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Total pedalado até hoje: 5.101 km Horas pedaladas = 388h
Mais um sonho realizado O sonho de conhecer Bogotá remonta aos idos de 1964. Conheci um jovem colombiano, estudante de filosofia, que mais tarde foi meu diretor em Manaus e falava muito de Bogotá, de Cusco e Machupichu. Estes dois últimos conheci em 2003 e voltei no novo em 2009 com a bicicleta, mas Bogotá parecia algo distante. Ao caminhara pelas ruas da Candelária, a cidade histórica, parecia um sonho. Ao chegar a Zipaquirá para visitar a famosa Catedral de Sal parecia que algo inacreditável estava para acontecer. O ingresso era um pouco caro, mas os “jovens” com mais de 65 anos pagam somente a metade. A visita de duas horas foi muito interessante. A Catedral fica a 180 metros abaixo do nível de entrada. antes de chegar chegar ao atrativo principal é preciso percorrer as 14 estações da Via Sacra que é um espetáculo a parte. O guia vai explicando o significado de cada estação construída na rocha de sal. Todo o conjunto impressiona pela grandiosidade e beleza. Feliz aquele que tem o privilégio de conhecer esta maravilha.
Outro lugar que eu tinha vontade de conhecer era Monteserrat. Também este sonho foi realizado. O visual que se tem de Bogotá é encantador. É claro que teria muito mais coisas para se visitar mas eu já me sentia satisfeito com oque consegui ver. Valeu a pena. Estive três dias na casa do Diego que estava bastante ansioso para iniciar uma grande viagem de seis meses desde Tabatinga,na fronteira da Colômbia com o Brasil até o Rio de Janeiro. De Tabatinga a Belém pelo rio e depois de bicicleta passando pelos Lençóis Maranhenses, Jericoacoara, Porto de Galinhas etc. Uma viagem para fazer inveja a muitos brasileiros.
Uma semana em Cali Voltei para Cali e tive que esperar cinco dias até conseguir consertar a Tanajura. Como havia um feriado na segunda-feira aproveitei para ler e descansar.
O conserto ficou pronto na quarta-feira mas decidi viajar só na sexta-feira. O alojamento na casa do Hernan estava muito bom. Ele não tem quarto com cama para os ciclo turistas, mas tem espaço para armar a barraca. No corredor de entrada da casa tem uma sala grande com meia parede e dois vãos sem porta onde está a televisão e uma geladeira. Foi nesta sala que durante a noite eu estendia o meu isolante térmico no chão e com o saco de dormir formava a minha cama. A família do Hernan é muito simpática e me tratou muito bem. O Sr. Luis, pai do Hernan me disse que a dona Sixta, a esposa, falou que eu era como se fosse um membro da família.
Realmente fui tratado com muito mimo por todos e foi por isso que fiquei tanto tempo sem vontade de deixar a casa.
Comentei com eles que para um ciclo turista o importante não é o conforto físico mas sim a maneira como é recebido pela família. E devo dizer que desde o Brasil até agora sempre recebi tratamento especial. Se alguns dos meus leitores quiser hospedar algum ciclo turista não se preocupe tanto com o conforto do alojamento e sim com a atenção que eles merecem. Somos todos gente simples sem muita exigência. O importante é um lugar seguro para deixar a bicicleta e poder passear pela cidade.
Aproveitei para me desfazer de alguma coisa que considerava supérflua e diminuir o peso e volume. Deixei quatro camisas, uma calculadora de estimação que eu nunca usei, um despertador que estava no fundo do baú e uma pochete nova que provavelmente nunca iria usar. Já tinha vendido o meu fogareiro da MSR e com isso diminuo uns três litros de volume e quase dois quilos de peso. Em Panamá vou trocar a barraca e mais algumas gramas vão ficar para trás.
22/08/2009 - COLÔMBIA Cali - Buenaventura 126 km em 8:46h Total pedalado até hoje: 5.101 km Horas pedaladas = 388
Quinze dias sem pedalar é muito tempo, mas mesmo assim não aumentei de peso. Outro dia quando assisti a reportagem na TV vi que realmente eu estou um pouquinho magro. Pelo menos tem a vantagem de ter retirado 18 km de cima da Tanajura.
Pela primeira vez durante toda a viagem vi alguém chorar na hora da despedida. A dona Sixta me abraçou com a voz entrecortada e os olhos rasos de lágrimas. Era como se estivesse vendo o próprio filho partir para uma longa viagem sem volta. Vai ser mais fácil eu ganhar na loteria do que voltar a Cali outra vez. As tudo é possível. Quando estive em Cusco em 2003 pensei que aquela era a primeira e única vez. Em 2009 voltei numa bicicleta. O mesmo aconteceu em Ushuaia em 1990. Depois de 16 anos voltei pedalando até El Fin del Mundo. Portanto pode se que um dia eu também volte a Cali.
Iniciei a viagem às 6h30min e depois de 12 km iniciei a subida da Cordilheira Ocidental que me obrigou a caminhar 18 km até chegar ao topo da cordilheira. O que animava era saber que depois de subir tanto teria mais de mil metros de baixada até chegar ao nível do mar. Diz um provérbio que “Gato escaldado de água fria tem medo” e por isso eu tratei de controlar a velocidade. Cheguei ao máximo de 56 km/h. Durante os 80 km de baixada só enfrentei duas subidas de 2 km cada uma. Os últimos 30 km foram de um sobe e desce suave mas sempre baixando.
