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Total pedalado até hoje: 4.513 km Horas pedaladas = 342h
14 a 18/07/09 – Tumbaco Depois das devidas apresentações e receber os meus aposentos, estive na oficna do Santiago conversando enquanto ele terminava de arrumar uma bicicleta para entregar no final da tarde. Fiquei impressionado ao ver a quantidade de bicicletas de alta qualidade que ele conserta. A oficina é fundo de quintal mas a fama já e a alta qualidade do trabalho profissional faz com que não lhe falte trabalho. Depois do jantar conversamos até tarde da noie. Senti-me logo em casa.
Nos dias seguintes aproveitei para descansar e por em dia o meu diário de bordo. Encontrei um problema no servidor e não co segui atualizar o diário. Perdi muito tempo e já estava disposto a construir outro site, mas isto ia demorar muito. Somente quatro dias depois tudo voltou ao normal.
Outro problema foi uma coleção de virus que aparecei no meu computador e nos dispositivos externos como pendrive e cartão de memória da máquina fotográfica que tamem uso no computador. O uso do pendrive na Lan House facilita a entrada de virus. Como o sistema que eu estava usando Windos XP estava muito pesado aproveitei para voltar ao sistema original, o Ubuntu da Linux. Foi aí que começou uma novela que durou três dias, mas finalmente teve um final feliz. O aparelho foi enviado para Quito mas o técnico não conseguiu mudar o sistema. Os dias passabam e o computador não voltava. Depois de esperar várias horas, descobri que estavam me enrolando. Acionei o Santiago e ele conseguiu recuperar o aparelho. Finalmente, no domingo, ele entregou o aparelho a um técnico, amigo dele e ao voltar de Quito, na quarta-feira, dia 22 recebi o computador com o novo sistema em perfeitas condições. Nos dias que estive em Tambuco fui duas vezes a Quito. A primeira vez para conhecer a parte histórica da cidade, que me encantou. A segunda visita foi para cnsguir raios novos e centrar a roda traseira que estava com problema. O Santiago fez uma revisão completa na tanajura e detectou um desgaste no quadro no tubo que suporta a suspensão dianteira. Esta é uma peça feita por um torneiro em Joinville para transformar o quadro num modelo Full. Vê-se que o material usado não foi apropriado. Vou ter que trocar o quadro. Espero chegar pelo menos até os Estados Unidos antes de fazer a mudança. Comprei um medidor de pressão digital para controlar a pressão dos pneus.
18 a 21/07/09 Quito No sábado o Santiago Garcia e a Andrea vieram de Quito para me levar para o aparamento deles. Passei três dias maravilhosos em Quito. No sábado a noite visitamos a parte histórica. Foi muito bonito. Depois subimos ao morro da santa para ver a cidade iluminada. O domingo foi um dia magnífico. Primeiro subimos ao Teleférico que nos levou a 4.100 metros de altitude num visual encantador. Seguimos a 50 km ao norte de Quito para visitar o mo numento 'La Metad del Mundo' onde passa a linha do equador. Antes fomos a um restaurante típico para um delicioso almoço.
Na segunda-feira o Santiago e a Andrea foram trabalhar e eu fiquei dono do AP com a chave da casa e com direito a usar a Internet, o que fiz o dia inteiro, e também com a geladeira e a cozinha à disposição. Às vezes me parece um pouco estranho que as pessoas tenham tanta confiança em mim. Mas esta é a magia que acontece com os cicloturistas que viajam pelo mundo. Na terça-feira acompanhei o Santiago até o local de trabalho dele e gravei uma entrevista para ser divulgada nas rádios de vários países latinos. São mais de mil emissoras que irão transmitir a minha entrevista.
À noite voltei para Tambuco na agradável companhia do Santiago e da Andrea. Foi muito bom reencontrar outra vez os amigos de antes.
Uma coisa interessante que aocntece com estes contatos é a facilidade com que se cria um laço de amizade que transcende tudo. É como se a gente já fosse conhecido de vários anos. O clima de confiança e de amizade é muito intenso. Também em Tumbaco fiquei sozinho. Os donos da casa viajaram para o litoral e só voltam no domingo. O Santiago vai participar de uma competição de ciclismo.
Só tenho que agradecer a Deus por encontrar pessoas tão queridas assim e que me dão tanto apoio. Espero que um dia eu possa retribuir alguma coisa se eles me visitarem na casa do ciclista que vou construir em 2013, ou será 2014.
23/07/2009 - EQUADOR Tumbaco – San Antonio de Ibarra 43,33 km em 4h15min Total pedalado até hoje: 4.404 km Horas pedaladas = 333
Depois de nove dias de mordomia era hora de pegar a estrada outra vez. Com um pouco de preguiça iniciei os primeiros cinco quilômetros de subida, a maior parte empurrando a bicicleta. Já estou acostumado a este ritual de modo que não me importo. A etapa seria de apenas 60 km, pois as subidas eram muitas e pesadas.
