Já que os versos são imortais
"... não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela..." (Mãos Dadas - Carlos Drummond de Andrade)
Não vou cantar os cinzas dos prédios Ou as nuances de seus velhos ventiladores Nem falar do vento que toca o rosto Ante a noite fria no inverno das cidades
Não quero parecer com aquele ou outro, tão pouco viver das lembranças não minhas chorar tudo o que não experimentei ou olhar as paredes úmidas do quarto
Queria só que vissem nessas tolas palavras Alguma razão bela e implícita, um mistério Talvez das palavras avulsas e fugazes Ou da simplicidade com que fujo à realidade
"Não serei o cantor da paisagem vista da janela" Algo assim me veio aos olhos, Talvez repita alguém já morto, ou vivo, já que os versos são imortais...
A.R.S.
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