Quando estava para me aproximar da primeira subida, um carro começou a me seguir. Depois de passar por mim na descida, diminuiu a velocidade e me deixou passar. Segui-me até terminar a descida e então me perguntaram de onde vinha, para onde ia, etc. Ao iniciar a subida eu sai para o acostamento e quando ia parar para conversar, me desequilibrei e sentei no chão. O casal e um menino desceram do carro e me ofereceram água. Conversamos um pouco e o Sr. Juancarlos Junco Ramos me convidou para visitá-lo no Parqueadero Junco em Buenaventura. Aceitei o convite, pois teria um lugar para passar a noite e calculei que entre as 17 e 17h30min eu chegaria lá. Faltavam menos de 50 km. Segui a viagem e ao chegar ao povoado chamado La Delfina o tempo começou a fechar. O sol forte que antes tinha me obrigado a me proteger agora tinha desaparecido. Eram 15h10min horas e parecia que já ia anoitecer. Antes que iniciasse a chuva parei numa lanchonete. Sentei-me numa cadeira e esperei pela chuva que chegou forte às 15h30min e só começou a diminuir às 16h30min. Já não tinha mas condições de chegar de dia em Buenaventura. O jeito era procurar um lugar para passar a noite. Pedalei uns cinco minutos e cheguei a um lindo balneário. Consegui um bom lugar para armar a barraca, chuveiro para o banho e ao som da cachoeira dormi 13 horas seguidas. Choveu durante a noite mais o sol apareceu pela manhã para secar a barraca. Às nove horas continuei a viagem. Não tinha muita pressa porque a distância a ser vencida era pequena.
O Parqueadero Junco fica no km 12, na entrada da cidade. Como eu não tinha ideia de onde ficava o Parqueadero segui adiante. Já estava no km 10 quando um motoqueiro me convidou para tomar um refrigerante. Foi então que me dei conta de que já havia passado do local. O Jorge que me ofereceu o refrigerante me acompanhou com a moto até o endereço. Ao chegar ao local outra surpresa. O Juancarlos tinha ido ao supermercado e me viu passar. Como estava na direção contrária e não podia fazer a volta, voltou em casa, pegou a moto e foi à minha procura. Passou quando eu estava parado para tomar o refrigerante e não me viu. Foi até o centro e voltou desanimado. Ao chegar ao Parqueadero lá estava eu sentado a espera dele. Cedeu-me um quarto para eu ficar à vontade até resolveu o problema do barco para Panamá.
Adeus Colômbia
Passei apenas uma tarde e uma noite no apartamento. Na segunda-feira, dia 24, saí com a Tanajua pronta para viajar. Deixei a chave do AP com o porteiro e disse-lhe quem se eu não conseguisse viajar voltaria. Nem consegui me despedir do Juancarlos. Foi pena pois o atendimento dele foi muito especial. Saí em busca de um barco que me levasse até Juradó, a última cidade da Colômbia, quase fronteira com o Panamá. Primeiro fui ao porto de onde saem os navios cargueiros. Fiz fila mas não consegu8i entrar para falar com algum capitão de navio. A partir daí as informações eram desencontradas. Uns me mandaram para o cento outros disseram que eu tinha que voltar até o porto Piñal de onde partem os barcos para Juradó. Voltei, cheguei a 100 metros do local do barco. Pedi informação num posto de gasolina e me mandaram para o centro de onde sem os barcos turísticos. Lá fui eu para o centro. Foi bom pois tive a oportunidade de conhecer a cidade mais feia da Colômbia. É claro que eu ainda não conhecia Juradó. No terminal turístico só havia pequenas embarcações para turismo pela redondeza. Mandaram-me de volta para Piñal. Finalmente cheguei ao lugar certo. Eram onde horas e o barco ia partir às 16 horas, segundo o dono do barco. Comprei a passagem 69,00 dólares e voltei ao centro, desta vez de “Buseta”, para carimbar o Passaporte.
Almocei e fiquei esperando as 16 horas para partir. À medida que chegava perto da hora da partida, aumentavam os caminhões carregados de todo tipo de produto. Eu nunca tinha presenciado o carregamento de um navio. Fiquei impressionado ao ver como os pobres dos estivadores trabalharam como se fossem formigas carregadeiras desde as 13h30min até às 20h45min sem sequer um intervalo para comer. Alguns deles comeram um pedaço de pão mas tinham que colocar o pão no chão, entre um bocado e outro. Às vinte horas gerou-se uma discussão entre o capitão do navio e o proprietário. O navio só podia partir com a maré cheia. Já tinha iniciado a baixar e a próxima maré alta só seria às oito horas do dia seguinte. Criou-se um clima de espectativa entre os passageiros. Finalmente abandonaram uma grande quantidade de carga no pátio e embarcaram os passageiros. Eu só respirei aliviado quando conseguir amarrar a Tanajura num lugar seguro. A viagem ia durar 32 horas. Ainda bem que tinha uma boa cama para dormir. Esta foi a primeira vez que eu viajei pelo Pacífico e devo dizer que o Oceano fez jus a seu nome. O mar parecia uma grande piscina que produzia um balanço suave durante toda a viagem. Nunca dormi tanto na minha vida como durante esta travessia. Às 3 horas da madrugada o barco parou na entrada da baía e só levantou âncora às 8 horas quando a maré estava cheia.
