A Ordem Inevitável

Cansei


Cansei de amor que não se entrega
Não se apega, não se permite
Que não se move, que só espera
Que compete, que combate
Que disputa, mas que não cresce.

Cansei de amor que não amadurece 
Na certeza de sua força,
Que é egoísta, é cego, é pequeno
Cotidiano, leviano.
Que não se regenera
Não se adapta, não resiste.

Cansei de amor que é descartável,
Incapaz de reconhecer o seu próprio poder.
Que é mental, é racional
Planejado, desenhado
Falho no essencial.

Cansei de amor que é doente, é vazio
Que só quer preencher vazios
Existentes na própria alma.
Que é incapaz de exercer em sí
O poder da mágica 
E de aprender na mágica do outro. 

Cansei de amor que não é amor.