24/11/2009 Guatemala Mazatenango - Coatepeque 61,07 km em 4h37min Total pedalado até hoje: 7.750 km Horas pedaladas = 558
Ontem levei o meu tênis ao sapateiro pois os dois saltos já haviam desaparecido de tanto caminhar nas montanhas empurrando a Tanajura morro acima. Também tentei colocar um pé para manter a bicicleta em pé. O mecânico tirou as medidas mas depois desistiu dizendo que tinha um serviço urgente e que não ia conseguir terminar o serviço até o final da tarde. Paciência, vou continuar a encostar a Tanajura na parede como fiz até agora. Levantei cedo e dirigi-me em direção à fronteiro com o México. Foram apenas 61 km mas 16 foram de subida. Parei na cidade de Coatepeque a 30 km da fronteira. Dizem que daqui para lá é quase só baixada. Vamos ver. Apresentei-me aos Bombeiros municipal e também desta vez fui bem acolhido. Mal deu tempo de eu encostar a bicicleta e já apareceu o primeiro repórter para fazer uma matéria para a TV local. Durante a entrevista apareceu outro repórter. Gravei de novo. Ao terminar, veio mais um, desta vez da TV a cabo. Dois prometeram me trazer uma cópia hoje a noite. Vamos ver se tenho sorte. Aqui faz bastante calor pois estamos perto do Pacífico. É bom para me despedir pois logo vou entrar num inverno pesado. E assim termino a minha passagem por Guatemala, o último país da América Central. Que venha a América do Norte...
22/11/2009 Guatemala Siquinala - Mazatenango 76,14 km em 5h14min Total pedalado até hoje: 7.689 km Horas pedaladas = 554
Dormi bem, na estação de bombeiros que ficava ao lado de um engenho de produção de álcool e açúcar. Os caminhões entravam e saiam durante toda a noite. No começo me perturbava um pouco mais depois, como estava cansado, apaguei até as seis horas da manhã. Iniciei mais uma jornada com um sol forte que me acompanhou até o final. Estamos no hemisfério norte e eu pensava que aqui iria encontrar frio, mas me enganei. O verão iniciou agora no mês de novembro e vai até maio quando voltam outra vez as chuvas. São seis meses sem chover. Mas esta alegria não vai durar muito pois já vou entrar no México e daí para frente vou em direção aos Estados Unidos e lá faz muito frio. Mais uma vez tive uma acolhida excelente por parte dos bombeiros. Consegui até um quarto só para mim. A impressão que tenho é que já sou conhecido há muito tempo. É a magia da bicicleta, da barba e dos cabelos brancos sem dúvida. Normalmente eu descanso no domingo mas desta vez tive que viajar. Por isso passei o descanso para o dia seguinte, segunda-feira. Foi bom, pois os bombeiros viram a reportagem que tinha saído no jornal e chamaram a imprensa local. Apareceram quatro repórteres e em pouco mais de meia hora fui entrevistado quatro vezes. O povo da Guatemala me impressionou pela maneira como tratam as pessoas. São muito atenciosos e serviçais. Estão sempre querendo ajudar de alguma maneira. Às vezes fica até difícil imaginar como pode haver tanta violência no país. Como é possível tantas organizações criminais espalhadas por todo o país. Ouvi dizer que na capital há uma média de 22 assassinatos por dia. Nas pequenas cidades a vida é mais tranquila, mas mesmo assim é preciso ter cuidado.
21/11/2009 Guatemala Chiquimulilla - Siquinala 92,64 km em 5h48min Total pedalado até hoje: 7.612 km Horas pedaladas = 548
Esta etapa era bastante fácil pois as montanhas já tinham ficado para trás. Eu não queria chegar muito cedo nos bombeiros mas também não queria pedalar durante o sol quente do meio dia. Cheguei às 11h30min nos bombeiros da cidade de Escuintla. O chefe dos bombeiros me recebeu muito bem, mas como estavam fazendo atividades com as crianças, ele me pediu para esperar uma meia hora à sombra de um barracão do outro lado da estrada até que as crianças fossem embora. Até aí tudo bem, só que o tempo passava, já era quase treze horas e ainda havia criança brincando. Foi quando vi uma caminhonete de resgate de outra corporação que ficava a 30 km adiante sobre a mesma rota em que eu ia seguir. Falei com o motoristas e ele consultou o chefe que estava junto e disse que sim, eu podia passar a noite com eles. Montei de novo na Tanajura e segui adiante com a metade do percurso de descida e o restante de subida leve mas constante até chegar ao destino. Como sempre a minha bicicleta é a estrela e eu, pobre de mim, por onde passo só escuto HO, HO, HO, chegou Santa Claus. Quando eles provocam muito eu simplesmente os ignoro. Quando eu estava no Brasil e deixava a barba crescer eles também me incomodavam. Então eu ia ao barbeiro e resolvia logo o problema. Mas agora vou ter que esperar até 2013. Talvez eu tenha que fazer como alguém já sugeriu nos “Recadinhos” fazer trança ou amarrar a barba. O bombeiro conseguiu uma antena para mim e uma bandeira de Guatemala. Só falta conseguir a bandeira do Brasil. Acho que vou ter que apelar para um dos meus leitores generosos me enviar uma bandeira do Brasil para Puebla, no México. É só mandar uma mensagem para o meu e-mail que eu passo o endereço da residência da minha amiga.
