não gostei. Era muito aberto. Achei um lugar mais reservado perto do posto. Voltei ao frentista e ele me mandou falar com a moça do caixa. A moça falou com o patrão, por rádio, mas a resposta foi negativa. Ela me disse quem a dez minutos dali havia outro posto.

Acreditei. Como já sei que tenho que multiplicar a velocidade do carro por cinco, isto me daria 50 minutos. Iria chegar ao posto às 16h35min. Dito e feito, só que não cheguei ao posto e sim a um lugara onde havia muitos restaurantes. O posto estava a 15 km mais adiante e com muitas subidas. Desisti de continuar a viagem. Falei com o dono de um restaurante, o Senhor Bonifácio e ele me abriu o portão para eu acampar no pátio da casa dele. Uma vez colocada a bicicleta no pátio, me ofereceu uma deliciosa comida, no restaurante.

Durante a nossa conversa soube que ele também gostaria de ser aventureiro, mas com as obrigações familiar isto é impossível. Quando era mais jovem chegou ate a Venezuela. Por isso quando me viu ficou encantado com o que eu estava fazendo.




Cidade do México – 1 a 3-1-2010


Passei o final do ano na casa do cicloturista Felipe Besné Navarro, de 60 anos e sua esposa Cecília e mais 20 pessoas da família. Ele fez a travessia desde Ushuaia até o México em 18 meses e terminou em setembro de 2009.

Foi muito bonito ser recebido numa nova família como se eu já fizesse parte dela. Para mim foi uma benção ter recebido pelo Felipe. Nós dois pedalamos em muitos países pelos mesmos lugares. O assunto nas conversas não acaba nunca. Somos dois estilos diferentes mas temos muita coisa em comum.

Ontem fomos de metro ao centro e visitamos a Catedral e a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe. Foi uma experiência muito emocionante. Chorei ao chegar ao recinto, chorei durante a missa. Mas o mais importante foi que coloquei todos vocês, meus leitores, padrinhos, madrinhas, parentes e amigos no colo da Virgem de Guadalupe. Lembrei de modo especial do meu amigo Giorgio Testoni que anseia chegar aqui de bicicleta como eu. Guadalupe é ago de especial. Dfeliz de quem tem a graça de poder chegar até aqui.

Hoje, dia primeiro de janeiro, pedalamos, eu e o Felipe, 37 km pela cidade. Foi um passeio espetacular pelo centro histórico da cidade. O trânsito estava bom com pouco movimento e isto ajudou bastante. Tive a felicidade de chegar com a Tanajura no pátio da Basílica de N. S. de Guadalupe. Levei quase meia hora para chegar ao pátio da basílica, tamanha era a quantidade de gente que entrava no recinto sagrado. Além de várias fotos, fiz também um vídeo que pode ser visto no seguinte endereço:

Basílica de Guadalupe

No sábado, dia 2 fui visitar o Museu de Antropologia. Por sugestão do Felpe tentei conseguir a entrada franca, mas não consegui. Aqui no México somente os idosos mexicanos têm privilégios. Os estrangeiros tem que pagar normal. No metrô e no Trólebus estou conseguindo viajar sem pagar.

O Museu de Antropologia é realmente um lugar imperdível. Não sou muito fã de museu, mas este foi interessante. Todas as culturas e civilizações mexicanas estão ali representadas.

No domingo, dia 3 tive outra linda experiência. Fui conhecer as Pirâmides de Teotihuacan. Fiquei impressionado com o que vi. A Pirâmide do Sol é pouco menor que a Pirâmide de Queops no Egito. Por ser domingo a entrada era grátis para os mexicanos. Fiz de conta que era mexicano e entrei junto com os demais.

Deveria continuar a minha viagem na segunda-feira, dia 4, mas resolvi tentar conseguir a vacina da gripe porcina, H1N1. Aqui no México já morreram mais de 250 pessoas. Por enquanto só estão administrando a vacina para os médicos, enfermeiras e mulheres grávidas. Vou tentar conseguir visto que estou atravessando todo o país e vou entrar nos Estados Unidos onde o surto também é grande.


30/12/2009 México
Rio Frio - México
71,84 km em 4h52min
Total pedalado até hoje: 9.172 km
Horas pedaladas = 663


A noite foi fria e tive que me agasalhar bem para não passar frio. Isto me fez pensar na necessidade de comprar uma nova barraca de três estações para enfrentar o frio nos Estados Unidos, Canadá e

Alasca. De madrugada chegou a zero graus mas quando iniciei a pedalada já esta a cinco graus. Foram mais sete quilômetros de caminhada até chegar ao topo da montanha e iniciar uma linda descida de 23 km seguidos. Chegar à cidade do México foi fácil, difícil foi encontrar a casa do do meu novo hospedeiro Felipe. Acho que me enganei numa das ruas e o que era para ser percorrido em meia hora levei duas horas na maior cidade do mundo, nomeio de um trânsito muito intento. Para facilitar, deixei a avenida principal e pedalei pela lateral, mas enfrentei uma quantidade de ônibus e micro ônibus que paravam a todo momento e a qualquer lugar dificultando bastante a viagem. Quando toquei a campainha da casa o relógio já marcava 15 horas.

