Treinamento Esportivo
Apresentação
Aqui iniciaremos um projeto ousado e de alto valor agregado. O professor Marcos Antonio Lopes apresentará nesta coluna Treinamento Esportivo. O objetivo será divulgar e dar dicas bem pontuais sobre métodos de treinamento. Não é nossa intenção alterar a rotina de treinamento de nenhum professor, mas sim fazer um convite à experimentação de outros tipos de treino, com o propósito de oferecer aos judocas uma oportunidade de melhorar seu desempenho como atleta. Nessa primeira “conversa”, vamos fazer uma breve apresentação do professor Marcos Antonio Lopes: Judoca desde os nove anos de idade, iniciou-se no judô com o professor Milton Trajano da Silva. De 1989 a 1992 foi integrante do Projeto Futuro como atleta residente. Em 1993 retornou para Valinhos e tornou-se instrutor de judô na então Associação Valinhense de Judô. Segundo o professor Marcos, nesse período, orientar jovens iniciantes na prática do judô foi uma experiência que o fez crescer bastante. Em 1995 ingressou no curso de Bacharelado em Esporte na Escola de Educação Física e Esporte da USP. No primeiro semestre daquele ano voltou ao Projeto Futuro como hóspede, em uma condição diferenciada por ser estudante universitário. Até o ano de 2000, ano em que se formou, dividiu seu tempo entre as obrigações acadêmicas e profissionais, atuando então nos seguintes locais: · Professor de Judô do Clube Campineiro de Regatas e Natação – 1996; · Professor/Técnico de Judô do Projeto Olímpico USP XEROX – 1996 a 1997; · Técnico de judô do ECO-Yanaguimori/Osasco – 1998; · Professor/Técnico de Judô do São Paulo Futebol Clube – 1997 a 2000; · Professor de Judô em Instituição de Ensino Fundamental desde 1996 até a presente data. Depois de formado, entre 2001 e 2006 dedicou-se a elaborar programas de treinamento para atletas, como as do Projeto Futuro em 2002 e do ECUS-Suzano, em 2003, atividade que retoma agora, após exercer a função pública de Gestor Esportivo Municipal (setembro de 2006 a Janeiro de 2009). ◘
Capítulo 1 - Iniciando um Treinamento Esportivo
A prática do Judô, seja em associações, academias, clubes, condomínios, prefeituras, escolas, ou em projetos sociais, sempre é bem-vinda e contribui de forma direta e inegável para a formação da criança e do adolescente. Independentemente de uma prática mais competitiva ou participativa, os praticantes vivenciam hábitos e rituais diferenciados de nosso cotidiano e assimilam valores transmitidos pelos professores. Tais valores baseiam-se nos princípios do Judô, que buscam o melhor uso da energia mental e física para a realização das atividades humanas. (Bull, 2008) [1]
No Brasil, o treinamento esportivo de Judô é incipiente e não possuímos ainda sequer uma padronização na formação dos próprios treinadores. Há, em nosso Estado, cursos organizados pela Federação Paulista de Judô, cuja finalidade principal é a graduação dos interessados, além de alguns outros cursos que se resumem em apenas um dia de palestras, como o de credenciamento de técnicos para atuarem em competições. Nossa realidade permite que a maioria dos faixas pretas possua uma noção geral do conteúdo e se responsabilize pelo ensino e até mesmo treinamento de Judô, resultando disso semelhanças entre as aulas e treinamentos nos diferentes locais. Em nossa região, temos observado muitos treinadores que se notabilizam pelos excelentes resultados de seus atletas em competições regionais, estaduais e nacionais. Entretanto, vemos padrões de luta semelhantes em atletas de diferentes classes e categorias e, em muitos casos, esse estilo de luta imita a forma de lutar de seu treinador. Ou seja, ainda vemos atletas treinando como seu técnico treinava. A prática do segundo dos autores que assina este texto também evidenciou essa realidade: seu primeiro professor utilizava o moroteseoinague e essa se tornou sua principal técnica. Por essa razão trazemos o seguinte questionamento: o que fazer para diferenciar e não limitar o desempenho do jovem atleta, possibilitando o aprendizado e desenvolvimento de outras técnicas, além de possíveis sequências e contragolpes, ou mesmo impedir a especialização precoce? Enfim, como devemos treinar os jovens atletas e prepará-los para futuras cargas de treinamento? É com esse espírito questionador que iniciamos nossa coluna, e se o objetivo era dar dicas pontuais, leiam as primeiras descritas na tabela abaixo. ◘
