Pequenas empresas atingidas pela enxurrada têm pressa para se reerguer
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| Por Dauro Veras, de Blumenau Fotos de Juliana Kroeger Quatro semanas depois da tragédia climática de Santa Catarina, as empresas atingidas no Vale do Itajaí, uma das regiões de economia mais pujante do país, contabilizam os prejuízos e começam o duro trabalho de reconstrução. Em visita ao estado no dia 12, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a liberação de R$ 1,7 bilhão em crédito com carência e juros menores. Desse valor, R$ 500 milhões são para micro e pequenas empresas. A expectativa dos afetados é que a ajuda chegue com rapidez a quem precisa. Enquanto isso, a tolerância dos credores e a solidariedade entre patrões e empregados amenizam os primeiros passos do recomeço.
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“As medidas anunciadas são boas, mas nossa preocupação é saber quando e de que forma esse dinheiro vai chegar”, diz a presidente da Associação das Micro e Pequenas Empresas de Blumenau (AMPE), Sônia Medeiros. Ela teme que a demora na liberação e a burocracia na normatização das linhas de crédito dificultem ou até inviabilizem o repasse. O prejuízo do segmento é calculado em R$ 520 milhões pela Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina (Fampesc). Essa estimativa considera que 30% das 31 mil MPEs do Vale do Itajaí foram atingidas diretamente e todas as demais indiretamente – com queda ou paralisação da produção e do faturamento.
“Perdemos galpão, materiais armazenados e alguns equipamentos”, relata, calculando um prejuízo de R$ 300 mil. A empresa utiliza máquinas de vibração e está impossibilitada de operar até que a Defesa Civil elabore um laudo técnico. Isso representa uma perda mensal de R$ 200 mil em faturamento. Mesmo assim, Ramos não cogita demitir pessoal. Ele alerta para o risco de inadimplência tributária e muitas falências se a ajuda às MPEs não chegar a tempo: “Estamos no fundo de um poço, pisando em areia movediça, e precisamos com urgência de crédito barato ou sem juros para alavancar nossa saída”. Ivandro Papst dirige a empresa familiar Papst Jeans, com 20 empregados e faturamento anual de R$ 900 mil. Durante a enxurrada, uma árvore caiu sobre o telhado da fábrica e uma barreira desmoronou no depósito, estragando 20% da matéria-prima e algumas máquinas. A produção ficou paralisada três semanas e as vendas caíram 20%. Ele estima um prejuízo de R$ 130 mil e prevê de quatro a seis meses para a recuperação, mas não tem capital próprio para isso. “Consegui adiar o vencimento de títulos e assim manter a folha de pagamento em dia”, conta. Pabst quer voltar ao trabalho o quanto antes. “O consolo é que nossas perdas foram só materiais”, diz. “Aqui perto passa um córrego em que encontraram o corpo de uma senhora”.
O mineiro Nildo Scussel, 80 anos de idade e 70 de profissão, já viu muitas enchentes. Em 1951, mudou-se do Rio de Janeiro para Blumenau para montar a primeira óptica especializada de Santa Catarina. A enxurrada de novembro lhe trouxe menos danos que a grande cheia de 1983, quando o nível da água ultrapassou a marquise do prédio. Mesmo assim, as duas lojas da Óptica Scussel ficaram paradas uma semana e as vendas caíram 50%. “Três pessoas que trabalham comigo perderam as casas”, conta o empresário, que ficou isolado quatro dias em seu sítio por causa da violência das águas. Scussel alerta para a tendência de esquecimento por parte da mídia e das autoridades: “Está todo mundo naquela euforia de ajudar, mas daqui a pouco isso passa e o problema não desaparece, os sem-casa vão continuar assim”, diz, exortando as autoridades a ir além das promessas: “Precisamos de algum tempo e de muito dinheiro para a reconstrução”. Com todas as dificuldades que vislumbra, ele continua otimista. Não pretende se aposentar nem se mudar: “Amo Blumenau e escolhi esta cidade porque aqui é terra em que vale quem trabalha”. |
continuação >> O difícil recomeço no Morro do Baú




