Por sugestão de alguns amigos, a aprtir de agora o Diário vai no formato do Blog, ou seja, a última atualização vai no começo. Para ler corretamente deve-se debaixo para cima. 05/10/09 San José – Costa Rica
A hora da saída no sábado estava marcada para as 8 horas. Como eu tenho a mania de ser pontual em tudo o que faço, às 7h55min já estava à espera do carro. Depois de meia hora de espera voltei para o meu “AP”, liguei o computador e acessei a internet. Às 9h15 min apareceu o Francisco com mais um casal de mexicanos e a ex esposa. Seguimos para a casa do Sr Paco de 83 anos, pai do francisco, que também queria ir passear. Passamos um dia agradável e conheci lugares muito bonito com direito a almoço e jantar em lugares diferentes. O bom deste passeio foi que o casal de mexicanos me convidou para passar uns dias na casa deles em Vera Cruz, no México. Aconselharam-me a providenciar aqui os vistos para USA e México. Alterei os meus planos para tratar dos vistos. Estava pensando em ir para um hotel mas os Sr. Alfredo me propôs que eu deixasse a Tanajura no depósito, fizesse as minhas coisas e voltasse no final da tarde para ocupar de novo o meu cantinho. Achei a ideia genial e assim na segunda-feira acomodei a bicicleta e fui até a Embaixada Brasileira. Conversei com o Cônsul e ele me desaconselhou a tirar o visto aqui. Disse que além de ser muito caro, aqui os gringos cobram duzentos dólares pelo visto, é muito difícil de conseguir o visto. Aconselhou-me a tratar disto em Manágua – Nicarágua. Estava pronto para viajar no dia seguinte. Ao voltar ao acampamento às 16h30min o Sr Alfredo me avisou que viria um mecânico para fazer a revisão da bicicleta. O mecânico chegou às 18 horas e marcamos a revisão para o dia seguinte às 13 horas. E assim vou ficar mais um dia em São José aproveitando da hospitalidade da família do Sr. Alfredo. A verdade é que estou numa verdadeira mordomia. Pela manhã, ao me levantar já vem o café e à noite um deliciosa prato de comida. Também recebi do Sr. Conrad, o dono do estacionamento, dois pneus para a Tanajura. O Hans, filho do sr. Conrad veio me visitar ontem e me trouxe várias coisas e mais onze dólares. Até parece que as pessoas se sentem feliz em me ajudar. Deus seja louvado!
02/10/2009 – Costa Rica Lomas del Rio – San José 168,08km em 1h36min Total pedalado até hoje: 6.258 km Horas pedaladas = 462
Depois de dormir uma noite na casa do Manuel fui encontrar-me com o Maurício responsável da ONG ACI para acertar os detalhes do meu voluntariado. Marcamos para o dia seguinte uma entrevista com o Pe. Sérgio da Paróquia Cristo Rei num bairro pobre onde existe uma obra social muito bonita. Depois da entrevista eu já iria me alojar na casa de uma família que a ACI ia providenciar. Para minha surpresa o Pe. Sérgio não sabia de nada e pensava que eu era um padre que queria conhecer a obra. Quando se tratou do alojamento a coisa se complicou. Na Obra do Espírito Santo trabalham mais de 300 voluntários em muitos ministérios. Existe albergue para indigentes e alojamento somente para mulheres. Estava descartada qualquer possibilidade de eu me hospedar na obra. No dia seguinte, hoje, liguei para o Maurício e ele disse que conseguia alojamento numa casa de família mas eu teria que pagar $ 200,00 duzentos dólares por mês. Como até o momento eu estou fazendo a viagem com uma média de $ 150,00 dólares mensais, não teria sentido pagar duzentos para poder trabalhar. Com muita pena abandonei o projeto e vou continuar a minha viagem. Foi aí que apareceu outro problema. Eu tinha que deixar a casa, pois já tinha ficado duas noites conforme combinado e não sabia para onde ir. Às nove horas saímos de casa eu e o Manuel e nos dirigimos para São José. No caminho ele me levou em vários lugares para me apresentar a seus amigos. Finalmente chegamos a um bombeiro perto do centro. Mais uma vez a resposta foi negativa mas a moça me deu dois nomes e um telefone para entrar em contato com os bombeiros do centro. Antes de chegar ao centro atravessamos um parque muito bonito e fomos tentar a sorte no ginásio de esporte. Fomos bem atendidos e depois de esperar uns dez minutos veio a resposta negativa. Na saída do parque, enquanto eu esperava para atravessar uma avenida muito movimentada, encostou a meu lado um carro e o motorista viu a bandeira do Brasil e me perguntou se eu era brasileiro. Era o senhor Francisco que mora em Miami e me convidou para ir à sua casa em