[1] Bull, W. Energia Mental e Física – escritos do criador do Judô, 2008
Capítulo 2 - A Importância da Corrida no Treinamento Esportivo Ao iniciar a coluna Treinamento Esportivo, nosso objetivo, “dar dicas bem pontuais sobre métodos de treinamento”, convidando os interessados à experimentação de outros tipos de treino, levou-nos a observar mais atentamente nossos próprios planejamentos e resgatar alguns de seus registros. Pois bem, para isso, acreditamos ser necessário estabelecer um diálogo em torno de determinados temas. Assim, propomos como tema inicial a importância da corrida no programa de treinamento de atletas de judô. Acreditamos que os métodos de treinamento de outras modalidades esportivas, como levantamento de peso olímpico (LPO), Jiu-jitsu brasileiro, luta olímpica, ginástica artística, atletismo, podem contribuir com a melhoria da condição física de nossos lutadores, e vemos que alguns treinadores mais ousados têm-se utilizado desses métodos na preparação de seus atletas. Atualmente, o número de atletas e treinadores que utilizam métodos de treinamento de outras modalidades vem aumentando. Recentemente vimos uma matéria que apresentava Tiago Camilo se recuperando após uma sessão de treinamento de LPO[1]. Nas décadas de 80 e 90, o atletismo, ou melhor, as corridas de curta, média e longa distâncias eram as mais utilizadas na preparação de nossos lutadores. Apesar de contribuir para a melhoria da condição cardiorrespiratória, a utilização desse método não respeita o princípio da especificidade do treinamento, afinal “lutador tem que lutar”. Muitos atletas se notabilizaram pela excelente condição física daí proveniente desse método. O maior exemplo foi, sem dúvida, Aurélio Miguel, campeão olímpico em Seul, posto que, segundo Mario Hata[2], “tais treinos dotavam-no de excelente condição cardiovascular, que o auxiliava durante as temporadas de treinamento no Japão”. Por outro lado, para muitos atletas correr significa correr para perder peso, para emagrecer. Sem dúvida, o objetivo pode ser alcançado, mas na maioria das vezes essa corrida é feita com muitas blusas e até com sacos plásticos, o que acarreta a desidratação e a conseqüente diminuição do peso corporal e do desempenho esportivo. Muitos atletas e treinadores ainda utilizam as corridas como principal meio de preparação física dos atletas; outros, a contragosto acabam prescrevendo; e uns poucos se negam a utilizar. Mas será que podemos utilizar esse método? Nossa prática tem mostrado que, em certas circunstâncias, a corrida, além de necessária, pode ser o único método de treinamento possível, como por exemplo: um atleta com uma lesão na mão, impossibilitado de fazer musculação e de lutar; na falta de parceiros para fazer handori em intensidade mais elevada; entre outras. Entretanto, o Judô possui métodos de treinamento específicos que possibilitam a melhora do desempenho esportivo, como: uchikomi, parado, andando, em velocidade, de força, com o uke sendo segurado, projetando; briga de pegada; ataque e defesa; handori. Tais treinos podem e devem ser realizados respeitando o tempo de duração de uma ação tática, tempo de duração média de um mate/hajime, e de luta no solo. Enfim, cabe ao treinador dosar o treinamento levando em conta a freqüência semanal, o volume e a intensidade do trabalho. Hoje, possuímos no Brasil pesquisadores preocupados com a melhora do desempenho de nossos atletas, mas ainda encontramos poucos livros sobre treinamento de atletas de Judô. Os dois principais são: · Judô Desempenho Competitivo, escrito por Emerson Franchini e publicado pela Editora Manole, o qual, segundo o autor, é uma tentativa de entendimento sistemático e organizado do processo de preparação para o desempenho de alto nível; · Preparação física para atletas de judô, escrito por Emerson Franchini e Fabricio Boscolo Del Vecchio e publicado pela Phorte Editora, no qual os autores expõem ensinamentos sobre como funcionam os processos de treinamento que podem facilitar o desempenho do atleta e otimizar a execução técnica. Eis nossa dica, vale a pena conferir.◘[1] http://www.brancozanol.com.br/destaques.asp?COD_SITE=390 [2] Preparador Físico de Aurélio Miguel de 1986 a 2000
