A evolução da tecnologia sucroalcooleira tem provocado
efeitos contraditórios; se por um lado traz divisas ao país,
por outro tem contribuído para a precarização do trabalho
Esta reportagem, realizada entre 2004 e 2007, faz parte de um estudo coletivo sobre os impactos socioambientais da atividade sucroalcooleira no Brasil. Agradeço o apoio da Oxfam e do Instituto Observatório Social na realização deste trabalho e assumo responsabilidade integral pela publicação dos textos e entrevistas de minha autoria. As opiniões aqui expressas não são necessariamente endossadas pelas entidades referidas. Florianópolis, abril de 2009 Dauro Veras Permitida a reprodução Convenções e acordos coletivos Entrevista - Francisco Alves - UFSCar Entrevista - André Nassar - Inst. Ícone
| Por Dauro Veras Tudo isso tem permitido a elevação da produtividade em torno de 20% por hectare. Alterações genéticas fizeram com que a média passasse de 70 toneladas por hectare para 86,6 em São Paulo. Estima-se que na safra 2007/2008 essa produtividade chegará a 89,5 toneladas por hectare no estado. Uma cartilha da Unica informa que não há condições impróprias de trabalho no setor, de acordo com parâmetros estabelecidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Código Penal Brasileiro.(4) “Em uma amostra de 47 unidades paulistas foi constatado que mais de 90% das usinas proporcionavam assistência médica, odontológica, transporte e seguro de vida em grupo; e acima de 80% forneciam refeição e assistência farmacêutica”, informa Unica. “De acordo com o resultado dos Indicadores do Balanço Social (modelo Ibase) , realizado há quatro anos nas empresas do setor, foi constatado que parte da folha de pagamento era destinada à participação nos lucros, alimentação, saúde, segurança e medicina do trabalho, educação, capacitação e desenvolvimento profissional”, alega a organização empresarial. (5) Entretanto, os protestos e repercussões internacionais sobre as precárias condições de trabalho começam a preocupar o empresariado. Os produtores rurais do setor sucroalcooleiro pretendem desenvolver uma campanha de longa duração – pelo menos cinco anos – para “esclarecer a sociedade” sobre a importância do setor e melhorar os pontos problemáticos. Alguns empresários admitem, em conversas reservadas, que as condições sociais podem ter conseqüências negativas para as exportações. (1) ALVES, Francisco. Modernização da agricultura e sindicalismo: as lutas dos trabalhadores assalariados rurais na região canavieira de Ribeirão Preto. 1991. Tese – IE da Unicamp, Campinas, 1991. (2) Folha de S. Paulo, 29 de abril de 2007. (3) Açúcar e Álcool – Responsabilidade Social numa história de desenvolvimento sustentável. http://www.portalunica.com.br/identidade/historico.jsp (4) Dados do Ministério Público, corroborados por denúncias de movimentos sociais, contrariam a informação. Nos primeiros cinco meses de 2007, informa o Portal G1, da Rede Globo (23.05.2007), o Ministério Público do Trabalho lavrou 247 autos de infração em empresas do setor no interior do estado de São Paulo – a maioria associada à carga horária excessiva, falta de marmita térmica e água potável. Em investigação iniciada em 2005, o MP levantou, até julho de 2007, 20 casos de mortes supostamente relacionadas a excesso de trabalho nas lavouras, embora reconheça que é difícil caracterizar a exaustão como causa. (5) Portal G1, Rede Globo, 23.05.2007. |