Miami. Respondi que eu ia fazer a rota pela Califórnia. Disse-lhe que eu estava procurando um lugar para passar a noite e ele disse que ia me apoiar. Passou-me o número do telefone e pediu para eu telefonar mais tarde. Agradeci-lhe e seguimos em frente para recolher dois pneus que o dono do Parqueo Público Império tinha me oferecido dias antes. Os pneus ainda não tinham chegado. Teria que voltar no dia seguinte. O Manuel que é amigo do Alfredo, o funcionário do estacionamento, tratou de arranjar um lugar para eu passar a noite ali. Liguei para o Francisco e ele me pediu para telefonar as 16 horas. O Manuel estava preocupado. Acertamos então que se eu não conseguisse nada com o Francisco iria dormir no estacionamento. Antes porém eu quis ir até a sedo do bombeiro central para mais uma tentativa. Lá chegando consegui que o bombeiro ligasse para o número que eu levava para falar com o chefe. De novo a resposta foi negativa apresentando desculpas esfarrapadas. Mostrei então o adesivo que os bombeiros de Perez Zeledon tinham colado na minha bicicleta. Ele ficou sem saber o que dizer e eu voltei para o estacionamento onde deixei a bicicleta e saí para almoçar. Na hora combinada liguei para o Francisco e ele pediu o endereço onde eu estava e disse que ia passar ali às 18h30min. Ele ia procurar um lugar seguro para eu acampar. Às 17h30min desabou um aguaceiro que entrou pela noite a dentro. A estas alturas eu já sabia que ia ter que me arrumar por ali mesmo. A dona Maria, esposa do sr. Alfredo que mora numa casa dentro do estacionamento me ofereceu um delicioso jantar. Em seguida levei a Tanajura para uma sala, ao lado de um banheiro e preparei a minha cama. Para minha alegria consegui acessar a internet. Às 19h30min chegou o Francisco acompanhado do pai de 93 anos que não queria que eu fosse para casa dele. Trouxe-me um sanduíche e combinamos fazer um passeio de carro no dia seguinte, sábado fora de São José.
30/09/2009 – Costa Rica Santa Ana – San José 28,86km em 2h32min Total pedalado até hoje: 6.242 km Horas pedaladas = 461
Viajei de San Isidro a São José de ônibus mas tive que pagar mais 2.000,00 colones (= $ 3,42 dólares) pela bicicleta. Durante a viagem choveu muito e em alguns lugares havia neblina forte. Dormi um pouco e em três horas de viagem já estava em São José. Telefonei para o Paulo e ele disse para me dirigir até o Parque La Sabana onde ele ia me apanhar. Assim o fiz. Ao chegar ao parque liguei outra vez para ele mas o orelhão estava com problema. Tive que procurar outro telefone. O lugar combinado era na frente de um restaurante. Enquanto eu esperava apareceram dois vigias para conversar. Começou a chover e levei a bicicleta para o saguão de entrada do restaurante. Um dos vigilantes, Sr. Leonel, perguntou se eu tinha almoçado. Eu disse que tinha comido alguma coisa durante a viagem. Ele meteu a mão no bolso, tirou 2.000,00 colones e me entregou para que eu fosse comer um “combo” de frango que era muito gostoso. Fiquei meio sem jeito, mas diante da insistência dele aceitei. Depois do almoço perguntei a ele porque tinha me oferecido o almoço. Ele disse que também gostava de bicicleta. Tirei uma foto dele ao lado da Tanajura e disse que ia colocar na Internet. O Leonel ficou todo contente e o companheiro dele também pediu para eu tirar um foto dele. Quando o Paulo chegou, colocamos a bicicleta dentro do carro e seguimos para a casa dele numa cidade pequena chamada Santa Ana. Fui bem recebido pela esposa dele, a Juliana e os dois filhos pequeno, Daniel e Bruna. No dia seguinte fui de ônibus a São José para uma reunião com o Maurício da ACI, uma ONG que trabalha com Intercâmbio Cultural e Voluntariado para jovens. Disse-me o Maurício que a idade dos jovens do projeto variam de 17 a 22 anos. Eu era uma pequena exceção de 65 anos. Mas este detalhe veio a meu favor, pois vai facilitar o alojamento em casa de família sem muita despesa. Marcamos o encontro com o padre que vai me apresentar o projeto para dois deis depois, na quinta-feira. Aproveitei para conhecer o centro de São José que me pareceu muto bonita. Ao chegar em casa recebi uma notícia não muito boa. O Paulo e a Juliana iam estar fora todo o dia até a noite e eu não podia mais ficar ali. Teria que me mudar no dia seguinte. A noite tentei fazer alguns contatos pela Internet mas já estava muito em cima da hora e não consegui nada. No dia seguinte saí de casa à 8h30min para mais uma via-sacra.
