Muitas perguntas ficam na cabeça das pessoas, quando são referentes à doação de órgãos. Se perguntássemos para várias pessoas se elas seriam doadoras de órgãos, ou se diriam o sim na doação de órgãos dos parentes, poderíamos nos surpreender com as respostas, no entanto não basta perguntar. Ao verificar os números de 2003, podemos ter um susto ainda maior, eram cerca de 56.364 nomes que estavam na lista à espera de um doador, mesmo com o aumento na doação de órgãos desde 1995 e um aumento de 44% nos primeiros meses de 2004, foi possível verificar que entre os números de pessoas que precisam de algum órgão ou tecido e o número de doadores existe um abismo sem tamanho.
A mídia e as campanhas governamentais contribuíram para o aumento de doadores, finais felizes com personagens famosos ou reportagens com a família de doadores ou pessoas que receberam órgãos incentivam potenciais doadores, assim como, a legislação brasileira que prevê a responsabilidade pelo consentimento da doação à família, incentivam as pessoas, mas a realidade nem sempre caminha na direção do desejo de tantas pessoas que aguardam uma doação.
Temos um panorama de cerca de 20% de pessoas que conversaram com a família ou amigos e oficializaram o desejo de doar contra 80% de pessoas não conversaram com as famílias e dificilmente oficializariam, outros que não têm opinião formada e ainda pessoas que se posicionam contrárias à doação. Devemos ter uma esperança na escola como formadora de opinião, pois as pesquisas revelam que os mais jovens, com maior poder aquisitivo e com nível de escolaridade maior demonstram a vontade serem doadores.
Devemos banir as idéias de medo do tráfico de órgãos, a retirada sem a morte comprovada, a antecipação da morte para o recolhimento, o nasceu comigo é meu ou o não adianta prolongar a hora da morte, precisamos mudar o cenário de quem espera por uma esperança de vida.