Chegamos ao porto, os passageiros desembarcaram e iniciou-se de novo um formigueiro para baixar a mercadoria. E quem disse que alguém me ajudava a baixar a Tanajura. Pedi ajuda e me disseram que eu tinha que pagar. Como pagar se eu já tinha pago a passagem. A passagem não inclui o desembarque. Bem, vou ficar aqui no navio, disse eu. Não vou pagar mais nada a ninguém. Um marinheiro de certa idade, que ia me ajudar a encontrar um barco para Panamá resolveu o problema. Colocamos a bicicleta em cima de uma tábua e ele sozinho, foi baixando. Não ia conseguir equilibrar a bicicleta sozinho. Todos olhavam mas ninguém ajudava. Até que um senhor veio ajudar e conseguimos colocar a bicicleta no chão sem causar nenhum transtorno.
Agora só faltava conseguir barco para o Panamá. Só então eu soube que não existe barco direto para o Panamá. É preciso pegar uma voadeira e pagar 30 dólares para viajar uma hora e meia até a fronteira. Aí comecei a minha via-sacra, pedalando de um lado para outro. Voltei a barbo e procurei o senhor que ia ma ajudar. Ele telefonou para uma senhora amiga e disse para eu esperar que ela viria buscar a mercadora dela. Esperei quase uma hora e finalmente fomos à casa da tal senhora. Ela é comerciante e não é proprietária do barco. Vai viajar também para o Panamá.
Tentei negociar o preço da passagem que me parece um absurdo. 30 dólares para uma hora e mia de voadeira. Depois percebi que é inútil pois todos estão de acordo com o preço e não exite alternativa. Agora o problema já era outro. Queriam me cobrar mais 30 dólares para levar a bicicleta. Eu já não sabia o que fazer. Depois de muita busca encontrei um que vai me levar por 30 dólares, 10 pela bicicleta. A partida será às 6 hora da manhã. No outro lado da fronteira vou ter que pegar um barco para chegar até a Capital Panamá numa longa viagem que vai custar mais 20 dólares.
Resolvido o problema do transporte era preciso providenciar um lugar para passar a noite. O hotel mais barato custa 10 dólares. Indicaram-me uma casa vazia atrás do quartel da polícia. Armei a barraca, mas faltava água para o banho. Estava terminando de armar a abarraca quando apareceu um oficial do exército. Conversa vai, conversa vem, eu disse que agora só me faltava um lugar para tomar banho. Ele me convidou para ir até o quartel e então tomei aquele banho gostoso. Aqui faz bastante calor eu eu estava já há dois dias sem tomar banho.
Duas palavrinhas sobre Juradó. Se existe o fim do mundo, acho que este lugar é aqui. Só se chega aqui de barco. A cidade tem três ruas e nenhum carro. Apenas uma moto com carroceria para fazer o transporte da mercadora e mais umas duas ou três motos normais. Acidade está ao lado de uma praia bastante interessante com muitos coqueiros, mas a pria está deserta. E assim termino meus dias na Clômbia. ***************************
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08/08/2009 - COLÔMBIA Foram três dias muito interessantes que passei em Popayán na casa da Natália. Imaginem que a Natália dormiu três noites num colchão colocado no chão no quarto dos pais para ceder a cama dela para mim. A Dona Rosa,, mãe da Natália, preparava umas comidas super deliciosas. O pai, Dr. Victor Hugo é de uma sensibilidade impressionante. A harmonia que se sente na família é muito grande. Em uma palavra, me senti muito em na companhia deles. Mas era preciso seguir viagem. O tempo pasa muito rápido e quero me encontrar com o amigo Diego, em Bogotá que no dia 19 parte para uma longa viagem pelo Brasil iniciando em Leticia para seguir de barco até Belém onde inicia a pedalada até o Rio. Sai de casa às 7 horas em companhia da Natália que pedalou comigo por dois quilômetros. Passamos num posto para calibrar o pneu traseiro. Na Colombia, como no Equador e no Peru não existe o medidor de pressão. Usei o meu medidor digital, mas infelizmente não consegui medir a pressão. Talvez porque coloquei muito ar e passou da capacidade do medidor que é de 99 PSI. Eu queria calibar em 90 PSI mas acho que exagerei um pouco. O pneu já apresentava uma falha desde o Equador. A etapa a ser vencida era de 130 km sendo 70 km com muitas subidas e baixadas. A viagem seguia tranquila e a previsão de chegada a Cali era pelas 17 horas. Já tinha percorrido quase 50 km e estava no meio de uma grande descida a 50 km/h quando escutei um estouro e a bicicleta balançou. Segurei os freios e quando já estava quase parando, capotei. A bicicleta ficou no sentido contrário como se eu estivesse subindo e o pé esquerdo ficou preso. Tudo foi muito rápido. Eu estava no meio de uma curva ocupando o centro da pista. Enquanto tentava libertar o pé apareceu um senhor, não sei de onde, para me ajudar. Levantei-me e vi os carros que desviavam de mim. Um carro estava parado ao lado e dois senhores perguntaram como eu estava. Respondi que não estava muito bem. Levei a bicicleta para o acostamento atrás do carro. Já ia preparar a bicicleta para trocar o pneu quando eles me perguntaram se eu queria que me levassem