A Guardiã de Yansã

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Momento com Deus

 
 
 
O Nazareno Mestre, no Pai-Nosso, deixou para a humanidade de todas as épocas um modelo de como o homem deveria orar.

Pai nosso, que estais nos Céus,
Santificado seja o Vosso nome,
Venha a nós o Vosso Reino,
Seja feita a Vossa vontade,
Assim na Terra como nos Céus.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
Perdoai-nos as nossas ofensas,
Assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido.
Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Amém!

Orar, no seu sentido mais profundo, é integrar-se ao Centro de Convergência e de Expansão, ao Princípio Incriado Gerante (Princípio em que se atesta que Deus não foi criado. Ele não existe, somente É.), ao Absoluto, à Força-Síntese do Universo – Deus.

Pai nosso, que estais nos Céus. (Em A Metafísica do Cristianismo, editado pela Fundação Alvorada, Huberto Rohden teceu, a nosso ver, o mais completo comentário sobre o Pai-Nosso.)

Nesse instante, o orante reconhece a supremacia do Cristo-Pai, a Sua cristicidade cósmica além do tempo e do espaço. Verdadeiramente, desarma-se para sentir a pulsação do Princípio Criado Criante (Já Cristo é um ser criado por Deus: teve princípio e não terá fim, assim como todos os espíritos.) – o Cristo Cósmico.

Começa ele, então, a vislumbrar a cristicidade espiritual do Eterno Pai e, simultaneamente, a sentir o crístico despertamento para a crística experiência em si. Nessa cosmointeração (ação recíproca), o universo é reduzido a um ponto e a eternidade a um instante, ou seja, passa a se dar o momento de ressonância entre o Cristo Interno do orante e o Cristo Eterno do recôndito Eu do Universo – o contato consciente com a essência e o essencial.

Assim, após o orante ligar-se vibratoriamente à elipse do Supremo Princípio do Todo, à inesgotável Fonte da Vida Universal, passa a conscientizar-se do Deus imanente e a verticalizar-se rumo ao Infinito, proferindo:

Santificado seja o Vosso nome,
Venha a nós o Vosso Reino,
Seja feita a Vossa vontade,
Assim na Terra como nos Céus.

Após essa cosmoconsciência mística,(Referente à vida espiritual e contemplativa. Devoto, religioso, contemplativo, piedoso. Aquele que, mediante a contemplação espiritual, procura atingir o estado extático (posto em êxtase, enlevado) de união direta com a Divindade) essa experiência com o Divino, o orante horizontaliza-se para a sua vivência humano-ética.

Pela mística do amar a Deus sobre todas as coisas nas três petições iniciais e pela cosmomeditação, o orante conscientizado do Cristo interno, por ter despertado em si a consciência cósmica, revela a sua vivência ética, amando ao próximo como a si mesmo e perdoando-lhe as faltas. Agora sim... Agora o orante pode dizer:

O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
Perdoai-nos as nossas ofensas,
Assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido.
Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

Orar, portanto, é desarmar-se, despir-se diante do Senhor de Todos os Mundos... Permitir-se ser invadido pela Essência Divina do Universo... Reconhecer pela razão, a onisciência; pela sabedoria, a onipresença; pela vontade, a onipotência de Deus... É abrir a boca da alma rumo ao infinito, a fim de que a unidade do Cristo essência penetre na consciência do Cristo existência, no âmago de cada orante ser.

Para a oração encontrar eco na pátria celeste, no imponderável, é imprescindível que a vontade humana esteja sincronizada com a vontade divina e dessa concentricidade (Qualidade, caráter ou estado de concêntrico (que tem o mesmo centro)) surja uma resultante em direção ao orante com o sentido místico-ético.

Amém!
 
(Aconselhamos a leitura-estudo de A Missão do Espiritismo (Ramatís, Editora do Conhecimento), em que o autor faz excelente comentário sobre o “Amém” ou “AUM”.)

Símbolo sonoro significativo da trina manifestação do universo espiritual, energético e material. É o movimento incessante da força centrípeta (Que se dirige para o centro. Vide aceleração e força) emanada do Criador, atraída pelo orante para o despertamento da sua consciência.

Após a oração, o Amém é a linha de força a ligar o finito com o Infinito, a parte com o Todo, o humano com o Divino, despertando- lhe o princípio impulsionador da vida universal para a incessante evolução do espírito ou do eterno vir-a-ser.

Por manifestar o aspecto trinário do universo, o Amém é o mantra que causa maior amplitude na auscultação, ou seja, na busca do conhecimento libertador dos atributos divinos do Criador, latentes nas criaturas.

O Amém ou AUM é o som místico absoluto para o homem entrar conscientemente em contato intuitivo com a realidade suprema – Deus.

A oração harmoniza a alma com o corpo. Com tal equilíbrio, o homem desperta para as finalidades supremas da existência, desfazendo gradativamente os impulsos anelados ao primitivismo... Conduz a vibrar em faixas de correntes de pensamentos mais rarefeitos, em contato mais assíduo com os espíritos superiores, aqueles que alimentam nos humanos seres as nobres aspirações.

Com o tempo, pela repetição da oração verbalizada, o homem cria o hábito e conscientiza-se de que orar é abrir a boca. Nesse estágio, adquiriu a misericórdia do falar e, com isso, a sua mente não elabora conflitos íntimos geradores de distúrbios diversos. Isso porque o pensamento, quando superior, salutar e edificante, interfere positivamente no fluxo das energias que mantêm a harmonia da alma e a saúde do corpo.

A oração, ao deixar de ser um processo mecânico, inconsistente, passa a ser ação consciente na ligação Cristo-Filho / Cristo-Pai. Com isso, a mente desfaz conflitos, ódios, ressentimentos, os quais produzem degenerescência no corpo somático. Fica evidente que a ação enobrecedora tem como efeito valores ricos de bens morais, revitalizando a alma e o corpo.

Percebemos que o sublime ato de orar é um hábito que devemos criar a ponto de o nosso falar ser a manifestação do Verbo.

É rotina de todas as culturas orar, pedindo ao Senhor da Vida solução para os problemas, força para superar as dificuldades, alívio ou cura para as doenças da alma e do corpo e em todas as épocas Deus se fez presente

 
Texto extraído de obras de Adolfo Marques dos Santos