De novo encontrei uma família espetacular. O Felipe Besné Navarro tem 60 anos e em setembro terminou a travessia do Ushuaia até o México. Foi ele que se encontrou um um ciclista japonês que tinha me encontrado na viagem, do qual recebeu o meu endereço. Escreveu-me e convidou-me para me hospedar na sua casa. Vocês já podem imaginar como foi e será o nosso encontro. Dois velhotes aventureiros, cada um com seu estilo. Quem quiser, pode ver o Blog dele, muito interessante:


http://biciensudamerica.blogspot.com


29/12/2009 México
Puebla – Rio Frio
52,59 km em 4h59min
Total pedalado até hoje: 9.100 km
Horas pedaladas = 658


Passei cinco dias na casa da Ingrid numa belíssima companhia. Em algumas famílias que me hospedo me sinto tão bem que parece que estou na minha própria casa. Em Puebla me aconteceu o mesmo. Parecia um membro da família que estava fora há muito tempo e que agora regressava de visita. Mais ou menos como quando eu estava em Moçambique e depois de alguns anos ia ao Brasil visitar a família. Comentei isto com a Ingrid e o Richard, irmão dela. É claro que o mérito é todo deles que sabem como acolher uma pessoa estranha dentro de casa. E de quebra recebi um convite para me hospedar na casa dos tios da Ingrid que moram na ilha de Vancover. Deus sejanlouvado.

Nestes dias conheci o vulcão menor do mundo, 8 metros de altura. As fotos estão no álbum. Visitei Cholula uma cidade com 365 Igrejas católicas. Visitei a três principais, sendo uma delass toda revestida de ouro. Conheci o Centro Histórico de Puebla com uma mistura de arquitetura francesa e espanhola.

Na hora da partida, como se não bastasse tudo o que já tinham feito por mim, A Ingrid acompanhada do Tio Bert me levou com a caminhonete até auto estrada, no outro lado da cidade. Depois das fotos e abraços, iniciei a viagem às 7h30min. Os primeiros 33 km foram normais, mas depois começou a subida que me obrigou a caminhar quase 20 km. Cheguei a Rio Frio e encontrei um parque na beira da auto estrada e armei minha barraca. O lugar parece ser tranquilo.

Por vias das dúvidas, falei com uma funcionária do posto e ela consegui um lugar seguro para eu deixar a bicicleta durante a noite. Assim pude dormir mais sossegado.



24/12/2009 México
Acatzinco - Puebla
56,66 km em 3h055in
Total pedalado até hoje: 9.047 km
Horas pedaladas = 653

Levantei tarde pois a etapa seria curta e a estrada boa sem muitas subidas. Deixei o quartel às 8h15 min e cheguei na casa da Ingrid às 14h15min. Viajei pela auto pista e ao chegar a Puebla, tive que atravessar toda a cidade passando pelo centro histórico até chegar na zona sul onde vive a minha hospedeira. O povo aqui é muito amigo e quando a gente pede informação te ajuda com muita alegria. Puebla como outras cidade mexicanas tem um sistema muito fácil de nomear as ruas. A cidade é dividida em norte e sul. As avenidas e ruas pares estão no lado norte e as avenidas e ruas ímpares estão no lado sul. E muito fácil localizar um endereço.

Fui acolhido com muito carinho por parte de todos. Eles estavam esperando a minha visita desde o mês de setembro. Parecia o esperado das nações. Espero no tê-los decepcionados com a minha presença.

Agora é só me preparar para conhecer as coisas lindas que existem por aqui.


23/12/2009 México
Maltrata - Acatzinco
83,52 km em 7h03min
Total pedalado até hoje: 8.991 km
Horas pedaladas = 649

Dormi onze horas seguidas. A noite foi fria mas não tive problemas pois estou preparado para temperaturas bem mais baixas do que as desta noite que não deve ter chegado a zero graus. Quando iniciei a pedalada o termômetro marcava 9 graus.

Comecei a pedalar, ou melhor, a empurrar a bicicleta às 7 horas e cheguei ao topo de las cumbres somente ao meio dia. Foram 20 km de caminhada. As montanhas me encantam e quanto mais a gente sobe mais bonito fica o panorama. Pensei que alguém ia me oferecer uma carona, mas ninguém se dignou a me oferecer uma RAI. Desde que entrei no México, já foram mais de 1.000 km nunca peguei uma carona. Na primeira semana um carro parou e me ofereceu carona mas eu recusei, pois estava numa estrada normal e achei que não valia a pena. Talvez devesse ter aceito para manter o princípio de nunca pedir e jamais recusar uma carona. Vou ficar mais experto para o futuro.

Depois de vencer as subidas, baixei dois quilômetros e entrei no planalto, na meseta, como chamam aqui. Finalmente consegui pedalar. Planície com ligeira baixada que me permitia manter uma velocidade acima dos 25 km/h. Somente no final do dia enfrentei algumas subidas Faltavam poucos quilômetros para chegar ao destino quando fui contemplado com um furo no pneu traseiro. É o furo de número 22. Desta vez nem precisei trocar de câmara, pois ao desmontar o pneu a câmara saiu com um pedaço de arame de aço, bem fino, grudado nela. Remendei e usei a mesma câmara.

Entrei na cidade de Acatzinco para me hospedar nos bombeiros, mas a indicação que me deram me levou ao quartel da polícia. Disseram-me que os bombeiros estão num lugar muito pequeno e não tem espaço. Convidaram-me a entrar no quartel e me ofereceram um quarto com banheiro privado e uma cama de madeira, sem colchão, mas bem melhor do que armar a barraca e dormir no cimento. Já passava das 17h30min quando cheguei ao quartel.

Comi alguma coisa e fui conhecer a paróquia e participar da missa das 19 horas.


