Desde que a preocupação com a estética e com a imagem corporal aumentou, cresceu também a preocupação e o interesse da população em relação à alimentação saudável. As pessoas passaram a querer saber do que os alimentos são feitos, como são preparados, quantas calorias ele fornece, sua quantidade de gorduras, carboidratos, proteínas, vitaminas, enfim, passaram a ler o rótulo dos alimentos e a tentar controlar sua alimentação, começaram a contar calorias. Mas será que é só para isso que serve o rótulo, para contar calorias? Será mesmo que uma alimentação saudável pode ser baseada única e exclusivamente no número de calorias que ingerimos? A história não é bem assim. As informações contidas nos rótulos dos produtos de alimentos têm um objetivo imensamente maior do que permitir o cálculo total de calorias consumidas. Estas informações são grandes aliadas no controle de algumas doenças e podem evitar graves danos à saúde de pessoas com intolerâncias, restrições ou alergias alimentares. O rótulo dos alimentos nada mais é do que um elemento de comunicação entre o produto e o consumidor. Informações como lista de ingredientes, origem (fabricante/ procedência), validade, lote, conteúdo líquido e informação nutricional são essenciais. No que se refere à informação nutricional, apresentada no rótulo como “Tabela Nutricional”, esta sim é informação obrigatória nos rótulos de qualquer produto alimentício embalado na ausência do consumidor, e deve incluir: - Porção: quantidade média de consumo do produto, sendo que o número de porções por embalagem não precisa ser declarado; - Medida caseira: para facilitar o entendimento da quantidade de alimento por porção; - % VD: indica a % do nutriente em relação ao seu valor diário de referência para uma dieta com valor energético equivalente a 2000kcal ou 8400kj (300g CHO/ 75g PTN/ 55g GT/ 22g GS/ 25g FA/ 2400mg Na). Mas o que significa cada um destes itens na tabela nutricional? - O valor energético corresponde a uma média diária de consumo energético para um indivíduo do sexo masculino, sedentário, de 70 kg e 1,70m de altura. Este valor esta expresso em quilocalorias (kcal) e também em quilo joules (kj), medida internacional de medida de energia. Mas este valor é apenas uma referência, cada pessoa, a depender do sexo, idade, peso, altura e nível de atividade física apresenta uma necessidade energética diferente; - CHO (carboidrato): principal fonte energética para nossas atividades do dia a dia e essencial para a atividade cerebral. Mantém nossa glicemia (açúcar do sangue) e estoques energéticos de carboidrato na forma de glicogênio muscular (para atividade física) e hepático (para manutenção da glicemia); - PTN (proteína): componente estrutural, necessário para formação e manutenção de enzimas, células, órgãos e tecidos; - GT (gordura total): essencial para a síntese de alguns hormônios e também estoque energético de baixo peso e alta densidade. Esta categoria inclui a GS (gordura saturada) – gordura de origem animal, relacionada à um risco elevado de doenças cardiovasculares (DCV) e, por isso, deve ser consumida com moderação – e a GT (gordura trans) – encontrada principalmente em alimentos industrializados como margarinas, cremes vegetais, biscoitos recheados e sorvetes, é formada no processo de hidrogenação das gorduras vegetais, está relacionada a DCV e também ao câncer e, por isso, seu consumo deve ser muito reduzido (não existe VD para GT); - Fibra Alimentar: encontrada em maior quantidade nos alimentos de origem vegetal contribui para a sensação de saciedade, ajuda a função intestinal e ainda previne DCV através da redução do colesterol sanguíneo; - Na (sódio): encontrado principalmente no sal de cozinha (cloreto de sódio – NaCl) e também em condimentos e temperos. Seu consumo excessivo pode levar ao aumento da pressão arterial (PA). Bebidas alcoólicas; especiarias (orégano, manjericão, alecrim); água; vinagre; sal; café; erva-mate; chás; alimentos preparados e embalados em restaurantes e estabelecimentos comerciais prontos para o consumo como sobremesas, mousses, pudins; produtos fracionados nos pontos de venda a varejo (frios, azeitonas, embutidos); frutas, vegetais e carnes in natura, refrigerados e congelados não precisam ter a rotulagem nutricional. Embalagens com tamanho inferior ou igual a 100cm³ também não necessitam apresentar a informação nutricional, a não ser se forem produtos para fins especiais (diet e light) ou se tiver declaração de propriedades nutricionais. Vitaminas e minerais só precisam ser informados caso haja alguma declaração de propriedades nutricionais no rótulo (por exemplo: “enriquecido com vitaminas e minerais”, “fonte de vitaminas”), e sua declaração é opcional em qualquer produto que atender ao mínimo de 5% do IDR (valor diário de ingestão) para vitaminas e minerais por porção. Informações sobre a quantidade de gordura monoinsaturada, gordura poliinsaturada, e colesterol são obrigatórias somente nos rótulos dos produtos que tiverem alguma declaração de propriedade nutricional (por exemplo: “Rico em ômega-3”, “Sem colesterol”). Com todas essas informações fica mais fácil perceber que não devemos escolher os alimentos apenas pela quantidade de calorias que ele fornece. Cada ingrediente e, principalmente, cada nutriente tem sua função e importância para o organismo, nada pode ser consumido em excesso, assim como não podemos nos privar de nenhum deles. Se o objetivo é o emagrecimento, procure orientação de que quem possa ajudar a fazê-lo de forma saudável. Mas se estiver de bem com a balança e quiser apenas se alimentar de forma mais equilibrada procure sempre os alimentos ricos em fibras, pobres em GS e, principalmente, pobres em GT. Evite consumir alimentos que tenham mais de 400mg de sódio por cada 100g do produto e procure fazer comparações entre os produtos similares (leite com leite, pão com pão), para ver qual deles oferece a melhor composição, porque é muito comum existir diferenças entre produtos similares de marcas diferentes, diferenças estas que podem ser bastante significativas. Boas compras! |