Foi bom reiniciar a viagem e ver a curiosidade das pessoas olhando admiradas e comentando a passagem de um ser um pouco estranho. Voltei a ser fotografado por várias pessoas. A viagem continuava tranquila. Em Quinche visitei o Santuário de Nossa Senhora de Quinche e fiz algumas fotos. Continuei a viagem e aumentaram as subidas. Faltavam menos de 20 km para chegar a Cayambe onde eu ia pernoitar. Já passa a de meio dia. Eu estava no meio de uma grande subida e parava a cada cem metros para descansar. Numa dessas paradas, passou uma caminhonete e parou no acostamento. O caroneiro fez sinal para eu me aproximar. O motorista perguntou para onde eu ia. Ibarra, disse eu, mas hoje vou dormir em Cayambe. Nõs Vamos para Ibarra, disse-me ele. Quer aproveitar a carona? Vamos, disse-lhe eu! Colocamos a Tanajura em cima da carroceria, seitei-me ao lado e segureia para mantê-la em pé. O problema era que o motorista estava com muita pressa e na primeira curva, tive dificuldade de mantê-la em pé. Na seguinte curva para o outro lado, piorou. O jeito foi deitar a bicicleta em cima do meu joelho. Mas isto também não resultou por muito tempo. A posição era incômoda. Tirei a proteção do banco e usei como protetor da carenagem. Assim pude deitar a Tanajura no assoalho do carro sem danificar a carenagem. Seguimos numa velocidade meio alucinada, forçadas, ora pela esquerda, ora pela direita, pelo acostamento. Uma vez quase pegamos um carro de frente. O resto da viagem foi “normal”.
Ao chegarmos em San Antonio de Ibarra eu soube porque o Goura Vira estava com tanta pressa. Ele deveria ter chegado a Ibarra as 10 horas da manhã, mas devido a alguns contra-tempos estava chegando as 15 horas. O mais interessante deste encontro foi que o Goura atribuiu o atraso a Crhistnas que fez com que nos encontrássemos. Deu-me vinte dólares para colaborar com a viagem e pediu uma bênçao. Fiz-lhe uma imposição de mãos e me emocionei ao olhar os olhos deles rasos de lágrimas que rolavam pela face. Foi um encontro interessante.
Ao chegar a casa do Daniel fui muito bem recebido, não só por ele como também por toda a família: o irmão Eduardo, a irmã Fanny, a mamãe Mayra e o papai Carlo que tem 67 anos e ainda está na ativa como professor. Fizemos logo amizade e em seguida o acompanhei de carro, junto com a Mayra até a feira livre em Ibarra para comprar frutas e legumes.
Depois do jantar mais uma surpresa agradável. A família é católica praticante e tem o costume de rezar o terço em família do qual participei com muito orgulho. É coisa rara, nos dias de hoje, encontrar uma família que viva unida na oração como eles vivem. Valeu a pena tê-los conhecido.
25/07/2009 - EQUADOR San Antonio de Ibarra – San Gabriel 65,14 km em 4h52min Total pedalado até hoje: 4.469 km Horas pedaladas = 338
Para dizer bem a verdade eu estava com vontade de passar o final de semana em San Antonio de Ibarra, mas depois penssei bem e achei melhor seguir adiante para entrar na Colômbia. Teria ainda muita coisa para ver no Equador, mas como não se pode fazer tudo, o melhor é continuar o meu projeto. Deixei a casa do Gabriel ás 6h15min pois sabia que tinha uma longa subida pela frente. Na verdade foi mais fácil do que eu pensava, mas mesmo assim, foram dez quilômetros continuados de caminhada até chegar quase ao topo da montanha onde um carro estava parado à minha espera.
A caminhonete tinha passado por mim algumas curvas atras. Eu tinha parado para beber algo e demorei um pouco. Quando vi o carro parado com as luzes de alerta acesas imaginei que seria para mim. Fiz de conta que ia seguir adiante, mas o motorista veio em minha direção para conversar. Disse que ia me levar até o topo da montanha que estava a meia hora dali. Aceitei o convite e resultou que a carona foi de 30 km até bem perto de San gabriel que está a 30 km da fronteira.
Desci do carro e parei alguns metros adiante para merendar. Encontei a bicicleta e o Sr. Noé, de 62 anos veio conversar comigo. Ofereci-lhe uma bolacha e quando peguei a garrafa de refrigerante para tomar, ele disse para esperar que ele ia buscar um yogurt para mim. Cconversamos bastante e quando perguntei quanto custava o yogur ele disse que não era nada, era pela bolacha que eu tinha oferecido a ele. Este gesto me fez pensar um pouco.
Aantes, no meio da subida, encontrei um ciclista com uma bicicleta de corrida que tinha passado por mim alguns km abaixo. Já tnha ido até o povoado e voltava com uma garrafa de refrigerante na mão. Quando ele me ofereceu a bebida eu agradeci pois tinha acabado de merendar alguns minutos antes. Ele disse, toma, eu comprei para ti. Aceitei o presente. Era um ciclista de meia idade e estrava se preparnado nas montanhas para a próxima prova. Estar na tercderia idade até que tem suas vantagens.
Em san Gabriel procurei os Bombeiros. A sede fica um pouco fora da cidade. O bombeiro que me recebeu olhou no relógio e disse que eu deveria seguir adiante até Tulcan que está a apenas 42 km San Gabriel. Expliquei-lhe que com esta bicicleta eu não ia conseguir chegar de dia. Teria que enfrentar várias subidas e não consigo pedalar com ela. Outro bombeiro de patente superior disse que eu podia ficar. Quando o bombeiro viu a Tanajura se convenceu de que eu falava a verdade. Eles não têm cama mas me ofereceram um sofá-cama e um chuveiro quente para um merecido banho. Aproveitei para lavar a roupa e preparar o almoço na cozinha.
