JÚLIO DINIS



    JÚLIO DINIS

UMA VIDA BREVE
    


    Aos catorze anos, entrou para a Academia Politécnica do Porto, onde se dedicou aos estudos de Botânica, Zoologia, Química, Física e Matemática. Em 1856, ingressou na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, tendo concluído o curso de Medicina, cinco anos depois, com a apresentação da tese “Da importância dos Estudos Meteorológicos para a Medicina e Especialmente de Suas Aplicações ao Ramo Cirúrgico”.

      Entretanto, Júlio Dinis começara a estabelecer contactos com alguns escritores, principalmente Soares de Passos, e a publicar alguns dos seus escritos em periódicos como A Grinalda e O Jornal do Comércio. São de 1856 as suas primeiras obras – as peças de teatro Bolo Quente e O Casamento da Condessa de Vila Maior – que apesar do seu pouco interesse literário terão contribuído para os bem conseguidos diálogos dos romances e para certas cenas de confrontação das personagens em conflito. Em 1858, com 19 anos, escreve o conto "Justiça de Sua Majestade", incluído, posteriormente, na 3ª edição dos Serões da Província, um dos primeiros trabalhos que editou.

      É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.Quando se formou, aos 22 anos, já estava atacado de tuberculose, o que o obrigou a desistir do exercício da medicina. Optou, então, pela carreira universitária, tendo-se submetido, em 1863, a um concurso para o lugar de demonstrador na Secção Médica da Escola Médico-Cirúrgica do Porto. No entanto, a doença obrigou-o a abandonar as provas.

      É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.   É a tuberculose que o obriga a recolher-se em Ovar, terra natal de seu pai, onde se instala em casa de uma tia, Rosa Zagalo Gomes Coelho, que vivia no Largo dos Campos. A calma da cidade e a observação da vida simples das pessoas da aldeia inspiram-no a escrever As Pupilas do Senhor Reitor, romance que, algum tempo depois, se tornaria um dos mais famosos em Portugal.  

É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.        Aparentemente restabelecido, Júlio Dinis regressou ao Porto e, a 19 de Janeiro de 1864, submeteu-se novamente a um concurso para demonstrador, tendo apresentado o trabalho "Fisiologia, Ciência, Arte, Objecto, Método, Filosofia”. Foi nomeado para o cargo por decreto de 14 de Março. Em Novembro do mesmo ano, publicou, no Jornal do Porto, o conto "Uma Flor de entre o Gelo”. Em 1865, volta a submeter-se a novo concurso para a Secção Médica, tendo sido nomeado professor da Escola Médico-Cirúrgica.

    Apesar do sucesso alcançado nos vários concursos e da eficiência com que trabalhava na Escola Médico-Cirúrgica, Júlio Dinis preocupava-se, antes de tudo, com a produção literária, o que não o impediu de ser promovido a lente, em Junho de 1867.

    



...Uma obra eterna...



                                                                   ...uma obra para a eternidade...



   
Se pretendêssemos caracterizar resumidamente a vida e a obra do escritor novecentista que dá nome à nossa escola, não poderíamos deixar de referir as palavras acima transcritas, que Eça lhe dedicou, no momento da sua morte, em As Farpas.

      Existência breve, dividida entre a escrita, a Escola Médica do Porto e os tratamentos à tuberculose que acabou por vitimá-lo, Júlio Dinis é hoje frequentemente evocado como o escritor que “escreveu de leve”, expressão de sentido pejorativo, uma vez que encerra uma crítica à sua visão benevolente e optimista das relações sociais do Portugal do seu tempo e às soluções fáceis que apresenta para os conflitos sociais.

      Importa, no entanto, contextualizar as palavras de Eça de Queirós para percebermos o alcance da sua caracterização. Ao contrário de uma crítica, a “leveza” que o autor de Os Maias aponta a Júlio Dinis encerra o reconhecimento de uma obra que não se fez de uma retórica excessiva ou de narrativas complexas, mas sim de um cruzamento constante entre um olhar atento sobre a realidade do seu tempo e um desejo quase utópico de disfarçar o lado mais negro dessa realidade com uma visão poética e idealizada: 

     “Júlio Dinis amava a realidade: é a feição viril e valiosa do seu espírito.

     Nunca porém se desprendeu do seu idealismo e sentimentalismo nativo. A realidade tinha para ele uma crueza exterior que o assustava: de modo que a copiava de longe, com receio, adoçando os contornos exactos que a ele lhe pareciam rudes, espalhando uma aguada de sensibilidade sobre as cores verdadeiras que a ele lhe pareciam berrantes. As suas aldeias são verdadeiras, mas são poetizadas: [...] Tudo nela [na sua obra] é velado de névoa poética. Não é que não ame, não persiga a verdade: somente quando a fixa na página traz já a pena molhada no ideal que o afoga. [...]”

