Diário Pantanense

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Interagindo




O PING-PONG DA EDUCAÇÃO

          Recentemente a educação brasileira vem passando por diversas mudanças. Mudanças estas que dificilmente afetarão a vida dos brasileiros se o modo de pensar destes não mudar. É evidente que o aluno passará a realmente estudar se ficar decidido que ele só deixará o Ensino Médio se passar na prova do ENEM (na nova e melhor prova do ENEM), ou abandonará a escola de uma vez por todas. Talvez esta última fosse melhor, pois só assim ficariam na escola alunos de verdade. Para muitos irá ser um susto, certamente, principalmente para aqueles que fazem da escola um simples ponto de encontro com os amigos, mais um simples lugar a frequentar e até mesmo um lugar para usufruir das destruições das drogas. Mas com certeza, se os professores da rede pública de ensino fossem submetidos ao novo ENEM e só continuassem lecionando mediante aprovação nesta prova, também seria motivo para pânico, visto que grande parte de nossos “mestres” não possuem capacitação, conhecimento e formação adequados para estarem devidamente em uma sala de aula.
          Em contra-partida, outro assunto vem sendo discutido no Senado Federal: o sistema de cotas para negros no Ensino Superior público brasileiro. Quando digo contra-partida e cito que sou a favor da idéia de aprovação no Ensino Médio pela prova do ENEM, logo percebe-se que sou totalmente contra ás cotas raciais. Todos querem acabar com o racismo no Brasil. Isso concordo. Mas se na Constituição Federal tivermos uma lei que dá direitos diferentes às pessoas pela cor da sua pele, não estaríamos cometendo racismo? Os movimentos negros no Brasil defendem a idéia de que eles têm que terem direitos diferentes por aquilo que já passaram, pela escravidão, etc. Mas se a abolição da escravatura foi feita em 13 de maio de 1888, logo nenhum escravo será beneficiado com essa lei, a não ser que ele tenha 121 anos e queira cursar uma faculdade. Estes que seriam os supostos beneficiados não foram escravizados. Já viveram em um mundo normal – com discriminação, é claro – mas normal, sem escravidão. Outro dia li uma entrevista de um aluno que disse que se entrasse na faculdade pelo sistema de cotas raciais, não a cursaria, pois ele tem a mesma ou maior capacidade de um branco para ingressar numa faculdade. Sublime afirmação.
          Encerrando, temos que mudar é o nosso jeito pequeno de pensar, de ver um mundo exíguo que se limita a nós em poucos quilômetros, de pensar que não podemos e que os outros são os melhores. Do contrário, mesmo com algumas mudanças na educação, continuaremos a ter escolas sucateadas, professores sem conhecimento e formação adequados, administrações públicas cada vez piores, mau uso do dinheiro público, corrupção na maioria dos setores da sociedade, políticos literalmente burros e safados e, com certeza, um Brasil lá em baixo quando tratarmos de EDUCAÇÃO.

                


NO BRASIL É ASSIM

               

Vivemos em um país cujas pessoas não almejam muita coisa. Saber ler e escrever e trabalhar somente para a sobrevivência é considerado por muitos o único motivo de viver. No Brasil temos uma educação quase abstrata, com turmas superlotadas nas escolas, professores mal remunerados, alunos irresponsáveis que muitas vezes vão para a escola somente para ocupar um espaço físico, etc. Aliás, sobre o salário dos professores, resumo-o em uma simples palavra: vergonhoso. Não eram para ser, os professores, os profissionais mais bem remunerados do mundo? Por que jogadores de futebol vivem, no Brasil, com 100, 200, 300 mil reais por mês e professores com 600, 700, 800 reais; ás vezes nem isso. É lastimável. Também há uma grande gana dos seres humanos, a qual julgo absurda: quanto mais tem, mais querem ter. Assistindo a uma reportagem no Jornal Nacional da última segunda-feira, dia 13, vi que em Seul, capital da Coréia do Sul, foram destruídas estradas para que um rio renascesse na cidade, e há projetos também para banir-se o tráfego de veículos automotores às margens de um rio e, para isso, construir-se-iam estradas subterrâneas. Será que isso acontecerá em São Paulo, como querem fazer?  No Brasil a política é tratada com total descaso. Não entendo porque. É evidente que existem maus políticos, como existem maus médicos, professores, advogados, jornalistas, empresários. O brasileiro vota e pouco tempo depois nem lembra que candidato ele colocou no poder. Então, como este eleitor irá cobrar mudanças depois se nem se quer lembra a quem confiou seu voto.     Sou um defensor da política brasileira. Há muitos políticos comprometidos com os problemas sociais deste país e, apesar de tudo o que vejo, ainda acredito que o brasileiro mudará um dia e fará do Brasil um país de verdade.

andiguerreiro@hotmail.com                            Anderson Guerreiro