26/07/2009 - EQUADOR San Gabriel -Tulcan 43,75 km em 4h05min Total pedalado até hoje: 4.513 km Horas pedaladas = 342
Na hora de preparar o almoço eu quis usar da imaginação e preparei uma sopa diferente. Arroz com tempero e duas colheres de “maca” um preparado peruano que serve para repor as energias. Pode-se tomar com leite ou com suco. Eu quis inovar e resultou uma sopa deliciosa. O problema foi durante a noite. Deitei cedo, 20h30min e adormeci logo. O meu estômago começou a produzir um turbilhão de gases inodoro. Parecia festa de fim de ano. A meia noite fui ao banheiro e só então voltei ao normal. Pensei que eu ia explodir.
Na hora do jantar os bombeiros me serviram um delicioso prato de sopa. Será que foi esta sopa que produziu os gazes? Pelo sim e pelo não vou continuar a tomar a maca com leite ou suco.
Aetapa de 42 km foi como eu pensava. Difícil. Muitas subidas sendo que a última tinha mais de cinco quilômetros continuados. Com todas as paradas que fiz levei quase seis horas para chegar aos bombeiros de Tulcan que fica no outro lado da cidade. Tulcan está a sete quilômetros da frontaeira com a Colômbia.
Fui muito bem recebido pelos bombeiros e, coisa rara, recebi um quarto com uma linda cama. E como se eu estivesse num hotel. Faltava duzentos metros para chegar aos bombeiros quando um carro parou e desceu a família inteira para me comprimentar. O Sr. Juan Carlos me fez uma oferta de vinte dólares para ajudar na viagem. É a segunda oferta esta semana. Se esta moda pega, estou feito. Enquanto estávamos conversando chegou outro cicloturista coreano que tambaém está fazendo a volga ao mundo. Iniciou nos Estados Unidos e está indo para o sul. Está hospedado num hostal aqui perto. Deu-me umas dicas importantes sobre a travesia de navio da Colômbia para o Panamá pelo Pacífico.
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06/07/2009 - EQUADOR Chunchi - Guamote 58, 89 km em 5h25min Total pedalado até hoje: 4.089 km Horas pedaladas = 307
O relógio despertou às 5h15min, mas eu só me levantei às 5h25min. Mesmo assim, consegui sair às 6h20min para dar início a mais uma jornada difícil. Eu sabia que era paulera, mas o grau de dificuldade foi ainda maior. No Equador as subidas são mais pesadas do que no Peru. Consegui subir pedalando os primeiros quilômetros de subida, mas depois o jeito foi voltar ao velho e conhecido hábito de empurrar a Tanajura. É bem mais confortável. Gastei a manhã inteira para fazer 30 km. Durante a caminhada cheguei a pensar: Por que tanta dificuldade em subir as montanhas. Não seria mais fácil deixar a bicicleta e viajar como mochileiro, de carona? Mas quando chego ao cume da montanha e contemplo as maravilhas da natureza criadas por Deus e embelezadas pelas mãos dos homens, então todo o cansaço se vai embora e brota espontâneo do peito um hino de louvor a Deus tão bonito que às vezes eu até me surpreendo. E por isso que vale a pena continuar. Sinceramente penso em todos vocês que me acompanham e que lêem estas linhas e vêem as fotos e gostaria de tê-los a todos aqui comigo. Que bom seria se todos tivessem a oportunidade de um dia poder viajar sem compromisso pelo mundo. Descobrir novos povos, novas culturas, novas comidas, novas paisagens, em fim, descobrir o mundo na sua diversidade e grandeza. Depois de contemplar uma das paisagens mais bonitas de toda a viagem pelo Equador, no topo da montanha, iniciei uma linda descida daquelas que só existem nos Andes. Mas, como alegria de pobre dura pouco, ao chegar a Alausi a festa acabou e iniciou uma das mais difíceis subidas. Lá ia eu caminhando montanha acima, olhando de vez em quando para trás para ver o quanto já tinha subido. Já tinha caminhado mais de meia hora quando um carro da polícia passou por mim e parou. Dois policiais desceram do carro, um deles carregando uma enorme escopeta na mão, e vieram me cumprimentam. Depois de responder às costumeiras perguntas, um deles me perguntou se eu era obrigado a cumprir todo o trajeto pedalando para apresentar ao Guinnes Book, por exemplo. Disse-lhe que não. Sou dono do meu projeto e não tenho que dar satisfação a ninguém. Ele então se ofereceu a me levar até a parte alta da montanha. Aceitei. Colocamos a bicicleta na carroceria da