22/12/2009 México
Cordoba - Maltrata
50,39 km em 5h24min
Total pedalado até hoje: 8.907 km
Horas pedaladas = 642

Aproveitei o dia que passei em Cordoba para conhecer o centro e também para fazer um adesivo com o nome da Tanajura. Mandei revelar algumas fotos que tirei dos bombeiros e dei a cada um deles uma foto de presente. O resultado foi positivo. Percebi como um simples gesto significa muito para as pessoas. Um deles, o Sr. German de 69 anos recebeu uma foto sentado na Tanajura. Convidou-me para conhecer a sua família em Puebla. Estou levando o endereço e telefone e certamente vamos nos encontra por la.

O dia amanheceu lindo sem nenhuma nuvem no céu. O sol apareceu logo cedo e me acompanhou durante toda a viagem. Eu pretendia fazer uma etapa curta e deixar a subidas da montanha para o dia seguinte. Mas com um dia lindo como este era impossível parar. Segui adiante e pedalei 50 km. 40 de subida não muito pronunciada que me permitiu pedalar e mais 10 de caminhada. Às 15 horas encontrei um restaurante de beira de estrada e consegui um lugar para tomar banho e armar a barraca. Estou no meio das montanha e faltam mais 20 km de subida dura para chegar a La Cumbre. Penso que vai ser possível vencer os 115 km que ainda faltam para chegar a Puebla onde a Ingrid me espera para celebrarmos o Natal juntamente com os tios dela que vieram do Canadá. A boa notícia é que ela já conseguiu um lugar para eu ficar na ilha de Vancover no Canadá.

O verão que me acompanhava desde a Colômbia já ficou para trás. Estou acampado bem perto do Pico Orizaba que já está coberto de neve. Na próxima etapa vai fazer mais frio, mas não importa. Faz parte da aventura.

20/12/09 - México
Tinaja - Cordoba
59,70 km em 5h53min
Total pedalado até hoje: 8.857 km
Horas pedaladas = 637

Apesar do barulho dos caminhões que chegavam durante a noite – ao amanhecer havia mais de 30 estacionados – a noite foi tranquila. O guarda do posto, fortemente armado, colocou uma cadeira debaixo do toldo do estacionamento, onde eu estava dormindo e sempre que chegava algum motorista ele contava a minha aventura. Como houve a troca de guarda às 19 horas este novo não conhecia direito a história e dizia que eu estava vindo do Canadá e ia até o Brasil. Mas isto não fazia muita diferença pois a distância é a mesma em qualquer dos sentidos.

Na parte da tarde, depois do banho quente, liguei o computador ao lado do altar de Nossa Senhora,, no pátio e consegui a senha para acessar também a internet. Várias pessoas apareciam por ali curiosas. Mas o mais interessante foi ver uma senhora já na casa dos sessenta anos se aproximar de mim. Era a cozinheira do restaurante e ao ouvir dizer que um senhor brasileiro estava caminhando pelo mundo veio me conhecer. Fui cercado de muita atenção neste posto. Às vezes penso que é bem mais interessante este tipo de pousada do que num hotel onde a gente fica totalmente impessoal. Com o dizia o meu amigo Cristiano, é ao lado da bicicleta que as coisas acontecem. Sem ela sou um simples mortal.

Por indicação de um motorista voltei de novo para a auto pista que segundo ele era bem mais fácil do que a estrada federal. Desde que saí do estado de Chiapas as auto estradas melhoram muito. São de excelente qualidade e tem um bom acostamento para pedalar. O problema é que estou seguindo em direção ao planalto e tive que enfrentar nada mais nada menos que 59 km de subida continuada. Suave o mais das vezes mas sempre subindo. As pernas trabalham o tempo todo fazendo força. No dia anterior tinha forçado um pouco e no final do dia senti um desconforto nas duas coxas. Por isso resolvi não forçar muito.

Demorei sete horas para fazer 50 km. Às 14 horas cheguei a um posto de gasolina. Indicaram-me um lugar interessante para armar a barraca, numa área verde com duas áreas coberta com mesas. O problema foi que ali já esta um bêbado que não se aguentava em pé. Ponderei melhor e resolvi seguir adiante, mas 10 km até os Bombeiros pois assim teria a possibilidade de participar da Missa dominical. E assim o fiz. Como sempre, a acolhida foi fantástica. Logo de início me convidaram para o almoço, franco assado, arroz, tortilha e refrigerante. Foi tempo de eu chegar e caiu a chuva. A temperatura baixou bastante chegando aos 15 graus. Foi preciso coragem para enfrentar um banho frio que me encheu de energia.

O que me chamou a atenção foi ver a idade do comandante, 77 anos e de outros dois bombeiros, 69 e 70 anos, todos na ativa. Esta corporação consta de 40 voluntários e 4 contratados. É impressionante ver a dedicação e amor com que os voluntários cumprem a sua missão.

Participei da Missa das 17 horas e em seguida fui ao super mercado comprar alguma coisa. É um dos poucos lugares onde posso usar o cartão de crédito.

19/12/2009 México
Cosamaloapan - Tinaja
93,35 km em 6h16min
Total pedalado até hoje: 8.797 km
Horas pedaladas = 631

Foram quatro noites que dormi nos Bombeiros num ambiente familiar de fazer inveja a muita gente. Os bombeiros fizeram uma antena nova para a Tanajura e no último dia aproveitei para melhorar um pouco. as condições da mesmas. O que eu realmente queria não consegui. Queria colocar um pé de apoio mas ainda não foi desta vez. O que sim consegui foi colocar um suporte para que o guidão não vire para cima do banco, o que muito me incomodava. Foi ideia de um mecânico de bicicleta. E sabe que o trabalho ficou excelente. Depois de ter pedalado quase 17.000 km foi que consegui resolver um problema tão simples. E assim são todas as coisas.