Capítulo 3 - Métodos de Preparação Física Geral para Atletas de Judô Neste e no próximo capítulo, iremos aprofundar um pouco mais a nossa metodologia de trabalho, utilizando a experiência e os conhecimentos por nós adquiridos em vários ambientes de estudo e de trabalho com atletas e profissionais da área. A Preparação Física Geral (PFG) e a Preparação Física Específica (PFE) devem funcionar como suporte para o desenvolvimento da técnica e da tática de luta, e ainda fazer parte da estratégia de preparação para a competição-alvo. Devemos orientar a rotina de treinos de nossos atletas distribuindo as cargas durante o período de preparação, a fim de que eles atinjam um desempenho ótimo e consigam aprimorar sua capacidade de trabalho anaeróbio e a potencia muscular na aplicação dos golpes, sem a ocorrência de lesões ou stress. Para isso, podemos lançar mão de inúmeros métodos de treinamento, sendo os mais comuns as corridas e o trabalho com sobrecarga na sala de musculação. A utilização dos métodos de treinamento do fisiculturismo busca o desenvolvimento muscular geralmente realizado em séries divididas com exercícios monoarticulares. Mas para o esporte, principalmente as modalidades esportivas de combate, apenas o desenvolvimento do músculo não é suficiente, necessitamos treinar gestos específicos e movimentos multiarticulares. No entanto, tal método pode ser aplicado em casos específicos, como na reabilitação de lesões, ou para o fortalecimento de determinados grupos musculares mais solicitados na modalidade. Por outro lado, vemos o método LPO System[1] de Edmilson Dantas em plena ascensão. Quem não se lembra das lutas de nosso amigo Everson Carlos da Silva, o índio “Rústico”, que representou o Esporte Clube Pinheiro durante vários anos? Suas técnicas, adaptadas ao seu estilo de luta, surpreenderam muitos adversários em virtude de sua potência muscular. Tal característica foi adquirida com treinamentos de LPO na PFG, modalidade em que o mesmo obteve títulos importantes e experiência para orientar atletas em seus treinamentos. Esses movimentos, de alta complexidade, devem ser praticados na presença de profissionais capacitados, pois sua efetividade depende do desenvolvimento de altas cargas e devem ser realizados em locais adequados. No entanto, tais equipamentos, locais e profissionais ainda não são acessíveis à grande maioria dos atletas de Judô. Mas fiquemos tranqüilos, pois o judoca não precisa ser o mais forte, muito menos levantar a maior carga possível, afinal, ele não é levantador olímpico e sim, lutador. [1] http://www.treinamentoesportivo.com/artigosTE.com/LPO006.php http://www.potencianoesporte.com.br
O fortalecimento muscular e a seleção dos exercícios de musculação devem ser criteriosos. Para Zatsiorski[1], o técnico e o atleta, quando da seleção de exercícios de força para o treinamento da potência, devem estar atentos a todas as facetas da especificidade do exercício: tipo de resistência, tempo e taxa de desenvolvimento da força, velocidade do movimento, direção do movimento e a relação postura/força. Os músculos atuantes devem ser os mesmos utilizados no exercício esportivo principal; e o tipo de resistência empregado no treinamento deve imitar tanto quanto possível aquele exigido durante a luta. Segundo Franchini[2], o programa de treinamento de força deve considerar os seguintes aspectos: · Escolha dos exercícios. · Ordem dos exercícios. · Resistência ou intensidade a ser utilizada. · Número de séries. · Frequência semanal. · Intervalos entre as séries e os exercícios.