caminhonete e eu fui ao lado dela, em pé para protegê-la. Foram 20 km da mais dura subida que já vi. O que fizemos em meia hora eu teria levado mais de quatro horas. Dei graças a Deus por este “empurraozinho”. O meu lema é assim: Carona? Nunca pedir e jamais recusar. Eles me deixaram no planalto e seguiram a sua viagem Faltavam poucos quilômetros para chegar a Guamote quando um carro parou no acostamento e fez sinal para eu parar também. Era o Efrén e mais cinco pessoas, sendo duas crianças. Queriam tirar fotos comigo. Tinham me encontrado na parte da manhã e estavam admirados ao ver o quanto eu tinha pedalado. É claro que não falei que tive uma ajudinha. Todos tiraram foto em cima da Tanajura e ao lado do ciclista mais famoso do momento. Duas delas moram na Espanha e vão me passar o contato para conhecermos a casa dela no próximo ano em Bilbao. O Efrem me deu um cartão e quer encontrar-se comigo em Quito. Ao chegar a Guamote hospedei-me nos Bombeiros. Em conversa com um deles soube que os meus amigos alemães, Mathias e Petra tinham acabado de assar por aqui em direção a centro da cidade. Fui procurá-los e os encontrei no hotel. A Petra estava meio morta na cama e o Mathias com aquela cara de cansado que dava pena. Eles tinham pernoitado em Alauci e subiram os 20 km de montanha pedalando. O Mathias disse que os músculos da cocha estavam bastante doloridos. A bicicleta dele está bem mais pesada do que a minha. Por isso eu me pergunto: será que vale mesmo a pena subir sempre pedalando? Eles pedalaram 40 km e estão exaustos. Eu pedalei 60 e estou inteiro como se não tivesse pedalado nada. Duas coisas devem ser levadas em consideração. Primeiro eu não forço as pernas nas subidas. O velocímetro chegou a 7 km/h eu desço da bicicleta e caminho a 5,5 km/h. A diferença é muito pequena para me sacrificar. Segundo eu tenho o conforto do assento com encosto para a coluna que faz muita diferença. A posição das pernas também ajuda na circulação sanguinea, sem falar que eu não tenho nenhum peso nos músculos como acontece nas bicicletas normais onde 30% do peso do corpo recaem sobre os punhos. Bem, era só para dizer que apesar de ser mais difícil de conduzir, a Tanajura tem lá suas vantagens.
07/07/2009 - EQUADOR Guamote - Riobamba 53, 30 km em 5h25min Total pedalado até hoje: 4.142 km Horas pedaladas = 311
Iniciei a pedalada às 8 horas e fui vencendo as montanhas uma a uma. Já para aquecer os músculos, ao sair da cidade iniciou uma grande subida, daquelas que não se sabe nunca onde vai terminar. Já passava do meio-dia quando o Mathias e a Petra me alcançaram. Pedalamos juntos ao redor de uma lagoa e visitamos a primeira igreja do Equador, construída em 1535. Mais adiante encontramos um casal de jovens húngaros que tinham iniciado a viagem em Bogotá, Colômbia há 12 dias. Pretendem chegar ao Rio de Janeiro em 70 dias. É claro que uma viagem assim é somente uma travessia sem oportunidade de conhecer quase nada de interessante durante o percurso. Mas como cada um faz como quer, faço votos que eles consigam realizar o seu sonho. Os últimos 10 km até Riobamba foram somente de descida. Como é bom deixar a bicicleta deslizar morro abaixo... Em Riobamba nos separamos outra vez. Os dois alemães foram para o hotel e eu fui para os Bombeiros. Cheguei na corporação às 14 horas. O bombeiro que me recebeu disse que o chefe tinha ido a Alausi buscar uns materiais que tinham chegado dos USA e que ia chegar entre as 14 e 14h30min. Se eu quisesse espera podia colocar a bicicleta ara dentro. Disse que outras pessoas já tinham se hospedado ali e que não haveria problema. Resolvi esperar. O tempo passava. Uma hora, duas três, quatro e eu a espera. Não podia sair porque o chefe poderia chegar e era preciso falar com ele para conseguir o pernoite. Como não havia lugar para sentar, tive que esperar em pé mesmo como faziam os demais bombeiros. Finalmente, às 18h05min o chefe chegou. Atendeu-me muito bem. Disse que me viu em Alausi de manhã. Deu ordem a um bombeiro para que me mostrasse a cama onde eu ia dormir. O bombeiro me fez esperar mais quinze minutos antes de me mostrar o lugar onde eu ia passar a noite. Aproveitei do fogão para preparar um bom jantar. A final valeu a pena esperar.
