Carlos Correia: portfolio

Teatro




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O Teatro já foi paixão avassaladora, ora decantada em amor sereníssimo.

O exagero do superlativo absoluto simples é, neste contexto, uma figura de estilo rigorosa porque qualifica com rigor esta relação muito especial.  

Os primeiros sintomas da paixão alumiaram-se nos bastidores da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no final da década de sessenta. Ser do teatro, pertencer a uma troupe académica era uma ideia seminal e no grupo que então se formou, aprendi a representar em francês. Fui actor em "Knock", de Jules Romain e mais tarde em "Rhinocéros", de Ionesco, ambos representados na língua de Molière. Nessa aventura partilhada com Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo, entre outros, aprendemos as carpintarias do teatro sob a batuta do professor François Castex. Todavia, cedo descobri que os bons actores eram eles e não eu. 

O temível inquisidor de mim mesmo, que comigo habita, levantou vagas de descrédito às performances sobre o palco e não tardou em passar-me a competente guia de marcha onde se decidia que eu devia abandonar o grupo de teatro da Faculdade de Letras. Já assisti à peça "O Anfitrião", de António José da Silva, no lugar que era o meu - um assento na plateia. Pouco tempo depois os colegas aprofundaram competências numa escola inglesa e fundaram uma companhia de teatro - a Cornucópia. Eu também emigrei e na Holanda aprendi a navegar no fundo mais fundo do umbigo do meu mundo onde caldeei tão desmesurada paixão em sereníssimo amor, decantado em reflexões sobre muitas folhas rascunhadas.

Sete anos após o fogo se ter extinguido, descobri qual era o meu papel no Teatro. Foram muitos os quilómetros de linhas escritas até chegar a Saltimbancos, a primeira peça. Outras oito peças escrevi, entretanto: numas fui apenas autor, noutras encenei, jamais voltei a ser actor e todas elas conheceram a alegria maior do Teatro - as tábuas do palco. Uma das últimas peças escritas e representadas, em 1997, "Auto das Muy Desvairadas Partes e da Índia" foi apresentada sob o pseudónimo, de Autor Anónimo do século XXI. Aqui fica desvendado o segredo, até agora partilhado apenas com os actores e técnicos do Teatro Nacional D. Maria II, que participaram no espectáculo. 

Já no novo século decidi regressar ao teatro para a infância e ofereci a uma nova companhia as Fantocheiras de Além Tejo uma peça de teatro para fantoches