Os vídeos dos exercícios estão na coluna ao lado e poderão ser estudados e adaptados à necessidade de cada atleta, mas sempre com o acompanhamento de um profissional de educação física especializado. Ciclo Anual de Treinamento Todos nós alimentamos “sonhos”, muitos buscam com todas as forças concretizá-los, outros, porém, ficam pelo caminho e se contentam com devaneios. Conquistar uma medalha olímpica, em campeonatos mundiais, a vaga na seleção, ser campeão brasileiro, estadual, são alguns dos objetivos que encontramos nos atletas e em seus treinadores. Por sua vez estabelecer metas realistas, de acordo com as possibilidades dos atletas, é o ponto mais importante no Planejamento e Organização do Treinamento Esportivo. A Arte de planejar e organizar as cargas de treinamento bem como definir seus objetivos (primários, secundários...), pode-se denominar de Periodização. Ou seja, distribuir ao longo de um determinado período de tempo (semanas, meses, anos) as cargas que o atleta deve se sujeitar para atingir sua forma física ideal para obter os resultados estabelecidos. Essa distribuição deve respeitar Princípios e Leis que regem o treinamento esportivo. A literatura científica nos oferece inúmeros livros e artigos que tratam sobre o assunto. Em linhas gerais devemos seguir o seguinte: · Princípio da especificidade – o treinamento deve ser específico para o esporte em questão; · Princípio da sobrecarga progressiva – o treinamento deve evoluir, aumentando seu volume e/ou intensidade, conforme aumenta a capacidade do atleta em realizar as tarefas determinadas; · Princípio da individualidade biológica – cada organismo humano responderá aos estímulos de forma diferenciada; dentre outros. Ao iniciar a distribuição das cargas e a elaboração das sessões de treino devemos nos atentar ao número de treinos que serão realizados por dia, semana, mês e ano; a freqüência que determinado estímulo ou sessão de treino será dado; o volume e a intensidade do treino; e, as qualidades físicas (capacidade e potência aeróbia e anaeróbia, força, velocidade, resistência) que devemos desenvolver em nossos atletas. Realizar avaliações físicas e médicas ajudam a diagnosticar o estado de treino do atleta. Compará-lo com atletas de diferentes níveis, conhecer seu histórico de lesões e seus problemas de saúde, são informações que não podemos negligenciar no processo de Organização e Planejamento do treinamento esportivo. Entretanto, ao se deparar com os calendários esportivos das diferentes entidades que regem o Esporte, como, Confederações, Federações, Ligas e Entidades Estudantis e Universitárias, a realidade nos salta aos olhos e vemos o quanto Planejar e Organizar o treinamento passa a ser um desafio, uma verdadeira Arte. Definir o modelo de Periodização a ser aplicado, mais tradicional ou contemporâneo, linear ou não linear, enfim, em quais teorias nos apoiaremos para conduzir nossos atletas em rumo à realização de nossos sonhos é o primeiro e grande desafio do treinador (comissão técnica) e do atleta. Em nosso país, de dimensões continentais, possuímos uma variedade de formas de preparar os atletas, tanto na iniciação esportiva, como na especialização e no alto rendimento. Vemos alguns estados, mais avançados em certas áreas do conhecimento humano, como as Ciências do Esporte, por essa razão, estão à frente na expectativa de conquista de medalhas. Ao observarmos nossas principais conquistas em mundiais e olimpíadas, veremos que se concentram em poucos estados brasileiros, a maioria no estado de São Paulo. Hoje, porém, vemos, nas categorias de base, atletas de outros estados conseguirem resultados em competições nacionais, campeonatos brasileiros e seletivas, e internacionais. Tais conquistas refletem o resultado do trabalho de diversos centros formadores de atletas de Judô. Em muitas locais vemos surgirem projetos, realizados com recursos públicos e/ou privados (incentivados), que proporcionarão resultados significativos a médio e longo prazo. Com essas iniciativas surgem, concomitantemente, modelos de preparação de atletas, muitos sob forte influencia da experiência dos treinadores (Teoria de Uso do Treinador) , outros calcados em modelos pré-definidos, como, se seguissem uma receita, copiando o que outros atletas realizaram, e, alguns, utilizando-se do método científico. É difícil afirmar qual melhor modelo de treinamento, afinal de contas, os