08/07/2009 - EQUADOR Riobamba - Ambato 59, 25 km em 5h32min Total pedalado até hoje: 4.201 km Horas pedaladas = 317
O bom de uma viagem como esta é que o roteiro é muito flexível. Eu queria ficar dois dias em Riobamba para subir ao Chimborazo, a montanha mais alta do Equador com 6.500 metros de altitude. Acontece, porém que o tempo está fechado, com chuvisco e não é possível ver a montanha. Resolvi então mudar de roteiro e seguir para Banhos, um lugar turístico com águas termas. Na hora da partida um bombeiro me informou que a estrada estava interditada por causa do vulcão e dos deslizamentos Era necessário seguir em direção a Ambato e depois baixar para Banhos. Desisti de Banhos e segui para Ambato. Iniciei já no centro da cidade uma pequena subida de 27 quilômetros continuados, sempre empurrando a Tanajura. Quase sete horas para vencer esta distância. Mas, como sempre, depois da tempestade vem a bonança. Iniciei mais uma das loucas descidas que faz a gente esquecer todo o esforço feito para chegar ao topo da montanha. Mais algumas subidas e finalmente a grande descida até o centro da cidade. Ao entrar na cidade, parei ao lado de um telefone para ligar para o Gabriel Díaz, meu hospedeiro do Couchesurfing. Procurei pelo número do telefone e não encontrei a anotação. Baixei mais um pouco e encontrei um acesso a Internet. Passei o cadeado na Tanajura e fui abrir o correio para copiara o número do telefone. Telefonei para o Gabriel e marcamos encontro num parque no centro da ciddade. Fui recebido pelo Gabriel e me hospedei na sede da ONG Ambato Joven. Às 18h45min chegaram a jornalista e o fotógrafo do jornal La Hora para gravar uma entrevista. No dia seguinte, me encontrei na frente da catedral com o fotografo para fazer algumas fotos com a Tanajura. A matéria deveria ter saído no domingo, mas não saiu. Na sexta-feira, dia 10 eu viajei com o Gabriel para Baños, uma cidade turística com águas termas, vulcão e várias cascatas. A ONG Ambato Joven, da qual o Gabriel faz parte, promoveu um encontro de três dias com jovens de várias províncias. Como eu queria conhecer Baños aproveitei da oportunidade. A princípio eu ia ficar num Hostal a parte e voltaria com ele no domingo. Eles tinham reservado 60 lugares no Hotel com pensão completa e já estava tudo pago. Como sempre faltam alguns jovens o Gabriel me convidou para dormir no hotel. As refeições eu faria fora, mas ao receber o quarto fui informado que poderia participar também das refeições. Aí fechou. Eu estava com a vida que pedi a Deus: cama, comida e água fresca. Na noite do primeiro dia fiz uma palestra para os jovens. Projetei as imagens das viagens realizadas pelos nove países e comentei alguma coisa sobre o Projeto Pedalando pela Paz. Embora o tempo tenha sido curto, foi suficiente para criar um impacto nos jovens. Virei centro de atração. A maioria deles quis tirar foto comigo. Um jovem de Riobamba gravou uma entrevista para publicar no Periódico Juvenil Once Grados. Os três dias que passei em Baños foi muito interessante. No primeiro dia, a tarde, tomei banho na piscina de águas termas. No segundo dia, sábado, fiz duas trilhas para chegar a dois “miradores” do vulcão Tungurahua. A primeira trilha de uma hora foi relativamente fácil, mas a segunda foi bastante complicada. Subi mais de 800 metros para chegar ao segundo mirante. Mas valeu a pena, pois a paisagem era encantadora. Depois do almoço, que terminou às 15 horas, fiz outra caminhada até as cachoeiras. Desta vez foi pouco mais de seis quilômetros ladeira abaixo até chegar à boca do túnel onde se encontra uma linda cachoeira. A volta foi de ônibus. No domingo aproveitei para descansar. Missa na parte da manhã, acesso a Internet e a tarde passeio leve. Também porque estava com os músculos das cochas um pouco dolorido devido ao muito esforço do dia anterior. Cheguei de novo em Ambato às 20h30min. A passagem de ônibus no Equador é extremamente barata. Em todo o país, a passagem urbana custa $ 0,25, vinte e cinco centavos de dólar. Em Joinville custa mais de um dólar. O idoso aqui paga meia passagem. A passagem de Ambato a Baños = 50 km, custa $ 0,80, oitenta centavos de dólar. Fiquei até com pena de pagar meia passagem. Mas como tenho o direito, aproveito para economizar. O táxi na cidade custa $ 1,00 um dólar. Eles não usam taxímetro. Porque será que no nosso país as passagens de ônibus e táxi são tão caras e ninguém reclama? Por que será que a gasolina brasileira é vendida nos países vizinhos pela metade do preço? A comida aqui também é muito barata. Um almoço, prato do dia, que aqui chamam de Menu, varia de um a dois dólares. E isto porque o país está “dolarizado” e os preços triplicaram em relação ao que era no tempo do Sucre que deixou de existir em 2003 porque eles não conseguiam mais controlar a inflação.
13/07/2009 - EQUADOR Ambato - Lasso 62, 66 km em 5h05min Total pedalado até hoje: 4.264 km Horas pedaladas = 322
Depois de cinco dias de descanso era hora de pedalar outra vez. Os músculos das coxas apresentavam um pequeno desconforto quando eu tinha que caminhar. Durante a pedalada não sentia nada. Pedalar numa bicicleta reclinada é bem diferente de pedalar numa bicicleta normal. É bem mais confortável, embora pareça o contrário. Tive que dividir os 120 km ao meio porque na próxima etapa é preciso subir a montanha outra vez com várias horas de caminhada. O Gabriel tinha falado sobre um camping que existia ao chegar perto da subida da montanha. Não anotei o nome do lugar e ao chegar ao lugar onde deveria estar o camping ninguém o conhecia. Havia sim uma “hosteria” que também oferecia o serviço de camping. O lugar era bonito com um gramado bem cuidado, mas nada de especial. Perguntei pelo preço para acampar e quase caí de costas. Quinze dólares mais 22% de imposto = $ 18,30 para armar a barraca. Agradeci e segui adiante. Em Lasso encontrei o Hosteling Inernational por apenas sete dólares. Fiquei numa cabana com TV e com direito de usar a cozinha. Como ainda era cedo, 14 horas, aproveitei para lavar a roupa pois o sol estava forte e havia um vento que ajudou a secar a roupa. Banho, merenda e fui comprar alguma coisa para o jantar e aproveitei para acessar a Internet. Precisava saber o endereço da Andréa em Quito. Ela me sugeriu que primeiro eu fosse a Tumbaco na casa do ciclista Santiago Lara, onde vou poder fazer uma revisão da Tanajura e depois ir para a casa dela que fica no centro de Quito..