Mamãe Maria
Eu pedalava de Santa Ana para San José depois de ter recebido dois “nãos” da Cruz Vermelha e dos Bombeiros. Ia fazer a terceira tentativa na estação central dos bombeiros de São José. Já estava quase chegando ao centro da cidade quando um ciclista de nome Manuel Barrera se aproximou de mim dizendo que tinha visto a minha reportagem na televisão. Acompanhou-me até os bombeiros onde outra vez tive dificuldades pois o chefe estava em missão de resgate e eu teria que esperar umas três horas para falar com ele para saber se poderia me hospedar ali. O Manuel convidou-me então para hospedar-me na casa dele. Pedalamos oito quilômetros e chegamos na casa da mãe dele e fui apresentado à Dona Maria. Uma senhora de 79 anos, meiga e simpática. Quando a vi, senti algo dentro de mim e lhe disse:
Ao abraça-la me emocionei e as lágrimas rolaram pela minha face. Voltei a abraçá-la e ela também me abraçou e me afagou como uma mãe faz a seu filho. Com respeito beijei-a no rosto e tinha a sensação de que estava beijando minha mãe que já faleceu a 22 anos.
27/09/2009 – Costa Rica Buenos Aires – San Isidro 43,96km em 3h13min Total pedalado até hoje: 6.207 km Horas pedaladas = 458
Mais uma noite dormida na cama. De vez em quando é bom para a gente não perder o costume. Levantei cedo e às 6h15min já estava a espera do jovens que iam me acompanhar 10 km. Depois da pose para a foto iniciamos a viagem. Eram 17 jovens todos equipados a rigor que, depois de me acompanhar iam realizar um passeio de 20 km até umas termas vulcânica da vizinhança. Gostei de ver o entusiamo deles. Depois que nos despedimos aproveitei para descansar um pouco pois fiz todo o percurso pedalando nas subidas. O sol já estava forte e fazia bastante calor. Ao parar o suor corria em bica pelos meus braços e pernas. Eu já tinha chegado aos 30 km e caminhava numa subida. Um carro parou um pouco adiante. Imaginei que seria alguém que queria me oferecer carona. Não deu outra. Ao me aproximar ouvi o motorista gritar o meu nome: Valdo. Era o bombeiro simpático que no dia anterior tinha me oferecido o almoço. Perguntou se eu queria uma carona e aceitei. Fizemos pouco mais de 20 km mas já ajudou bastante sobretudo porque no trecho havia muitas subidas. Baixei a 12 km do meu destino. Continuei a viagem e vi um cartaz que me chamou a atenção. Parei para fotografar. Era uma foto do Pelé já um pouco desbotada pelo tempo. Estava ao lado de um supermercado e apareceu o Sr. James Weber de 68 anos que veio me cumprimentar. Enquanto conversávamos chegou o Randall, filho do Sr. James e dono do supermercado. Disse que tinha visto a minha foto no jornal. Perguntei se ele tinha o jornal Al Día de sexta-feira. Ele foi verificar e voltou com um exemplar onde estava a outra matéria que eu não tinha conseguido. Fiquei contente em conseguir o exemplar. O Randal me levou até o supermercado e me ofereceu refrigerante e bolacha. Enquanto eu lanchava apareceram outras pessoas entre elas, o cunhado do Randall de 55 anos que é maratonista internacional. Já estava para me despedir quando o Randall me ofereceu 5.000,00 colones (= $ 8,56 dólares) para o meu almoço. Agradeci a oferta tomei nota do nome dele para por na minha página de padrinhos. Faltavam 10 km para chegar a San Isidro. A estrada era bem movimentada e muitos carros diminuíam a marcha para me fotografar. Como a reportagem saiu em dois jornais de circulação em todo o país,muita gente me conhecia. Aproveitei para viver meu momento de fama. Já bem perto da cidade carro passou na pista oposta, diminui a marcha para me fotografar e cumprimentar. Mais adiante o mesmo carro tinha feito o retorno encostou a meu lado e um deles me ofereceu 3.000,00 colones (= $ 5,13 