A viagem foi tranquila sem mutas subidas. Cheguei ao destino e parei num restaurante para pedir informação sobre o posto de gasolina. O senhor que me atendeu indicou-me onde estava o posto e meteu a mão no bolso e tirou uma nota de 50 pesos = 3 dólares e me deu ara que eu comesse alguma coisa. Anotei o nome dele, Jesus Meza e vou adicionar na lista de padrinhos. Às vezes me pergunto porque será que as pessoas me ajudam? O que será que elas vêem em mim? Agradeci e segui adiante. Cheguei ao posto dentro da cidade e me ofereceram um lugar para armar a barraca, mas não gostei porque era muito aberto. Pedalei mais um km e cheguei a outro posto. Aíi foi bem melhor, mas retirado e tive um ótimo atendimento. Para começar banho quente. O guarda que me atendeu, Sr. Juan, mostrou-se muito atencioso. Providenciou tudo para mim. Como não gostei muito do lugar onde ia armar a barraca, ele foi de novo falar com a responsável e conseguiu um lugar bem melhor, numa área coberta. E para fechar com chave de ouro consegui também a senha para acessar a internet. Deus seja louvado.


15/12/2009 México
Acayucan – Cosamaloapan
117,97 km em 8h18min
Total pedalado até hoje: 8.698 km
Horas pedaladas = 624

É muito gratificante quando a gente encontra acolhida sincera. Pois foi assim com os bombeiros de Acayucan. O responsável tinha quase a minha idade 64 anos e um largo sorriso estampado no rosto. O ambiente não oferecia muitas condições mas a acolhida sim. E é aí que está a diferença. Passei uma noite e segui o meu destino.

Como sempre acontece, não se pode confiar na informação das pessoas que só viajam de carro. A auto pista é tranquila me disseram, somente aos 40 km vai encontrar umas subidas mas depois é tudo plano. O que se passou foi o contrário. Fui subindo lentamente até os 40 km onde a subida pera um pouco mais acentuada obrigando-me a caminhar. Dos 50 aos 80 km foi era uma subida suave, quase imperceptível mas que te obrigava a pedalar sempre e assim foi até chegar ao destino.

Na véspera da viagem eu estava um pouco cansado e deixe para filtrar a água durante a viagem. Na primeira parada, depois de duas horas de pedalada, filtrei os 3 litros de água. No início o filtro não quis funcionar mas depois conseguir descobrir o problema e resolvi o problema. Eu tinha iniciado a viagem às 7h45min e gastei uma hora no preparo da água. Mais adiante tive que parar outra vez para necessidades fisiológicas. A velocidade média não passou de 14,2 km/h e estive 10h50min na estrada. Cheguei aos Bombeiros ao final do dia. Graças a Deus tive outra grata surpresa. Fui acolhido quase com festa, cono se já estivessem me esperando chegar ali. Participei de uma seção de fotos e em seguida me ofereceram uma excelente cama para dormir além do banho gratificante, é claro. 

Com o ambiente acolhedor resolvi ficar mais um dia e deixei para escrever o diário no dia seguinte. Foi sorte minha pois amanheceu chovendo acompanhado do vento norte que vai durar três dias. Não sei se será possível continuar no dia seguinte. O Diretor da corporação, Sr. Mahommet, um jovem muito atencioso me disponibilizou o acesso a Internet e assim não é preciso sair de casa para atualizar o site. Vamos ver como vai ser a continuação da viagem.


14/12/2009 México
Coatzacoalcos - Acayucan
62,06 km em 4h49min
Total pedalado até hoje: 8.580 km
Horas pedaladas = 616

A minha estadia na casa da Família Cuevas foi boa demais. Havia Internet sem fio disponível e pude atualizar tudo o que queria. O Raul que vai fazer a travessia do Alasca comigo é expert em artes gráficas e fez uma montagem muito interessante da Tanajura. Vou fazer um adesivo para colar na carenagem e assim fica mais fácil mostrar o que é a Tanajura.

Além de toda atenção e carinho que recebi por parte de todos, ainda fui premiado com mais dois padrinhos. O irmão do meio, Daniel de 15 anos, me ofereceu 40 dólares e na hora da partida, o Alan de 11 anos me doou mais 100 pesos = 8 dólares, para ajudar na viagem. Eu deveria ter ficado duas noites e acabei dormindo 4 noites. É uma bênção quando a gente encontra um ambiente assim.

Tenho que percorrer 450 km até chegar a Puebla, mas não quero chegar muito antes do natal. Por isso vou administrar o tempo para chegar lá no dia 21 ou 22. Alguém muito especial vai me receber em sua casa. O pior é que ela ainda não sabe que eu quero passar o natal com ela.

A viagem de 60 km foi tranquila. Ao chegar a Acayucan procurei primeiro a Cruz Vermelha mas me disseram que eu deveria ir até os bombeiros que tem mais espaço para hospedar os peregrinos. Mais uma vez fui muito bem recebido pelos Bombeiros. Que Deus os abençoe.


10/12/2009 México
Guantemo Pedregal - Coatzacoalcos
110,11 km em 7h48min
Total pedalado até hoje: 8.518 km
Horas pedaladas = 611

O Sr. Francisco montou uma cama de campanha na varanda para eu me sentir mais confortável. A cama na verdade não era muito confortável, mas pelo carinho com que me foi apresentada, se tornou num ótimo lugar para descansar. Quando o Sr. Francisco se levantou às seis horas eu já estava pronto para iniciar mais uma jornada. O destino era a cidade de Coatzoacalcos que se encontra no Golfo do México. E foi assim que passei do Oceano Pacífico para o Oceano Atlântico. Mais adiante vou voltar de novo para o Pacifico onde continuarei até junho do próximo ano.