                  Eça de Queirós. As Farpas. 

      É o próprio Júlio Dinis que, em Ideias que me ocorrem (1869), nos revela a sua concepção do romance como “uma arte essencialmente popular”, com uma função educativa, didáctica e ética. Os romances devem, por isso, servir “para andarem na mão de todos, para o uso quotidiano, para educarem, civilizarem e doutrinarem as massas.”

      Para isso, é necessário que as massas se revejam nas personagens, nos espaços, nos diálogos e nas intrigas, vendo neles “reflexos de si próprios, dos seus pensamentos e paixões e avivando memórias de passados episódios de sua vida.” E o leitor só se identificará com o romance se nele encontrar “verdade nas descrições, verdade nos caracteres, verdade na evolução das paixões e verdade enfim nos efeitos que resultam do encontro de determinados caracteres e determinadas paixões”.

      O fundo ideológico dos romances de Júlio Dinis é constituído pela época de estabilização social e política que sucedeu ao período das guerras civis. Na sua obra, encontramos a apologia ao progresso concebido sob formas burguesas, concretizado na Bolsa do Porto (Uma Família Inglesa), na actividade dos novos proprietários agrícolas, saídos da extinção dos direitos senhoriais (As Pupilas do Senhor Reitor, Os Fidalgos da Casa Mourisca), e materializado nas vias de comunicação. O professor primário, o médico e o padre liberal são os heróis típicos desta sociedade visionária, coerente com a natureza humana:  

“A harmonia universal, de que o liberalismo seria a expressão, resolvia todos os conflitos e anulava as desigualdades, ou compensava-as pela caridade esmoler; tal é o sentido dos enredos sentimentais de Júlio Dinis, que conduzem sempre ao nivelamento de dois enamorados económica e socialmente desiguais; (...).

  Assim se transpõe ao plano doméstico toda uma filosofia política. (...)” (Óscar Lopes e A. José Saraiva (1996) História da Literatura Portuguesa. pp.807-808). 

   As narrativas de Júlio Dinis constituem uma visão realista da complexidade da vida social portuguesa do seu tempo. Os conflitos que eclodem entre as personagens correspondem aos conflitos ideológicos ou de classe que elas representam, retratando uma realidade em mudança devido à ascensão dos novos valores burgueses. Já a solução que preconiza para esses antagonismos é optimista e utopicamente romântica, pois são as superiores qualidades das personagens que possibilitam a sua transição de uma classe/estatuto social para outra(o) sem criar rupturas, ultrapassando conflitos previamente existentes.

   Num período histórico marcado por profundas mutações sociais, Júlio Dinis acredita com idealismo romântico acentuado, e numa atitude pedagógica e moralizadora que cariz realista, na capacidade de auto-regeneração do Homem, na possibilidade da mudança individual em articulação dialéctica com as alterações sociais. No romance Os Fidalgos da Casa Mourisca, o casamento entre Berta e Jorge, ou melhor, entre a burguesia rural em expansão e a aristocracia rural decadente, simboliza o ideal social de Júlio Dinis – a fusão, numa espécie de nova aristocracia, do trabalho, da riqueza, da ilustração e da nobreza:

   

       “Os romances de Júlio Dinis revelam-nos um vivo e comovente desejo de harmonização universal, uma veemente vontade de conciliação dos contrários de que o autor, utópica e romanticamente, acredita ser expressão a sociedade liberal em vias de construção ou sedimentação. [...] Se a solução encontrada por Júlio Dinis para os conflitos que avassalavam o mundo seu contemporâneo é romântica, utópica e optimista e não foi confirmada pelas forças da História, esse facto não invalida a parte de verdade humana e social da sua obra, assim como o forte contributo para a criação do romance moderno entre nós.” (Á. M. Machado (1996). Dicionário da Literatura Portuguesa. p.168) 
     

      E foi sobretudo como um dos fundadores do romance moderno que Júlio Dinis ganhou o seu espaço na História da Literatura Portuguesa. Apontado como um autor de transição entre o Romantismo e o Realismo, o autor portuense conseguiu uma aliança perfeita entre estas duas correntes. Do Romantismo, herdou uma visão idealista e maniqueísta da realidade, uma imagem idílica da vida rural, a concepção de personagens excepcionais, uma visão angelical e deserotizada da mulher, a mitificação do trabalho como fonte de todo o bem, as soluções harmoniosas para os conflitos e a emergência de um narrador que dialoga com o leitor, aconselhando-o, explicando as acções das personagens, julgando.