dólares) para eu tomar um refresco. Comecei a gostar da brincadeira. O problema é que a minha identidade foi revelada. O Jornal Al Día saiu com o título do artigo: Llegó a Costa Rica e em letras garrafais SACERDOTE LE DA LA VUELTA AL MUNDO EN BICICLETA. Jã o jornal La Teja saiu com o título: Recorre mais de 100 por día. E em letra grande “COLACHO” ANDA EM BICI. Colacho quer dizer barbudo. Perto da cidade dois senhores ciclistas me acompanharam até os bombeiros. A sede estava fechada. Todos tinham saído para atender uma emergência. Levaram-me antão até a Cruz Vermelha. Ao me apresentar o voluntário telefonou para o responsável da obra e ele disse que podia receber o sacerdote que apareceu no jornal e que me oferecessem também o almoço. Fui muito bem recebido por parte de todos, diferente da Cruz Vermelha de Palmar Norte. Daqui para frente começa uma subida que chega a 3450 metros de altitude no Cerro de la Muerte. Todos dizem que a subida é muito dura. Como já conheço as cordilheiras peruanas, equatorianas e colombianas, não tenho muita vontade de enfrentar mais uma. Além do mais a pessoa que vai me hospedar em San José vai viajar na terça-feira a tarde e seria bom que eu chegasse um dia antes. Unindo o útil ao agradável, resolvi facilitar a minha vida. Fui à rodoviária e comprei uma passagem de ônibus para San José por 2.410 colones (= $ 4,12 dólares). E assim vou passar pelo Cerro de la Muerte com muito conforto.
26/09/2009 – Costa Rica Palmar Norte – Buenos Aires 67,83km em 4h45min Total pedalado até hoje: 6.163 km Horas pedaladas = 454
Na noite anterior consegui acessar a Internet a partir do meu quarto e fiquei online até às 23 horas. A conexão era lenta mas conseguir fazer muita coisa. Coloquei o relógio para despertar às 4h30min, mas não ouvi o despertar e acordei às 5h10min. Às 6h15min saí para comprar o jornal com a matéria sobre a minha viagem. O carro que distribui o jornal só chegou às 7 horas. Consegui um exemplar e inicie a viagem às 7h15min. A etapa era curta mas era sempre de subida suave e continuava. A estrada seguia um rio encachoeirado mas em alguns lugares subia muito para depois baixar de novo. O ritmo era bom e às 10 horas já estava perto do destino. Fazia calor e parecia que não ia chover. Pensei em fazer mais 60 km e pernoitar na próxima cidade. Faltava uns 10 km para chegar ao meu destino. Foi só pensar em seguir adiante e começou um subida que me obrigou a empurrar a Tanajura durante quase uma hora. Desisti de seguir adiante. Cheguei a Buenos Aires, assim se chama a cidade, antes do meio dia. Dirigi-me aos bombeiros já preparado para receber um sim ou um não. Que diferença do outro bombeiro de Palmar Norte que me negou hospedagem. Aqui fui recebido com um largo sorriso mesmo antes do bombeiro ter visto a bicicleta. Eu a tinha deixado encostada do lado de fora. Enquanto conversávamos já apareceram mais pessoas. O bombeiro ligou para a imprensa e antes mesmo que eu pudesse tomar um banho o carro da reportagem já tinha chegado. Gravamos uma entrevista de 28 minutos para se exibida no mesmo dia a noite. Entreguei um Pen Drive ao “câmeraman” e antes das 18 horas já estava com a mídia nas mãos. Mais tarde chegaram dois jovens para fazer uma entrevista para por no site deles www.bairescr.net Enquanto fazíamos a entrevista chegou um grupo de jovens ciclistas para marcar a hora da saída do dia seguinte porque eles querem pedalar alguns quilômetros comigo. Lembrei-me com saudades dos amigos que me acompanharam de Joinville até Itapocu no dia da minha partida. A gravação da entrevista ficou boa mas vou ter que repartir os arquivos e diminuir de tamanho para poder colocar no Yutube, Mas isto só vou poder fazer em San José. Aguardem.