talentos esportivos surgem nos lugares mais inesperados, entretanto, serão nos grandes centros, nos grandes clubes que eles se desenvolverão, e nesses locais o modelo científico deve prevalecer, pois, como afirma James Counsilmam , jamais construiremos campeões copiando o que outros fizeram, temos que utilizar o método científico, o mesmo ainda ressalta que; “... O treinador deve se perguntar: sou um pesquisador? Realizo constantes observações objetivas? Levanto questões e procuro respostas concretas para os problemas que surgem? Faço investigações? Em minhas investigações utilizo métodos de outros ramos científicos, como, biomecânica, fisiologia, psicologia? Ao analisar busco conclusões lógicas ou sou levado por pré-conceitos e por pensamentos irracionais?”. Ou ainda, citando Antonio Carlos Gomes, essa última opção terá de ser cada vez mais adotada, pois existem inúmeras perguntas ainda não respondidas, e as explicações e respostas para o treinador, o atleta, e a sociedade em geral, são respondidas pela ciência acadêmica. | Isso acontecerá, porém, se contarem com uma boa estrutura de orientação, materiais esportivos, equipamentos, especialistas de diversas áreas da Ciência do Esporte, e principalmente condições para os atletas treinarem, participarem de competições, e, de vida e estudo. E que, ao falar sobre o triathlon, em entrevista à CBTri, desvela a realidade de todas as modalidades esportivas no Brasil, “infelizmente, ainda falta uma política séria de esportes que venha colaborar de forma decisiva na formação de campeões no esporte de alto rendimento.” (Gomes 2008). Nesse contexto o que já existe, mas se faz necessário ampliar é cada treinador construir ao longo do ciclo anual de treinamento, a partir de registros, relatórios, relatos, um modelo adequado as suas condições de trabalho, e inserir no processo anual, testes e avaliações, intercâmbios com outras academias, associações e clubes, para troca de informações e conhecimentos. A construção de um modelo cada vez mais eficiente depende de inúmeros fatores, alguns deles são:
Em nossa prática temos procurado aperfeiçoar um Caderno Individual para Controle do Treinamento, e nele registrar tais informações, pertinentes ao desempenho de nossos atletas. Com esse instrumento, a cada ciclo anual, e a cada Ciclo Olímpico, teremos maior probabilidade de êxito. Penso que, se cada treinador realizar essas tarefas, para alguns, aparentemente complexas, para outros, já incorporadas na rotina de trabalho, teremos informações que nos conduzirão a um nível cada vez mais elevado de desempenho esportivo. E, principalmente se os órgãos dirigentes apoiarem, orientarem, mantiver informado e controlarem todo esse processo de treinamento, em poucos anos teremos desenvolvido nosso próprio modelo de preparação dos atletas brasileiros, e, quiçá, em 2016 escreveremos uma nova história no Esporte Olímpico Brasileiro e Mundial.Aplicando os primeiros exercícios:
A seguir, apresentamos os três grupos de exercícios. Para cada exercício descrito temos um link para um vídeo rápido apresentando a forma de execução dos exercícios. A freqüência e intensidade pode variar de judoca para judoca, por isso é fundamental o acompanhamento do professor para indicar os exercícios corretos: Grupo 01Podemos variar os exercícios conforme a necessidade e a evolução do atleta. Por exemplo; agachamento com barra à frente, ou com os cotovelos estendidos acima da cabeça; supino, reto, inclinado e/ou declinado, explorando diferentes ângulos de aplicação de força; desenvolvimento agachado, etc. Como dissemos, descartamos num primeiro momento os exercícios monoarticulares como flexão e extensão de punhos, cotovelos, joelhos e tornozelos de forma isolada, salvo em casos em que realmente haja necessidade, como, por exemplo, na recuperação de lesões, ou mesmo em casos de deficiência de força verificados em combates realizados pelo atleta. Grupo 02 Agachamento e Desenvolvimento, Terra e Puxada Alta, Supino e Remada Estes exercícios auxiliam no aprendizado e desenvolvimento de técnicas de carregar o oponente, pois são realizados de forma concatenada. E trabalho da musculatura agonista-antagonista, de puxar e empurrar para aumentar e diminuir a distância dos adversários, sempre controlando a distancia para a aplicação eficiente das técnicas. Grupo 03Arremesso e Arranco Já abordados acima quando falamos do LPO System.