14/07/2009 - EQUADOR Lasso - Tumbaco 96,45 km em 6h36min Total pedalado até hoje: 4.361 km Horas pedaladas = 328
Eu pensava que a viagem para Quito ia ser muito difícil por causa das subidas, mas para minha alegria, foram apenas cinco quilômetros de subida empurrando a Tanajura, seguidos de vinte e cinco quilômetros só de descida. Que maravilha. Seguiram-se alguns quilômetros de subidas e descidas normais. Eu deveria seguir pela marginal até Quito e depois baixar quinze quilômetros até Tumbaco. Faltavam pouco mais de 10 km para chegar ao lugar onde eu deveria desviar para a direita e iniciar a baixada. Antes havia uma subida forte de 4 km pela frente. Parei num posto de gasolina para pedir informação e o frentista me disse que logo a frente estava a estrada para Tumbaco. Ao entrar na estrada parei numa parada de ônibus e pedi informação e me confirmaram que era só seguir adiante. Eu imaginava que ia começar uma grande baixada, mas ao contrário iniciava uma grande subida. Deve ser só no começo, pensei. Terminou a primeira subida e veio uma baixada seguida de outra subida e mais outra e mais outra e quanto mais eu seguia em frente mais subidas apareciam. Depois de quase uma hora de viagem perguntei a um jovem se Tumbaco ainda estava longe e ele me disse que ia demorar uma hora de bicicleta e que ainda tinha algumas subidas pela frente. Quase não acreditei, pois pensava que já estava chegando ao destino. Daí para frente as subidas continuaram cada vez mais fortes. Ao invés de uma demorei duas horas e meia. Finalmente cheguei a uma estrada principal e desfrutei de sete quilômetros de descida, seguido demais um quilômetro de subida até chegar a Tumbaco. Já estava quase no centro e parei num posto de gasolina. Um carro encostou perto de mim e o motorista perguntou se eu precisava de alguma coisa. Falei que precisava encontrar a casa do ciclista. Ele perguntou se eu tinha o número do telefone. Passei o número do telefone e ele ligou para a casa do Santiago Lara. Alguns minutos depois apareceu um ciclista, o Luis para me acompanhar até a casa do Santiago. Enquanto esperávamos o motorista me disse que já tinha me fotografado antes e queria tirar mais algumas fotos minha. A casa do ciclista é uma casa normal. O Santiago é mecânico de bicicleta e só trabalha com bicicleta de marca. Ele tem 44 anos e ainda é corredor profissional. É casado com Ana Luzia e tem duas filhas, uma de treze e outra de 17 anos. Fui acolhido em grande estilo como se eu já fosse da família. Mais tarde conheci a Ana Luzia e a irmã dela, a Sra. Carmen.
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Tumbes - Pasaje 115.37 km em 7h02min Total pedalado até hoje: 3.692 km Horas pedaladas = 276
Passei dois dias excelentes em Tumbes, nos Bombeiros com um tratamento VIP. O importante para mim é ser tratado bem sem que eles saibam quem eu sou. Qualquer pessoa deve ser bem tratada independente do título que ela tem. É claro que as pessoas conhecem a gente pelo modo de agir e falar. Alguém me disse, no nordeste brasileiro, que para viajar de bicicleta é preciso ter muito estudo porque é preciso conhecer o mapa. Também no Peru e aqui no Equador notei que as pessoas se admiram como eu conheço todas as distâncias pelo mapa. As pessoas não conhecem as distâncias em quilômetros e sim em minutos ou horas de carro. Também não têm noção de subidas. Mas isto acontece também no Brasil. Você só pode confiar na informação de outro cicloturista. De posse da minha capa de chuva de cor vermelha com o emblema dos Bombeiros de Tumbes colocada em baixo da carenagem, iniciei a viajem rumo ao Equador. Confesso que eu estava um pouco ansioso para conhecer mais um país. Tinha que enfrentar mais um lugar perigoso antes de deixar o Peru. Disseram-me que Zarumilla é uma cidade perigosa por causa do trêfego de drogas. Fica a apenas 5 km de Águas Verdes que está na fronteira com o Equador. Ao chegar à entrada da cidade respirei aliviado, pois vi que havia uma estrada nova passando por fora da cidade. Um cartaz dizia: estrada em construção. Fiquei meio em dúvida, mas resolvi seguir adiante. Eu viajava sozinho. Meio estranho. Cheguei à ponte internacional e vi que ainda faltam uns 100 metros para construir. Passei pelo desvio, subi a ponte e li o letreiro: “Bienvenido a Ecuador”. Mais adiante outra informação sobre a dupla aduana. Beleza. Cheguei ao lugar da emigração e vi que os edifícios ainda estão sendo construídos. Pedi informação e me disseram que eu devia seguir adiante e virar à esquerda. A uns 500 metros estava a carretera bem movimentada. Virei à esquerda, passei pela emigração equatoriana e segui adiante em direção ao Peru para poder carimbar o visto de saída no passaporte. Atravessei a cidade de Huaquillas e, para minha surpresa, vi que ela se confundia com Águas Verdes. No centro da cidade uma faixa dava as boas vindas ao Peru e outra agradecia a visita ao Equador. Para complicar ainda mais a situação estavam armando uma feira livre no meio da rua no lado peruano. Depois de atravessar a cidade segui adiante até perto de Zarumilla. No total voltei 8 quilômetros. Carimbei o passaporte e fui trocar os últimos 30 soles por dólares que é a moeda usada no Equador. O cambista queria 3,5 soles por5 um dólar. Eu tinha cambiado em Piura por 3 soles. Achei desaforo e não cambiei, pois eu ainda precisava comprar algumas coisas.