até terminar as montanhas. Aceitei o convite e colocamos a bicicleta na carroceria da caminhonete. Somente quando já estava dentro do carro foi que me dei conta de que eu estana num carro da Cruz Vermelha. O que se seguiu depois foi simplesmente fantástico. O motorista era o Sr. Hernando Rio e o companheiro era o Dr. Richard Urrestial, ambos volontários da Cruz Vermelha. Eu estava em boas mãos. Chegamos à cidade e depois de um bom sorvete, fomos até a sede da Cruz Vermelha. Baixamos a bicicleta. Tirei a roda e vi que um raio estava quebrado. Peguei um pneu e uma câmara nova que eu levava de reserva e o Dr. Ricahard achou melhor levar a roda a uma oficina para que o mecânico trocasse o raio e centrrasse a roda. Depois de um tempo de espera eles voltaram e disseram que a roda ia ficar pronta às 15 horas. O relógio marcava 12h45min. Colocamos a bicicleta de novo no carro e a levamos até a oficina. Era preciso trocar o aro que estava todo danificado. Para minha surpresa eles pagaram a despesa para mim. Dezoito dólares. Em seguida iam me oferecer um almoço e depois voltaríamos para apanhar a bicicleta. Seguimos para fora da cidade e chegamos a uma linda chácara. Mais uma surpresa me aguardava. A chácara pertencia ao Sr. Julio, voluntário da Cruz Vermelha. Ele tem 65 anos e administra a chácara com piscina, salão de eventos e vários apartamentos. Quando me viu e ouviu a minha história me convidou para almoçar e me ofereceu um quarto para eu descansar até o dia seguinte. Os voluntários iam participar de uma reunião ali mesmo. Depois do almoço o Julio me ofereceu um calção de banho e eu fui para a piscina. Às 15h30min fomos buscar a bicicleta. Falei que eu estou procurando um lugar para fazer alguns meses de voluntariado na América Central e me aconselharam a fazer a experiência na Cruz Vermelha da Costa Rica. Eles vão me apresentar à delegação de lá com quem eles mantém um bom relacionamento. Ao ver tantas coisas boas ao mesmo tempo me emocionei e percebi que a queda não foi um mero acidente, mas uma oportunidade para um encontro especial. O Dr. Richard me disse que eles eram os meus Anjos da Guarda que tinham sido enviados naquele momento para me prestar ajuda. Bendito acidente que me proporcionou tanstas coisas boas. O brigado Senhor. 09/08/2009 - COLÔMBIA Estava tão boa a acolhida na casa do Sr. Julio que tive vontade de passar o domingo ali. Mas era preciso continuar pois depois de Cali queria conhecer Bogotá onde se encontra o meu amigo Diego que vai pedalar pelo Brasil no dia 19 deste mês. Era nove horas da manhã quando inicicie a pedalada acompanhado pelo carro do Sr. Julio com a esposa Olga e dois netos. A bicicleta apresentou um problema no freio e fomos até a oficina de bicicleta que na Colômbia funciona também aos domingos até ao meio dia. O problema não estava no freio mas no suporte do para lama que bartia no pneu quanto eu freiava. Foi bom, pois aproveitei para trocar as sapatas de freios que já estavam gastas. Comprei mais um pneu para levar de reserva. Quando deixei a oficina ná eram onze horas. Os 50 km até Cali foram todos plainos. Eu nunca mais tinha pedalado no plaino. A última vez tinha sido quando entrei no Equador e fui a Guayaquil. Desde Quenca até o dia anterior só tinha visto montanhas pela frente. Em Cali me dirigi à casa do ciclista e como sempre fui muito bem recebido pelos pais do Miller, Sra Sistalulia e Sr Luis e também irmão Luis. O Miller estava viajando e só chegou à noite. Aproveitei para fazer umas compras no Supermercado para abastecer a minha dispensa e à noite particiei da Eucaristia na paróquia que fica perto da casa. Na segunda-feira um vizinho, o José Eduardo me acompanhou até o centro da cidade e conseguir substituir o Barend esquerdo que tinha quebrado na queda. O dono da Rolo Retificadora quria me cobrar vinte dólares pelo serviço. Fiz-lhe a proposta de colocar um adesivo na carenagem da Tanajura em troca da mão de obra e ele aceitou. Coloquei um adesivo em cada lado e o trabalho saiu de graça. Num berechó de peças encontrei também a fechadura para colocar na tampa do baú da Tanajura que também tinha se quebrado com a queda. Uma vez resoovido o problema da bicicleta, pude viajar tranquilo para Bogotá, de ônibus, é claro, pois eu precisaria de uns dez dias para chegar a Bogotá de bicicleta e o Diego já está se preparando para partir. Cheguei a Bogotá no dia 11 de manhã cedo, mas esta é uma história para o próximo relato. *********************************** *********************************** *********************************** 28/07/2009 - COLÔMBIA A entrada em um novo país é sempre algo especial. Por mais que você tenha experiência internacional, (já conheço trinta países) sempre fca aquela sensação de algo novo. É aquele friozinho na barriga que só vai passar depois de entrar no país. A entrada na Colômbia não foi diferente. Os trâmites alfandegários foram fáceis nos dois lados da ponte. No lado equatoriano juntaram-se vários soldados ao redor da tanajura e depois das