******************************************** ******************************************** ******************************************** 24/09/2009 - PANAMÁ Rio Claro – Palmar Norte 62,33km em 3h38min Total pedalado até hoje: 6.096 km Horas pedaladas = 450
Uma noite de rei longe do barulho dos carros e ouvindo o barulho da cachoeira do rio que passava ao lado. Como atrasei o relógio de uma hora, às 5 horas já era dia claro. Quando eu estava terminando de arrumar a bicicleta para partir chegaram os funcionários que aproveitam a luz do dia e começam a trabalhar às seis horas da manhã. Estamos no inverno, isto é estação das chuvas onde quase todos os dias chove na parta da tarde. O dia amanheceu com um lindo sol que me acompanhou até as de horas da manhã quando o céu começou a se fechar e as nuvens anunciavam chuvas próximas. Para evitar a chuva, optei por fazer uma etapa mais curta. Às 10h50min já estava nos bombeiros onde pretendia passar a noite. Recebi um Não, por causa da influenza, disse o bombeiro sem muita convicção. Enviou-me para a Cruz Vermelha. Minha primeira tentativa onde pretendo fazer alguns meses de voluntariado e recebi mais um Não redondo. Encaminharam-me para o Hotel Aleman onde eu poderia conseguir apoio. Como eu já estou psicologicamente preparado para ouvir Não, isto não me incomoda muito. Faz parte da aventura. Dirigi-me ao Hotel que ficava próximo e falei com o recepcionista Henri Chevez Arce que foi muito cordial comigo. Telefonou para o patrão e este autorizou armar a barraca no pátio do hotel. Fomos para os fundos do hotel e o Henri me mostrou uma área bem reservada onde eu podia armar a barraca em baixo de uma árvore. Havia só dois problemas, o lugar era de terra e o céu anunciava chuva para as próximas horas. Foi aí que começou a história da Sopa de Pedra. Eu disse que o lugar era bom mas seria melhor se fosse numa área coberta para ficar mais a vontade na hora da chuva. Neste momento apareceu o meu Anjo da Guarda, Dona Maria. Ela sugeriu que eu armasse a barraca num canto da área reservada para os carros. Já estava melhor. Em seguida ela convidou o Henri e eu para ver outro lugar que seria ainda melhor. Caminhamos para uma área ao lado da recepção, mas o lugar era muito apertado. Seguimos por trás da recepção e encontramos um ângulo coberto que me pareceu perfeito. Fui buscar a bicicleta e quando já ia começar a montar a barraca, o Henri me chamou e me levou a um apartamento que está em obras. Ali havia uma cama de casal e duas de solteiro desmontadas. Armamos uma cama de solteiro, a dona Maria varreu o quarto e foi buscar os lençóis. Em seguida o Henri veio me entregar a chave do AP. Foi assim que consegui um excelente lugar com banheiro privado e ar condicionado. Valeu a pena ter recebido dois Nãos. Mas as surpresas não acabaram por aí. Ao voltar do almoço e da compra no supermercado o Henri me avisou que tinha telefonado para o repórter e ele vinha gravar uma entrevista para a TV local e para o Periódico al día. Foi uma excelente notícia já que no Panamá não deu certo. No final da tarde chegou o repórter Alfonso Quesada Fernández para gravar a entrevista. Como já tenho experiência dos outros países que ou eu espero para levar uma cópia da entrevista ou nunca mais vou conseguir ter acesso a ela. O Alfonso me prometeu que ao meio dia do dia seguinte viria me entregar o CD. Foi assim que com “muita pena” tive que adiar a viagem e ficar mais um dia no Hotel Tico Aleman aproveitando das mordomias. Esta história de que eles vão me enviar depois a matéria não funciona. No brasil, depois de três meses tive que viajar de Joiunville SC até Ponta Porã MS para buscar a cópia da entrevista da TV Morena. Em Guayaquil e Cunca, no equador estou esperando até hoje. Em Cali na Colômbia aconteceu o mesmo. Para mim é importante aparecer na midia, mas o mais interessante é eu ter uma cópia comigo.
23/09/2009 - PANAMÁ David – Rio Claro 94,82km em 5h31min Total pedalado até hoje: 6.033 km Horas pedaladas = 446
Adiei a viagem de um dia para participar das reportagens, mas era tudo papo furado. O Miguel saiu cedo dizendo que ia arrumar a bicicleta, mas na verdade foi para o terminal onde ficou até às 16 horas fendendo as bugigangas dele. Ele vende cada peça a um dólar. Disse-me que vendeu trinta dólares. Mas para mim o dia foi cheio. Consegui atualizar o Orkut com as fotos e fiz dois adesivos com as frases:
“How beautiful upon the mountains are the feet of him that bringeth good tidings, and that preacheth peace... (Is. 52:7)”
“Qué hermosos son sobre los montes los pies del mensajero que anuncia la paz...! (Is. 52:7)”
Colei as duas frases uma em cada lado da tampa do baú da Tanajura. Hoje já pude verificar como todos lêem a frase com respeito.