A viagem seguia os padrões normais. Perto de meio dia parei num posto de gasolina para descansar e comer alguma coisa que sempre levo comigo. Comprei um sorvete e quando já estava montado na bicicleta para continuar o meu caminho veio uma menina com um refrigerante na mão, me entregou e disse: - Boa viagem! Perguntei quem me oferecia e ela mostrou a mãe dentro do carro. A senhora, sorrindo, disse que tinha visto o meu artigo no jornal da Guatemala onde eles vivem. Veio também o pai da menina e depois de uma interessante conversa, segui o meu caminho.

Durante a viagem eu pensava em meu Anjo da Guarda que já fazia tempo que não se manifestava. Você pode não acreditar, mas todos nós temos um anjo que nos protege constantemente. Ele se apresenta de várias maneiras, sempre numa pessoa e muitas vezes não o identificamos. É mais ou menos como identificar a pessoa de Jesus Cristo num pobre ou ancião que vem a teu encontro na rua. Ao chegar à entrada da cidade, depois do pedágio, estava um carro parado à minha espera. Parei e o senhor Raul me disse: - Queria te oferecer um refrigerante mas não se encontra nada por aqui. Agradeci a gentileza e lhe perguntei se havia Cruz Vermelha na cidade. Ele disse que sim. Falei que ia procurar apoio para passar duas noites pois precisava comprar pneus e câmaras. Ele então me disse: - Se queres, pode ir para a minha casa. Passou-me o endereço e me ensinou como chegar à sua casa. Tinha que atravessar toda a cidade e ir em direção à saída da cidade depois de pedalar uns 25 km. Aceitei o convite e cheguei na casa de uma família realmente abençoada. São cristãos católicos de vivência profunda da fé. A acolhida foi tão boa que me senti logo em casa.

No dia seguinte saí para as compras e me despedi do Sr.Raul, da esposa Silvia e do filho menor, Alan que ia viajar e só voltariam no domingo. Em casa ficaram o filho mais velho, Raul e o do meio, Daniel. No final da tarde, ao voltar para casa, mais uma surpresa. O Raul já tinha me presenteado com uma camisa dry fit e o Daniel me ofereceu $ 40,00 dólares. Tornou-se assim o padrinho mais jovem.

Comprei dois pneus e três câmaras para repor as perdas. Infelizmente só encontrei pneu de garra, mas mesmo assim é melhor do que nada. Pelos meus cálculos só os usarei quando entrar nos Estados Unidos depois de percorrer os 4.000 km que faltam para chegar à fronteira.

Outra coisa boa foi que o Raul aceitou o convite de me acompanhar na travessia do Alasca no próximo ano. Agora já tenho um companheiro confirmado que já possui a Visa para os Estados Unidos. Agora só falta confirmar os outros que virão do Brasil. Até o momento são quatro candidatos interessados. Se aparecer mais alguém será bem vindo. É uma travessia só para os mais corajosos. Se você se sente animado, escreva-me.

Como eu precisava atualizar o diário e algumas coisa mais, reservei o dia de sábado para ficar em casa e por as coisas em ordem. Isto me permitiu, na véspera, acompanhar o Raul ao santuário da Virgem de Guadalupe da cidade e participar das cerimônias religiosas. Fiquei impressionado com a religiosidade popular e o carinho com que tratam a Virgem de Guadalupe. O povo mexicano é realmente apaixonado pela sua padroeira.


09/12/2009 México
Raudales – Guantemo Pedregal
70,11 km em 5h06min
Total pedalado até hoje: 8.407 km
Horas pedaladas = 603

Acordei cedo e sai ao clarear o dia que aqui acontece às 6h15min. Desta vez saí sem saber até aonde iria chegar pois as distâncias são grandes e a auto pista é bastante deserta. O que aqui eles chamam de auto pista é uma estrada normal com pista simples e um asfalto bastante precário. Mesmo assim o pedágio é caro, cinco dólares para um carro de passeio a cada 70 km. O bom é que existe um acostamento bastante largo para pedalar e assim não é preciso disputar lugar com os carros. Desde que entrei no México senti bastante respeito por parte dos motoristas.

Esta etapa também foi pelo meio das montanhas o que torna a viagem um pouco pesada. Muitas subidas para caminhar. Tudo ia muito bem até que às 11h30min furou o pneu dianteiro.

Troquei de câmara, e como o pneu estava bastante careca, pois já tinha rodado mais de 5000 km resolvi colocar o pneu novo. Tirei também a fita protetora porque já estava bastante danificada. Montei o pneu, coloquei a roda no lugar e só então fui encher o pneu. Para minha surpresa a câmara que eu tinha colocado também estava furada. Desmontei tudo de novo e coloquei uma câmara nova. Desta vez sim funcionou, mas gastei 90 minutos nesta brincadeira debaixo de um sol escaldante pois não encontrei uma sombra. Agora era preciso procurar um lugar para passar a noite, pois a próxima cidade estava bastante longe. Às 14h30min encontrei uma casa fora da pista que vende um pouco de tudo. Tomei um refrigerante gelado e conversei com o dono, Sr. Francisco de 73 anos que me permitiu pernoitar ali mesmo. Depois de um bom banho num riacho perto da residência, tomei café e fui consertar as câmaras. Infelizmente tive que me desfazer de duas delas pois estavam com vários furos.