tradicionais perguntas, bateram foto para guardar como recordação. As diferenças de um país para outro são grandes. A primeira impressão forte é ver os soldados armados com armas pesadas, circulando por todos os lados. A entrar numa vila, lá estão eles por todos os lados. Talvez por ser zona de fronteira a segurança é reforçada. Depois de uma hora de viagem parei numa barreira e me pediram para ver o passaporte. Foram muito gentis e naturalmente o assunto girou ao redor da bicicleta. A viagem seguiu tranquila e aos poucos fui tomando consciência de que Equador já ficara pra trás, na lembrança de lindos dias e de muitas amizades bonitas. Colômbia tem fama entre os ciclistas de ser o melhor país para viajar devido a hospitalidade dos colombianos. Já tive oportunidade de constatar isto no primeiro dia. Os primeiros 50 quilômetros foram fantásticos, no meio de lindas paisagens das cordilheiras e sempre baixando. Aqui o provérbio que diz que tudo o que sobe baixa, deve ser interpretado ao contrário. Tudo o que desce sobe outra vez. E assim foi. 26 km de subida continuada. Eu já tinha caminhado 22 km. Estava na estrada desde as sete horas da manhã e já eram 17 horas. Pretendia chegar ao topo da montanha e baixar para Pasto. Encontrei o Sr. Peppe, 75 anos, a beira da estrada. Ele me disse que ainda faltam quatro quilômetros para chegar ao topo da montanha. Olhei o relógio. 17 horas. Seria difícil chegar a Pasto de dia pois ainda faltavam 18 km sendo 4 de subida. Falei ao Sr. Peppe que eu precisava de um lugar para armar a barraca e passar a noite. E a comida, ele perguntou. Tenho tudo, disse eu. Ele morava no outro lado da estrada. Convidou-me então para ir a sua casa. A esposa dele Sra. Clemencia também com mais de 70 anos me acolheu com um largo sorriso. Armei a barraca debaixo de um alpendre e comecei a preparar o jantar. O Sr. Peppe me trouxe uma caneca de café com leito e pão. A temperatura começou a baixar. Durante o dia eu tinha passado dos 12 graus aos 37 e de novo voltava aos 2 graus. Montanha é assim, quando o sol desaparece a temperatura cai. A Sra. Clemencia queria que eu fosse dormir dentro de casa, mas como eu já tinha armado a barraca agradeci o convite. Afinal eu estou preparado para enfrentar temperatura bem abaixo de zero graus. Deitei cedo e foi uma noite muito tranquila que serviu para restabelecer as forças da caminhada na montanha. Pela amanhã me convidaram para um café na cozinha. Pude reviver a minha infância quanto sentávamos ao redor do fogão a lenha para nos aquecer. Estas são as partes mais bonitas da viagem. O contato com pessoas humildes, mas de coração grande. 29/07/2009 - COLÔMBIA Mais uma caminhada de quatro quilômetros e doze de baixada até chegar a cidade. Para variar um pouco, busquei os Bombeiros que estão bem no centro da cidade. Eu tinha duas opções ou ficava no centro e dormia no saco de dormir num salão ou iria para uma sede maior na periferia da cidade onde há cama e cozinha. Optei por ficar no centro. Antes do almoço aproveitei para por em dia o diário e copiar as fotos para o pendrive para fazer as alterações de resolução pasra por na Internet. Depois que mudei de sistema, agora estou com o Obuntu não posso usar o meu editor de imagem preferido, o Irfanview. Também não consigo usar o dicionário português para fazer a revisão ortográfica. Por isso sempre vão aparecer alguns erros de digitação. É claro que eu posso fazer a revisão na Internet mas tudo isto custa dinheiro. Não é fácil manter o site atualizado e respondeer a todos os amigos e amigas que me escrevem. Portanto já sabem se alguma vez não respondo às mensagens não é por má vontade. Na parte da tarde sai para comprar uma bandeira da Colômbia e um mapa para a viagem. O curioso é que a bqndeira dos três países, Equador, Colômbia e Venezuela são iguais. A única diferença estáno escudo do Equador e da Venezuela que está no centro. Acolômbia não tem escudo. Pasto é uma cidade bonita, no estilo colonial com lindas igrejas. A temperatura média é de 13 graus e como estava sem sol fazia bastante frio. 29/07/2009 - COLÔMBIA Iniciei a viagem às 7h15min, bem agasalhado pois a temperatura era de 12 graus. Depois de 3 km já peguei a primeira subidinha de 4 km seguida de uma fantástica descida de 40 km. Antes de iniciar a decida, parei para merendar. Aaproximaram-se de mim quatro ciclistas “velhotes”, 58, 59, 60 e 62 anos. Estavam treinando na montanha. Foi um papo agradavel. Eles não se canavam de me parabenizar pela minha viagem. Aos 4 km de descida encontrei dois japoneses que estão pedalando dos USA até Ushuaia. O que me chamou a atenção foi ver a quantidade de bagagem que eles levam. Além dos quatro alforjes e a bolsa de guidão cada um leva uma mochila cheia para fazer montanhismo. Trocamos figurinhas, batemos fotos e eles seguiram para Pasto e eu continuei a minha descida. Durante a decida eu pensava com meus botões. Somente os cicloturistas são capazes de apreciar tamanha beleza que a natureza nos proporciona. É impossivel