O jogo surgiu de uma conversa na esquina, com a Jóia Laura, que me falava entusiasmada dos tempos do Coronel, seu suposto ex-amante(o fixo), Jóia, era uma das mulatas mais concorridas aqui da zona, enlouqueceu na decadência do meretrício e hoje vive por aqui, num casarão abandonado qualquer, carrega sacas e sacas de lixo que recolhe dos restaurantes, supermercados e fruteiras do bairro " é o jantar do Coronel, ele chegará faminto!", Jóia está muito idosa, completamente louca e agressiva, maltrapilha e tem um odor insuportável (pelo lixo que carrega constantemente), as pessoas que moram aqui na rua costumam jogar pedras nela, cuspir, chutar, gritam palavrões... enfim, como ela é uma mulher aprisionada no passado, e ficou conhecida como Jóia Laura porque esbanjava luxo, e fazia questão de andar por aí mostrando que tinha muitas jóias, gosto de me aproximar dela quando está falando sozinha, procuro interagir, afinal, ela é a história de Belém se arrastando pelas ruas. Perguntei-lhe ontém, que data é hoje: ela disse imediatamente! "não sei que dia... ah, sim, hoje é 8 de maio de 73, meu deus! Aniversário da mamãe, tchau, vou fazer um bolo!" Eu pedi que me mandasse um pedaço, e ela me jurou de morte.
Do que sobrou do colar de brilhantes de Laura, tentei construir algo, então consegui aquarelas sobre papel que vem para questionar o olhar das pessoas em relação ao ato artístico, em relação à mulher na sociedade brasileira, e à história do bairro da Campina, antes alguém era jovem, bonita, andava coberta de jóias, hoje, vive o passado na fartura do lixo, que impera neste bairro. É isso.
Dia 31/10 - Sexta a partir das 21horas
Corredor Polonês Atelier Cultural
Rua General Gurjão, 253 (esq. com Ferreira Cantão). Campina.
Fones: 3222 75 43 / 8214 52 86.
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Não esquecer.
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