08/12/2009 México
Tuxtla - Raudeles
89,14 km em 6h30min
Total pedalado até hoje: 8.337 km
Horas pedaladas = 598

Depois de três dias com um ótimo atendimento por parte dos voluntários da Cruz Vermelha, era hora de partir. Aproveitei bem o tempo. No domingo fui conhecer o famoso Canyon del Sumidero, um lugar realmente interessante que valeu os doze dólares que paguei pelo passeio sem desconto para a terceira idade. Fiquei impressionado ao ver a quantidade de turistas que visitam este lugar. De volta para casa acessei a Internet e resolvi passar mais um dia para descansar e por algumas coisas em ordem. Fui até a praça da juventude e acessei a internet grátis. Foi bom pois em três horas consegui resolver bastante coisa. Sempre há muitas mensagens para responder e outras para ler. Com muita pena tive que desmarcar o encontro com o Abraham em Oaxaca por ter mudado de roteiro.

A saída da cidade era dura pois teria que subir os 20 km baixados ao entrar na cidade. Levei apenas três horas e meia para pedalar e caminhar sempre subindo. Mas o pior ainda estava por vir. Eu pensava que depois da subida viria uma grande descida, mas me enganei. Baixei dez e tive que subir tudo outra vez. E assim foi durante toda a viagem pelo meio das montanhas.

Às 14h30min cheguei a um posto de gasolina e encontrei um bom lugar para passar a noite. O único problema foi que armei a barraca perto de uma bomba que funcionou a noite inteira ligando e desligando a cada 3 minutos. Mas mesmo assim dormi bem.


05/12/2009 México
Cintalapa - Tuxtla
79,19 km em 6h08min
Total pedalado até hoje: 8.248 km
Horas pedaladas = 592

Há lugares em que a gente se sente como se estivesse na própria casa. Dá pena ter que passar só uma noite, mas é preciso continuar a viagem. Em Cintalapa foi um destes lugares. Eu sabias que a etapa a ser percorrida seria difícil pois teria que subir mais uma montanha. Saí cedo, às 6h15min já estrava na estrada e não tardou muito para começar a subida. Foram seis quilômetros de caminhada, uma pausa e mais três para aquecimento. Mais o pior foi que os últimos 21 km foram quase só de descida. Normalmente a gente fica feliz com a descida, mas desta vez a preocupação era outra. Vou ter que fazer estes 21 km de volta para continuar a viagem em direção a Puebla onde espero passar o Natal.

Ao entrar na cidade perguntei pelos Bombeiros e soube que eles estavam na frente da Cruz Vermelha. Resolvi tentar a sorte na Cruz Vermelha e se não desse certo iria para o outro lado da rua para os Bombeiros. Tive sorte e me acolheram bem. Um dos voluntários é também jornalista e já fez uma entrevista para publicar no jornal do país. As reportagens são sempre bem vindas pois abrem muitas portas.

Por ser sábado aproveitei para ir à Missa na Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe. A festa da padroeira do México é no próximo dia 12 e hoje a Paróquia de Tuxtla organizou a celebração. Toda a cidade foi mobilizada. Cada comunidade seguia em peregrinação até o santuário. Nunca tinha visto uma manifestação popular tão interessante assim. Muitas comunidades traziam grupos folclóricos para abrilhantar a celebração.

Ao voltar para casa passei pela praça da marimba. Vi outra coisa interessantíssima. Uma praça com o coreto no centro. Por todos os lados bancos de ferro para receber as pessoas. A maioria pessoal da terceira idade mas também havia gente mais jovem. Quando a banda começou a tocar os casais começaram a dançar ao redor do coreto. Que pena que nós brasileiros perdemos estas tradições saudáveis.


04/12/2009 México
Arriaga - Cintalapa
74,32 km em 6h38min
Total pedalado até hoje: 8.169 km
Horas pedaladas = 586

O bom de um projeto aberto é a facilidade de mudar de roteiro conforme a necessidade. Eu já estava preparado para subir a serra para Oaxaca quando fui informado da dificuldade que iria encontrar. Juntou-se a esta dificuldade a vontade que eu tinha de conhecer o Canyon Sumidor que concorreu para ser uma das 7 novas maravilhas do mundo. E assim mudei o roteiro viajando para o lado oposto. Como sempre, as informações sobre as subidas não são verdadeiras. Disseram-me que se eu seguisse pela auto estrada era muito fácil pois havia pouca subida. Eu, idiota como sempre, acreditei. Antes de chegar na entrada da auto estrada encontrei um ciclista que queria me fotografar. Perguntei qual das duas estradas era mais difícil e ele me disse que eram iguais. Muita subida difíceis até chegar à reserva Sepultura. Segui pela auto estrada e depois do pedágio foram 13 km de subidas ininterruptas. Mais uma longa caminhada até chegar ao topo da montanha. Desta vez ninguém me ofereceu carona.

Já eram 16 horas quando cheguei à cidade. Parei para perguntar onde estava a Proteção Civil e o senhor me disse que eu já tinha passado. Tive que voltar dois quilômetros. Tive sorte que encontrei o comandante Sr. Oscar que me atendeu muito bem.

Mais tarde ele me disse que quando me viu chegar pensou: - Oba, vou receber a visita do Papai Noel. Batemos um papo muito amigável. Valeu o encontro.