descrever e nem mesmo as fotos ou filmes swão capazes de mostrar a realidade. Este é um privilegio só nosso. A satisfação que a gente sente é tão grande que todo o cansaço desaparece como num passe de mágica. Uma decida de 40 km não é coisa do todos os dias. O problema foi que no final havia a quebrada com uma ponte separando o vale. Quasenão acreditei. Tudo o que baixei em 40 km tive que subir de novo em apenas 13 km. Na parte aixa fazia muito calor e tive que me despojar da roupa de frio que usava. A subida era pesada e o sol forte. Faltavam uns dois quilômetros para chegar ao topo da montanha. O sol era forte. O relógio marcava 14 horas. Era hora de comer, mas eu queria chegar ao topo para descansar. Passei por uma casa e umas crianças me chamaram. Parei, olhei para elas, dei um alô e continuei a caminhar a passos largos. O meu rítmo de caminhada na montanha é de 5,5 km/h. Gritaram de novo, mas eu continuei a caminahar. De repente vi uma menina correndo, me alcançou e me entregou um picolé. Fiquei meio sem jeito. Nem sabia como agradecer aquele lindo gesto. Alguns metros adiante encontrei uma sombra. Parei, encostei a bicileta e saboreei o picolé de goiaba, talvez o mais delicioso que comi em toda a minha vida. Aproveitei para comer un mamão que tinha comprado antes e com mais algumas bolachas refiz a minha energia. O resto da subida foi fácil. Como sempre, depois de uma difícil subida vem uma linda decida. Cheguei ao povoado às 15h30min e quando vi um hotel não resisti. O preço era convidativo. Cinco dólares com banho privado e TV a cabo. O problema foi uma escada complicada que não pemitiu que eu subisse com a Tanajura até o quaro. Coloquei a bicicleta na garagem e tirei as coisas que eu precisava. E assim, foi mais um dia de aventura. 30/07/2009 - COLÔMBIA Uma noite numa cama de hotel até que não foi nada mal. Às oito horas iniciei a viagem e depois de pedalar por 300 metros encontrei mais três hoteis, dois deles com os quartos ao rés do chão. Dizem que o apresado come cru. Mas não me arrependi porque o hotel onde dormi era muito bom para o preço que paguei. Eu pensava que de Pasto para Cali era só decida, pois vou chegar quase ao nivel do mar, saindo dos três mil metros de altitude. O fato é que me enganei redondamente. Continuo no meio da cordilheira numa rota bastante difícil. Baixei vinte quilômetros e entrei numa região de sobe-e-desce que não tem mais fim. Mais subidas do que decidas. Até aí tudo bem, pois já estou acostumado a caminhar sem problemas. Mas hoje foi diferente. Não sei se foi porque sai da região fria e entrei no verão de mais de 40 graus na sombra ou por algum outro motivo, o fato é que depois das onze hora comecei a me sentir nal. Era só forçar um pouco a respiração que me dava tontura. Tinha que parar e me sentar para não cair. Tinha pedalado só 40 km e ainda falta 60 para chegar ao destino. Resolvi parar na primeira casa que encontrasse ao chegar ao topo da montanha. Ao chegar em cima, a primeira casa não oferecia condições e segui adiante. Comecei a baixar e me senti bem. Segui adiante mas na próxima subida, omal estar voltou outra vez e foi aumentando. Agora também quando eu caminhava me sentia mal. Caminhava um pouco e me sentava. Outra descida grande e decidi chegar aos 50 km antes de parar. Aí a coisa piorou. O Calor era forte. Havia pouca sombra e às vezes eu tinha que me sentar no sol mesmo. Eu estava com fome mas não tinha vontade de comer. Queria era beber alguma coisa gelada, pois a água que eu levava etava quente. Antes, no meio de uma subida, eu estava parado, um caminhão de bebida parou e o motorista me deu uma lata de coca cola. Acho que ele viu que eu estava cansado. Pena que ab ebida estava quente. Tomei assim mesmo. E pela primeira vez, em toda a viagem, a lata vazia caiu na estrada e eu não parei para ajuntá-la. Aqui na Colômbia, embora a estrada seja mais limpa, os passageiros também jogam lixo pela janela do ônibus. Nada como no Brasil! Continuei com a minha preocupação procurando um lugar para descansar. Finalmente, às 14 horas encontrei um restaurante. Comprei uma bebida gelada e perguntei se podia acampar. Indicaram-me um lugar ao lado do restaurante onde havia muitas árvores frutíferas. Armei a barraca, tomei um banho parcial, no tanque de lavar roupa e me deitei. Dormi uma hora e quando me levantei senti de novo a tontura. Voltei a deitar mais alguns minutos. Levantei e fiz um chá regulador de pressão que comprei no Equador. Parece que deu resulado... No dia seguinte, sábado, continuei com indisposição e passei o dia descansando. Não estava em condições de seguir viagem. Mais uma noite e no domingo já me sentia melhor. Mesmo assim decidi viajar só na segunda-feira. N os primeiros dois dias fiquei um pouco sozinho, talvez porque eu não me encontrasse muito bem e as pessoas me respeitavam. No terceiro dia rompeu-se a bareira do silêncio e conversei bastante não só com os adultos mas também com meia dúzia de jovens que me bombardearam com muitas perguntas por mais de uma hora. Foi uma rica experiência passar três dias num pequeno povoado. 