|
ASSOCIAÇÃO RECREATIVA DE SÃO MIGUEL
HISTÓRIA A Associação Recreativa de São Miguel, com sede em São Miguel de Poiares, Concelho de Vila Nova de Poiares, remonta a 1945 embora a sua escritura pública só tenha sido efectuada no Cartório Notarial de Vila Nova de Poiares em 18 de Maio de 1984. Actualmente tem a sua sede no pavilhão próprio junto ao Bairro da Hortas, após cedência da sua antiga sede que é actualmente a Junta de Freguesia de S. Miguel de Poiares.
PARA COMPREENDER MELHOR AS CIRCUNTÂNCIAS EM QUE FOI FUNDADA A ARSM NADA MELHOR DO QUE LER O QUE NOS FOI DEIXADO PELO SÓCIO N.º 1, O PROF. JOSÉ MORAIS:
“.... Quando iniciei a minha actividade docente em S. Miguel, em 04 de Fevereiro de 1938, não existia na freguesia qualquer grupo recreativo/cultural/desportivo. O povo em geral e a juventude em particular tinha como unico meio de distracção e recreio, os bailes, que eram frequentíssimos, quase semanais, que tinham lugar em pequenas salas, ou lojas, ou telheiros, abrilhantados pela grafonola, mais tarde pelo chamado “toque” constituido por duas ou três figuras oriundas das mais diversas localidades, por vezes até muito distantes. Recordo-me de que o primeiro conjunto musical convidado para um baile que teve lugar durante a Festa Anual do “Martir Santo”, como era e ainda é hoje designado o orago da Freguesia, São Sebastião, evento que tem lugar no primeiro domingo do mês de Setembro. Este baile, abrilhantado pelo conjuunto musical de Chelo “ Os Ases do Ritmo”, foi um sucesso de arromba, fazendo afluir a S. Miguel muitas dezenas de forasteiros oriundos das terras vizinhas e não só. Isto teve lugar no principio dos anos quarenta, ano em que foi fundada a Associação Recreativa de S. Miguel cuja sede funcionou numa casa de habitação situada junto à “Praceta” no coração da aldeia de S. Miguel. Estava-se em plena guerra, que durou desde 1939 a 1945, a qual trouxe ao país uma grande falta de géneros alimenticios com reflexos profundíssimos nos meios rurais onde os recursos foram sempre pouco abundantes e pouco ou nada diversificados. A falta de géneros alimentícios foi de tal ordem que o governo viu-se forçado a criar a nível distrital as chamadas Intendências Gerais de Abastecimentos, com delegações nas sedes dos concelhos. A este organismo competia a distribuição de géneros, a maior parte vinda dos E.U.A., tais como farinha, óleo, manteiga, etc. As familias recebiam de acordo com o número de elementos constitutivos e através de senhas que, nas delegações da Intendência iam trocando pelos géneros existentes. O Pão continuou a ser cozido nas padarias existentes – S. Miguel tinha duas – mas sempre em quantidades insuficientes para acudir às populações que o procuravam, às vezes com pouco mais que comer. As “bichas” eram por isso intermináveis e muita gente não conseguia levar para casa a quantidade mínima que a família exigia para sobreviver. Nestas circunstâncias, as crianças apareciam na escola em jejum, famintas, e a maioria quase nada levava para enganar o estômago na hora de almoço. Conduidos e confusos com tal situação, o Prof. José Morais e sua Esposa, a Prof.ª Fausta Morais, tiveram a feliz lembrança de fundar uma cantina onde se confecionasse uma refeição quente para todas as crianças que frequentavam a escola. Obviamente que era precisa uma casa onde a refeição fosse cozinhada, e uma sala suficientemente espaçosa para o refeitório. Era pois, imperiosamente necessário procurar a tal casa que foi encontrada numa vivenda, na tal pequena vivenda contigua à Praceta cujo proprietário exigia a renda de 150$00 mensais! Como consegui tal verba e ainda o dinheiro para a aquisição do trem de cozinha minimamente necessário, louças, talheres, toalhas, enfim tudo quanto se impunha como indispensável para que a cantina funcionasse. E também era preciso pagar à cozinheiraque veio a ser uma simpática e muito prestável velhinha, a senhora Piedade, que passou a auferir 50$00 mensais. Tudo isto foi devidamente orçamentado e estudado até ao pormenor. Mas onde arranjar a verba para fazer face a tudo que era apenas “......” sem contar com os géneros alimentícios , condição “sine qua non” para matar a fome às crianças da escola. Pois os dois professores tiveram na oportunidade uma ideia “genial”: fundaram uma saasociação recreativa, os sócios pagariam as suas quotas e com o respectivo dinheiro pagava-se a renda da casa, a cozinheira e adquirir-se-ia o apetrechamento. E foi assim que nasceu a Associação Recreativa de S. Miguel que hoje se instala no seu pavilhão polivalente, sito às Hortas. Durante o dia o edificio alugado funcionava como cantina escolar; à noite funcionava como clube. Compraram-se bancos, mesas, assinou-se o jornal “O Século” e até, mais tarde , adquiriu-se o primeiro aparelho receptor de rádio, um “Pilot” alimentado a baterias, onde toda a gente ouvia música, noticiários, etc. Como estavam em plena guerra, o aparelho fazia as delícias da população que não perdia os noticiários habituais e mais crediveis da B.B.C. de Londres. ......”
|