02/12/2009 México

Pijijiapan - Arriaga

107,81 km em 6h37min

Total pedalado até hoje: 8.095 km

Horas pedaladas = 579

 

Chega de moleza. Embora o corpo ainda pedisse um pouco mais de repouso, achei que já era hora de continuar a viagem. Por me sentir um pouco debilitado decidi fazer uma etapa mais curta de apenas 75 km. Nas primeiras horas senti um pouco de cansaço mas aos poucos fui entrando no ritmo da viagem. Faltavam menos de 30 km para chegar ao destino e um carro parou e me ofereceu “RAI”, palavra mexicana para dizer CARONA. Agradeci dizendo que já faltava pouco para chegar ao destino e continuei a pedalar. Ao chegar à entrada da cidade, vi uma placa onde estava escrito: Arriava a 27 km. Ainda era cedo e embora o sol estivesse bastante forte decidi continuar. Na entrada de Arriaga parei num posto de gasolina, como sempre faço, para pedir informação sobre a localização dos Bombeiros. Aí aconteceu uma coisa rara. Ao ouvir a palavra bombeiro os funcionários riam e reagiam como se eu estivesse falando uma língua de outro planeta. Perguntei então pelo CRED, aí sim piorou. Um motorista que ali estava disse para eu voltar um quilômetro e perguntar para a polícia federal. Depois de muitas tentativas e antes de perder a paciência, descobri que eu devia perguntar pela Proteção Civil. O motorista queria saber para que eu queria a Proteção Civil. É claro que não dei a confiança de dizer para que eu queria. Este era um assunto meu e não interessava a ele. Por sorte, no outro lado do “redundel” - palavra bonita para dizer Trevo, Rotunda, ou Bola como se diz em Manaus – havia um caminhão da Proteção Civil onde consegui saber onde estava localizada a sede. O motorista me disse: - Fica longe daqui. Mais de um quilômetro. Mostrei-lhe então o odômetro = velocímetro, e disse: - Para quem já pedalou 105 km um a mais não faz diferença. CENTO E CINCO?, disse ele e me indicou a direção certa.

Cheguei a sede da Proteção Civil às 15h45min e depois de uma hora de espera chegou o diretor James que gentilmente me abriu as portas da instituição fazendo-me sentir como se eu estivesse na minha própria casa. Diante de tão boa acolhida, optei por passar dois dias no local. Na verdade eu estava meio cansado mesmo. Muita perda de líquido. Recebi mais cinco envelopes de soro oral. Aos poucos vou controlando a infecção intestinal. O médico tinha receitado três tipos de comprimidos, um para a diarreia, outro para a infecção e um terceiros que eu não sabia para que era. O para-medico disse que este terceiro é para os vermes. Espero que desta vez a limpeza seja geral.

Deitei-me às 19h30min e me levantei às 9 horas do dia seguinte. Acho que bati o meu record de sono.

 

 

 

29 de novembro a 2 de dezembro

 

Tive que fazer um descanso forçado em Pijijiapan por causa do mal estar causado pela diarreia. Senti-me meio debilitado e decidi seguir o conselho dos amigos do CRED onde estou hospedado. No dia primeiro de manhã fui procurar o Centro de Saúde. Como não gosto de incomodar ninguém, fui caminhando até o Centro de Saúde. Faltavam umas quatro quadras para chegar ao local quando um funcionário do CRED me alcançou com a bicicleta e me acompanhou até o Centro de Saúde.

Ao chegar ao local, pediu para eu esperar um pouco, entrou, falou com um funcionário e em seguida me levou para o setor de emergência sem precisar fazer cadastro nem nada. O atendimento não podei ser melhor. Em menos de dez minutos eu já estava no consultório médico. Mas a maior surpresa ainda estava por vir. Não só a consulta como também todo o medicamento que recebi foi inteiramente grátis.

Eu já conhecia o sistema de saúde da Bolívia que também é muito bom, mas o mexicano foi ainda melhor. É por isso que eu digo: - Por que se preocupar com o dia de amanhã? Como diz a Sagrada Escritura: “Suficit diei malitian suam”. A cada dia basta as suas preocupações. Amanhã será outro dia. E assim a vida continua.

 
 
28/11/2009 México
Escuintla - Pijijiapan
79,36 km em 4h43min
Total pedalado até hoje: 7.987 km
Horas pedaladas = 572


A diarréia debilita muito o organismo por causa da desidratação. Pensei em permanecer mais um dia de repouso, mas como já me sentia melhor, continuei a viagem. As primeiras duas horas foram muito tranquilas, mas quando o sol começou a esquentar comecei a sentir o efeito da desidratação. O pior é que a gente perde o apetite e quanto menos come mais fraco se forna. Depois de algumas pequenas caminhadas empurrando a Tanajura, cheguei ao meu destino perto de mio dia. Ao entrar na cidade fui procurar o CRED - (uma espécie de bombeiros do governo que cuida dos incêndios florestais da região) - pedi informação a um triciclo, uma bicicleta que transporta pessoas, muito comum aqui no México e em vários países da América Central e do Sul. Atravessamos toda a cidade no sentido contrário do que eu tinha ido e vim parar a beira da panamericana, fora da cidade. O curioso é que aqui as duas pistas estão separadas por uma distância de dois a três quilômetros. Fui bem acolhido e o ambiente era ótimo com cama e bastante privacidade. Em quinze minutos de caminhada chego ao centro da cidade.

Mesmo estando sem fome, tive que comer alguma coisa. Depois de passar por vários restaurantes e comedores, finalmente achei um que me preparou um frango na chapa acompanhado de verdura en as famosas tortilhas feitas com farinha de milho, muito comum em toda esta região. No Peru foram dois meses só comendo frango e batata frita. Agora já são vários meses só na base da tortilha.

À noite fui participar da Missa e descobri que na praça na frente da matriz há acesso grátis a internet.

Durante o almoço no restaurante aconteceu uma cena curiosa. Eu estava com roupa normal, descaracterizado, apenas com a minha linda barba que não tem como de desfazer dela. Enquanto eu aguardava o preparo da comida, um senhor me reconheceu. Tinha passado por mim no dia anterior. Contou ao dono do restaurante que eu estava viajando de bicicleta dando a volta ao mundo. Foi o suficiente para iniciar uma sessão de fotos. O senhor acessou o meu site no BlackBarry (acho que é assim que se escreve) e vi que havia várias mensagens não lidas no meu chat. Tive que pousar com toda a família. Vá ser famoso assim lá na Conchichina...