Saímos cedo pois o Miguel queria aproveitar o fresco da manhã. Às 6h30min já estávamos na esrtrada. O Miguel viaja todo enfeitado com uma enorme bandeira da Colômbia no bagageiro e outra do Panamá no guidão. O objetivo dele é chamar a atenção para vender os objetos que leva pendurado no numa vara presa ao guidão. Ele seguia na frente. Depois de meia hora invertemos posição. Numa ladeira eu deixei a bicicleta correr e subi a próxima. Olhei para trás e o Miguel tinha sumido. Voltei já preocupado com algum acidente e vejo o Miguel dentro de um boteco de beira de estrada com a bicicleta fazendo suas vendas. Daí em diante seguimos juntos mas ele parava em todos os lugares. Depois de 90 minutos já tinha vendido cinco dólares. Eu disse a ele que ao completar duas horas eu ia parar para descansar e comer. Ele então sugeriu que eu fosse adiante que ele ia vendendo e me alcançava depois. Fiz a minha parada e depois de 25 minutos de espera desisti e assim nos separamos. O estilo dele não serve para mim. Tenho que procurar algum meio de ganhar dinheiro mas assim não. A passagem pelas duas fronteiras foi fácil e rápida. Eram 11 horas e tive que atrasar o relógio de uma hora. Voltei para 10 horas. Troquei um pouco de dinheiro e comecei a pedalar numa estrada bastante plana mas sem acostamento. Os curiosos me fotografavam, buzinavam, gritavam e eu seguia adiante sentindo uma grande alegria de estar pedalando na Costa Rica. Parecia um sonho mas era realidade. Cheguei na cidade onde ia passar a noite. Comprei pão e como a estrada era boa e ainda era muito cedo decidi fazer 120 km. Aos 80 km o tempo fechou e veio um temporal com muios raios. Parei num abrigo de ônibus e esperei 90 minutos até poder pedalar. Coloquei uma capa de chuva e segui com uma chuva fina mas constante. Agora tinja que procurar um lugar para passar a noite pois já não ia conseguir chegar ao meu destino. Vi uma placa onde estava escrito: Hogar de ancianos a 300 metros. Entrei e uma jovem me atendeu mas disse que o responsável tinha saído. Dei meia volta e continuei na chuva. Mais alguns quilômetros e parei numa lanchonete ao lado de uma igreja. Uma senhora me ofereceu um café com pão. Pedi informação onde poderia acampar e me indicaram uma árvore à beira da estrada. Agradeci a oferta. A senhora do bar disse que o padre não estava em casa, mas mesmo que tivesse acho que eu não ia conseguir nada ali. Indicou-me uma igreja evangélica mais adiante ou então um celeiro de arroz a dois km. Fui procurar a igreja. Estava fechada e a casa do pastor não me pareceu lugar apropriado. No outro lado da rua estava o quartel da polícia. Tentei ali mas não tive sorte. Restavam duas alternativas. Tentar o celeiro de arroz ou pedalar mais 20 km até os bombeiros da próxima cidade. Como a chuva não parava, resolvi parar no celeiro. Eram 15 horas. Fui bem atendido. Podia acampar mas tinha que esperar um pouco. O tempo passava. Já eram 16h30min e nada. O patrão estava em reunião me diziam. Finalmente o senhor que me atendeu me convidou para ver o lugar onde eu podia armar a barraca. Na beira da estrada! Quase não acreditei. Mas para minha alegria vi que havia banheiro e chuveiro que eu poderia usar. Aproveitei para tomar um banho e trocar de roupa. Teria que esperar até as 18 horas quando o patrão fosse embora para poder acampar. Às 17h30min o senhor me convidou a levar a bicicleta para trás das instalações para que o patrão não a visse ao terminar reunião. Levei a bicicleta e que alegria. Fui parar numa oficina com uma grande área coberta, com água, luz e corrente para eu usar o computador e aquecer a água. Armei a barraca dentro do barracão, fiz a janta e escrevi o meu diário. Como tive que atrasar o relógio de uma hora, às 17h30min já era escuro. |