20/11/2009 Guatemala Cuilapa - Chiquimulilla 29,36 km em 2h31min Total pedalado até hoje: 7.520 km Horas pedaladas = 542
O início da viagem estava marcada para seis horas da manhã, mas na véspera, depois do jantar, o chefe dos bombeiros lembrou-se de telefonar para os jornalistas para fazer uma matéria comigo. Marcamos então para as 8h30min. Como este pessoal nem sempre é pontual, eu já estava disposto a passar mais um dia na cidade para não perder a entrevista. Por sorte, eles foram pontuais. Via sair uma matéria na TV e outra no jornal que circula em todo o país. As reportagens são sempre vem-vindas, pois abrem muitas portas. Iniciei a viagem às 9h15min. A distância a ser percorrida era curta, apenas 40 km mas o grau de dificuldades era alto por causa das montanhas. Já passava do meio dia e eu só tinha feito 20 km. Ainda falta uma grande montanha para iniciar a descida. De repente, enquanto eu descansava parado na beira da estrada, no meio de uma grande subida, uma caminhonete passou por mim e parou mais adiante. Caminhei e ao chegar à caminhonete o motorista perguntou se eu queria uma carona. Embora faltasse apenas pouco mais de 20 km resolvi aceitar. E assim cheguei aos bombeiros pouco depois das treze horas. Mais uma vez fui muito bem recebido e desta vez, às 15 horas fui convidado para participar do almoço. Conversamos quase uma hora com a diretora da instituição. Foi muito interessante o nosso colóquio. Fiquei sabendo que por aqui já passaram vários aventureiros, todos em direção ao sul. Parece que somente eu é que vou para o norte. Os demais descem do Alasca, dos Estados Unidos, do Canadá ou do México. Muitos não passam do Panamá e alguns vão até o Ushuaia, a terra do fogo no fim do mundo. 18/11/2009 Guatemala Assuncion Mita - Cuilapa 86,03 km em 7h38min Total pedalado até hoje: 7.490 km Horas pedaladas = 540
A jornada começou cedo e prometia ser bastante difícil. Os primeiros onze quilômetros foram só de subida continuada. Uma vez em cima do planalto, pensei que seria mais fácil, mas foi ainda pior. Poucos trechos onde consegui pedalar e depois mais uma grande subida seguida de uma baixada do mesmo tamanho para recomeçar tudo de novo. Percorri os 86 km com a velocidade média de 11,26 km/h em 7h38min em cima e ao lado da bicicleta. No total foram 10h30min de viagem. Cheguei um pouco cansado em Cuilapa e parei para pedir informação sobre os bombeiros. A informação foi pedida a um jovem que estava na calçada, na frente de uma loja. O dono da loja me deu a informação e disse: - se tiver dificuldades nos bombeiros volta aqui que nós lhe apoiamos. Em seguida entrou na loja e chamou o pai para conhecer o ciclista. O Sr. Julio me cumprimentou e me convidou para ir para sua casa. Ofereceu-me cama, jantar e café da manhã. Era uma oferta irrecusável. Eu teria que voltar ali depois de uma hora, pois ele ia primeiro fechar a loja e depois iríamos para a sua casa. Fui então até os bombeiros e ali também fui recebido com festa. Decidi deixar a bicicleta ali, dormir na casa do Sr. Julio e no dia seguinte dormir nos bombeiros. E assim o fiz. Caminhei pelas ruas da cidade, visitei a igreja, o mercado e o supermercado e na hora marcada, 17h30min voltei à loja. Ali conversamos até as 19 horas quando a loja fechou. Na garupa de uma Honda dirigi-me para a casa do Sr. Julio para um banho e em seguida saímos a pé para o jantar. Como eu estava um pouco cansado, deitei cedo e dormi dez horas seguidas. O Sr. Julio César Urbizo Guzmán é o proprietário da Agència CUILAPA e é membro da “Fraternidad Internacional de Hombres de Negocios del Evangelio completo” e acolhe muitas pessoas em sua casa. Impressionou-me a amabilidade e a confiança que ele depositou em mim. Parece que a minha barbicha vai fazer sucesso mesmo. Depois do café, ele foi para a loja e eu fui aos bombeiros lavar a roupa e escrever o diário e na parte da tarde acessar a internet. Seguindo o conselho dos bombeiros de Asunción Mita, vou mudar o roteiro. Estou a 60 km capital Guatemala, mas não vou para lá, vou seguir pela rota do pacífico. A capital está muito perigosa e é melhor evitar. O ciclista Ian, canadense que encontrei na semana passada, estive lá e me disse que andava sempre com medo. Depois das dezessete horas já não se vê ninguém na rua. Por isso vou fazer outra rota par entrar no México.