27/11/2009 México
Tapachula - Escuintla
70,33 km em 4h37min
Total pedalado até hoje: 7.907 km
Horas pedaladas = 567


Ao meio dia do dia anterior resolvi fazer algo diferente. Procurei um restaurante e comi um prato muito delicioso, uma mistura de muitas coisas incluindo queijo. Fazia tempo que eu não comia algo tão exótico e delicioso. Até a meia noite tudo foi normal, mas depois veio a diarreia e todo o queijo que eu tinha comido se transformou em pedra. Já n ão conseguia mais dormir. Às duas horas da madrugada saí com um bombeiro para comprar remédio. Aliviou um pouco, mas em compensação passei uma noite de rei, da barraca para o trono e do trono para a barraca. Pensei em adiar a viagem, mas depois resolvi seguir adiante. A etapa era longa, de 150 km mas o grau de dificuldade era mínimo. Tomei mais uma dose duple de bicabornato de sódio e peguei a estrada. Aos poucos fui eliminando do estômago o queijo em forma de pedra. Já era quase meio dia quando me vi livre do último pedaço.

Durante a viagem tive que buscar uma moita para me aliviar. O problema é que a perda de líquido debilita muito o organismo. Aos 50 km estourou o pneu traseiro. Desta vez o Kenda fez 3.010 km. Nada mal para um aro 20 que leva muito peso. Agora estou usando um Optimus 20 X 2,10. Vamos ver quanto tempo vai aguentar.

Com todos estes percalços e com um sol abrasador, desisti de chegar ao destino previsto. Eram 13h30min quando cheguei a uma bomba de gasolina que fica dentro da cidade, na rodovia principal. O local era bastante tranquilo e havia um ótimo chuveiro. Comi alguma coisa, armei a barracam e dormi até às 17h30min. Fui à farmácia, desta vez para comprar remédio para a diarreia.

E assim se passou mais um dia no México. O que eu já percebi até agora é que estou num pais bem mais tranquilo que os anteriores. O povo mexicano é acolhedor. Posei várias vezes para as fotos e durante a viagem muita gente me fotografou e filmou.




25/11/2009 México
Coatepeque - Tapachula
78,46 km em 4h35min
Total pedalado até hoje: 7.828 km
Horas pedaladas = 563


Embora eu estivesse cansado, esperei até 21h15min para assistir a reportagem que passou na TV local. Quase me assustei quando me vi na TV pois sem o capacete e com a barba grande dava a impressão de que eu fosse bem mais velho e mais magro. Consegui um cópia do vídeo mas está no formato DVD e vou ter que fazer a conversão antes de por no YoyTube para que vocês também se assustem hehehe.

A noite foi mais tranquila. Havia menos barulho de carros mas mesmo assim levantei com muito sono. Iniciei a viagem na hora prevista, 6h45min e tive a alegria de fazer quase 30 km só de baixada. Faltavam 6 km para chegar à fronteira quando tive que parar. Ainda não eram oito horas. Havia uma greve contra o aumento do preço da energia e a estrada estava fechada até às 9 horas.

Depois carimbar o passaporte com a saída da Guatemala, voltei algumas quadras para comprar o peso mexicano. Deixei a bicicleta com um mecânico de bicicleta e foi fazer o câmbio.

Ao chegar na imigração mexicana tive uma grata surpresa. O funcionário de serviço, Sr. Álvaro Antônio Martinez Hernandez, foi muito gentil e me deu 180 dias para visitar o México. Leu os dizeres na minha camisa Pedalando pela Paz e me perguntou se eu tinha algum tipo de patrocínio para realizar o projeto. Contei-lhe que consegui uma verga para imprimir os livros de cicloturismo, que tenho uma pequena aposentadoria e também uns 50 padrinhos e madrinhas que me apoiam para eu realizar o meu sonho. Ele então me perguntou se ele também podia me ajudar. Claro que sim, respondi e antes que eu disse mais alguma coisa ele pegou a carteira e tirou duas notas de 200 pesos cada uma. Isto equivale a 33 dólares. Diante do meu espanto ele me disse que um projeto como este que está levando a paz ao mundo merece ser ajudado. Ele também fez questão de tirar uma foto comigo ao lado da bicicleta. Foi a primeira manifestação de apoio que recebei no México. Mais adiante parei numa bomba de gasolina para calibrar os pneus e vi que aqui também não usam medidor de pressão. No Brasil nós somos privilegiados neste aspecto. Quando fui trocar a água das garrafas por uma mais fresca, um senhor veio ao me encontro um uma garrafa de 1,5 litros de água mineral. Eu disse que não precisava pois eu estou acostumado a tomar água de torneira, mas ele fez questão de me entregar a garrafa. Parece que vou me dar bem no México.

Para variar procurei pelos bombeiros e se não desse certo iria para um hotel. Diante do impacto da Tanajura, as portas se abriram para mim. Aproveitei da boa acolhida e pedi para dormir duas duas noites. Coloquei a bicicleta numa sala de ginástica onde há também um banheiro. O único porém é que a sala fica ao lado de uma rua muito movimentada e o barulho dos carros vão me atrapalhar um pouco. Para minha sorte a rua é de mão única e de descida.

Comprei um bom mapa do México e já fiz cópia ampliada de todo o mapa para ver melhor as distâncias. Estas cópias eu coloco no meu porta mapa e as vou eliminando à medida em que vou percorrendo o trecho.