[1] ZATSIORSKI, V.M. Ciência e prática do treinamento de Força. São Paulo: Phorte. 1999. [2] FRANCHINI, E. Preparação física para atletas de judô. São Paulo: Phorte. 2008.
Capítulo 4 - Preparação Física Específica para Atletas de Judô O atleta de Judô necessita de um alto nível de desenvolvimento da capacidade de resistir à fadiga sem diminuição da eficácia das ações técnica e táticas. Essa capacidade de resistir à fadiga e de desempenhar ações motoras complexas (golpes) com força, velocidade e precisão espacial compõem os fatores que fundamentam e determinam a estrutura tática do judoca competidor. Assim, a análise e o aprimoramento do desempenho técnico e tático dos judocas no decorrer e posteriormente às temporadas ou ciclos de treinamento é de fundamental importância para um bom desempenho competitivo. Trata-se de fator determinante no resultado da competição, pois mesmo um atleta possuindo excelentes parâmetros em sua avaliação física, esses não lhe garante a vitória. Entretanto, tais qualidades não devem ser desprezadas, mas incorporada à estratégia de preparação do atleta. (Franchini, 2001) Como dissemos anteriormente devemos conduzir as sessões de treinos de nossos atletas distribuindo as cargas para que atinja um desempenho ótimo e consiga aprimorar sua capacidade de trabalho anaeróbio lático, além de manifestar esforço útil potente concentrado na fase decisiva da ação esportiva. Para tanto, o treinamento de força para a produção de potência na realização das técnicas deve ser composta de: • Exercícios de “assistência”, apresentado na edição anterior, sendo este dirigido para o desenvolvimento: 1. da força máxima; 2. taxa de desenvolvimento da força; 3. potência (a força muscular gerada em uma alta velocidade de movimento); 4. a força produzida durante o ciclo de alongamento-encurtamento na ação muscular reversível. • Exercícios da ação esportiva principal, o golpe, com sobrecarga adicional; Por outro lado, o golpe, gesto esportivo ou movimento específico da modalidade de luta Judô possui características que dificultam a análise científica, como: • Adversários de peso aproximado com resistência dinâmica; • A ação nem sempre gera uma reação na mesma direção e sentido oposto. • A fadiga muscular ou neural impossibilita ajustes de força e velocidade; • Método de treinamento não possibilita treinamento com altas cargas; • Falta de trabalho muscular que permita uma transferência significativa para a ação motora complexa; Por essa razão a seleção prévia dos golpes deve ser feita baseado em critérios táticos e condições físicas bem como a habilidade técnica de cada atleta. E, para ser efetiva a ação motora complexa necessita de ajustes e de uma aprendizagem sistematizada, adquiridos sob a orientação e acompanhamento de técnicos especialistas. Entretanto, conhecer e saber aplicar determinadas técnicas não é na maioria das vezes o suficiente para superar os adversários, para tanto, exercitar-se especificamente é questão de importância primordial, pois tornará a técnica mais potente. A tática por sua vez é a capacidade do atleta desenvolver a complexidade de suas ações, movimentações e das técnicas envolvidas nessas para conseguir a projeção do adversário da forma mais perfeita possível e aprender as possíveis formas de efetivar seu objetivo dependendo da reação e/ou resposta de cada adversário. Assim, ela deve ser aprimorada levando em consideração as características da competição, dos adversários e das condições gerais do atleta. Por isso os treinos que envolvam ações táticas estruturadas e pensadas para cada adversário devem ser enfatizados, realizando tais ações em diferentes intensidades, em espaços de tempo que se assemelham às situações reais de combate, dotando seu atleta de melhores condições de êxito. Abaixo, exemplo de Treinamento Específico para Atletas de Judô visto de dois ângulos:
|