17/11/2009 – El Salvador - Guatemala San Salvador – Assuncion Mita 80,74 km em 5h26min Total pedalado até hoje: 7.402 km Horas pedaladas = 532
Deixei San Salvador às 5h30min. Pelas informações que eu tinha, ia seguir uma rota muito fácil. Muitos quilômetros de descida. Pobre de mim. Depois de um km iniciou uma subida de 11 km continuados até chegar a Santa Tecla. Depois sim, foram 15 km de baixada. Mas como tudo o que é bom dura pouco, depois de um bom trecho de planície iniciaram de novo as subidas. Caminhei bastante. Ao chegar quase ao topo de uma delas, o motorista de um carro baú perguntou se eu tinha furado o pneu. Eu disse que não e continuei a caminhar. Ele encostou a meu lado e perguntou se eu queria uma carona. Eu não quis aceitar, mas ele insistiu. Quando abriram a porta do baú para eu por a bicicleta dentro, fiquei em dúvida. Eram três jovens. E se fossem bandidos que queriam me levar para algum lugar. O motorista, um jovem, disse que também era ciclista e que já tinha dado carona a outro cicloturista. Colocamos a bicicleta dentro do baú e quando eu percebi que eu teria que viajar ali dentro, gelei. Por sorte um dos jovens abriu a porta lateral e viajou comigo ajudando a segurar a bicicleta. Chegamos a Santa Ana onde eu queria passar a noite mas era muito cedo. Ele disse que ia até perto da fronteira. O jovem que viajava na cabina ficou ali e nós amarramos a bicicleta e passamos para a cabine. Agora sim já não havia mais temor. Chegamos ao povoado onde eles iam ficar. Baixamos a bicicleta. Eu tinha tirado a antena com as bandeiras. Lembro que segurei na mão mas na hora de baixar a bicicleta não me lembro onde a coloquei. Segui viagem, parei para merendar e só então me dei conta da falta das bandeiras. Voltei ao lugar onde tinha baixado do carro mas não a encontrei mais. Agora estou viajando sem as bandeirinhas. Esta carona me rendeu uns 40 km e me permitiu atravessar a fronteira. Entrei na Guatemala um dia antes do previsto. Logo depois da fronteira parei para comprar pão e soube que a 20 km havia dali havia uma guarnição de bombeiros. Beleza, já estava resolvido o problema do alojamento sem ter que vencer uma montanha de 9 km para chegar a próxima cidade. Ao chegar aos bombeiros, tive um pouco de dificuldades pois o ambiente está em construção. Primeiro me disseram que eu deveria voltar um km e buscar apoio na polícia. Depois um deles telefonou para o chefe e veio com a resposta. Você pode ficar aqui, disse ele, mas o chefe quer que você vá fazer uma conferência para o pessoal da prefeitura. Sem problema, disse eu. A palestra seria a noite, mas depois anteciparam para as 16 horas. Fui com a bicicleta e dei umas voltas com ela dentro do salão. Deram-me cinco minutos para expor o meu projeto. Foi muito interessante. Parece que a plateia pendia dos meus lábios. De volta aos bombeiros, conversamos bastante e fui paparicado com merenda e jantar e uma boa cama para dormir. |