03/08/2009 - COLÔMBIA Restabelecido do mal estar, continuei a minha viagem rumo a Cali. A distância era pequena mas o grau de dificuldade ia de médio a difícil no final. Conhecendo os meus limites, preferi seguir num rítmo leve. O encontro de duas Cruzbikes No site da cruzbike.com o meu nome aparece em dois lugares, sendo que num deles junto com outro americano que também está fazendo a volta ao mundo numa cruzbike. Eu estou acompanhando a viagem do David, assim se chama o cilista, e pelas últimas notícias eu sabia que ele estava atravessando a Colômbia e já tinha passado por Bogotá. Da cidade de Pasto para diante havia duas estradas que levam a Bogotá, uma seguindo pelas cordilheiras e outra passando pela costa em direção a Cali, esta que eu estou seguindo. Eu tinha 50% de chance de me encontrar com o David. Depois de uma curva, avistei primeiro uma mulher e alguns metros mais atrás dois ciclistas. Parei a bicicleta. A mulher também parou e gritou alguma coisa para o marido. Foi então que vi a cruzbike vindo em minha diereção. Quase não acreditei no que via. A esposa do David chama-se Julie e o outro ciclista era um jovem inglês de 27 anos cujo nome não gravei. Este jovem iniciou a viagem em Caracas e vai até Ushuaia. Eles se encontraram a 3 dias. Ele levou o meu cartão e quando me escrever vou saber o nome dele. Foi interessante comparar as duas cruzbikes. Como os dois tem mais dinheiro do que eu, levam pouca coisa. Dormem sempre em hotel e comem em restaurante. A bicicleta do David com a carga pesa menos de 30 kg. A da Julie parecia um pouco mais pesada. É claro que trocamos de bicicleta para fazer o teste drive. Para minha surpresa, vi que a minha tem mais estabilidade do que a dele. Quando a Julie perguntei ao David o que ele achou da minha bicicleta, se era melhor, ele usou uma palavra sábia. Disse que era diferente. Realmente as duas são bastante diferentes. Ele usa o modelo novo com aros 26 e eu uso aro 24 na roda dianteira e aro 20 na roda traseira. Quem quiser acompanhar a viagem do David, basta entrar no site: Aa história dele é interessante. Em 1975 pedalou pela Europa e Ásia e chegou até o Japão. Em 2009 como motorista de caminhão aposentado, está fazendo com esposa, a América e África. A viagem vai durar dois anos e meio. Os dois tem 52 anos de idade. É impressionante como pelo simples fato de sermos cicloturistas, dá a impressão que a gente já se conhece a anos. É a magia da bicicleta. Os últimos sete quilômetros foram de uma pesada subida até chegar a El Bordo. Ainda era cedo mas eu não estava disposto a seguir adiante. Para variar um pouco, fui procurar os Bombeiros que aqui na Colômbia são voluntários. Já estava perto e parei ao lado de um mecânico que consertava um carro na estrada para pedir informação. Ao ver a bicicleta, o mecânico pediu para a filha buscar a máquina fotográfica para bater algumas fotos comigo. Em seguida mandou buscar um copo de refresco geladinho que era uma delícia. Como sempre respondei as mesmas perguntas pela enésima vez e fui até os bombeiros. Três bombeiros me receberam com muita festa. Pareciam felizes em me ver chegar ali. Conversa vai, conversa vem, até que falei que eu precisava de um apoio para armar a barraca e passar a noite. O mais velho dos três disse que precisava falar com o chefe. Telefonou não sei para quem e me disse que o chefe estava fora da cidade e não sabia a que horas ia voltar. Aconselhou-me a voltar até o centro da cidade e procurar o quartel da polícia que eles tinham um bom lugar para eu armar a barraca. Novamente fui bem atendido. O comandante se apresentou e quando viu a biccleta fez questão de tirar algumas fotos ao lado da Tanajura. Depois me aconselhou a me dirigir até a Base do Exército que ficava não muito longe dali, onde havia lugar para passar a noite e segundo ele havia até refeitório para comer alguma coisa, além de lugar para tomar um bom banho. Lá fui eu de novo. Relamente era perto, menos de um quilômetro. Cheguei ao destacamento, um lugar bastante isolado e novamente fui bem recebido. O sargento responsável me indicou um galpão onde haviam feito uma feira. O lugar era bom e segundo ele seguro. Ficava ao lado da guarita onde os soldados montam guarda. O problema foi que o depósito de água estava vasio. Levou-me então até uma casa mais abaixo e me apresentou ao proprietário que me cedeu o chuveiro para eu tomar o meu banho. O gesto foi bonito, mas me pareceu um pouco estranho, uma vez que logo à entrada do destacamento estão os banheiros. Talbez eles não permitam a entrada de civis no quartel. Depois do banho, caminhei até o centro da cidade, almocei e acessei a Internet. 