Era uma vez um rei que fez promessa de levantar de levantar um convento em Mafra...
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«Prometo, pela minha palavra real, que farei construir um convento de franciscanos na vila de Mafra se a rainha me der um filho no prazo de um ano a contar deste dia em que estamos…»
Cap. I, p. 14
D. joão V...
Filho de D. Pedro II e de Maria Sofia de Neubourg, foi aclamado rei em 1707.
Quando inciou o reinado, estava-se em plena Guerra da Sucessão de Espanha, que para Portugal significava o perigo da ligação daquele país à grande potência continental que era a França. No entanto, a subida ao trono austríaco do imperador Carlos III, pretendente ao trono espanhol, facilitou a paz que foi assinada em Utreque, em 1714. Portugal viu reconhecida a sua soberania sobre as terras amazónicas e, no ano seguinte, a paz com a Espanha garantia‑nos a restituição da colónia do Sacramento.
Aprendeu D. João V com esta guerra a não dar um apreço muito grande às questões europeias e à sinceridade dos acordos; daí em diante permaneceu inalteravelmente fiel aos seus interesses atlânticos, comerciais e políticos, reafirmando nesse sentido a aliança com a Inglaterra. Em relação ao Brasil, que foi sem dúvida a sua principal preocupação, tratou D. João V de canalizar para lá um considerável número de emigrantes, ampliou os quadros administrativos, militares e técnicos, reformou os impostos e ampliou a cultura do açúcar. Apesar disso, Portugal entra numa fase de dificuldades económicas, devidas ao contrabando do ouro do Brasil e às dificuldades do império do Oriente.
D. Maria Ana de Áustria
D. Maria Ana de Áustria era uma senhora muito virtuosa, mas não foi feliz no casamento; amava sinceramente seu marido, e sofria muito com a infidelidade do monarca, que via sempre entregue a outros amores. Por alguns anos foi estéril, o que motivou o voto feito por D. João V, de que resultou a edificação da basílica de Mafra. Afinal a esterilidade terminou completamente, e a rainha teve 6 filhos; sendo um deles D. José, o príncipe da Beira, titulo criado por D. João V, para o primogénito do príncipe do Brasil, o qual depois lhe sucedeu no trono. Quando o monarca foi ao Alentejo em 1716, ficou sendo regente do reino, e tomou novamente a regência em 1742, quando D. João V adoeceu gravemente, apesar do príncipe D. José ter já 27 anos de idade. Nestas duas regências mostrou sempre muita capacidade, prudência e justiça.
O convento de Mafra...
Mandado construir por D. João V, o Real Convento de Mafra é o mais importante monumento Barroco Português. O conjunto arquitectónico desenvolve-se simetricamente a partir de um eixo central, a basílica, a principal de uma longa fachada ladeada por dois torreões , localizando na sua zona posterior o recinto conventual da ordem de S. Francisco. A direcção da obra coube a João Frederico Ludovice que adoptou o modelo barroco classizante, com alguma influência germânica. As obras iniciaram-se em 1717, ano do lançamento da primeira pedra, e a 22 de Outubro de 1730, dia do 41º aniversário do rei D. João V fez-se a inauguração da basílica. Este Palácio-Convento possui uma das mais importantes bibliotecas portuguesas e também aqui funcionou a Escola de Escultura de Mafra por onde passou Machado de Castro.
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«El-rei foi a Mafra escolher o sítio onde há-de ser levantado o convento. Ficará neste alto a que chamam da Vela […]»
Cap. VIII, p. 86
Muitas são as lendas acerca do Palácio de Mafra.
Amais popular é a da existência de ratazanas enormes capazes de comer pessoas. Embora os subterrâneos do Palácio tenham sido explorados e não tenham dado mostras de ser habitados por ratazanas invulgares para aquela zona de esgotos.
Um túnel que ligaria o Convento de Mafra à Ericeira e por onde teria escapado o rei D. Manuel II ao exílio também pertence ao imaginário. Embora exista, o túnel não passa da Vila de Mafra, tendo sido construído para escoar os esgotos do Palácio.
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« Ordeno que a todos os corregedores do reino se mande que reúnam e enviem para Mafra quantos operários se encontrarem nas suas jurisdições, sejam eles carpinteiros, pedreiros ou braçais, retirando-os, ainda que por violência, dos seus mesteres, e que sob nenhum pretexto os deixem ficar, não lhes valendo considerações de família, dependência ou anterior obrigação, porque nada está acima da vontade real […]»
Cap. XXI, p. 291
A Caranguejola
D. Maria Pia, visitava frequentemente o Palácio de Mafra, tendo mandado construir um elevador com acesso do rés-do-chão ao terceiro piso. Considerado o primeiro em Portugal, podia transportar até dez pessoas e ao qual comummente se apelidava de “ caranguejola”
Os Carrilhões
Têm em conjunto 92 sinos e pesam cerca de 217 toneladas.
Foram encomendados por D. João V e são considerados entre os melhores do mundo. Tocam valsas e contradanças.
Aforte ligação do palácio à música mantém-se até hoje.