      A sua concepção do romance, inquestionavelmente moderna, avança já alguns pressupostos do romance realista. Para além da função moralizadora e didáctica já apontada anteriomente, constatamos a sua preferência por temáticas contemporâneas e a apreensão da sociedade como palco de conflitos, o recurso a personagens-tipo, criando uma galeria de tipos sociais da época, o uso, nos diálogos, de uma linguagem própria da oralidade e adequada ao perfil das personagens, a perseguição do efeito de real e a valorização da componente descritiva indispensável ao processamento da “análise dos caracteres”, da criação de atmosferas, da crítica social, fundamentais para a criação de uma lógica causalista.

É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. De facto, há, em Júlio Dinis, uma preocupação extrema com a descrição de ambientes, sobretudo sociais, de interiores domésticos que ajudam a caracterizar as personagens, de cenas do quotidiano, de hábitos e costumes, sobretudo rurais, de reflexões e pensamentos íntimos das personagens (relatos de sonhos, monólogos interiores, desenhos involuntários, associações de ideias na mente das personagens), o que o aproxima do modelo da novelística inglesa da época (Dickens, Jane Austen, Goldsmith, Richardson), que claramente o influenciou. Por isso, nos seus romances a acção encontra-se subordinada à descrição e ao romance “de imaginação”, que explora histórias de terror e mistério, procurando prender a atenção do leitor através da rapidez e do inesperado das peripécias, opõe Júlio Dinis a lentidão da narrativa, a valorização do comum e a verdade cuidadosamente averiguada.  
 

      
E a família assume, em Júlio Dinis, o papel central na (re)educação dos indivíduos, em especial devido à influência das figuras femininas, que promovem a harmonia, a reconciliação entre personagnes em conflito e o amadurecimento das figuras masculinas.

      Aliás, a estrutura habitual dos seus romances assenta na narração de histórias de gente simples e boa, de caracteres que vivem confrontos motivados sobretudo por diferenças de estatuto social e de histórias de amores dificultados pelos diferentes estatutos sociais, mas posteriormente superadas e terminando em casamentos felizes que resolvem de forma optimista e harmoniosa as suas divergências, superando os desequilíbrios de classe, educação ou temperamento.

      Num estilo leve e sóbrio, original na literatura de então, descreveu de forma ímpar quadros domésticos e maioritariamente rurais (à excepção de Uma Família Inglesa), de que os contos de Serões da Província (1870) são o melhor exemplo.

      E é precisamente num espaço rural que decorre a intriga de As Pupilas do Senhor Reitor, o seu primeiro romance, publicado em 1867, depois de, no ano anterior, ter sido publicado em folhetins no Jornal do Porto. Foi um sucesso imediato, suscitando críticas muito favoráveis. Alexandre Herculano chamou-lhe mesmo o primeiro romance do século e considerou Dinis o maior talento da geração moderna. Outra prova desse sucesso é o facto de o romance ter sido de imediato adaptado ao teatro, numa versão de Ernesto Biester.

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      Por razões de saúde, Júlio Dinis instalara-se em casa da sua tia Rosa Zagalo Gomes Coelho, que vivia no Largo dos Campos, em Ovar. Foi durante essa estadia que contactou de perto com o modo de vida rural, recriando esse ambiente em As Pupilas do Senhor Reitor e nos seus romances campesinos (por exemplo, a personagem da tia Doroteia de A Morgadinha dos Canaviais foi inspirada na sua tia).

      No seu primeiro romance, Júlio Dinis faz uma reconstituição pitoresca e algo poética do viver no campo e do desequilíbrio provocado pela chegada de Daniel, o filho de José das Dornas regressado à aldeia após concluir os estudos de Medicina.

      É evidente a influência do Vigário de Wakefield, de Goldsmith, e de O Pároco da Aldeia, de Herculano, sobretudo na caracterização de personagens, de ambientes rurais e da bondade do reitor e de João Semana, o velho médico, que servem na perfeição o propósito de pregar uma moralização de costumes pela vida rural e pela influência de um clero convertido ao liberalismo.

      As personagens rurais são apresentadas no seu viver quotidiano, marcado pelas estações do ano, pelas tarefas agrícolas e pelas festas das colheitas e religiosas. A maledicência, a beatice, a hipocrisia e o conservadorismo das populações rurais são vistos com alguma benevolência, descrevendo-se tipos sorridentemente caricaturais que giram na órbita de Margarida e Clara, desajustadas do meio campesino.