Na volta para Águas Verdes, ao chegar perto do centro onde estava a feira livre, segui o fluxo dos carros indo para a direita. Um guarda me parou e me fez voltar para seguir pelo centro. Disse que ali era muito perigoso. Voltei e bem no centro parei para comprar frutas. De repente me vi rodeado por uns 20 curiosos. A senhora que me vendeu as frutas me disse para não cambiara os soles na rua porque iam me dar dólares falsos. Deveria voltar ao banco. Desisti. Ainda sobravam 25 soles. Saí da confusão e entrei em Huaquillas no Equador. Respirei aliviado. Parei para tomar um sorvete mas recebi o troco em soles. Comprei alguns “alfajores” e ainda sobraram 20 soles. Estava difícil me desfazer dos soles. Finalmente encontrei um lugar onde pude comprar tudo o que eu precisava. Só que o câmbio foi a 4 soles por um dólar. Foi bom para eu aprender.
Às 14 horas encontrei um cicloturista argentino que eu já conhecia pelo site na Internet. www.jameboi.com.ar O Damián está pedalando do Alasca ao Ushuaia em três anos. Foi um encontro muito agradável. Pena que viajamos em direção oposta.
Como eu estava bem disposto pedalei um pouco mais e cheguei a Pasaje onde encontrei apoio nos Bombeiros. Se esta moda pega... Cheguei a uma encruzilhada. Seguindo adiante, para a esquerda, pela planície vou chegar a Guayaquil, a maior cidade do Equador. São 190 km. Se eu for para direita, subindo a montanha, vou chegar a Cuenca, uma linda cidade a pouco mais de 100 km. Vou seguir para Gguayaquil e lá eu decido se volto para Cuenca de ônibus para continuar pela montanha ou se vou seguir pela planície enfrentando o calor.
23/06/2009 - EQUADOR Pasaje - Naranjal 86.22 km em 5h25min Total pedalado até hoje: 3.779 km Horas pedaladas = 282
O alojamento nos Bombeiros foi bom. Não havia cama, mas em compensação eu dormi sozinho numa sala. O problema foi o cachorro do vizinho que latiu a noite inteira. Pela manhã eu estava meio preguiçoso para levantar e por isso iniciei a viagem às 7h30min. Nestes últimos dois dias, desde que entrei no Equador a paisagem mudou. Voltei a ver o verde da floresta. Depois de uns vinte quilômetros entrei na zona de plantação de banana. Uma coisa fora do comum. Mais de 100 km pedalando no meio do bananal nos dois lados da estrada. Passei por vários povoados, mas o bananal continuava logo a seguir. A viagem foi tranquila, quase sempre na planície e pouco vento. Foi mais curta do que eu pensava e por isso cheguei Naranjal às 14 horas. Por curiosidade perguntei se havia Bombeiros na cidade e a resposta foi positiva. Fui muito bem recebido pelo Sr Felix, um bombeiro veterano. O bom da Corporação dos Bombeiros Voluntários é que você fica muito à vontade como se estivesse na própria casa. O trabalho que esse pessoal realiza é extraordinário. Não recebem nenhum apoio financeiro, nem sequer a comida. Cada um tem que se virar. Mas são muito solidários.
O Equador é diferente do Peru. Já é um país mais desenvolvido e a cultura é bem diferente. O único problema é que o país foi “dolarizado” em 2003, ou seja, eles usam o dólar americano como moeda. Com essa troca tudo ficou mais caro. O salário base é de $221,00, mas as coisas são quase três vezes mais caras do que no Peru. Enquanto eu conseguir alojamento grátis não vai haver problemas, pois sobra mais para a comida.