04/08/2009 - COLÔMBIA Eu sabia que a etapa seria difícil, mas não imaginava que seria tão difícil como foi. O calor era forte e as subidas pesadas. Duas vezes fui chamado por senhoras que me ofereciam um copo de limonada. A minha intenção era chegar a Popayan,no alto da montanha para no dia seguinte iniciar a baixada para Cali. Só que não estava disposto a caminahar mais de 30 km montanha acima. Ia tentar uma carona. Pedalei 20km e depois do pedágio, parei numa sombra. Preparei a bicicleta e durante uma hora e meia tentei conseguir um carona. Mas foi em vão. Passavam muitos ônibus, ou como dizem aqui, “busetas” que não tem bagageiro para levar a bicicleta. Muitos aminhões, carros de passeio e poucas caminhonetes, as únicas que podia me levar. Já eram 11h30min e o sol estava forte, quando decidi continuar a pedalar, quer dizer, caminhar. Mais adiante encontrei um piquete do exército controlando os carros. Fizeram-me parar e mais fotos. Alguns sentavam na bicicleta para fazer a foto. No final o comandante disse que ia me dar uma carona até o alto da montanha. Respirei kmais aliviado. Eles terminaram trabalho, recolheram os cones do meio da estrada e seguiram em direção oposta. Eu continuei a minha difícil caminhada. Quanto mais subida, mas difícil ficava. Já tinha desistido de chegar a Popayán. Na metade do caminho havia um povoado chamado Rosas. Também já tinha desistido de chegar ali. Faltavam dois quilômetros para chegar a um povoado que não estava no meu mapa. Ao passar perto de um restaurante uma senhora me chamou para tomar uma limonada. Ofereceram-me também uma pacote de bolacha e uma bala de horetelã. A senhora me disse que eu podia dormir na escola. As aulas terminavam as 14 horas. Era só falar com o vigia. Segui viagem e não tinha caminhado nem 500 metros quando o carro do exército encostou a meu lado e colocaram a bicicleta na tampa da caminhonete. Eu e mais dois soldados segurávamos a Tanajura. Foram doze quilômetros de subida impressionante. :Levaram-me até Rrosas que está no cume da montanha e voltaram. Rosas é um povoado com um posto de gasolina e mais 10 casas, todas no mesmo lado da estrada. São todas de comércio e para minha sorte, uma delas é um hotel. Ao preço de cinco dólares peguei um apartamento com TV a cabo. Depois de várias noites de barraca já era hora de dormir num colchão mais confortável... 05/08/2009 - COLÔMBIA De vez em quando é bom dormir numa cama de verdade. Deixei o hotel às 8 horas desfrutando de muma boa descida de alguns quilômetros. No meio da descida encontrei dois jovens ciclistas que subiam pedalando em bicicletas de corrida. Que inveja ver a facilidade com que eles venciam a ladeira. Só em pensar em fazer o mesmo com a tanajura já me dava cansaço. Commo sempre acontece nas cordilheiras, no final de uma grande descida vem uma subida ainda maior. Ainda estava bem no início da caminhada quando os dois jovens me alcançaram. Eram o Brian e o Diego do povoado de Timbio que ficava mais adiante. Os dois me acompanharam até Timbio e quando eu conseguia pedalar eles me ajudavamm a empurrar a bicicleta ladeira acima. O sonho do Diego é pedalar da Colîmbia até o Ushuaia na Patagônia Argentina. Os dois ainda são estudante e lhes falta o principal, dinheiro. Apesar das gradnes subidas, às 12h30min eu já estava no centro de Popayán, uma cidade bonita com mais de 450 anos de existência. O horário era impróprio, mas mesmo assim liguei para o meu contato. O Diego de Bogotá onde vou passara alguns dias, viu que eu ia passar por Popayán e me ofereceu um ponto de apoio na casa de uma amiga dele. No dia anterior eu tinha laga para ele e ele me passou o telefone da Natália. Liguei para ela e combinamos que eu ia ligar quando chegasse a Popayán. Aquina Colômbia eles vendemm minutos de celular em todas as esquinas. O preço do minuto varia de 10 a 30 centavos de reais. Fiz a primeira ligação e ninguém atendeu o telefone. Pedalei até o centro da cidade, bati um papo demorado com vários curiosos e telefonei de novo. Nada, ninguém atendia a chamada. Parti para o plano B, os Bombeiros. Fui muito bem atendido por uma comandante simpática que me explicou que eles não podem receber ninguém porque estão numa área de segurança, ao lado do serviço de inteligência. Indicaram-me outro lugar, mas nem tentei. Restavam-meduas alternativas: procurar um hotel ou seguir adiante até um povoado a 25 km de distância. Fiz uma terceira tentativa e desta vez tive sorte. A Natália atendeu e marcamos encontro na frente da rodoviária em meia hora. Daí para frente foi só alegria. Acompanhei o carro até a casa dela que fica num condomínio fechado. Fui recebido pela dona Rosa, a mãe, Victor Hugo, o pai e o Júnior, irmão da Natália. Esta é a aprte mais interessante destes encontros. Num momento você é um ilustre desconhecido e minutos depois, como num passe de mágina, já faz parte da família. A Natália é jornalista com uma larga experiência internacional; o pai tem 58 anos e é médico cirurgião. Recebi um quarto com Internet e nem precisei sair de casa para atualizar o meu siete. Para completar as coincidências, toda a família é formada no Colégio Salesiano e se consideram salesianos. Às vezes fica até difícil compreender como é que acontecem tantas coisas boas ao mesmo tempo. Deus seja louvado. |