      Daniel, o jovem de mentalidade citadina, impulsivo e mulherengo, relaciona-se com elas num enredo amoroso triangular que gera boatos e uma situação-limite que leva Margarida, sensata e moralmente superior, a sacrificar a sua reputação para salvar a da irmã e evitar o conflito entre os irmãos Pedro e Daniel. No final do romance, o desequilíbrio provocado pelo regresso de Daniel será resolvido pelo seu casamento com Margarida, que o “regenera”, tornando-o melhor e convertendo-o às virtudes da vida rural.

      Sobre As Pupilas do Senhor Reitor, escreveu Eça de Queirós, em As Farpas: 

          “Um só livro seu, um romance, fez palpitar fortemente as curiosidades simpáticas – As Pupilas do Senhor Reitor. Esse livro fresco, quase idílico, aberto sobre largos fundos de verdura, habitado por criações delicadas e vivas – surpreendeu. Era um livro real, aparecendo no meio de uma literatura artificial, com uma simplicidade verdadeira, (...). Era um livro onde se ia respirar.”    

      É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.Em 1868, é publicado Uma Família Inglesa, o único romance que não se passa em meio rural, mas sim no Porto. Foi o primeiro romance a ser escrito, entre 1858 e 1862, tendo aparecido inicialmente em folhetim, com o nome Uma Família de Ingleses. A intriga põe em confronto duas famílias – os Whitestone (o pai, homem de negócios e viúvo, e os seus filhos – Jenny, mulher-anjo que desempenha funções maternais, e Charles, estouvado e dado à boémia portuense da época) e a família de Manuel Quintino, empregado de escritório dos Whitestone, viúvo com uma filha, Cecília, ela também mulher-anjo, embora dada a alguns “desvios” comportamentais. Cecília e Charles apaixonam-se e depois de várias peripécias casam-se, ultrapassando as situações de conflito existentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 

      Também os ambientes sociais são descritos ao pormenor (a Bolsa do Porto, o Café Águia d’Ouro e o Baile), apresentando cenas reveladoras do mundo dos negócios, das diversões e convívios da alta burguesia de origem e hábitos civilizacionais ingleses, da pequena burguesia e dos assalariados, contribuindo para um retrato realista da vida portuense, sugerido já no subtítulo “Cenas da Vida do Porto”, em que o enredo sentimental serve, em grande parte, de pretexto.

      É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.Já os espaços naturais aparecem associados a momentos de reflexão e auto-análise. Júlio Dinis é, aliás, o primeiro escritor português que, descrevendo interiores ou cenas ao ar livre, as integra com as personagens, verdadeiras atmosferas que fazem corpo com elas. Percorre o espaço psicológico das personagens, recorrendo ao monólogo interior, à análise psicológica proporcionada pelo relato de sonhos ou pela escrita/desenho automáticos de Charles, pelos mecanismos de associação de ideias, ou pela conversa de Jenny com o retrato da falecida mãe. 
 

 
 
 
 

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      Em 1870, é publicada a colectânea Serões da Província, constituída por contos e novelas, entretanto saídos, em folhetins, no Jornal do Porto. Nas suas narrativas, encontramos, de novo, flagrantes poéticos da vida rural e quadros tocantes das vivências domésticas.

É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. Em 1869, o agravamento da sua doença obrigara-o a passar alguns meses na ilha da Madeira. Achando-se melhor voltou ao trabalho na Escola Médica, mas poucos meses depois teve de regressar à Madeira, ocupando-se com a redacção de Os Fidalgos da Casa Mourisca, que viria a público, em 1871, já depois da sua morte. O romance marca uma nova fase, pois ocorre uma intensificação da acção novelesca e da presença de elementos intrigantes ou espectrais.  
 
 
 
 
 
 
 
 
 

      Também postumamente foram publicadas as obras Poesias (1873), Inéditos e Esparsos (1910), Cartas e Esboços Literários (1940) e Teatro Inédito (3 volumes, 1946/47). 

      Senhor de uma linguagem fluida, elegante e sem grandes excessos, Júlio Dinis captou e descreveu de forma elegante ambientes e atmosferas e retratou a psicologia de personagens que, na sua aparente leveza e singeleza, simbolizam um certo Portugal social, político e religioso.

      Simultaneamente, deixou na sua obra um desejo (por muitos visto como ingénuo) de harmonia social, que conciliasse os valores da velha aristocracia decadente com os valores burgueses, representantes de um novo espírito saído da revolução liberal, símbolo de prosperidade e de modernidade para Portugal.  
 

                                         (por Ana Maria Ferreira - Profª da Escola Sec. c/ 3º Ciclo de Júlio Dinis (Ovar)

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