24/06/2009 - EQUADOR Naranjal -Guayaquil 103.62 km em 6h47min Total pedalado até hoje: 3.882 km Horas pedaladas = 288
Ë impressionante como a intuição funciona. Eu tinha um contato confirmado através do Warmshowers, para passar alguns dias na casa de um amigo. Ele tinha pedido para eu confirmar a data da chegada uns 2 ou 3 dias antes porque ele viaja muito. Fiquei de confirmar a data quando chegasse a Tumbes. Assim o fiz no domingo confirmando a chegada para o dia 24. Como não acessei a Internet nos últimos 3 dias, fiquei sem saber se ele tinha me passado o endereço da casa. Eu tinha o nome da rua, mas faltava o número da casa. Vim na incerteza e a intuição me dizia que alguma coisa ira dar errado. Cheguei a Guayaquil às 14 horas e procurei uma cabine telefônica. A secretária atendeu ao telefone e disse que o patrão estava ocupado e não podia me atender. Era para eu ligar mais tarde. Pedi o número da casa, mas ela se negou a me dar o número. Na hora de pagar, a moça me cobrou um dólar pela ligação. Achei um pouco exorbitante, mas como não conhecia o preço no Equador, paguei. À noite, numa cabine no centro, fui saber que uma ligação local custa sete centavos de dólar.
Restavam-me mais duas alternativas: os Bombeiros ou os Salesianos. Depois de receber as informações de um guarda resolvi visitar os salesianos que estavam mais perto. Se não desse certo iria para os bombeiros. Pedalei alguns metros e um taxista me fez parar. O motorista e outro senhor desceram do carro e vieram conversar comigo. Ficaram encantados com a minha história. Ajuntou-se mais gente ao meu redor e todos queriam me ajudar. O taxista disse para segui-lo que ele me levaria até à rua onde morava o meu amigo coreano. Mais um carro parou e o motorista desceu do carro e me mostrou o crachá pendurado no pescoço. Era um repórter do Canal UNO da TV do Equador. Disse que o endereço que eu procurava ficava ao lado dos estúdios da TV. É claro que eu não ia perder a oportunidade de fazer uma reportagem na TV. Segui o carro e depois de uns 3 km cheguei ao pátio da TV. Fizemos ali fora mesmo a reportagem e gravamos algumas cenas na Tanajura. No final o repórter telefonou para o meu amigo e de novo a secretária disse que o patrão estava em reunião. Era para ligar mais tarde. Meia hora mais tarde eu telefonei e ela disse que o patrão tinha saído e ela não sabia a que horas ele ia voltar. Como eu estava bastante longe dos salesianos, resolvi tentar os bombeiros. Um bombeiro que também era “câmara man” telefonou para falar com o comandante. Enquanto telefonava afastou-se de mim. Quando procurei por ele, tinha sumido. Esperei mais meia hora e soube que ele tinha saído. O repórter que tinha feito a matéria apareceu e me indicou o endereço dos bombeiros beneméritos no centro da cidade. Um senhor que ouviu a conversa me disse para eu ir a outra corporação que ficava ali no bairro. Era bem mais perto. Duvidei um pouco, mas resolvi ir para o centro. Decisão errada. De novo a intuição de que não iria dar certo. Cheguei aos bombeiros às 17 horas. Realmente era uma corporação de beneméritos. O comandante não estava e ninguém sabia a que horas ele ia chegar. Passaram-se 40 minutos e o jeito era ir embora. O guarda mandou eu esperar mais um pouco que ele tinha telefonado para a chefa. Mais 15 minutos de espera. Às 18 horas veio a resposta: negativa. Vocês pensam que a vida de cicloturista pobre é fácil? É dureza. Enquanto eu esperava juntaram-se vários curiosos. Eu ouvia todos os tipos de comentários e muitos não acreditavam que eu tinha vindo de bicicleta desde o Brasil. Para eles parecia algo impossível. Alguns jovens queriam me levar para a Prefeitrura e diziam que o Prefeito ia pagar o hotel para mim e ia me dar comida. Lembrei-me então da Prefeitura de Joinville onde, depois de dois meses de espera não consegui nem sequer um centavo de apoio. Já estava ficando tarde e optei por procurar um hotel. Um senhor me acompanhou e passamos em 6 hotéis antes de achar um para mim. Os primeiros quarto custavam sete dólares, mas o quarto ficava no 3 ou 4 andar. O quinto custava 25 dólares. Finalmente encontrei um sem escadas. A recepcionista disse que a bicicleta não cabia no quarto, mas que no outro lado da rua havia uma garagem. Levei a bicicleta até a garagem. Ia pagar um dólar pelo pernoite da bicicleta. Quando entrei no quarto vi que havia bastante espaço. Convenci a recepcionista e fui buscar a Tanajura para dormir comigo. O quarto custou sete dólares.
Resolvido o problema do alojamento, saí para jantar e acessar a Internet. Escrevi outra mensagem ao coreano falando que eu estava na cidade.
De manhã, a primeira coisa que fiz foi telefonar para o coreano. Desta vez consegui falar como ele. Disse que tinha respondido o meu e-mail explicando que nesta semana não podia me receber. Restavam-me duas alternativas: procurar os salesianos e se não desse certo partir para a rodoviária e viajar para Cuenca, que fica mais ao sul e de lá, pedalar pela cordilheira até Quito.
Pedalei até a zona sudoeste da cidade e encontrei apoio no Colégio Domingos Sávio para passar 4 dias com cama, comida e acesso à Internet. No Equador a Internet é três vezes mais cara que no Peru. Guayaquil é uma cidade moderna, bem estruturada, com mais de três milhões de habitantes. Como em toda cidade grande, os bairros de periferia são um pouco complicados, por isso é preciso um poço de atenção com os amigos do alheio. |